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    Sobre milagres e fé

    17 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    O que são milagres? “Milagres são coisas admiráveis”, diria o filósofo Voltaire: “A ordem prodigiosa da natureza, a rotação dos planetas, a atividade da luz, a vida dos animais, constituem perpétuos milagres”.

    No dicionário, a definição aparece exatamente oposta: “milagres são fatos sobrenaturais, que contrariam as Leis da Natureza”.

    Na Bíblia, os milagres são apresentados de várias maneiras: na estéril que pôde ter um filho; em um cego que voltou a ver; em uma mulher curada ao tocar as vestes de Cristo; em mortos sendo ressuscitados.

    Desde sempre, aprendemos e classificamos como milagres aqueles eventos grandiosos, que muitos de nós nunca presenciamos, e que fogem às regras da lógica humana. Nesse sentido, milagre é tudo aquilo que está totalmente fora do meu alcance, é tudo aquilo que só pode ser realizado por uma força externa a mim, uma força divina e sobrenatural, que age em meu favor.

    Muitas pessoas tentam contestar a fé cristã apresentando “provas e argumentos” racionais que justificariam determinados acontecimentos, procurando desvalorizar assim o caráter sobrenatural do ocorrido. Teorias para explicar a abertura do Mar Vermelho, o sol parado no centro do céu, o grande peixe que engole um homem vivo.

    Não sei a que conclusão chegarão os cientistas, mas para mim, seja um fenômeno natural ou não, o simples fato de ter acontecido para as pessoas certas, na hora certa, no local certo, só por isso, já seria um milagre!

    E assim, ao observarmos nosso simples cotidiano, poderíamos ver uma infinidade de pequenos milagres acontecendo: o ônibus que passou a centímetros do pedestre e por pouco não causou um grande acidente; a médica que conseguiu socorrer uma paciente a tempo de salvar sua vida; o trânsito que incrivelmente colaborou para que você não chegasse atrasado a um evento de grande importância. Pequenos milagres cotidianos. Todos acontecidos sem que o indivíduo pudesse ter controle. Para além da sua vontade ou possibilidade de ação.

    Pode até ser algo pequeno e insignificante para quem vê de fora, mas para quem vive aquele momento de incerteza, e pode presenciar a solução, certamente um milagre divino foi visto, sentido, vivido.

    Deus é perito em realizar milagres. E quer saber uma coisa curiosa? Ele disse que poderíamos fazer também: “Aquele que crê em mim, obras ainda maiores fará…” (João 14:12) “Eis que vos dou poder…” (Lucas 10:13).

    Não sei se você conseguirá fazer o sol parar, ou secar a Baía de Guanabara. Não sei se você vai presenciar um defunto ressuscitar. Mas sei que é um milagre quando uma alma deprimida encontra consolo num abraço amigo. Sei que é um milagre quando uma família que via seus filhos famintos, recebe uma cesta básica. Sei que é um milagre quando uma mãe desesperada, encontra abrigo na casa de um irmão.

    Pequenos atos de amor, grandes milagres divinos.

    Ao seu alcance. Ao meu alcance. Eu e você, instrumentos para a realização dos milagres que Deus quer operar.

    “E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro” quando pessoas se disponibilizarem a fazer a tradução na Língua de Sinais. “E dentre a escuridão e dentre as trevas os olhos dos cegos as verão” por meio daqueles que se dispõem a narrar e descrever o mundo por meio de palavras.

    Os astros, a Terra, os fenômenos da natureza, nem sempre precisam sair de suas órbitas ou rotina. Tem milagres que podem ser realizados apenas com um sorriso e um olhar atento.

    Porque no final das contas, milagres são feitos de pessoas também: a todo instante, quando a coisa certa, acontece para a pessoa certa, na hora certa.

    Então, meu amigo, faço um desafio e um convite a você: permita-se observar os inúmeros pequenos milagres que acontecem à sua volta, permita-se ser grato por cada um deles, e permita-se ser usado como instrumento de Deus na realização de inúmeros outros pequenos milagres de amor.

    Amém!

    _ _

    Rachel Colacique, professora, paulista e corintiana – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro, faz parte da diretoria da sociedade de jovens e secretária distrital da Federação de Jovens 1a RE – distrito do Catete.

    Em memória de mim

    24 mar 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Sempre gostei muito de participar do momento da ceia. Desde o meu batismo, ainda na infância, as referências simbólicas e o processo litúrgico traziam conforto ao meu coração.

    Como um abraço, um carinho, em que os céus me lembravam do amor e sacrifício feito por mim.

    As palavras eram as mesmas “e tendo Jesus dado graças” e, internamente, repetia o que já havia memorizado em meu coração: “o partiu e deu aos discípulos, dizendo: isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isso em memória de mim”.

    “De semelhante modo”… e seguia o texto. Lembro até hoje a ênfase que meu pastor dava na parte do vinho “bebei dele todos – vejam bem, todos os discípulos”, como batista, sua preocupação sobre quem poderia participar, ou não, da ceia ficava evidente quando esse trecho era repetido mensalmente.

    Em algumas ocasiões especiais poderia haver variações na liturgia, mas de modo geral o evento era esse. “Examine-se, pois, o homem a si mesmo”, e nesse momento o símbolo falava ainda mais forte para mim: todas as memórias ruins daquele mês, todas as tristezas, todas as angústias, todas as situações de descontrole vinham à minha mente, e era como se o suco de uva fosse um rio, levando todas as más coisas em sua correnteza.

    E se nesse momento lembrássemos algo que tivéssemos feito a alguém, a troca de cálices simbolizava o perdão restaurador de Cristo. Sim, simbolicamente a ceia do Senhor ainda fala muito comigo!

    Essa semana visitei uma igreja com a liturgia diferente na realização da ceia. Ao invés de cada um pegar seu pão e vinho individualmente, e voltar para seu lugar no banco, um irmão servia ao outro: o pedaço de pão era embebido no suco de uva, e servido na boca do irmão ao seu lado na fila, que faria o mesmo por você.

    O choque inicial foi inevitável! Em uma fração de segundos me vi desconcertada, sem saber bem como agir. Não digo externamente… isso era bastante simples e claro, mas fiquei sem saber o que fazer com meus processos internos: o rio, as memórias, as tristezas, a necessidade de perdão e cura.

    E então eu percebi uma beleza diferente: aquela ceia não era “minha”… mas do irmão à minha frente.

    Tive vontade de parar ali e conversar: será que ele também precisava de um abraço do céu?

    Quais seriam suas lutas? Quais dores o angustiavam? Será que ainda havia alguma dificuldade de receber perdão? Será que tinha clareza do quão precioso era o sacrifício feito na cruz?

    E me lembrei do quanto às vezes eu vivo um Evangelho individual. Do quanto a pressa do cotidiano me rouba oportunidades de contato com as pessoas à minha volta.

    Porque a frase “em memória de mim” traz à mente não apenas o sacrifício feito pela minha vida, mas pela vida do meu irmão também. “Em memória de mim” inclui todos os cegos nas estradas; todos os leprosos à margem da cidade; todas as mulheres desamparadas. “Em memória de mim” inclui os casamentos em que não há mais vinho; inclui as crianças e a pureza de sua fé; inclui todos os Zaqueus, os Pedros e os Jairos; inclui todos os meninos com seus pães e peixes.

    “Em memória de mim” fala não apenas da sua morte e ressureição, mas fala também de sua vida. Vida doada a cada pequeno gesto. Vida doada ao próximo. Vida que já não era sua somente, mas do mundo, por amor.

    Há uma canção cristã, em inglês, que conta a história de um menino que vai até a casa de sua avó. No caminho, seu irmão acaba ficando pra trás, perdido e machucado. Mas ele não se importa muito, afinal, todas as guloseimas de que poderia desfrutar estavam ali, bem à sua frente: “mordido duas vezes por serpentes do chocalho, emaranhadas no carvalho de veneno, ele caiu e quebrou as pernas em uma grande ravina. Quando eu cheguei na casa da avó ela tinha nos feito chá e bolo. Ela me perguntou onde meu irmão estava, eu disse que eu não sei e eu comi.” A música segue, celebrando a grandeza de um céu e paraíso vindouro, nos fazendo questionar a indiferença do menino por seu irmão caído.

    É disso também que fala o “em memória de mim”. De um evangelho que não se preocupa com a minha salvação apenas. De um Deus que amou de tal maneira o mundo, que entregou seu filho unigênito – seu único filho, seu bem mais precioso – para que TODO aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna.

    Que essa lembrança esteja sempre fresca em nossas memórias. Amém!

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    Rachel Colacique, professora, paulista e corintiana – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro, faz parte da diretoria da sociedade de jovens e secretária distrital da Federação de Jovens 1a RE – distrito do Catete.

    Confia em mim?

    23 fev 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Confiar: verbo tão presente em nossas músicas, poemas e conversas cotidianas.

    Dizemos para amigos, amores e familiares. Vemos o apelo em cartazes e panfletos de propaganda, que afirmam podermos depositar nossa confiança em suas marcas e produtos.

    Olhando assim parece até algo fácil de fazer! O dicionário diz que confiar é sinônimo de acreditar, sinônimo de delegar, “entregar aos cuidados de”. Então, se pensarmos bem, talvez não seja uma tarefa assim tão simples.

    Pode ser que você confie que um desconhecido corte seu cabelo, pode ser que confie em um taxista que parou no meio da rua, pode até emprestar seu carro para um amigo. Mas daí a confiar “cegamente” e entregar a alguém o controle de algo, é um passo bem diferente.

    Eu não sei quanto a vocês, mas essa questão para mim tem sido um ponto a que tenho dedicado bastante atenção: Em quem confiar? O quanto confiar? Em que circunstâncias estou agindo corretamente ou sendo imprudente? Ingenuidade ou fé? São perguntas difíceis de responder.

    Até porque, mesmo sem perceber, vamos criando meios e estratégias de proteção que, às vezes, podem mascarar aquilo que chamamos de confiança: tudo bem experimentar um novo salão, já que o cabelo cresce novamente; tudo bem pegar um taxi desconhecido, porque eu posso observar sua credencial e vinculação da cooperativa; tudo bem emprestar meu carro,

    tenho um seguro de ampla cobertura para eventualidades. Tudo bem confiar em você, desde que seja só até onde posso garantir minha própria segurança!

    É o tal “confiar com reservas”. Parece que confio no outro, mas talvez esteja confiando apenas em minha própria capacidade de julgamento da situação. Não que façamos isso por maldade, mas sim motivados por nossa necessidade de segurança. Tentamos ter o controle da situação porque achamos que assim estaremos mais protegidos. Sabe aquele velho ditado que diz: “se quiser algo bem feito, faça você mesmo”? Então… acho que é mais ou menos por aí.

    Obviamente não estou criticando generalizadamente esse tipo de atitude. Não digo que devemos caminhar inocentemente nos expondo a riscos desnecessários. Não se trata de baixar guarda de nossas autodefesas. Lembramos bem o que diz Jeremias 17:5 “Maldito o homem que confia no homem” e o texto de Mateus 10:16 “prudentes como a serpente, mas simples como as pombas”. Mas essas defesas que criamos para as relações humanas acabam se estendendo para várias esferas da nossa vida. E pensar o quanto essas questões afetam nossa fé em Deus, é um exercício importante!

    Pensando em minhas próprias experiências, percebo o quanto ainda tenho dificuldade de descansar após ter entregue algum problema nas mãos de Deus. Digo que confio Nele, tenho plena certeza que ele tem poder para realizar meu pedido, mas ainda assim fico pensando em todos os “mas”, “será” e “porém” envolvidos.

    Às vezes sinto como se estivesse tentando domar um leão.

    Meu impulso humano de tentar ter o controle das coisas é o tal felino: indócil, selvagem, pronto para atacar a qualquer momento. E eu estou ali, com um banquinho e o chicote na mão, lutando contra mim mesmo, tentando não ser devorada pelos meus medos e inseguranças.

    Minha fé manda confiar. Minha razão manda me proteger, já que teme sempre pelo pior.

    Parece meio dramático falando assim, mas quem nunca tentou “dar uma ajudinha” pra Deus?

    Abraão teve Ismael, Jacó comprou sua primogenitura, e a gente fica tentando dizer para Deus o que Ele deve fazer em nossa vida. Não é mesmo?

    Dizem que o banquinho de quatro pés é um dos segredos dos domadores. Ao agitar o banco na frente do leão, o animal tenta focalizar os quatro pés ao mesmo tempo e acaba ficando confuso, e paralisa. Jesus tem sido meu banquinho! É o único segredo capaz de me ajudar a domar minha racionalidade teimosa e insegura.

    E olha que eu sou bem teimosa mesmo! Qualquer pequeno descuido e pronto! Lá está meu leão atacando seu domador. Lá estou eu discutindo com Deus sobre como determinados planos não saíram como planejei, o quanto determinados sonhos ainda não foram realizados, o quanto isso ou aquilo está demorando muito. Lá estou eu tentando tomar atalhos, tentando resolver as coisas do meu jeito e no meu tempo, lá estou eu confiando em Deus, mas com (muitas) reservas!

    Então vem Jesus, com toda sua paciência de pai, e começa a me lembrar de que eu não tenho o controle de tudo, mas Ele tem. E vêm as coisas loucas na vida, que confundem as sábias; e vem a fraqueza; e as coisas parecem tão longe das minhas mãos, e tão fora do meu controle…

    mas estão nas mãos daquele que me guarda.

    Quanta fragilidade poderia ser superada se simplesmente confiássemos nisso.

    Ficamos com medo de entregar nosso Isaque, pois não confiamos que haverá um cordeiro para nós.

    Tememos desagradar o rei, pois não confiamos que as chamas da fornalha não nos queimarão.

    Procuramos nossos atalhos, por não confiarmos que ele tem um caminho de plenitude.

    Mas Ele tem.

    Ele vê.

    Ele não esquece.

    Então vá lá, pegue seu banquinho, e dome seu leão assustado que ataca por medo.

    Fique tranquilo, Ele quer te ver pleno de felicidade.

    Descanse, a vitória virá, mesmo que isso custe algumas lágrimas pelo caminho.

    Delegue a Ele seus planos, pois Ele vibra tanto quanto você a cada conquista alcançada.

    Ele sonha com seu crescimento, com sua segurança.

    Confie, Ele não vai esquecer de você : “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.” (Jeremias 29:11).

    Como diz a letra de uma música: “Ele te deu as [coisas] mais loucas pra confundir as mais sábias, e te deixou as mais fracas pra te livrar da tua força. E ele escolheu bem as que não são pra te lembrar que você não é. E que não precisa ser o que não precisa.”

    Abra mão da sua força, porque Ele está sendo forte por você.

    Abra mão de sua razão, pois Ele sabe o que fazer.

    Você não precisa ser, porque Ele já é.

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    Rachel Colacique, professora, paulista e corintiana – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro, faz parte da diretoria da sociedade de jovens e secretária distrital da Federação de Jovens 1a RE – distrito do Catete.

    Mais doce que o mel.

    30 out 2014   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    “Teu amor por mim é mais doce que o mel. Tua misericórdia é nova a cada dia”.

    Lembro-me sempre desse cântico que fala da bondosa doçura do nosso Deus.

    É tão bom e reconfortante saber que Ele nos ama!

    Mas não sei exatamente o que acontece com a memória humana… pois, por mais que saibamos desse amor e cuidado, estamos sempre precisando que algo nos prove, nos lembre, nos certifique.

    Temos fé. Damos um passo, não temos mais.

    Não sei explicar. Mas não é uma perda consciente, não é uma decisão. Sabemos racionalmente que Deus está no controle, sabemos que Ele não nos abandona, podemos até citar versículos, relembrar inúmeras histórias de milagres e provisão, mas o sentimento ainda é de desamparo, de incerteza, de medo.

    Como se um “será?” estivesse ecoando lá no fundo do nosso coração.

    Não é uma dúvida sobre o poder de Deus de fazer o impossível. Não! Disso nós temos certeza!

    Ele pode! Nossa dúvida diz respeito apenas ao nosso próprio momento: “Será que Ele fará isso por mim? Será que dessa vez Ele também não vai me deixar? E se Ele resolver não atender esse meu chamado?”

    Acho que foi o que Pedro passou naquele momento, ao andar sobre as águas: “Senhor, se és Tu, manda ir-me ter contigo por cima das águas” (Mateus 14: 28). Pedro pediu, e recebeu sua resposta na mesma hora: “Vem!”

    Ah, o prazer de ter um pedido atendido! E Pedro vai. Ele pode ver Jesus. Ele acabou de ouvir sua ordem autorizando que caminhasse. Naquele momento eram apenas Pedro, Jesus e o milagre. Um pedido já atendido. Ele já estava sobre as águas. Não era algo futuro, mas acontecia naquele instante presente, com o Mestre à sua frente, e o mar sob seus pés. Como duvidar? Como explicar o medo que tomou conta de Pedro, independente do que acontecia à sua vista?

    De onde veio sua fraqueza repentina? Uma dúvida surgida após um ato gigantesco de fé, após pedir e receber, após dar os primeiro passos. Talvez pudéssemos entender se Pedro duvidasse antes de sair do barco. Talvez fosse justificável. Mas ali, diante de Cristo e o milagre realizado?

    “Homem de pouca fé, por que duvidaste?!”

    Quantas vezes agimos como Pedro, e nos agitamos sobre o mar, deixando o medo e os ventos ditarem nossa força? E pedimos, suplicamos: “Senhor, salva-me!”

    Mas já estávamos salvos. Já havíamos recebido a ordem de avançar. Já havíamos presenciado o impossível se realizar. Já estávamos lá, com o Mestre, e ainda assim, duvidamos.

    Que bom que, para nossa sorte, Deus não age baseado na nossa capacidade de crer, e permanecer crendo. Ainda bem que o Senhor que não nos abandona, mesmo ciente de nossa pequenez e incredulidade. Bendito aquele que permanece fiel, mesmo quando somos infiéis.

    Bradamos “Salva-nos, Senhor!” e na mesma hora Sua mão já está estendida.

    Quanta bondade. Quanta misericórdia. Que lindo e doce amor. Mais doce que o mel.

    Se hoje o vento sopra forte, se o som da tempestade o assusta, se a escuridão traz pavor, se o sentimento é de desamparo, saiba que Jesus está bem à sua frente, já com a mão estendida para te socorrer.

    Eu sei que você não quer duvidar. Eu sei que seus sentimentos, às vezes, são contrários às suas certezas racionais. Eu sei. Você sabe. E Ele também sabe.

    Ele sabe que você é apenas um ser débil e assustado, que tem uma péssima memória! Mesmo sabendo que você esqueceu a ordem dada há instantes, e de tantos impossíveis já atendidos, mesmo você duvidando diante do milagre presente, mesmo sabendo que você esquecerá de novo, e terá medo de novo, ainda assim, Ele não desiste de você. Ele não vira as costas para seu clamor.

    Então, ser frágil e de pequena fé, pode gritar! Com toda força! Não tenha vergonha. Ele sabe das suas estúpidas limitações. E te ama mesmo assim. E te socorre tantas quantas vezes forem necessárias. O Deus que sustentou Pedro, também te amparará.

    “Tua misericórdia é nova a cada dia”. Ele é misericordioso, nós somos medrosos. Ele é bom, nós somos fracos. Ele é nosso provedor, nós somos inconstantes. Não merecemos, mas Ele jamais deixa de cuidar de nós.

    Brademos então, Àquele que nos ouve: Salva-nos, Senhor! Salva-nos do nosso medo. Da nossa incredulidade. Da nossa parca memória. Dos nossos sentimentos traiçoeiros. Salva-nos da nossa cegueira e tolice. E acalme as tempestades em nossos corações. Amém!

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    Rachel Colacique, professora, paulista e corintiana – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro, fazendo parte da diretoria da sociedade de jovens.

    O mais forte

    4 ago 2014   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Dia desses vi a seguinte frase no facebook, supostamente dita pelo falecido Renato Russo:

    “Quando você tem a capacidade de não falar, não ligar e não se importar, está aprendendo o que é ser forte.”

    Observando o grande número de comentários e compartilhamentos, é fácil perceber o quanto as pessoas costumam exaltar a “indiferença” como virtude. A idéia do “não sofrer”, “não sentir”, é sempre acompanhada de expressões como “agora eu aprendi”, “estou crescendo”, dentre tantas outras que indicam evolução em relação a um estado anterior.

    Usualmente confundimos sentimentos com fraqueza. Alguém que chora pode facilmente ser tido como débil, ou covarde. Aprendemos a ver na Razão, a superioridade humana. E falsamente nutrimos a idéia de que isolar nossas dores, ignorando-as, nos fará maiores.

    Mas talvez não seja bem assim. Talvez mentir para você mesmo, calando seus sentimentos, seja só mais uma forma covarde de fugir da vida. Talvez ser “forte” seja exatamente o oposto disso.

    É preciso muita coragem para encarar seus próprios sentimentos. É preciso muita força para passar pelo luto, sem negar ou mascarar a dor deixada pela ausência. É preciso valentia para encarar as cicatrizes marcadas na alma.

    Veja como parece estranho o raciocínio: “a pessoa me magoou e, para não ser machucada outra vez, vou passar a isolar todos os sentimentos que tenho em mim”.

    Ora! Mas mudar seu modo de ser e viver, para que o outro não mais afete sua vida, não seria exatamente dar a esse outro o poder de te afetar diariamente? Pense bem: é você quem vai carregar o peso pela atitude cruel daquele que te feriu? É você quem vai deixar de sorrir, de ter esperança, porque um acontecimento infeliz ocorreu? Seria mesmo válido deixar o rancor e a indiferença tomar o lugar do que antes era amor?

    No livro “De Profundis”, Oscar Wilde (1) conta sua experiência de amor e perdão. O livro é composto por cartas que Wilde escreveu, dentro da prisão, para aquele responsável por sua captura. Em meio às belíssimas passagens narradas, o autor vai abrindo o coração para aquele que o feriu, e chega à conclusão que nós cristãos já aprendemos com a Bíblia: devemos amar e perdoar. Isso sim nos faz fortes! Nos liberta.

    “E é bem triste para mim pensar que o ódio, o desprezo e o rancor tomarão para sempre em meu coração o lugar antes ocupado pelo amor […] Custe o que custar, devo manter o amor em meu coração. Pois se for para a prisão sem amor, o que será feito da minha alma? […] E não me arrependi dessa decisão por um minuto sequer, mesmo nos períodos mais amargos do meu cativeiro […] para meu próprio bem, eu não podia fazer outra coisa senão amá-lo.” (2)

    Com Jesus aprendemos a amar nossos inimigos. A dar a outra face. Aprendemos a não fugir dos leões. A não ignorarmos os gigantes.

    (1) Escritor irlandês (1854 – 1900). Para mais informações: http://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Wilde
    (2) Trecho de “De Profundis” – Oscar Wilde
     

    Perdoar é para os bravos. É para aqueles que encaram suas dores, olhando-as bem no fundo, confiantes de que não serão devorados por elas. Não carregue uma prisão dentro de si, você já foi liberto. Não seja escravo do medo, você é filho do Amor. Não se feche para a vida, pois você não terá que trilhar esse caminho sozinho.

    O Deus que esteve com José, quando este mostrou sua coragem ao encarar seu passado e perdoar seus irmãos (Gênesis 42); o mesmo Deus que agiu na reconciliação de Esaú e Jacó (Gênesis 33); o Deus que encheu o coração da jovem escrava de Naamã, que não ignorou o estado de seu senhor e indicou o caminho para sua cura (II Reis 5); o Deus que deu força e sensibilidade à jovem Ester (Ester 7); o Deus que ajudou Daniel a viver fiel, mesmo cativo (Daniel 1); esse mesmo Deus estará com você a cada passo, enchendo seu coração de paz e te dará força para perdoar.

    E a verdade do amor de Cristo, essa sim te fará forte. Esse sim te libertará!

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    Rachel Colacique, professora, paulista e corintiana – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro, fazendo parte da diretoria da sociedade de jovens.

    Josefina, Raimunda, Severina. Bernadete, Luiz Otávio, Paulo José

    21 mai 2014   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Dizem que o nome é a coisa mais importante que possuímos. Ele nos identifica, conta um pouquinho da nossa história: nossa origem, seu significado, os motivos de sua escolha.

    Algumas pessoas acabam adotando outros nomes, que não os seus originais. Conheço uma Dulcira, que todos chamam de Sara. Uma surpresa descobrir que minha amiga Stela, com quem convivo há alguns anos já, na verdade tem seu nome de registro como Maristela. E o Luiz, que todos chamam de Jorginho, porque seu pai chamava Jorge.

    Ricos ou pobres, feios ou bonitos, bregas ou “na moda”, todos temos um nome.

    Às vezes, por diferentes motivos, até acostumamos com pessoas nos chamando de outra forma. “Meu nome é Cilene, mas cada um me chama de uma coisa: Sirlei, Sirlene, Silena, eu acabo atendendo. É mais fácil do que ficar explicando”.

    Eu também já passei por isso. Meu nome é Rachel. Assim, com “CH”. Mas a pronúncia é a mesma, como se fosse com “QU”. Kél é a forma carinhosa como minha família e alguns amigos me chamam. “Raxél” ou “Chél” é uma variação possível (que, na verdade, não me agrada muito).

    O sufoco maior é quando a pessoa não me conhece! Não sei o que as faz ler errado: Rafael e Rangel são os nomes que ouço com maior frequência. Nessas horas, nem me incomodo. Chato mesmo é quando uma pessoa conhecida esquece meu nome, ou o escreve com “QU”. Dá uma pontinha de chateação receber um cartão de aniversário escrito para “Raquel”. Não sou eu, não é para mim.

    “Não há nada mais doce que o som do seu próprio nome” disse um escritor importante. Eu concordo com ele.

    É gostoso saber que alguém te conhece e se lembra de você. Nosso coração fica alegre quando o pastor, o reitor da universidade, uma pessoa que consideramos importante, o chefe da empresa, ou até mesmo a moça da padaria nos chama pelo nome. É como se ouvíssemos: “Ei, fulano! Eu conheço você! Você é importante o suficiente para me fazer lembrar seu nome.”

    Imagino que essa alegria também tenha enchido o coração de Zaqueu, ao ouvir o Mestre chamando seu nome (Lucas 19:5).

    O susto do jovem Samuel que, no meio da noite, achava estar sendo chamado pelo profeta Elias, mas era o próprio Deus quem o chamava (1 Samuel 3:10).

    A esperança que acendeu os corações de Sarai e Abrão, ao terem seus nomes trocados pelo Senhor (Gênesis 17:15), que confirmava a promessa da mudança de suas vidas.

    O temor de Moisés que, vendo a sarça queimar sem se consumir, ouvia Deus chamá-lo pelo nome (Êxodo 3:4).

    E sabe o que é mais bonito? Deus não sabia apenas os nomes dos grandes heróis da fé. Ele não decorou apenas os nomes dos profetas e dos apóstolos. Ou os nomes das celebridades históricas ou televisivas.

    “Eu não me esquecerei de ti”, diz o Senhor. “Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei” (Isaías 49:15-16). Como já disse alguém: “Os pregos que crucificaram Jesus, também gravaram em suas mãos os nomes de toda a humanidade”.

    Como é reconfortante saber que o Deus que tudo sabe, o Deus que tudo vê, que conta o número das estrelas e as conhece (Salmos 147:4), sussurra suavemente seu nome e diz:

    “Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. Porque eu sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador […]Visto que foste precioso aos meus olhos, também foste honrado, e eu te amei, assim dei os homens por ti, e os povos pela tua vida. Não temas, pois, porque estou contigo.” (Isaías 43:1-7).

    Não é lindo saber que Deus te conhece e te chama pelo nome (Isaías 45:3-4)?

    Por mais estranho ou difícil que seu nome seja, Ele jamais esquecerá de você.

    Tenho certeza que meu nome está escrito corretamente no Livro da Vida.

    Tenho certeza que seu nome está gravado corretamente nas mãos do Mestre.

    E Ele te chamará carinhosamente no Grande Dia.

    E esse é um motivo para imensa alegria!

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    Rachel Colacique, professora, paulista e corintiana – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro, fazendo parte da diretoria da sociedade de jovens.

    Somos todos irmãos

    4 mai 2014   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Você e eu somos imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:27). Como feituras sua, criados em Cristo (Efésios 2:10), somos amados por aquele que deu sua vida em nosso lugar (João 3:16). No sacrifício da cruz, fomos todos feitos um em Jesus (Gálatas 3:28). Gerados filhos do Deus altíssimo (1 João 3:1), por meio da sua graça e amor.

    Menina dos olhos de Deus (Zacarias 2:8), coroa de glória e diadema real na mão do Senhor (Isaías 62:3), incumbidos por Ele de amarmos uns aos outros, como Ele nos ama (João 15:12).

    E Ele nos ama na totalidade de sua essência. Deus é amor (1 João 4:16). Ele não escolhe amar apenas os mais bonzinhos. Ele não escolheu amar apenas os mais bonitos. Nem os mais ricos, ou mais altos. Cada ser humano foi amado desde a eternidade. Frutos do sonho de Deus (Salmos 139:16). Preciosos e insubstituíveis (Lucas 15:4-6). Eu e você. E cada pessoa ao nosso redor.

    Pai dos órfãos e juiz das viúvas (Salmos 68:5-6) o Senhor que não faz acepção de pessoas (Deuteronômio 10:17-19) nos conclama a zelar pelo direito, pela justiça e em favor do oprimido:

    “Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva” (Deuteronômio 27:19); “Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado” (Salmos 82:3);

    “Assim diz o Senhor: Exercei o juízo e a justiça, e livrai o espoliado da mão do opressor” (Jeremias 22:3).

    À luz dessa verdade, podemos admitir qualquer forma de tratamento desumano que atinja nossos irmãos e irmãs? Sabendo o quanto somos preciosos para Deus, poderíamos fechar os olhos para o sofrimento ou injustiça cometidos contra seus filhos?

    Certamente não deveríamos.

    O combate ao pecado do RACISMO é uma das causas que deve integrar nossas pautas de lutas contra as injustiças e tratamentos desumanos.

    “A foto ao lado é do pigmeu Ota Benga, que ficou em exibição junto a macacos no zoológico do Bronx, Nova York, em 1906. Ota foi levado do Congo para Nova York e sua exibição em um zoológico americano serviu como um exemplo do quê os cientistas da época proclamaram ser uma raça evolucionária inferior ao ser humano. A História de Ota serviu para inflamar crenças sobre a supremacia racial ariana defendida por Hitler. Sua história é contada no documentário “The Human Zoo”. (Fonte: Daniel Belchior – Carta Capital)

    “Racismo existe quando permitimos que cor, casta, língua, nacionalidade, tribo, etnia ou cultura, possam de alguma maneira erigir uma parede entre pessoas, individual ou coletivamente, de maneira a fazer que alguém expresse desprezo, preconceito ou domínio sobre outrem¹”

    Ao longo da história temos muitas manifestações inaceitáveis que expressam e reforçam a exclusão e segregação de determinados grupos em nossa sociedade. Recentemente circulou pela internet uma campanha que – dizendo combater o racismo – reafirmava a comparação entre macacos e pessoas negras. A hastag #SomosTodosMacacos tomou conta das redes sociais, que logo foram inundadas de imagens mostrando anônimos e celebridades comendo bananas.

    Cruel e absurda, essa campanha tem sido duramente criticada por alguns dos mais proeminentes estudiosos engajados nas lutas contra a exclusão². Mas e nós igreja? Qual o papel do cristão no combate ao racismo? Esse deve ser um dos temas abordados em nossa formação cristã?

    “O racismo, uma abominação para Deus e uma afronta à dignidade humana, é uma das mais penetrantes e perniciosas formas de pecado social”³

    Segundo o Rev. José do Carmo da Silva – Pastor Metodista, coordenador do Ministério Regional de Combate ao Preconceito Racial (5ª RE) – a temática deve estar presente em nossa formação e prática cristã. Com base nos princípios declarados por John Wesley, o Reverendo apresenta três motivos pelos quais devemos estar engajados nessa luta°:

    Primeiro: a igreja deve se envolver, pelo fato de que se opor a toda forma de opressão e injustiça social sempre foi característica do Metodismo. A respeito disso declarou John Wesley: “A excelência da sociedade para a Reforma dos costumes é… primeiro, mover campanha aberta contra toda a impiedade e injustiça, que cobrem a terra como num dilúvio, e isto é um dos meios mais nobres de confessar a Cristo.”

    Segundo: a Igreja Metodista deve se envolver, pela razão de que faz parte da Missão de Deus, da qual ela participa o fazer discípulos e discípulas. E tal incumbência deve ser realizada com equilíbrio, sem cair na alienação de ser uma “igreja espiritual” que só fala do celeste porvir, ou na tentação de existir como uma “igreja politicamente assistencialista” que só se envolve com questões sociais sem se preocupar com a redenção plena do indivíduo. Alertando contra tais extremos, John Wesley assevera: “Todo projeto para refazer a sociedade, que não se importa com a redenção do indivíduo, é inconcebível… E toda doutrina para salvar os pecadores, que não tem o propósito de transformá-la em guardiã contra o pecado social é inconcebível”.

    Terceiro: a Igreja Metodista deve se envolver, por ser ramo da Igreja Cristã, a qual legitimou teologicamente a escravidão negra, a partir das Escrituras, Genesis 09, cabe a Igreja na atualidade desconstruir o mal que ainda resta do que ajudou a construir. Sobre o combate a escravidão John Wesley escreveu uma carta ao parlamentar cristão Wiilliam Wilberforce. Na data de 23 de fevereiro de 1791, pouco antes de sua morte. João Wesley havia lido um Livro de Gustavus Vasa sobre um antigo escravo de Barbados, o que lhe tocou muito, levando-o a escrever uma palavra de encorajamento ao parlamentar recém-convertido. Wiilliam Wilberforce, havia tido um impactante encontro com Deus, e considerava abandonar a vida política e se entregar a uma vida de contemplação religiosa sem se envolver com as questões sociais.

    Um vídeo com o pronunciamento oficial da igreja metodista contra o pecado do racismo pode ser visto em: http://www.metodista.org.br/pronunciamento-oficial-da-igreja-metodista-contra-
    o-pecado-do-racismo

    Diante de todos os argumentos aqui apresentados, entendo, portanto, que é imprescindível que nós cristãos estejamos engajados e atuantes nas lutas contra toda forma de exclusão e preconceito. Lembrando que Deus nos chamou para o amor e a prática da justiça. “Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo. Qualquer que não pratica a justiça, e não ama a seu irmão, não é de Deus”(1 João 3:10).

    “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça” (Romanos 1:18)

    _ _

    Rachel Colacique, professora, paulista e corintiana – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro, fazendo parte da diretoria da sociedade de jovens.

     

    ¹ Disponível em: http://dialogue.adventist.org/articles/07_1_pipim_p.htm
     
    ² Nesse texto não vou me deter nos argumentos apresentados pelos críticos da campanha, mas indico a leitura de dois artigos que podem contribuir com a discussão: http://www.brasilpost.com.br/henrique-braga/naosomosbananas_b_5228962.html?fb_action_ids=277074322459345&fb_action_types=og.likes&fb_source=aggregation&fb_aggregation_id=288381481237582 ;
    http://www.geledes.org.br/em-debate/colunistas/24431-contra-o-racismo-nada-de-bananas-nada-de-macacos-por-favor-por-douglas-belchior .
     
    ³ Disponível em: http://www.veritatis.com.br/respostas-catolicas/7589-o-cristianismo-representando-deus-como-um-homem-branco-colaborou-com-o-racismo
     
    ° O texto pode ser lido na íntegra em: http://www.metodista.org.br/racismo-abrindo-os-olhos-para-ver-e-o-coracao-para-acolhe#sthash.8kWjRFgt.dpuf

    Vazio e Silêncio

    8 abr 2014   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Já reparou como a ausência nos incomoda? A falta de respostas, o silêncio, o escuro.

    Podemos até tentar racionalizar e propor justificativas para isso, mas a verdade é que gostamos das coisas claras e previsíveis porque elas nos dão a falsa sensação de controle e segurança.

    O compositor estadunidense John Cage (1912-1992) provocou o público ao apresentar sua obra mais famosa 4’33’’ – popularmente conhecida como “quatro minutos e meio de silêncio” – composta por três movimentos, o músico fica em posição de execução mas não toca nenhuma nota em seu instrumento. A “música” seria então o conjunto de sons do ambiente, captadas pelo público.

    Você pode ver o vídeo dessa apresentação [que está disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=zY7UK-6aaNA] ao que notará as reações da plateia, e talvez o seu próprio desconforto.

    Esse desconforto nos alcança em outros contextos também. Sabe aquele momento em que nos sentimos sozinhos e desamparados? Aquele instante em que tudo ao nosso redor parece fugir, correr para longe, e o frio começa a se aproximar?

    Talvez não seja um vazio físico: há pessoas à sua volta, há ruídos por todos os lados. Estou falando de uma ausência quietinha lá dentro da gente. Como se faltasse um pedacinho.

    É comum que nessa hora achemos, erroneamente, que Deus se esqueceu de nós.

    Como o salmista que anseia pelo fim do silêncio: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? […] Clamo de dia, e não me respondes.” (Salmos 22: 1-2)

    Não sei se você também já se sentiu assim. Talvez sejam perguntas sem respostas. Um sonho ainda não realizado. Uma oração não atendida. Ou talvez nem mesmo você saiba o motivo dessa falta de sentidos.

    Como uma criança pequena, você fica nas pontas dos pés e se estica tentando alcançar uma resposta. Mas parece não haver nada ali, além dos seus próprios pensamentos.

    E porque você não sabe o que fazer, pensa que Ele também não sabe.

    No entanto, nada pode estar mais errado do que isso!

    A aparência da coisa, não pode ser confundida com a própria coisa: você pode parecer estar sozinho, o vazio pode parecer te dominar, mas nada disso é tão real quanto a doce presença do nosso querido Pai celestial.

    Elias pensou que estava sozinho (I Reis 19: 1-18).

    Agar pensou que estava sem água (Gênesis 21: 14-20)

    Ana pensou que seu pedido não estava sendo ouvido (I Samuel 1: 1-28)

    Mas eles nunca estiveram tão enganados!

    O Deus que tudo vê pode parecer calado ou inerte, mas tenha certeza: não estamos desamparados.

    Ele está trabalhando. E sabe o que está fazendo!

    Deus não se esquece de você, nem por um milésimo de segundo.

    O vazio é exatamente o espaço necessário para que se possa encher.

    Tenha certeza que Ele está agindo, mesmo que pareça calado.

    Eu sei que você gostaria de ouvir a voz de Deus nesse momento, mas confie.

    A suave melodia de sua existência está sendo composta pelo Grande Maestro.

    Do silêncio também se faz música. E a pausa é parte de toda bela canção.

    O que queres

    24 mar 2014   //   por admin   //   Colunas  //  2 comentário

    Contam por aí certa piadinha de um jovem rapaz lá de Minas, que encontrou uma lâmpada mágica. Como de costume, quando o Gênio apareceu disse que o mineiro tinha direito a realizar três desejos. O jovem rapaz pensa bastante e então pede dois queijos e uma namorada. Curioso, o gênio quis saber o motivo daquele estranho pedido. O mineiro então responde: “Ah, seu Gênio…é que eu fiquei com vergonha de pedir três queijos!”

    Nem sempre é fácil saber o que queremos. E talvez seja ainda mais difícil saber o que precisamos para nossas vidas.

    Às vezes, achamos que conseguir um novo emprego será a solução de todos os nossos problemas; outras vezes, pensamos que se tivermos um carro melhor ou mais dinheiro seremos mais felizes. Não raro, atribuímos a posses e pequenos momentos de prazer o gatilho que impulsionará nossa alegria e liberdade. Se fossemos um pouco mais altos, ou mais magros, se morássemos em um apartamento maior, se pudéssemos viajar mais, tudo seria diferente!

    “O que queres que eu te faça?” – pergunta Jesus ao cego Bartimeu.

    “Ah, Jesus! Tem misericórdia de mim!” – Gritava o cego, alguns instantes antes da indagação do Cristo.

    “O que queres que eu te faça?” – a voz do Mestre parece ecoar. E ressoa em minha mente também: “O que queres que eu te faça?”.

    Fico imaginando a cara de Bartimeu diante daquela pergunta aparentemente irônica: “Como assim, Jesus?! Não é óbvio o que quero? Eu sou cego, como você não sabe o que pode fazer por mim?!” Imagino que ali, em uma fração de segundos, ele repensou toda sua vida. Talvez tenha lembrado os momentos de choro e dificuldade, talvez tenha lembrado a vergonha que sentia de sua condição, talvez tenha – por um breve instante – duvidado de seu próprio pedido: “O que EU quero que Ele faça?”.

    É difícil saber o que se quer, quando se pode ter tudo.

    Bartimeu não estava diante de um “gênio da lâmpada”. Ele não estava escolhendo um presente de aniversário. Ele estava diante do Cristo, o Filho de Deus, que poderia fazer qualquer coisa que ele pedisse.

    Ele gritava por misericórdia, no entanto recebeu de Deus uma pergunta.

    “O que queres que eu te faça?” e o cego poderia pedir muito dinheiro, poderia pedir uma casa,

    poderia pedir punição para os que não o amparavam, poderia pedir um reinado.

    Consciente de seu desejo e necessidade, Bartimeu responde: “Senhor, que eu veja!”

    Eu e você nos encontramos diante do Cristo hoje. E, se prestarmos bastante atenção, poderemos ouvir as palavras de Jesus para nós: “O que queres que eu te faça?”.

    Podemos ouvir sua voz em Mateus 7:7-11, ou em Mateus 21:22. Ele nos fala em 1 João 3:22, em João 16:24 e em 1 João 5:14-15. Suas doces palavras em Marcos 11:24 nos convidam a crer, nos desafiam a pedir.

    “O que queres que eu te faça?” Jesus pergunta hoje.

    Você sabe o que responder a Ele?

    “O que queres que eu te faça?” Ele insiste em dizer.

    Mas pense bem no que vai responder, por ao menos um instante. Ele é mais que um bilhete premiado de loteria. Muito mais que um cartão de crédito sem limites. Ele é o Filho de Deus, seu salvador.

    “O que queres que eu te faça?” Você pode pedir vida, pode pedir fé, pode pedir a realização de seus sonhos mais secretos e profundos. Peça o máximo. Não se contente com pouco.

    E se não souber o que pedir, diga apenas: “Senhor, que eu veja!”

    Que eu veja as muitas bênçãos que o Senhor já tem derramado em minha vida. Que eu veja sua mão me guardando e guiando em todo caminho. Que eu veja seu amor expresso em cada pequeno milagre cotidiano. Que eu veja os sonhos que o Senhor tem para minha vida. Que eu veja as muitas portas abertas diante de mim.

    Enfim, Senhor, que eu veja a Ti.

    _ _

    Rachel Colacique, professora, paulista e corintiana – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro, fazendo parte da diretoria da sociedade de jovens.