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    Tagueado com " Neize Tavares"

    VOCÊ ACREDITA EM MILAGRES?

    7 dez 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

               “Há duas formas para viver a sua vida: Uma é acreditar que não existe milagre. A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.” (Albert Einstein).

              Estamos vivendo um tempo em que muitas tragédias estão acontecendo no mundo. Quando  tomamos conhecimento das notícias, um grande desânimo toma conta de nós. Vemos tanta tristeza e nos perguntamos se existem milagres, já que estamos perto do Natal.

    Na época em que o furacão Katrina atingiu Nova Orleans, Allen Toussaint, músico e compositor americano, teve sua casa e seu estúdio destruidos. Ele, que tocava desde os 17 anos e levou o som de Nova Orleans para âmbito nacional, perdeu seus pertences e a herança musical sua e dos americanos, explicou em entrevista como se recuperou da tragédia: “O mais importante é a vida, a esperança e a fé no futuro.  Perdi coisas tangíveis, mas pensei: Isto tudo me serviu bem até hoje. Agora, eu tenho um recomeço e espero por surpresas maravilhosas.” Uma delas foi a gravação do álbum “The river of reverse”, com o amigo Elvis Costello. Os shows que fizeram juntos para ajudar os desabrigados do Katrina, deram origem ao disco lançado  um ano depois. Aí, passaram a se apresentar em vários lugares do mundo. “Aquilo me fez gostar de sair para cantar minhas canções. Porque a maior parte do tempo, eu passava compondo para outras pessoas cantarem.” Aclamado com Grammys, integrante do Hall da Fama do rock and roll e um dos mais influentes nomes da música de Nova Orleans, ele faleceu no dia 9 de novembro passado, aos 77 anos, logo após um show em Madrid. Estava participando de uma tournée por vários países. Quando tudo parecia terminar em sua vida, algo não morreu: a esperança.Aquele homem de 67 anos poderia se desesperar. Mas, o desespero é a falta de esperança e a esperança se origina na fé. Muitas vezes, o milagre não acontece nas coisas tangíveis, mas no interior do homem. Podemos dizer que este homem morreu com a sensação de missão cumprida. Não se deixou vencer pelos obstáculos. Aquilo que poderia levá-lo a desistir da vida, fez com que a recomeçasse. Penso que Jesus veio ao mundo para cumprir uma missão e nós também. Cada dia, ao abrir os olhos, estamos diante de um milagre: o milagre da vida.

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                Estamos próximos do Natal, época em que comemoramos a vinda do Messias, do salvador. “O povo, que andava nas trevas, viu uma grande luz”( Isaias 9:2).   Atualmente, ao andarmos nas ruas, vemos muitas luzes. As lojas, as casas, tudo fica lindo, iluminado, com vida. Vivemos uma grande crise política, financeira, passamos por tragédias no país e no mundo. Muitos se revoltam, outros ficam tristes. O mundo sofre com o terrorismo. Um francês, Antoine Leiris, escreveu no Facebook sobre a perda de sua mulher, a mulher da sua vida, a mãe de seu filho de dezessete meses. Ela era maquiadora, cabeleireira e filmava durante apresentações musicais. Morreu no Bataclan.Dirigindo-se aos terroristas, ele disse: “Vocês não terão meu ódio, não destruirão minha família, não vão impedir que eu brinque com meu filho, que possamos ser felizes e livres até chegarmos ao paraíso, ao qual vocês não terão acesso”. A criança, fruto do amor conjugal, representou a esperança, assim como uma criança, fruto do amor de Deus, trouxe a esperança para a terra. Apesar das tragédias, vemos as  fotos de Paris e de outras cidades do mundo com a  decoração de Natal. São cores, brilhos, luzes, tudo simbolizando a esperança.Muita gente come, bebe e comemora, mas muitos esquecem o que comemoram. Quem é o aniversariante? Não existe festa de aniversário sem  aniversariante. O significado da palavra Natal é nascimento. Celebrar o Natal é celebrar o nascimento de alguém. Daí, chamamos o aniversário de alguém de “aniversário natalício”, isto é, aniversário de nascimento. Neste Natal, que a esperança renasça em nossos corações e que Jesus, nosso presente, se faça presente em nossas vidas,  que milagres aconteçam em nosso interior para que possamos renovar o propósito de nossa vinda ao mundo. Que o amor possa prevalecer, apesar de tudo. Que o brilho, as cores e a iluminação de Natal possam fazer parte de nossos dias como símbolo da alegria, de um presente que traz esperança de dias melhores, de um ano melhor, de uma vida melhor.
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    Neize Tavares é membro da Catedral Metodista, professora de Português e Francês, Vice-presidente da Sociedade Metodista de Mulheres e integrante do Ministério de Comunicação.

     

     

    Seu copo está meio cheio ou meio vazio?

    4 nov 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    No Dia de Finados, olhando fotos antigas, lembrei de momentos ruins de nossa vida, em que minha mãe sempre encontrava motivos para dar graças a Deus. Mais tarde, fui ficando uma pessoa que ora encontrava motivos para agradecer, ora para se queixar. Tendo morado na França, aprendi a exercer a cidadania e reclamar, sempre que necessário. Assim fui vivendo até conhecer uma colega de trabalho, Norma, que teria todas as razões do mundo para se queixar, pois tinha um filho com paralisia cerebral, um marido horrível e era transplantada de rim. Mas, era batista e tinha muita fé, sempre achando motivos para agradecer a Deus. Uma vez, uma aluna me trouxe da França o meu perfume predileto em embalagem de 200 ml. Ao receber o presente, fiquei grata, mas indignada ao constatar que um perfume Saint Laurent, comprado na França, tinha vazado no avião. Que tipo de lacre era aquele? Ao relatar a  Norma, ela perguntou como eu podia focar na perda, se havia ganho o perfume predileto. Meu frasco estaria pelo menos metade cheio. Isso me levou a pensar que tudo depende do ponto de vista de cada um. Fiquei, imediatamente, muito feliz. Hoje, nem a Norma, nem minha mãe estão mais entre nós, mas deixaram muitas coisas boas como esta: por pior que seja a situação, sempre temos motivo para agradecer.

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    Aproximando-se o Dia Nacional de Ação de Graças, em que a igreja faz sempre uma festa linda para agradecer as graças recebidas até então, devemos refletir sobre nossas vidas. Li na internet um artigo intitulado GRATIDÃO, UM DOS MAIORES SEGREDOS DAS PESSOAS FELIZES, da psicóloga Viviane Battistella, onde ela diz que o brasileiro é considerado otimista e tende a ver sempre o lado cheio do copo. Mas, segundo ela, otimistas são os que conseguem sentir gratidão, sejam brasileiros ou não.  Treinar os olhos e a mente para agradecer, com o objetivo de  encontrar o lado bom das coisas, pode operar milagres.

    “A capacidade de manter o pensamento positivo, de ter sempre o olhar voltado para o lado bom das coisas (e acreditem: tudo, tudo mesmo tem um lado bom) e o hábito de agradecer todos os dias, vai nos levando lentamente a uma mudança de paradigmas, de valores – e essa mudança pode ser uma das responsáveis pela nossa felicidade.” Ela diz que aprendeu, vendo uma entrevista, que dizer muito obrigado(a) é melhor que simplesmente obrigado(a). E devemos dizer isso com entusiasmo.

    Quando acordamos, sempre devemos agradecer a cama em que dormimos, ao fato de podermos ver, andar, respirar, viver mais um dia, enfim. Dentro de nós, há uma guerra entre o lado sombra e o lado luz, o olhar que está enxergando o lado cheio ou o lado vazio do copo. Quem sofre pela água que não tem, deixa de beber a água disponível que tem no copo. Cada dia que amanhece nos dá a possibilidade de viver novas experiências,  de recomeçar,  de sermos felizes. Não importa se o céu está azul ou cinzento. Os dias, então, serão da cor que você quiser, pois quem dá as cores é o seu olhar. Em No Cenáculo de 28 de outubro, lemos que “na maioria das vezes, nós vemos mais o que está faltando em nossas vidas e não o que temos. Queixamo-nos mais do que agradecemos.1º Tessalonicenses 5:18 nos diz:” em tudo, dai graças”, mesmo quando as circunstâncias não nos favorecem. Podemos encontrar um símbolo ou recordar um versículo da Escritura para lembrar-nos de dar graças a Deus em todas as situações Tal prática pode nos ajudar a transformar as queixas em palavras de gratidão.” Assim, seremos mais felizes e prontos para viver o paraíso aqui na terra. Este é o meu desejo para meus amigos e para você, que nos lê neste momento. Que no Dia de Ação de Graças, você tenha muitas graças para agradecer a Deus.

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    Neize Tavares é membro da Catedral. Professora de Português e Francês. Vice-presidente da Sociedade Metodista de Mulheres.

    Setembro traz a primavera e muitas celebrações

    8 set 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Setembro é um mês de muitas celebrações. Uma delas é a primavera, à qual já demos as boas vindas sábado passado. É, também, o aniversário da igreja, 137 anos, cuja comemoração dura o mês inteiro. É o aniversário da publicação Voz Missionária, que vamos comemorar no próximo domingo, dia 13, com um Culto Especial, à tarde. Será o Jubileu de Hortênsia – 86 anos. Comemoro, também, o meu aniversário, embora não seja tão antiga como as 2 primeiras. Nasci em plena primavera e talvez isso explique meu amor pelas flores. Todos os que me conhecem sabem disso.

    Impossível falar no aniversário da nossa igreja sem falar na sua importância, bem como de certas pessoas que a frequentam na minha vida e na da comunidade. Nesta igreja de pedras, encontrei o caminho das pedras. A definição de igreja é comunidade terapêutica e é o que tem sido para mim e para muita gente. Há 20 anos, cheguei aqui e fui recebida pela Maria Adelina (Adélia), que me ofereceu No Cenáculo, do qual foi representante durante 37 anos, além do boletim semanal. Logo, fiz minha assinatura e até hoje sou assinante. Uma vez, escrevi um artigo para No Cenáculo chamado Flores e Frutos Maduros. Este artigo falava das pessoas mais velhas que atuavam, de alguma forma, na igreja. Todas elas com grande energia. Fiquei surpresa com o alcance desse artigo, que vários sites utilizaram, inclusive o http://webservos. Mais tarde, republicaram o artigo em No Cenáculo. É que a sociedade atual valoriza os jovens, desprezando os mais velhos. A experiência não conta, diferentemente da cultura oriental. Trabalhei durante 25 anos em uma empresa, que me mandou embora por telegrama às vésperas do Natal, 3 anos após ter perdido meu pai e 2 anos após ter perdido minha mãe e tia em um acidente. Com tudo isso, não havia faltado, a não ser durante a semana de luto. Nada disso me desesperou, pois pude contar com a igreja e a família da igreja, que se tornou minha família. Um belo dia, uma senhora me procurou, pedindo que cantasse um hino em francês durante uma palestra que iria fazer sobre os valdenses, dos quais descende.

    Os valdenses são uma denominação cristã que teve sua origem entre os seguidores de Pedro Valdo na Idade Média e subsiste hoje como um grupo. Foram mártires perseguidos pelos católicos. Essa senhora, Idalina Bouzin, que foi minha professora de canto e de muitas pessoas que cantam na igreja, está com 94 anos, idade que minha mãe teria atualmente e tornou-se minha grande amiga até hoje. Peço a Deus que a conserve assim por muitos anos. Todos ficam admirados da energia que tem e da quantidade de coisas que faz. Ela orou comigo e me deu forças para enfrentar os problemas. Logo após, consegui um emprego, ganhando 3 vezes mais, substituindo uma professora que havia sido minha aluna. Isto me permitiu me aposentar, ganhando um pouco mais. Outro exemplo foi o Sr. Antonio Matolla, que chegou a completar 100 anos com uma energia invejável. Vou escrever para No Cenáculo, relatando esses fatos, mas gostaria que saísse na edição americana. Leio sempre a edição em inglês e noto que publicam artigos de vários países, mas nunca do Brasil. Na edição americana, os autores dos artigos colocam fotos das pessoas a quem se referem. Seria interessante que pudessem ver as fotos da Dra. Idalina e Sr. Matolla para verem que não estou mentindo. Hoje, as pessoas da família Matolla são muito importantes na igreja, atuando sempre, mesmo quando se encontram doentes. Por isso, quero registrar aqui meus agradecimentos, pedindo a Deus que me permita ser, como diz o Salmo 92: 14 – “Na velhice, darão ainda frutos, serão cheios de seiva e verdor”.

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    Neize Tavares, é membro ativa da Catedral, professora de Português/Francês, vice presidente da SMMulheres e integrante do Ministério de Comunicação e Memória.

    VAMOS MUDAR?

    24 ago 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Toda mudança traz renovação: trocar de casa, de carro, enfim, trocar o velho pelo novo é muito bom. Morava com meus pais, avós e tios em uma casa espaçosa, com quintal, frutas, pomar, animais, jardim. Era uma vila de casas, que hoje chamaríamos de condomínio.

    Lá, eu andava de bicicleta, plantava, colhia frutas no pé e comia. Um belo dia, meus pais se mudaram comigo e minha irmã para uma casa pequena, sem espaço, sem jardim. Tudo era diferente, mas como era novidade, até o cheiro de tinta me agradava. O novo me encantava.

    Eu era criança e não media as consequências de mudar de escola, de amigos, enfim, nada me incomodava. Houve, porém, um episódio que me marcou para sempre: eu estudava em escola pública e justamente no ano da mudança, o exame foi único. Ao responder à pergunta se sabia o que era Leopoldina Railway, respondi que era a mulher de Dom Pedro. Não sabia inglês e não tinha a menor noção de que era uma estrada de ferro. Por 1 décimo, repeti a série na nova escola do novo bairro. Quando estava habituada à escola e aos colegas, a professora faltou e a diretora foi substituí-la. Fez perguntas aos alunos e eu respondi a todas. Achou, então, que eu deveria ir para uma turma mais adiantada. Cheguei em casa aos prantos e pedi a minha mãe para dizer que eu não queria. É que, ao ficar mais velha, veio o medo de mudar. Sofri quando mudei de cidade, para um apartamento. Morava em Niterói e vir para Copacabana era o sonho de muita gente. E eu, que gosto tanto de praia, fiquei triste mesmo assim. Até hoje, quero mudar tantas coisas e não consigo, pois o medo de não dar certo me assusta. Se Deus me disser: – Ide, serei capaz de dizer: – Eis-me aqui? Ele pode ter planos maravilhosos para minha vida e eu rejeitar.

    Certa vez, ouvi um sermão do Pastor Júnior Faleiro a respeito disso. Mudar significa sair da zona de conforto, seja ela boa ou ruim. Quantas vezes, vivemos uma situação desconfortável, mas não ousamos mudar? Assim foi com Moisés, disse o Pastor. E eu, que estou acompanhando Os Dez Mandamentos, senti como se estivesse lá com Moisés, que sofreu preconceito, perseguição e agora, estava mais feliz como pastor de ovelhas que como príncipe no Egito. Ele se preocupava com sua família, seu povo, mas estava acomodado ao lado da mulher e filhos. Até que Deus falou com ele para voltar ao Egito e libertar o seu povo, que vivia na escravidão. Ele teve uma reação e, a princípio, tentou rejeitar a ideia, achando que não seria capaz de tal missão. Mesmo sabendo que o faraó que queria matá-lo não vivia mais, tremeu diante da ideia. Ele, que se sentia incapaz de se expressar para muita gente e não convivia com esse povo. Só quando entendeu que um cajado podia ter mais poder que um cetro e que o poder de Deus era mais forte que o de qualquer rei, aceitou a ideia, principalmente ao saber que seu irmão iria junto com ele falar com o povo. Este, sim, convivia com os hebreus e se entendia bem com eles. Já Moisés, habituado a viver no palácio e mais
    tarde, como pastor de ovelhas, não ousava sequer pensar em voltar ao Egito, principalmente com a missão de libertar o povo. Mas, conduzido por Deus, adquiriu a coragem necessária e lá se foi. O resto da história todos já sabem, não? Para os que não sabem, aconselho ler a Bíblia. E que Deus nos dê a coragem suficiente para mudar o que precisa ser mudado para levarmos a vida mais de acordo com a vontade dEle, para nossa vocação (vocação vem do latim vocare= chamado):

    “Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Filipen-ses; 3.13-14).

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    Neize Tavares é membro da Catedral, vice presidente da SMMulheres, integrante do Ministério de Comunicação e Memória e Profa de Francês e Português.

    EVITE RETROCEDER

    4 ago 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    DEUS NÃO SE AGRADA DE QUEM RETROCEDE

    “Nós, porém, não somos dos que retrocedem e são destruídos, mas dos que crêem e são salvos” (Hebreus 10.39).

    Todos vivemos momentos de grandes desafios, tensos, ou de extremo cansaço. Certamente há motivos para desistir. Um deles é a carga excessiva, cujo remédio é diminuir responsabilidades, compartilhar, delegar.

    Moisés (Nm 11.11) perguntou ao Eterno: “Por que trouxeste este mal sobre o teu servo? Foi por não te agradares de mim, que colocaste sobre os meus ombros a responsabilidade de todo esse povo?”

    Todos nós, em algum momento, sofremos em nosso ambiente de residência, trabalho ou estudo perseguição ou ameaças que são coisa do Inimigo. Quando você está firmado na Rocha nem liga, mas se estiver fragilizado…
    No 1º livro de Reis 19.4 lemos que Elias, poderoso homem de Deus, entrou no deserto e caminhou um dia. Chegou a um pé de zimbro, sentou-se debaixo dele e orou, pedindo a morte. “Já tive o bastante, Senhor. Tira a minha vida; não sou melhor do que os meus antepassados”.

    Vemos assim que não somente as tribulações de Satanás podem nos esgotar. As provas (que são de Deus) e as lutas do dia a dia não são maiores que nós, mas são cruéis. O escape vem, mas quanta dor!

    Outro fiel servo do Altíssimo faz um desabafo com o qual em parte podemos nos identificar: “Por isso não me calo; na aflição do meu espírito me desabafarei, na amargura da minha alma farei as minhas queixas”(Jó 7.11). O desabafo que se segue (Jó 10.1-22) merece ser lido ou relido. “Minha vida só me dá desgosto; por isso darei vazão à minha queixa e de alma amargurada me expressarei. […] Por que me fizeste sair do ventre? Eu preferia ter morrido antes que pudesse ser visto. Se tão-somente eu jamais tivesse existido, ou fosse levado direto do ventre para a sepultura! Já estariam no fim os meus poucos dias?”

    O homem é corpo, alma e espírito, e esses três podem ser derrotados. Se você ainda não o fez, troque o seu fardo pesado pelo de Jesus que é leve! “O Senhor concederá que sejam derrotados diante de vocês os inimigos que os atacarem. Virão a vocês por um caminho, e por sete fugirão (Dt 28.7).

    “De seis desgraças ele o livrará; em sete delas você nada sofrerá. Na fome ele o livrará da morte, e na guerra o livrará do golpe da espada. Você será protegido do açoite da língua, e não precisará ter medo quando a destruição chegar. Você rirá da destruição e da fome, e não precisará temer as feras da terra. Pois fará aliança com as pedras do campo, e os animais selvagens estarão em paz com você. Você saberá que a sua tenda é segura; contará os seus bens da tua morada e de nada achará falta (Jó 5.19-24).

    Assim diz o Eterno: “clame a mim no dia da angústia; eu o livrarei, e você me honrará” (Salmos 50.15).


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    Domitila Madureira, membro da Igreja Metodista da Asa Sul, Brasília.

    A Virada: O nascimento do mundo moderno

    22 jul 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    A Virada – autor: Stephen Greenblatt.

    Editora: Companhia das Letras

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    A Virada: O nascimento do mundo moderno

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    Trata-se de um estudo feito pelo autor norte – americano Stephen Greenblatt, cujo tema é o epicurismo presente em um poema de Lucrécio, encontrado pelo humanista italiano Poggio de Bracciolini, quando este visitou um mosteiro na Alemanha. E vai desenvolvendo a questão do epicurismo*, tanto na Antiguidade Clássica, passando pelo cristianismo, até chegar na Renascença e na Idade Contemporânea.

    Começa falando sobre como Poggio chegou até o livro. Poggio era secretário do antipapa Baldassare Cossa e resolveu ir em busca de um livro, no qual, encontrava – se um famoso, porém esquecido poema polêmico chamado “De rerum natura”, ou Das coisas naturais – de Lucrécio. E o capítulo vai além e explica a razão que levou o humanista a procurá – lo. O que ocorre é que, após a realização do Concílio de Constanza (entre a Itália e a Suíça) Poggio perdeu seu emprego, diga – se de passagem, o Concílio ocorreu porque havia dois papas, e precisava – se resolver qual era o que tinha que ser aceito pelo Imperador do Sacro Império Romano e Germânico (abolido por Bonaparte e sucedido pelo Império Austríaco em 1806 aproximadamente).

    Portanto, Poggio estava desocupado e como humanista de seu tempo foi procurar por um livro, encontrando-o num mosteiro alemão. O poema pagão falava de uma visão que havia nos tempos do Império Romano – o epicurismo. De Epicuro, filósofo grego que regava que não havia deuses, vida pos mortem, e que o homem deveria aproveitar todos os “benefícios da carne”, uma vez que depois morreria e tudo acabaria. Tal visão embasava a vida negligente em termos espirituais daqueles tempos em que o paganismo grassava no Império. O importante era ser feliz, como diz aquele filme “Sociedade dos Poetas Mortos” -“Carpe diem” (Aproveitem o dia). Versava sobre uma vida despreocupada: bebida em excesso, luxúria, promiscuidade, enfim, uma vida que permitisse ao homem encontrar a felicidade, um dos objetivos do homem, segundo Epicuro. No entanto, logo que o cristianismo foi oficializado, o poema acabou sendo banido. Ao mesmo tempo, o poema falava dos átomos, dizendo que tudo surgiu a partir dos átomos – atomismo. Outra questão condenada pela Igreja Católica,

    hegemônica naquele momento. Este atomismo deu origem ao pensamento científico moderno, com uma visão na qual Deus não tinha espaço. Baruch Spinozza seguiu esta linha de pensamento. O interessante é que seria aproveitado por humanistas cristãos e devotos como Roterdã e Thomas More. Na Europa renascentista, havia dois grupos:
    humanistas radicais e humanistas cristãos. O primeiro grupo seguia à risca tal visão de que o homem era o centro do universo e não precisava de Deus, até porque – segundo eles, o Senhor não existia. Levavam aos extremos De rerum natura. Do outro lado, havia os humanistas cristãos. Refiro – me a Erasmo de Roterdã (filósofo holandês) e também a Thomas More (Utopia). Estes dois viam que o pensamento epicurista e o poema poderiam ser aproveitados pela Igreja e pelos seus fiéis. Feitas as devidas adaptações, não haveria problema algum.

    O poema foi famoso no processo de independência das 13 colônias, segundo o autor, pois os pais da República Norte – Americana leram o poema e viram nos textos de escritores como John Locke que o povo deveria viver para encontrar a felicidade. É claro que o conceito de felicidade estava adaptado aos novos tempos, e isto por influência dos humanistas cristãos. O interessante é que tal visão que embasou a formação dos Estados Unidos veio a embasar também a ideia de que o norte americano deveria encontrar a felicidade e enriquecer. Isto, também, influenciou os imigrantes que foram para a América do Norte em busca da felicidade.

    Conclusão: Nada contra a felicidade. Encontrar sua realização pessoal. A própria Bíblia fala de Abraão, que a buscou no seu trabalho. Mas, sempre associou – a uma vida com Deus. O mesmo era defendido pelos humanistas cristãos. O protestantismo é, diga – se de passagem, herdeiro desta visão. O homem deve procurar sua felicidade, mas com Jesus Cristo ao seu lado, direcionando sua vida.

     

    Texto adaptado por Neize Tavares

    *Epicurismo - fil doutrina do filósofo grego Epicuro (341-270 a.C.) e seus epígonos, caracterizada por uma concepção atomista e materialista da natureza, pela busca da indiferença diante da morte e uma ética que identifica o bem aos prazeres comedidos e espirituais, que, por passarem pelo crivo da reflexão, seriam impermeáveis ao sofrimento incluído nas paixões humanas.

    p.ext. o modo de viver, de agir, de quem só busca o prazer; sensualidade, luxúria.

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    Bruno Menezes – membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro

    Você está conectado? Com quem?

    14 jul 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    No mundo atual, temos a necessidade de estar conectados. Muitos somos multitarefas e ficamos conectados e vemos tv ao mesmo tempo. Está comprovado científicamente que quando fazemos mais de uma coisa, sobrecarregamos o cérebro e ao tirarmos o foco de algo para focar em outra coisa. o cérebro gasta muita energia. Mas, a concepção de felicidade atual é ser performático. E o cérebro, sendo nosso HD, fica cheio de informações até ficar sobrecarregado e levar ao stress. Outro problema é a comunicação. Em toda parte, as pessoas ficam usando o celular, não só para falar, como para se conectar com alguém ou algo.

    Outro dia, fui ao cinema e enquanto esperavam , apesar dele estar situado em um belo jardim, todos olhavam para os celulares. Ninguém apreciava as belezas desse jardim. No dia seguinte, fui a uma sessão para professores e o filme era ótimo. Um casal se sentou ao meu lado e ela ficou no celular. Não dava atenção ao companheiro e nem procurava saber se aquela luz estava me atrapalhando. Assim foi durante os trailers e quando o filme começou, ela continuou. Mais grave ainda porque era uma sessão para professores.  Outra vez, eu estava no balcão nobre para ver O Lago dos Cisnes e apesar de avisarem que não era permitido filmar, muito menos com flash, várias luzes apareciam, atrapalhando nossa visão. Os seguranças vieram ameaçar de confiscar os celulares se não parassem e tudo prosseguia como se nada tivesse acontecido. Pensei em como pessoas vão para o balcão nobre e não vêem nada do ballet e ainda atrapalham quem quer ver.  Será que se conectam com Deus? Se não olham nada nem ninguém ao redor, fica difícil. Agora, vejo na tv que diante de um ferido, um policial só se preocupou em filmá-lo. Conectar-se com Deus não significa ficar de joelhos, orando dia e noite.

    Podemos nos conectar com Ele sempre que apreciamos a natureza, as suas obras e o nosso próximo, tentando compreendê-lo e ajudá-lo.Tudo que Ele coloca diante de nós é para nosso regozijo e gratidão. Essa é a nossa missão. Vamos nos conectar com Ele?

    “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença, há plenitude de alegria, na tua destra,  delícias perpetuamente.” (Salmo 16:11).

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    Neize Tavares, é membro da Catedral, professora de Português e Francês, integrante da Diretoria da SMMulheres.