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    Tagueado com " Domitila Madureira"

    O Contrabandista de Deus – 6ª Parte

    10 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Você sabe dirigir?

    − André você sabe dirigir? − me perguntou o irmão Karl. − Ontem à noite, em nossa reunião de oração, recebemos uma palavra do Senhor a seu respeito. É importante que você aprenda a dirigir − concluiu ele.

    A ideia de aprender a dirigir pareceu-me tão remota, tão absurda, que nada fiz para colocá-la em prática. Eu ainda não tinha aprendido o quanto é importante obedecer. E essa é a maravilha da obediência: descobrir mais tarde o que Deus tinha em mente.

    Resolvi seguir as orientações que recebera de Deus. E dentro de um prazo que eu jamais poderia imaginar, tinha em mãos duas coisas praticamente impossíveis: uma carteira de habilitação e um visto no passaporte. Finalmente eu poderia entrar na Cortina de Ferro.

    contrabandista6

    E o fusca azul entra em cena

    Mais do que depressa, liguei para o sr. Whestra, um irmão que intercedia constantemente por mim. “André, é melhor você vir pegar as chaves”, disse ele ao telefone, cheio de alegria. Eu imaginei que a ligação estivesse ruim e pedi a ele que repetisse o que havia dito. “As chaves do seu fusca!”, ele me respondeu em tom brincalhão.

    “Como poderá resolver os negócios do Senhor sem um carro? Eu e minha esposa estávamos orando e decidimos que se você conseguisse o visto, teria também um automóvel”.

    Naquela mesma tarde, com uma sensação mista de receio e alegria, fui com o sr. Whestra assinar os papéis. Eu me tornara proprietário de um belo fusca azul, quase novo.

    Peguei o fusca e fui visitar o irmão Karl. Ele sorriu, porém não demonstrou nenhuma surpresa.

    “Deus nos disse que você iria precisar também de uma soma especial em dinheiro, aqui está”, e colocou um envelope na minha mão. Era a quantia exata de que precisaria para a viagem.

    Assim, com o coração cheio de gratidão, despedi-me de todos e parti para a Cortina de Ferro.

     

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    O Contrabandista de Deus – 5ª Parte

    6 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    De volta para casa

    Era difícil voltar para casa depois do que eu via, ouvia e vivia em minhas viagens à Cortina de Ferro. Marcava-me o fato de os cristãos não terem acesso à Bíblia. Na minha segunda viagem, ao visitar uma igreja em Praga, observei que os cristãos traziam consigo cadernos. Eles copiavam o texto bíblico, e os hinos, assim compartilhavam com outros que não tinham esse privilégio.

    Constantemente me recordava das palavras do pastor dessa congregação: “Algumas vezes nos sentimos como se estivéssemos sozinhos em nossa luta”. Eu queria estar ali, sendo um com eles!

     

    contrabandista-5Uma carta inesperada 

    Porém, os meses que se seguiram pareciam ser de pura frustração. Voltar à Cortina de Ferro era extremamente difícil e burocrático. Dinheiro era um problema. Sentado, sozinho, com a carteira vazia diante de mim, ouvi novamente a voz de Deus: “Escreva os artigos de suas experiências para a revista Kracht Van Omhoog”.

    Fiquei perplexo com a ordem – eu não era um escritor. A revista havia me convidado para escrever para eles, e se propuseram a me pagar alguma quantia por isso, mas eu não respondera ao convite.

    Aquela ordem divina, porém, voltava com insistência. Então, em obediência, escrevi e enviei os artigos pelo correio juntamente com algumas fotografias. O editor agradeceu, mas não me enviou dinheiro. Resolvi esquecer o assunto.

    Então, certa manhã, chegou uma carta da revista. Ao lerem meus artigos, os leitores começaram a enviar dinheiro, valores pequenos, à editora, e o editor queria saber como me entregaria tal quantia. Assim começou uma extraordinária história de sustento. Na medida que as necessidades aumentavam, as contribuições aumentavam também.

     

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    O Contrabandista de Deus – 4ª Parte

    30 mar 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    “Sê vigilante e consolida o resto

    que estava para morrer…”

     

    Talvez você se pergunte, se uma igreja pode morrer. Infelizmente, ela pode extinguir-se em alguns lugares. A comunhão é um ingrediente essencial para o crescimento da Igreja.

    contrabandista-4_02Constantemente eu me recordava das palavras do pastor: “Queremos agradecer-lhe por estar aqui. Mesmo que você não tivesse falado nem uma só palavra, só o fato de vê-lo já teria significado muito. Algumas vezes nos sentimos como se estivéssemos sozinhos em nossa luta”.

    Eu nem conseguiria pregar um bom sermão, mas eu podia estar lá. E se estar lá era mais importante, eu decidi que a minha vida seria constituída de estar presente. 

    Mas, o que poderia fazer eu, uma pessoa só, sem fundos, sem patrocínio de alguma organização, contra uma força aparentemente invencível que parecia um gigante diante de mim? Como eu faria  para consolidar qualquer coisa? Só Deus poderia fazer isso!

    Voltei para casa, mas antes fui à Amsterdã visitar os Whetstra (um casal de irmãos que intercedia por mim e sempre me dava bons conselhos). Durante toda uma tarde contei-lhes como fora minha viagem e lhes falei, também, a respeito do versículo bíblico que me fora dado de forma tão estranha. Sobre como eu teria forças para fortalecer alguém.

    “E você não sabe que é exatamente quando estamos mais fracos que Deus pode nos usar melhor? Não é você, mas o Espírito Santo quem tem planos para o povo que vive detrás da ‘Cortina de Ferro’” disse-me a Sra. Whetstra com uma convicção contagiante que me encheu de paz.

    Não passara nem uma semana, desde o meu retorno para casa, quando os convites para falar sobre a viagem começaram a chegar e eu aceitei a todos… todos  queriam saber como era a vida atrás da ‘Cortina de Ferro’.

    “Você precisa viajar mais”, disse-me uma jovem líder da delegação holandesa em Varsóvia. “Você ainda não viu o suficiente, precisa conhecer mais da necessidade desses líderes, para falar mais. Estou encarregada de escolher 15 pessoas da Holanda para ir à Tchecoslováquia, você quer ir?”

    Retive a respiração. Seria a mão de Deus? Seria aquela a porta que se abriria a seguir, no seu segundo plano para mim? Decidi colocar a questão mais uma vez diante dEle, pois novamente eu não tinha recursos financeiros para ir.

    ‘Se queres que eu vá, Senhor, tu precisarás suprir os meios’ orei de forma relâmpago. Respondi a ela que sentia muito, mas, eu não tinha possibilidades de fazer uma viagem dessas. Ela ficou me olhando e então me disse: “para você não haverá despesas”

    Assim começou a minha segunda viagem e, quatro semanas depois eu encontrei a resposta que buscava: Os cristãos tchecos precisavam de ajuda! Pois não havia Bíblias e nem hinários e o governo praticamente exercia controle total sobre a Igreja. Ser cristão era antipatriótico. Os cristãos eram demitidos de seus empregos, e sofriam humilhação. Não se podia usar a palavra ‘pregar’. “A gente precisa ser cuidadoso com as palavras, você pode nos trazer ‘saudações’ do Senhor”, disse-me Antonin, um jovem estudante de medicina que se tornou meu intérprete. Então, primeiro eu trouxe saudações da Holanda, depois do Ocidente e finalmente ‘saudações de Jesus Cristo’ à congregação.contrabandista-4_01

    Cada visita que fiz ali foi memorável, mas a última antes de voltar à Holanda foi inesquecível, pois, foi nela que recebi o cálice do sofrimento. “Bem, quero lhe dizer oficialmente, senhor, que não é mais bem-vindo aqui. Se tentar entrar neste país outra vez, vai descobrir isso por si mesmo.” Disse-me um homem sinistro ao sair de um carro do governo que havia me seguido.

    Lembrei-me do distintivo de lapela que recebi de Antonin. “Quando as pessoas perguntarem o que é isso, conte-lhes a nosso respeito, e faça-os lembrar de que somos parte do corpo e que estamos sofrendo dores; este é o símbolo da Igreja da Thecoslováquia, significa o cálice do sofrimento.”

    Se um membro sofre, todos sofrem com ele… pensei citando I Coríntios. O cálice do sofrimento era o símbolo de uma realidade da qual eu precisava participar. E agora, o que eu faria?

     

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    O Contrabandista de Deus – 3ª Parte

    24 mar 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    O trem para Varsóvia saía de Amsterdã em 15 de julho de 1955. Fiquei admirado com o grande número de estudantes que fora atraído pelo festival. Centenas de moços e moças aglomeravam-se na estação. Pela primeira vez, comecei a crer nos números exagerados que lera na revista. Sentia-me muito sozinho. Eu não conhecia uma só pessoa em toda a Polônia e não sabia uma palavra sequer do idioma. De todos os quadrantes do mundo, milhares e milhares de jovens estavam convergindo para Varsóvia, com propósitos exatamente opostos aos meus.

    Os jornais da Holanda publicaram tantas notícias a respeito da prisão dos líderes eclesiásticos da igreja polonesa e do fechamento de seminários, que eu tinha a impressão de que religião na Polônia era uma atividade clandestina.

    Aparentemente, a livraria evangélica que eu visitara estava funcionando, apesar de não ter Bíblias. Eu passara por igrejas católicas cujas portas estavam bem abertas. Será que havia igrejas protestantes também funcionando? Resolvi verificar por mim mesmo.

    De táxi, dez minutos depois, eu estava assistindo a um culto numa Igreja Reformada, atrás da “Cortina de Ferro”. Fiquei surpreso com o tamanho da congregação; a igreja se encontrava com cerca de 3/4 dos bancos cheios. Fiquei surpreso, também, com o número de jovens. O cântico dos hinos era entusiástico, o sermão aparentemente centralizado nas Escrituras. Depois que a maior parte da congregação havia saído, o pastor e alguns jovens dispuseram-se a conversar comigo. Sim, eles cultuavam abertamente, e com considerável liberdade, enquanto se mantivessem longe dos assuntos políticos. Sim, havia membros da igreja que também eram membros do Partido Comunista. “Bem, o regime faz tanto pelo povo, que a gente apenas fecha os olhos quanto ao resto”, disse o pastor, encolhendo os ombros, “mas o que é que a gente pode fazer?”

    Naquela mesma noite, fui conhecer outra igreja que me indicaram. O culto já começara quando cheguei. O número de pessoas era menor. O povo já não era tão bem vestido quanto o outro, e quase não havia jovens. Mas aconteceu uma coisa interessante. Haviam dado ao pastor a notícia de que havia um estrangeiro na congregação, e imediatamente fui convidado a falar-lhes. Fiquei alarmado. Será que eles tinham tanta liberdade assim? E ali estava eu, um crente do outro lado do mundo, pregando o evangelho em um país comunista.

    Ao fim de minha curta pregação, o pastor falou a coisa mais interessante que eu poderia ter ouvido: “Queremos agradecer-lhe por estar aqui. Mesmo que você não tivesse falado nem uma palavra, só o fato de vê-lo já teria significado muito. Algumas vezes sentimos como se estivéssemos sozinhos em nossa luta.”

    Naquela noite, fiquei pensando em como aquelas duas igrejas eram diferentes. Uma, aparentemente, estava seguindo a rota da cooperação com o governo: atraía grandes multidões, era aceitável para os jovens. A outra, eu sentia, estava seguindo por um caminho solitário. Eu estava aprendendo tantas coisas e tão depressa, que era difícil assimilar tudo. Algo me dizia que nem tudo era como parecia ser.

    Eu tinha um objetivo especial, queria orar por cada pessoa que eu encontrara durante aquela viagem. A manhã seguinte seria a última que passaria em Varsóvia. Enquanto estava ali sentado, orando, ouvi uma música. Ela vinha pela avenida. Marcial, forte, com o som de vozes cantando.

    Ali vinham os jovens socialistas, marchando. Nem por um momento eu podia crer que eles fossem coagidos. Marchavam porque criam. O que é que eu, do Ocidente, poderia fazer a respeito deles, daqueles milhares de jovens que passavam marchando à minha frente?

    Coloquei a mão sobre minha Bíblia, e vi que estava olhando para o livro de Apocalipse. Meus dedos descansavam sobre a página, quase como se estivessem indicando uma passagem: Apocalipse 3.2 “Sê vigilante”, dizia o versículo que estava sob a ponta do meu dedo, “e consolida o resto que estava para morrer…”

    Repentinamente, compreendi que eu estava vendo as palavras através de uma cortina de lágrimas. Será que Deus as estava falando para mim naquela hora, dizendo que a obra da minha vida seria ali, atrás da “Cortina de Ferro”, onde o remanescente da sua Igreja estava lutando para sobreviver? Será que eu teria uma participação no fortalecimento daquele precioso resto?

     

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    O Contrabandista de Deus – 2ª Parte

    17 mar 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    “Senhor, se tu me mostrares o caminho, eu te seguirei. Amém.” Foi simples assim. Mas recuei outra vez. Parecia-me que havia muitos pontos contra mim. Eu não tinha estudado muito e, embora eu escondesse o fato, tinha um tornozelo aleijado. Como poderia ser missionário, se nem ao menos conseguia andar um quarteirão sem sentir dor?

    E difícil foi contar à garota com quem pretendia me casar, que eu repentinamente decidi ser missionário. Que espécie de vida seria a que eu ofereceria a ela? Trabalho árduo, salário baixo e talvez desagradáveis condições de vida em algum lugar distante.

    A princípio Thile ficou emocionada com as coisas que estavam acontecendo comigo, mas à medida que as semanas se transformaram em meses, ela começou a ficar alarmada. “Você não precisa ficar tão abrasado, André”, disse ela. “Você não acha que deve diminuir o ritmo um pouco? Leia alguns livros diferentes. Vá ao cinema de vez em quando.”

    Não me incomodei. Nada no mundo me interessava, exceto a incrível viagem de descobrimentos em que eu estava empenhado.

    De tempos em tempos, também, Thile perguntava se eu havia encontrado um emprego.

    Este era um problema mais sério. Naturalmente, enquanto eu não tivesse emprego, não poderia sugerir a ela o sonho que eu tivera havia muito tempo, para nós dois. Bem, eu iria tentar.

    E algum tempo depois, após uma oração fervorosa, abrindo o meu coração com Deus, senti uma torcedura violenta na perna aleijada. Pensei aterrorizado que destroncara o tornozelo. Com  cuidado, firmei o pé no chão. Vi que podia apoiar-me nele perfeitamente. Eu estava andando perfeitamente, estava curado! O que havia acontecido? Devagar, comecei a andar, e enquanto eu andava, um versículo da Escritura começou a vir à minha mente: “Indo eles, foram purificados”.

    E Deus me curou, me supriu. Ele nunca falhou.

    Lembrei-me emocionado de quando retornei à minha casa ao deixar o exército… “O cemitério estava banhado por um luar intenso, de lua cheia, e foi fácil encontrar o túmulo. Assentei-me no chão e disse as últimas palavras à minha mãe.

    ‘Voltei, mamãe’. Parecia natural conversar com ela.

    ‘Eu não li a Bíblia, mamãe. A princípio não, mas li depois’. Houve um longo silêncio. ‘Mamãe, o que é que vou fazer agora? Eu não posso andar cem metros sem que a dor me faça parar. Sinto-me tão inútil, mamãe. E culpado. Culpado pelo tipo de vida que levei durante a guerra. Responda-me, mamãe.’ Porém não houve resposta nenhuma.

    Mas, agora, eu estava milagrosamente curado!

    Recordei-me também de que, um tempo depois disso uma coisa ainda mais esquisita aconteceu.

    Durante um período de descanso, eu estava folheando as revistas que nos eram dadas, quando, de repente, minha mão agarrou a Bíblia que eu conservava no criado-mudo, como recordação da minha mãe. Eu não a lera desde que voltara para a Holanda. Mas naquela tarde, repentinamente, comecei a ler, e para minha admiração, eu a compreendi. Todas as passagens que haviam parecido tão confusas, quando eu lutara com elas anteriormente, surgiam de repente como uma história de ação em ritmo trepidante. Deus estava trabalhando em cada detalhe…

    …Primavera de 1955. Meus dois anos no colégio de Treinamento Missionário estavam quase terminando, e eu estava ansioso para começar o ministério. E então, certa manhã calmamente, sem estardalhaço, como na maioria das vezes é a operação de Deus – peguei uma revista, e a minha vida, desde então, nunca mais foi a mesma.

    Como ela chegou ali, jamais ficarei sabendo. Peguei-a, e comecei a folheá-la. Era uma bela revista, com belas fotos. Muitas delas mostravam multidões de jovens desfilando pelas ruas de Pequim, Varsóvia e Praga. O texto, em inglês, me informava que aquelas pessoas faziam parte de uma organização mundial com noventa e seis milhões de membros. Em parte alguma a palavra “comunista” era usada, e a palavra “socialista” só aparecia ocasionalmente. O tema principal era um mundo melhor, um futuro brilhante. E então, no final, aparecia o anúncio de um festival da juventude que deveria ser realizado em Varsóvia, no mês de julho. Todos eram convidados.

    Todos? Em vez de jogar a revista fora, naquela noite, sem ter ideia de onde aquilo me levaria, escrevi algumas linhas para o endereço de Varsóvia mencionado na revista. Disse-lhes francamente que estava estudando para ser um missionário evangélico, e que estava interessado em ir ao festival da juventude para trocar ideias: eu falaria a respeito de Cristo, e eles poderiam falar sobre o socialismo. Será que eles concordariam que eu fosse naquelas circunstâncias?

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    O Contrabandista de Deus

    11 mar 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Desde a primeira vez em que calcei tamancos de madeira – nós os chamamos klompen, na Holanda – eu sonhava com feitos heróicos. Imaginava que era espião em serviço na retaguarda do inimigo; que rastejava por debaixo de arame farpado, enquanto projéteis luminosos ardiam no ar, perto de mim.

    Nós, garotos holandeses, utilizávamos os tamancos para lutar: qualquer menino que fosse atingido com um daqueles sapatos de madeira, o fora apenas porque não pegara o seu próprio, suficientemente rápido. Eu era rápido, gostava de correr mas o tempo corria mais depressa do que eu…

    “Está na hora de você escolher uma profissão, André” avisou meu pai, “no próximo outono eu quero saber a sua decisão”. Debaixo dos suspiros de minha mãe, respondi meses depois: “Vou ingressar no exército”.

    Então, você vai em busca de aventuras? Perguntou-me um vizinho. Vou orar por você, André. Vou orar para que a aventura que você encontrar o satisfaça. Olhei para ele admirado.

    O que ele queria dizer com “aventura que satisfaça”? pensei, enquanto olhava para os campos planos que se estendiam a perder de vista em todas as direções.

    Sei que nos dois anos seguintes, tornei-me famoso entre as tropas holandesas na Indonésia, por minhas loucas bravatas no campo de batalha.

    Quando lutávamos, lutávamos como doidos. Quando bebíamos, bebíamos até perder os sentidos. Quando eu acordava, depois daquelas orgias, ficava imaginando por que estaria agindo daquela maneira, mas a pergunta sempre ficava sem resposta.

    E então, certa manhã, uma bala atingiu o meu tornozelo, e para mim a guerra acabou. Aconteceu tão repentinamente e, a princípio, foi tão indolor, que eu não sabia o que havia acontecido.

    Havíamos todos caído em uma emboscada. O inimigo atacava de três lados, com uma força muitas vezes superior à nossa, quando estava correndo, de repente caí. Eu sabia que não havia tropeçado. Mas não podia me levantar.

    Horas depois, fui levado para a mesa de operação em um hospital de campanha. Eles levaram duas horas e meia para costurar meu pé. Ouvi os médicos discutindo se deviam amputar ou não.

    Minha grande aventura fracassara. E o que era pior, eu estava com vinte anos, e descobrira que não havia nenhuma aventura verdadeira em parte alguma do mundo.

    Então, em meio à manhã em setembro de 1949, estávamos sentados na cama, lendo e escrevendo cartas, depois dos exercícios da manhã, quando a enfermeira entrou, no quarto do hospital: “quero convidar vocês todos para participarem da reunião que teremos hoje à noite na tenda.

    Ainda ecoa dentro de minha cabeça: Deixa o meu povo ir… deixa-me ir…’ parece ser bobagem dizer que um simples hino que eu apenas ouvira, naquela noite e nem chegara a cantar poderia tornar-se uma oração, e que Deus poderia atendê-la. Nada no mundo me interessava, exceto a incrível viagem de descobrimentos em que eu estava empenhado.”Amigos”, disse o pastor, “esta noite, sinto que uma coisa muito especial vai acontecer nesta reunião. Há alguém no meio do auditório que deseja se entregar para o trabalho missionário.”

    Será que eu pretendia mesmo ser missionário ou aquilo era apenas um sonho romântico? Eu ouvira Sidney Wilson falar muitas vezes de “oração insistente”. Com isso ele queria dizer orar até receber a resposta. Bem, eu iria tentar…

    Orei durante toda aquela hora, e continuei durante o resto da tarde. Escureceu, e eu ainda não chegara a ponto de ter a certeza de que descobrira o plano de Deus para minha vida. “O que é, Senhor?

    O que é que estou retendo? Qual a desculpa que estou dando para não te servir em qualquer coisa que queira que eu faça?”

    E então, ali, finalmente encontrei a resposta. O meu “sim” para Deus sempre fora um “sim, mas…”

    Sim, mas não tenho cultura. Sim, mas sou aleijado.

    Com todo o coração, eu disse “Sim”. Pronunciei-o de forma completamente diferente, sem restrições.

    “Eu irei, Senhor”, disse eu, “não importa como.

    Quando quiseres, aonde quiseres, como quiseres, eu irei. E começarei neste momento. Senhor, quando eu me levantar deste lugar, quando eu der o primeiro passo, considere que é um passo em direção à completa obediência a Ti.

    De volta ao lar, já não podendo servir ao exército, não conseguia parar de pensar na decisão que tomara. Dentro de mim, uma pequena voz parecia dizer: “Vá!” Era a voz que havia me chamado no vento, a voz que nunca fazia sentido em termos de lógica. Era a voz do Espírito Santo de Deus!

    Até que certa manhã, apertei a mão de papai, e corri para a estrada, para pegar o ônibus e começar a primeira parte de uma viagem que continua até hoje.

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    NA REAL: O TEMPO DE DEUS

    13 fev 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    O importante não é como começa a história, e sim como ela termina! Fico maravilhada com a criação de Deus, cada criatura – seja ela humana ou animal – é única: incomparável, irrepetível, inimitável, insubstituível. Sua singularidade  significa que Deus tem um propósito que apenas você pode cumprir nesse mundo, ninguém mais. Para Deus, você tem valor!

    Eu não sabia disso e, quando minha família me virou as costas, eu rompi minha comunhão com Deus, o que hoje, se pudesse voltar atrás, eu não faria. Mas, sendo ingênua e generosa, logo me vi cercada de maus amigos. Esses se surpreenderam quando souberam que, aos vinte anos, eu nunca tinha bebido uma cerveja. Logo estava eu fazendo o que me desagradava para me enturmar. Em seguida me apresentaram à maconha.

    Vaguei pelo mundo longe da presença do Pai. E o sofrimento foi grande. Fui muito abusada moral, física e sexualmente. Fui mantida em cárcere privado. Fui maltratada e apanhei a ponto de ter o pulso direito fraturado. Meu filho tinha dois meses de vida nessa época. Exausta, abandonada pelo meu companheiro, entrei numa caverna para murchar e morrer.

    Tendo rompido minha comunhão com Deus por causa da rejeição da minha família, eu procurei ajuda na meditação budista. Passei duas décadas praticando e recebendo supervisão na prática dos ensinamentos de Siddata Gótamo Sakyamuni , que viveu seis séculos antes de Cristo. Ele ficou conhecido depois do seu 35º aniversário como Buda (o Iluminado). Fiz muitos retiros de vários dias e até meses, e alcancei um estágio de consciência mais profundo sobre mim mesma. Foi ali que reconheci que pela força do meu braço eu nunca teria vitória. Buda me reconciliou com Cristo!

    Deixei de fumar mas abusava da bebida. Um dia procurei ajuda nos grupos anônimos.

    Durante anos frequentei grupos, mantendo-me limpa e voltando a fumar, o que era muito humilhante porque eu não conseguia manter a conquista alcançada. Até que um dia Deus me resgatou mediante uma mensagem ouvida na TV. Fui a um templo evangélico, gostei da seriedade de seus membros, reverentes, profundamente interessados num íntimo relacionamento com Deus. Continuei voltando e nunca mais saí da presença do Pai. Ali realmente descansei em Deus, tomei o jugo de Cristo que é leve e suave.

    Deus me libertou imediatamente do hábito de fumar. Da noite para o dia, assim que voltei a congregar, Ele dissipou o uso da maconha como uma névoa se dissipa à luz do Sol.

    “Bendito seja Deus que ouviu minha oração e não desviou de mim sua misericórdia” (Salmos 66.20). Mas com o abuso da bebida não foi assim. Eu orava reconhecendo minha impotência para lidar com o álcool e pedia a Deus que ele me tratasse. Acrescentava que, se houvesse algo que eu mesma pudesse fazer para vencer esse mau hábito, eu estava disposta a fazê-lo.

    Eu me entristecia muito. Passava longos períodos de remissão e diante das pressões a que era submetida, no trabalho ou na família, voltava ao velho mau hábito.

    Mas eu sabia que tinha jeito para mim porque eu sou honesta. Eu não me justificava nem racionalizava. Apenas lamentava e me virava para Deus suplicando que Ele fizesse aquilo que eu não pude fazer. Eu me surpreendia com o modo tão diferente de Deus tratar o que para mim era uma única doença! Nessa altura eu já não abusava mais do álcool, mas gostava de tomar vinho às refeições. Porém o desejo de servir me fez cuidar do meu corpo, que é o templo do Espírito Santo.

    Nesse processo, eu fui sendo abençoada. Deus me tirou da caverna, fez renascer a esperança em meu coração e fui alcançando vitórias. Paguei dívidas, me mudei para um lugar melhor. Eu estava integrada e produtiva. No dia 29-12-2011 eu tive uma experiência com o Espírito Santo. Estava, como membro do coral, participando da inauguração de um templo, no Rio de Janeiro. Ao final da cerimônia, a esposa do pastor se colocou à disposição, dizendo: “Meu marido eu não temos nenhuma outra atividade, nenhuma outra ocupação que não seja a serviço do Reino de Deus”. Meu coração foi embrasado por essas palavras, tive o desejo de poder dizer isso um dia também.

    O Espírito Santo me confirmou esse propósito imediatamente e me garantiu que eu teria os recursos para fazê-lo. Daí em diante, fui sendo orientada por leituras e do Treinamento de Discípulos e Mestres / TDM oferecido pela Igreja Metodista, onde congrego, e o Espírito Santo foi tornando mais claro o meu desígnio. Enfim, foi-me revelado que todo o sofrimento pelo qual passei, todo o aprendizado e estudo que recebi, preparou-me para ir visitar e consolar viúvas e órfãos de grandes catástrofes (terrorismo, terremoto). Essa é a minha missão e estou aprovada para ir a campo pela Missão de Portas Abertas. Deus seja louvado! Achei sentido para minha vida, a esperança de servir me fez reviver.

    Eu hoje ensino línguas estrangeiras a pastores. À medida em que fui sendo usada por Deus, o inferno se levantou contra mim. Foi então, durante uma afronta no trabalho, que compreendi por que não deveria beber: eu não sou sobrevivente ou impotente, eu sou uma guerreira! Tenho que estar sempre alerta para desviar as setas malignas de Satanás! E aí, meus queridos residentes, embora o processo tenha levado mais tempo, assim como a névoa se dissipa ao Sol, eu fui libertada da falsa ideia de que tomar vinho à mesa era necessário. Eu senti amor por mim mesma pela primeira vez na minha vida, graças a Deus.

    Cada um de nós pode fazer a diferença nesse mundo. Seja bom para você mesmo. Ame-se muito, se queira bem! Para Deus você tem valor. “E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre” (João 14:16).

    Por causa de Parakletos: Nosso sucesso não está limitado aos nossos esforços.

    Nosso futuro não está limitado ao nosso conhecimento.

    Nossas vitórias não dependem apenas de nossas habilidades.

    HOSANAS AO NOSSO REI! E QUE BRILHE JESUS!

    _ _

    Domitila Madureira, nasceu num lar cristão e é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro. 

    CRISTO, O HOMEM QUE NÃO PENDURA QUEIXADA À SUA PORTA

    2 dez 2014   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Desde sempre a Bíblia mereceu a atenção de homens de Deus que a traduziram do hebraico, usado no Antigo Testamento, e do grego, no Novo. Eusébio Sofrônio Jerônimo (347-420), dizia que quem não conhecia os Evangelhos não conhecia a Cristo. O latim estava então começando a substituir o koiné (uma variante do grego) como língua geral de todas as nações da bacia do Mediterrâneo. Assim, esse homem culto da Ilíria se preocupou em traduzir a Bíblia inteira para o latim. Essa versão veio a ser usada apenas pelos eruditos já que o latim falado restringia-se à península itálica, mas sobreviveu como língua da Igreja Católica Apostólica Romana – ICAR. No Concílio de Trento (1542), a ICAR estabeleceu essa versão como sendo a versão oficial da Bíblia.

    A essa, seguiu-se a Bíblia inglesa, um esforço de tradução de John Wycliffe (1328-1384), professor da Universidade de Oxford, que contestava a autoridade do Papa, afirmando que “a verdadeira autoridade emana da Bíblia”.  Seu exemplo deu origem à Fundação que leva seu nome hoje e se dedica a traduzir a Bíblia para todas as línguas faladas na face da Terra.

    O povo, faminto da Palavra de Deus, conheceu, em torno do século XII, movimentos como aquele de Pedro Valdo (c.1140-c.1220) que vendeu tudo o que tinha em Lyon (França) e passou a ensinar a Bíblia, sem ser sacerdote, insistindo que a Bíblia é a fonte de toda autoridade, depois de ter tido acesso a uma tradução do Novo Testamento em 1176. Ele traduziu a Bíblia para a língua falada na sua região, o provençal.

    Martim Lutero (1483-1546) foi além, destacando que todo indivíduo tinha o direito de ler a Bíblia diretamente, sem o auxilio de padres ou cardeais. Ele nos legou a tradução da Bíblia para a língua alemã, tão bela que influenciou a literatura da Alemanha. Essa ação, combinada com a invenção da imprensa de tipos móveis de Johannes Gutenberg (1398-1468), provocou uma mudança formidável na história da humanidade. Apesar da ameaça de excomunhão da ICAR (Sínodo de Toulouse, 1234), as sucessivas traduções para as línguas vernaculares levaram milhões de pessoas a aceder diretamente à Palavra de Deus.

    Mais tarde, um sapateiro inglês chamado William Carey (1761-1834), tornou-se o primeiro missionário protestante da Inglaterra, ao aprender como autodidata o hebraico, o grego, o latim, o italiano e o francês. Terminou sua vida dedicada a Deus como professor de sânscrito, pashto, bengali e marathi no Fort William College de Calcutá (Índia). Carey, com sua equipe, traduziu a Bíblia para idiomas que são falados por 30% da humanidade!

    Mais recentemente, no século XX, a Fundação Wycliffe e os Tradutores da Bíblia envidaram o maior esforço interdenominacional para traduzir a Bíblia para todos, realmente todos, os idiomas falados no mundo. A esse esforço deu-se o nome de VISÃO 2025, com a expectativa de se concluir essa imensa tarefa dentro de dez anos. Até o momento, a Bíblia já foi traduzida para 1300 línguas. Agora, os doutores e estudiosos em lingüística, estão indo viver nas comunidades iletradas da África, da Oceania, para aprender a língua local e então traduzir para cerca de 750 nações que ainda não possuem a Bíblia, ou o Novo Testamento, em sua própria língua. Para os povos iletrados, esses missionários gravam em suportes de mídia como os cedês e devedês, a Bíblia ou parte dela (Novo Testamento e Salmos).

    Alguns desses missionários foram viver numa nação em que a palavra perdão não existe. Ali toda ofensa é revidada, e o vingador pendura à entrada de sua casa uma queixada, pois é o símbolo desse costume. Como falar de um Deus clemente que nos agracia com a redenção de nossa dívida impagável? “Todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados” (Jeremias 31:34b). Esses missionários usaram a solução de falar de Cristo como “o homem que não pendura queixada”, de forma a alcançar essas vidas, para cumprimento da grande missão que nos deu Jesus.

    Iniciamos nossa caminhada com Cristo ao crer que Ele é o filho de Deus com poder para nos salvar. Somos crentes. À medida que caminhamos em nossa vida com Deus, somos transformados, ficando um pouquinho mais parecidos com o coração de Cristo. Dessa forma nos tornamos cristãos. E, sedentos da Água Viva, buscando incessantemente a Sua presença, vivemos prodígios, assistimos a milagres e somos levados a testemunhar o que ouvimos e vimos. Dessa forma, sem poder impedir que nossa boca testemunhe o poder de Deus, nos tornamos enfim evangélicos. Que Deus os abençoe e os livre do mal.

    E QUE BRILHE JESUS!

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    Domitila Madureira, nasceu num lar cristão e é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro. 

    SILENCIAR ATÉ QUE SEU PROJETO ESTEJA INTEIRAMENTE REALIZADO

    29 jul 2014   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Silenciar para evitar a inveja de certas pessoas é o mínimo.

    Cuidado ao desabafar, mesmo as pessoas que mais aparentam confiança, discrição e espírito cristão podem usar suas confidências contra você, levando e trazendo conversas desnecessárias que causam desarmonia.

    Mas o maior motivo de todos para silenciarmos nossos projetos até que estejam inteiramente realizados é para que o Inimigo não saiba deles para não criar obstáculos no nosso percurso. Ele não pode ler nossos pensamentos, mas pode ouvir nossas palavras!

    Há quatro anos eu precisava me mudar e rapidamente pois a proprietária do lugar em que eu tinha vivido por longos anos voltara do exterior e queria o imóvel de volta. Eu estava trabalhando muito e, como autônoma, só faturo quando trabalho de modo que é natural que na alta temporada de conferências internacionais eu aguente jornadas excessivas de trabalho, sem descanso.

    Eu tinha que procurar um imóvel cujo endereço fosse ao mesmo tempo residencial e comercial pois tinha que transferir meu alvará para um local que a prefeitura aceitasse como adequado às minhas atividades de serviços. E fazê-lo na maior correria, estando a maior parte dos dias úteis presa dentro de um hotel em serviço durante o horário comercial.

    Deus me honrou pois o primeiro apartamento que visitei, no horário de almoço, atendia a essa dupla necessidade, eu podia pagar, ele estava em condições de ser ocupado de imediato e, em resposta às minhas orações, tem vista para o mar e o Parque do Flamengo!

    Fui reunir a documentação, uma amiga concordou em ser fiadora, emprestou os documentos e eu sempre na mesma correria, fiz as fotocópias, colhi as assinaturas, reconheci em cartório, faltava apenas a assinatura da fiadora…

    Por eu ter dado como assunto resolvido, abri a boca para falar dessa dificílima operação que Deus miraculosamente estava fazendo realizar-se sem obstáculos, e em tempo recorde. A fiadora deu para trás mas sem falar comigo, mandava a empregada dizer que estava fora, não retornava minhas ligações, não foi assinar no cartório no dia combinado.

    Deus me emprestou mão forte, porque ofereceu outras soluções que resolveram o procedimento administrativo com a advogada do proprietário e eu consegui ocupar o imóvel com que Deus abençoou minha vida, mas vivi o terrível sobressalto de, na última hora, tudo dar errado porque falei disso com alguém! Isso porque antes da assinatura da fiadora estar ali, preto no branco, diante do tabelião, eu dei como realizada uma operação que ainda não estava concluída.

    E o Inimigo se intrometeu para me derrotar.

    Eu dou esse testemunho para engrandecer o nome de Deus, cujo amor por nós é impossível de ser medido, mas também para alertar você que me lê. Não se trata de superstição ou de evitar inveja, o melhor motivo para não falarmos de algo que queremos realizar é mantê-lo longe da sanha do adversário de nossas almas. Ele é o maior perdedor do universo, mas no desespero da sua hora final que se aproxima rapidamente, Satanás tenta nos enredar astutamente e nos fazer viver situações de desespero, na tentativa de nos fazer perder nossa benção, nossa salvação.

    “Vigiai e orai”, disse o Mestre dos mestres. Cuidado com o que você diz, tudo o que você fala pode ser usado contra você, seja de boa fé por um irmão descuidado, seja de má fé pelo Acusador. Revista-se da poderosa armadura de Deus, não dê brechas ao Inimigo.

    E que brilhe Jesus!

    O MANÁ DE CADA DIA

    14 jul 2014   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Confiar em Deus significa não se preocupar, descansar em Seu amoroso cuidado cotidiano.

    “Os tupinambás muito se admiram dos franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho de ir buscar o seu arabutan (toras de pau-brasil). Uma vez um velho perguntou-me:

    – Por que vindes vós outros, maírs e perôs (franceses e portugueses), buscar lenha de tão longe para vos aquecer ? Não tendes madeira em vossa terra?

    Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele supunha, mas dela extraímos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com os seus cordões de algodão e suas plumas. Retrucou o velho imediatamente:

    – E porventura precisais de muito ?

    – Sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados.

    – Ah! retrucou o selvagem, tu me contas maravilhas; acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera:

    – Mas esse homem tão rico de que me falas não morre?

    – Sim, disse eu, morre como os outros.

    Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim, por isso perguntou-me de novo:

    – E quando morrem para quem fica o que deixam ?

    – Para seus filhos, se os têm, respondi; na falta destes, para os irmãos ou parentes próximos.

    – Na verdade, continuou o velho que como vereis não era nenhum tolo, agora vejo que vós outros maírs sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem ! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também ? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois de nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados.”

    Publico essa conversa entre um velho índio Tupinambá e Jean de Léry, sapateiro protestante que emigrou para a baía de Guanabara com Villegagnon, onde viveu cerca de dois anos, tendo publicado um livro com as memórias dessa viagem, em 1580 depois de voltar à França, para lembrar que em tudo nosso Pai celeste tem cuidado de nós. Confia!

    E que brilhe Jesus!

     

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    Domitila Madureira, nasceu num lar cristão e é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro. 

     

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