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    Tagueado com " Domitila Madureira"

    CONFIAR E SERVIR

    21 out 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Conta-se que o britânico Hudson Taylor, pioneiro na evangelização da China no século XIX, viu certo dia em viagem marítima um rapaz que conhecia a Bíblia (publicada em chinês clássico no século XVIII) mas não se rendera ao poder de Deus, e por quem Taylor orava, cair ao mar. Os marinheiros arriaram as velas e Taylor pediu a pescadores que estavam perto que tentassem resgatar o náufrago com suas redes de arrasto.

    Esses se negaram pois estavam ocupados, Taylor lhes disse que pagaria cinco dólares por isso. Os pescadores regatearam, exigindo trinta. Taylor não tinha essa soma e lhes propôs dar tudo o que tinha. Os pescadores enfim acudiram, resgatando o rapaz. Tarde demais, porém. Foram inúteis as tentativas de Taylor em ressuscitá-lo.
    Chocante? Cerca de 150 milhões de pessoas morrem a cada dia no mundo inteiro. Quantas dentre essas perecem também por toda a eternidade? Ouvi um pastor dizer do altar: “você não evangeliza mas, quando você estava no mundo, você oferecia cerveja ou drogas a seus amigos. Se dividia o que era mau, por que não divide o que é bom?”

    Hoje, o esforço de evangelização não está mais focado na China, mas de preferência nos países islâmicos onde a perseguição aos cristãos é violenta. O Islam é a religião que mais cresce no mundo. Muammar Khadafi, que governou a Líbia até 2011, investiu os seus petrodólares para conseguir prosélitos construindo estradas, aeroportos, hospitais, moradias em muitos lugares da África. Como resultado, populações antes cristianizadas agora se declaram muçulmanas em países como o Benim, entre muitos outros.

    Hudson Taylor não tinha petrodólares para investir na evangelização da China. A sua consagração a Deus era total e sua vida vivida totalmente sob a direção do Eterno. Por isso, o número de missionários aumentou a cada ano e nunca lhes faltou pão, apesar de viverem exclusivamente das ofertas espontâneas dos membros do corpo de Cristo no Reino Unido.

    Que Deus me ajude a viver inteiramente debaixo da divina providência e a Seu serviço até que eu lhe devolva o fôlego de vida ou que Cristo volte para nos levar para o Céu. O fim do mundo será o dia mais feliz da história: aquele em que Deus restaurará seu plano original para a humanidade.
    E que brilhe Jesus!

    O PRÍNCIPE DOS PREGADORES

    6 jul 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    A família de Charles Spurgeon (1834-1892) fugira da Holanda por volta de 1570 para escapar à perseguição do rei católico Filipe II.  Viveram na Inglaterra desde então, mas em 1662 foram novamente perseguidos pelo rei Carlos II, da igreja Anglicana, porque como puritanos não aceitaram o Ato de Uniformidade que impunha o uso de um livro de orações único, entre outras decisões.

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    Ele se batizou aos 15 anos,  aos 16 já pregava, aos 17 tornou-se o pastor de um templo da igreja Batista, em Cambridgeshire.  Rapidamente Spurgeon se tornou uma celebridade mundial.  Era convidado a pregar em várias cidades e até no exterior.  Ele pregava ao ar livre mas também em ambientes fechados, de 8 a 12 vezes por semana.  Em 1857, ele pregou para 23.654 pessoas que lotaram o auditório do The Crystal Pallace, em Londres para ouvi-lo por mais de duas horas.

    Seus 3.653 sermões, impressos como panfletos de evangelização, chegaram até nós.  Até o último ano de seu pastorado, 14.692 pessoas tinham sido batizadas. Quando, no século XX,  Billy Graham refutou a ideia de o lançarem candidato à Presidência dos EUA declarando: “Eu não posso ser rebaixado”, ele citava Spurgeon: “Se Deus o chamou para seu ministério, não se rebaixe a ponto de ser rei em qualquer país”.

    Spurgeon viveu o que pregava.  Dizia:  “Se os pecadores forem para o inferno que, no mínimo, tenham que saltar por cima de nossos cadáveres.  E que ninguém entre ali sem estar avisado e sem que se tenha intercedido por ele.”

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    Domitila Madureira, membro da Igreja Metodista da Asa Sul, Brasília.

    UMA MENINA MUITO INFLUENTE

    24 jun 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Mary Jones nasceu há mais de 200 anos no País de Gales, e era filha de tecelões muito pobres. Desde que aprendeu a ler, aos 8 anos, ela desejava ardentemente ter uma Bíblia só dela, que pudesse ler quando quisesse.  Mas, mesmo tendo se tornado mais barata graças à imprensa de tipos móveis, a Bíblia ainda era um bem caro demais para os seus parcos recursos.

    maryjones_bigMary decidiu então prestar pequenos serviços e poupar para comprar sua Bíblia. Ela poupou por um bom tempo, todo o dinheiro ganho assim.  Quando julgou ter o suficiente, sua mãe adoeceu e o dinheiro foi destinado aos remédios de que ele precisou para se curar. Sem desanimar, apesar de tão jovem, ela recomeçou a poupar.

    Ela já era uma adolescente quando conseguiu reunir outra vez uma soma significativa, capaz de tornar seu sonho realidade.  Então, nova decepção…  Mary foi informada que em Alan, onde vivia, não havia nenhuma Bíblia.  Em Bala, porém, uma cidade distante cerca de 40 km, certo reverendo tinha Bíblias à venda. Mary se preparou, levou provisões de boca e iniciou a pé sua jornada para Bala, que lhe consumiu dois dias caminhando!

    Ao chegar lá, procurou o Rev. Thomas Charles, alegre com a possibilidade de ter sua própria Bíblia enfim. Porém o único exemplar disponível tinha sido encomendado por outra pessoa.  A  frustração foi demasiada para Mary e ela, ao ouvir essa resposta, caiu desfalecida.  Quando recobrou os sentidos, contou sua história, e o Rev. Thomas decidiu dar a ela aquele único exemplar da Bíblia.

    Mais do que isso, o exemplo de Mary sensibilizou-o a agir para tornar a Bíblia acessível aos mais pobres.  Foi por causa dela e do seu amor pela Palavra de Deus que se fundou a primeira Sociedade Bíblica para difundir a Palavra de Deus para todos.  Hoje existem 145 sociedades bíblicas em atividade no mundo inteiro com esse propósito.

    Há cerca de dois anos, o Espírito Santo me moveu a fazer o Ano Bíblico novamente. Usei uma edição da Bíblia específica para esse fim, em que temos a leitura para cada dia reunindo um trecho do Antigo e outro do Novo Testamento, mais uma parte de Salmos e de Provérbios.

    Quando ao ler a Bíblia, me deparo com trechos desafiadores para minha compreensão, uso o site www.blueletterbible.org com a obra de James Strong (e equipe), “Concordância Bíblica”, que me esclarece os termos originais em hebraico ou grego. São links numerados, onde H remete ao Antigo Testamento e G, ao Novo.

    Gosto também de manter um caderno pessoal de anotações com minhas reflexões sobre esses estudos bíblicos. Um dos heróis da fé, Charles H. Spurgeon, dizia que uma Bíblia que está caindo aos pedaços geralmente pertence a alguém que não está!

    E que brilhe Jesus!

     

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    Domitila Madureira, membro da Igreja Metodista da Asa Sul, Brasília.

     

    A PRISTINA GERAÇÃO CRISTÃ: POLICARPO DE ESMIRNA

    1 jun 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Um dos cristãos dos primeiros tempos de nossa era, Policarpo se destacou por proclamar ter conhecido ao menos um apóstolo, João que, segundo Tertuliano, o teria nomeado bispo de Esmirna, cidade situada no que hoje conhecemos como Turquia, próxima ao mar Egeu. Nascido circa 70 d.C. , viveu provavelmente numa família cristã. Estudiosos têm como provável que Policarpo tenha encontrado mais de um dos discípulos do Mestre, de quem recebeu ensinamentos aprendidos diretamente de Cristo.

    Em meados do século II de nossa era, as especulações gnósticas se difundiram ativamente e várias coisas desconhecidas pelos cristãos foram tidas como derivadas das tradições secretas dos apóstolos. Assim, um alto valor foi atribuído ao testemunho que Policarpo podia dar quanto à genuína tradição da doutrina apostólica. E o seu testemunho condenou como ofensivas as novidades do Gnosticismo, invenções dos professores heréticos.
    Policarpo coroou seus outros serviços para a Igreja por um martírio glorioso.

    POLICARPO-DE-ESMIRNA

    A história conta que o martírio de Policarpo foi o último ato de uma grande perseguição e teve lugar por ocasião de jogos realizados em Esmirna , em que outros onze sofreram antes dele. O procônsul de Éfeso fez o possível para convencer os acusados de salvar-se pelo perjúrio, renegando a fé cristã. Um frígio aceitou fazê-lo, enquanto um germânico açulou as feras para garantir uma morte mais rápida. A plateia gritava : “Fora com os cristãos! Vamos pegar Policarpo!” Policarpo, três dias antes de sua apreensão, teve uma visão de seu travesseiro pegando fogo, e interpretou-a para seus amigos: “Devo ser queimado vivo.” Quando os perseguidores se aproximaram, seus amigos insistiram para ele fugir , mas ele recusou dizendo: “Que a vontade de Deus seja feita.”

    Logo eles encontraram o magistrado romano que ordenara sua prisão e que insistiu com ele seriamente para salvar a sua vida: ” Que mal há em declarar ‘César é o Senhor’ e assim escapar à arena? Jure agora e eu vou deixar você ir”. Então Policarpo deu a resposta memorável : “Oitenta e seis anos eu O servi e Ele nunca me fez mal, como então posso blasfemar contra meu Rei e meu Salvador?” O procônsul , então ordenou que seu arauto anunciasse três vezes no meio da arena: “Policarpo confessou-se cristão.” Levantou-se um clamor furioso de pagãos e judeus contra este ” pai dos cristãos”. O presidente dos jogos foi chamado para soltar um leão contra Policarpo, mas recusou-se, dizendo que as exibições com as feras selvagens já tinham terminado.

    Em seguida, a uma só voz a multidão exigiu que Policarpo fosse queimado vivo. Quando a pilha de lenha ficou pronta, Policarpo ofereceu uma oração final, e a pira foi acesa. Mas a chama, sob o vento, se afastava do corpo, que podia ser visto, arrasado , mas não consumido. A fumaça parecia perfumada para os cristãos , seja por prodígio ou porque madeiras perfumadas foram usadas na pilha. Vendo que a chama estava morrendo, um carrasco foi enviado para usar a espada, que cravou em suas costas. Quando o sangue jorrou, abundante, a chama quase foi extinta. Os cristãos pediram para remover o seu corpo.

    A história do martírio de Policarpo é narrada em uma carta ainda existente, acerca da peregrinação de membros da Igreja de Esmirna à Philomelium (uma cidade da Frígia). Este documento foi conhecido por Eusébio, que transcreveu a maior parte em sua História Eclesiástica. Eusébio parece ter se equivocado no cálculo do ano em que isso aconteceu. Outras inferências, obtidas a partir dos documentos coetâneos subsistentes, permitem apontar a data do martírio de Policarpo como datando do sábado anterior à Páscoa, 23 de fevereiro de 155 d.C.

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    Domitila Madureira, nasceu num lar cristão e é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro. 

    O Contrabandista de Deus – 12ª Parte

    22 mai 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Não há portas fechadas

    O maior desafio de todos é o islamismo.

    Assim como aconteceu com o comunismo, hoje os jovens são atraídos da mesma forma por essa religião que cresce mais do que qualquer outra no mundo. E eu me pergunto: os cristãos de hoje se igualam a esses fiéis? Todos os dias, no momento em que no alto dos minaretes soa o chamado à oração, milhões de pessoas se reúnem para orar com muito fervor.

    São pessoas que ficaram com má fama, por conta das atitudes de uma minoria terrorista; líderes extremistas que exigem uma obediência cega e que perseguem principalmente os cristãos, chegando até a matar alguns. Mesmo assim, são pessoas que precisam conhecer Jesus.

    Assim como não foi inútil tentar evangelizar os países comunistas, precisamos continuar crendo que não há portas fechadas.

    Lembro-me da primeira viagem que fiz à Varsóvia, meu primeiro sermão na “Cortina de Ferro”. O pastor disse-me ao final: “Rapaz, o mero fato de você estar aqui tem mais valor do que muitas palavras”. Foi uma daquelas afirmações que nos fazem mudar, que transformam a vida da gente.

    Como está escrito em Mateus 25.25-40, o que fazemos aos pequeninos, ao Senhor fazemos. Ninguém pode dar a outrem o que beber, nem roupas, nem visitar um doente ou encarcerado, se não estiver ali, junto dele.

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    ISLAM

    A visão é clara, temos de alcançar os muçulmanos onde eles estiverem, e atendê-los em suas necessidades. Se não pudermos lhes comunicar a mensagem de Jesus pela pregação, devemos comunicá-la por nossas atitudes.

    Adotei um acróstico que eu mesmo criei com a palavra “islã” (islam, em inglês). É o seguinte: I Sincerely Love All Muslims (Amo Sinceramente Todos os Muçulmanos). Todos os países muçulmanos estão com as portas abertas; nenhuma delas se acha fechada.

    Vamos ver milhares de cristãos servindo em amor aos muçulmanos no mundo de hoje.

    Vamos enfrentar esse grande desafio, ouvindo a orientação do Espírito Santo. O futuro será ainda mais empolgante.

     

     

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    O Contrabandista de Deus – 11ª Parte

    14 mai 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    O pedido

    Um milhão de Bíblias para as igrejas clandestinas chinesas…

    Essas igrejas dispunham de tão poucas Bíblias que eles as dividiam em várias partes, que eram distribuídas entre os cristãos para que memorizassem. “Precisamos de pelo menos um milhão de exemplares”, disseram eles. Nossos corações, meu e de minha equipe agora denominada Portas Abertas, foram contristados em amor diante dessa necessidade e nos dispusemos a orar.

    O governo chinês tratava a Bíblia com descaso e a subestimava. Mas a Igreja chinesa não. Ela sabia do valor das Escrituras. Eu também sabia, por experiência própria. Eu mesmo não fora convertido simplesmente lendo aquele livro?

    Os próprios cristãos chineses articularam a maneira como concluiríamos a operação. Descobriram uma praia deserta, na qual atracariam uma balsa para receber o carregamento. Uma vez em terra, eles estariam ali com um pequeno exército de homens e mulheres que poderiam esconder a preciosa carga. Tão preciosa que a chamaram de “pérola”, de acordo com as palavras de Jesus: “O Reino dos céus também é como um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que tinha e a comprou” (Mt 13.45-46).

    A praia estava pronta. Agora só faltava arranjar um milhão de Bíblias, encontrar a melhor forma de burlar a guarda costeira chinesa e fazer o descarregamento. Ah, e se possível, voltar para casa.

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    Pérolas negras

    Deus se encarregou desses “detalhes”. O que era um milhão de pérolas ao Senhor de todo o oceano?

    Na noite de 18 de junho de 1981, com maré alta na praia de Swatow, nosso destino final, 232 pacotes em embalagens à prova d’água, contendo as Bíblias e pesando uma tonelada, desembocaram na orla, perante os olhos ansiosos de chineses e tripulantes.

    Ali, na praia, os irmãos abriram aquelas grandes “ostras” azuis e distribuíram seu conteúdo entre si. Suas pérolas negras passavam rapidamente de mão em mão, e sumiam nas garupas de motos, cestos de camponeses. Cada um levava sua parte daquele grande tesouro.

    A certa altura, o exército chinês fora alertado de que tinha um navio estranho naquele lugar. Contudo, quando chegou ao local, não havia quase nada mais para se ver. O povo já havia levado a maior parte das Bíblias. Os guardas recolheram as que restavam e as atiraram de volta ao mar. Dois dias depois, viram-se milhares de livros de capa preta secando sobre o telhado das casas de Swatow.

    Sem ter o recurso ou apoio de alguma organização, somente crendo e obedecendo à voz de Deus, um projeto de 7 milhões de dólares estava concluído. E ainda pudemos voltar para casa.

     

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    O Contrabandista de Deus – 10ª Parte

    6 mai 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    A viagem impossível

    1965. Do avião, eu avistava Hong Kong e, para além dela, o grande território da China perdia-se de vista.

    Meu plano era a prova de falhas: munido de meu passaporte holandês, pegaria um avião em Formosa (Taiwan) e desceria em Hong Kong. Lá, embarcaria para a China. Assim, passei dez dias em formosa e tomei o voo para Hong Kong. Quando contei meu plano ao homem que sentava ao meu lado no avião, ele me olhou de maneira curiosa.

    — Deixe-me ver seu passaporte — pediu o homem, que era banqueiro em Hong Kong. Depois de folhear as páginas e encontrar um visto em especial, ele exclamou — Estados Unidos!

    — Sim — respondi. — Acabo de vir de lá.

    — Rapaz, você nunca entrará na China com este passaporte.

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    Em busca de um passaporte

    Eu geralmente me animava quando alguém me dizia que determinada aventura era impossível, porque isso me dava a oportunidade de ver como Deus lidaria com o impossível. No entanto, aquele alerta do banqueiro não foi o primeiro que ouvi sobre a China.

    Também haviam me dito que Hong Kong era uma reserva de centenas de missionários cujas tentativas de entrar na China haviam falhado. Com mais esse alerta, minha confiança vacilou. Talvez eu devesse arranjar um passaporte novo.

    Tentei retirar um passaporte novo, em branco, no consulado holandês em Hong Kong, mas eles não emitiam passaporte. Então resolvi ir o Departamento de Turismo da China e, com a cara e a coragem, pedi um visto.

    Pediram-me que esperasse por três dias.

    Enquanto esperava, dei um passo de fé: fui a uma livraria evangélica e comprei várias Bíblias em chinês.

    Quatro dias depois, eu embarcava num trem para a China.

    Um milhão

    Dentro da China, procurei por cristãos fiéis em um seminário, na Associação de Moços Cristãos e até na igreja. Mas não encontrei nenhum. E ninguém se interessou pelas Bíblias que levei, ao contrário do que acontecia na Cortina de Ferro.

    Saí da China profundamente decepcionado. O que eu não sabia era que os irmãos que procurava não estavam nas instituições que visitei.

    Aqueles prédios funcionavam porque eram mantidos e rigorosamente controlados pelo governo. A Igreja que eu procurava reunia-se secretamente em casas. Na segunda vez em que visitei a China, consegui entrar em contato com eles, e receberam avidamente as Bíblias que trazia.

    Então lhes perguntei:

    — De quantas Bíblias vocês precisam?

    A resposta veio calculada e surpreendente:

    — Precisamos de, pelo menos, um milhão.

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    O Contrabandista de Deus – 9ª Parte

    30 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Um tesouro em russo

    Aprender outro idioma, conseguir recursos para viajar, aprender a dirigir um carro, comprar o carro, atravessar a fronteira com as Bíblias, fortalecer os novos-convertidos, firmar as crianças nos caminhos do Senhor — eram muitos desafios na Cortina de Ferro. Entretanto, de uma coisa eu tinha certeza: Deus é maior do que todos os desafios e, ele ia à minha frente abrindo caminhos e realizando milagres. Um pastor russo me perguntou, certa vez: “Por que você veio à Rússia?”. Respondi-lhe prontamente:

    “Procuro ajudar meus irmãos”. Então abri o pacote e entreguei-lhe a insignificante pilha de três Bíblias. Seu semblante dizia tudo: aquele era um verdadeiro tesouro.

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    Aqui e na China

    Era preciso ter 15 mil dólares para imprimir cinco mil exemplares de Bíblias de bolso, em russo. Perguntei à minha esposa: “Quanto você acha que vale nossa casa?”. Oramos juntos e em seguida colocamos a casa à venda. Mas ninguém apareceu para comprá-la, e isso nos surpreendeu. Até que recebemos um telefonema da Sociedade Bíblica Holandesa:

    “Vamos produzir as Bíblias para vocês”. Deus seja louvado! Não precisamos vender nossa casa. No começo do ano de 1964 pudemos oferecer aos pastores russos as Bíblias de que necessitavam desesperadamente. O amor de Deus alcançara Rússia. E, então, um dia em Moscou, eu me sentei ao lado de um chinês em um ônibus. Uma esperança pelo impossível começou a crescer dentro de mim: ministrar aos cristãos da China.

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    O Contrabandista de Deus – 8ª Parte

    24 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    O carro-milagre

    Na primeira viagem com o fusca azul a um país da Cortina de Ferro, descobri que tinha mais energia do que poderia imaginar. Durante semanas a fio preguei, ensinei, encorajei e distribuí as Escrituras. Realizei mais de oitenta reuniões durante os cinquenta dias (tempo de validade do meu visto), falando até seis vezes em um só domingo. Preguei em cidades grandes, vilarejos, fazendas isoladas.

    Falei abertamente no norte, e mais discretamente no sul, onde a influência comunista era mais forte.

    As estradas eram muito ruins e, ao passarmos com o carro, deixávamos um rastro de poeira. Todos os dias orávamos: “Senhor, não temos tempo nem dinheiro para consertar o carro; por isso pedimos-te que o conserves em boas condições”.

    O fusca azul ficou conhecido como “carro-milagre”. Certo dia, um irmão caminhoneiro e mecânico se ofereceu para fazer uma vistoria no fusca. “É mecanicamente impossível este motor rodar”, disse ele. O filtro de ar, as velas, o motor estavam cheios de poeira e não havia óleo no motor. O irmão lavou peça por peça, colocou óleo e nos devolveu o carro praticamente novo. Deus havia respondido às nossas orações.

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    Novos convertidos, novos desafios 

    Apesar do lema do governo, as conversões aconteciam às centenas.

    Novos convertidos — homens, mulheres e crianças — realmente viviam no reino de Deus ao mesmo tempo em que viviam sob o tacão de um governo que dizia que Deus não existia.

    A maior questão era: como deixá-los? Viemos, pregamos, ensinamos, mas seria necessário ir embora — o visto expiraria!

    Não havia Bíblias suficientes para todos. Também percebi que as crianças pertenciam a outro grupo que merecia a atenção da Igreja, pois os olhos do governo estavam cravados sobre elas.

    “Deixem os velhos, mas desmamem os jovens da igreja” era a ordem. Os professores das escolas ensinavam às crianças que Deus não existia, e faziam-nas denunciar os pais caso ensinassem o contrário.

    Distribuir mais Bíblias, fortalecer os novos-convertidos, firmar as crianças nos caminhos do Senhor: esses eram os próximos passos de nosso ministério.

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    O Contrabandista de Deus – 7ª Parte

    17 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Controle de bagagem: nada a declarar

    Ali estava eu, com o porta-malas de meu fusca literalmente transbordando de folhetos, Bíblias e porções bíblicas. Como é que eu iria passar pela guarda da fronteira iugoslava com esse material na bagagem? Se me pegassem com o material, eu seria preso imediatamente.

    Só Deus poderia resolver aquela situação.

    Movido por esse próprio Deus, orei. 7_Cronica_AGO_2013_02

    “Senhor, na minha bagagem há Escrituras que desejo levar para os teus filhos, que estão do outro lado dessa fronteira. Quando estiveste na terra, fizeste os olhos dos cegos ver. Agora eu peço: faze com que os olhos dos que veem fiquem cegos. Não deixes os guardas verem as coisas que tu não queres que eles vejam”.

    Assim, armado com essa oração, dei a partida no carro. Partimos corajosos, eu, meu fusca e centenas de textos bíblicos em direção aos guardas comunistas da alfândega.

    7_Cronica_AGO_2013_06

    Cegos!

    Eles se aproximaram e olharam com estranheza o meu passaporte. Eu devia ser o primeiro holandês que eles viam na vida.

    Ou talvez aquele fosse o primeiro fusca que eles viam, porque resolveram vasculhar o carro. Remexeram em tudo: abriram a minha mala, na qual poucas camisas escondiam uma pilha enorme de folhetos. Abriram o porta-malas. Espiaram dentro do carro. Um deles me perguntou o que mais eu levava.

    Respondi que só pequenas coisas. Ele, então, fez um sinal para que eu fechasse a mala e me devolveu o passaporte.

    Em poucos minutos, entrei novamente na Cortina de Ferro. E poucos dias depois, entregava minha preciosa carga de Bíblias e material de evangelismo aos cristãos iugoslavos.

    *Extraído da Revista Portas Abertas

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