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    Tagueado com " Bruno Menezes"

    A visita dos magos , a estrela e os presentes

    14 dez 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    “Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém.
    E perguntavam: Onde está o recém – nascido Rei dos Judeus Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo.
    Tendo ouvido isso, alarmou – se o rei Herodes, e , com ele, toda a Jerusalém;
    Então, convocando todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer.” (Cf. Mateus 2, 2 -4).

    O mês de dezembro é chegado e apesar de que provavelmente Jesus Cristo tenha nascido em abril (aviv no calendário judaico), pela tradição começada pelos primeiros cristãos, perpetuada pela igreja católica e mantida por nós metodistas como 24 e 25 de dezembro, respectivamente véspera e dia de Natal. O presente estudo que trago ao conhecimento dos irmãos e irmãs é sobre os magos que vieram do Oriente. Muitos sempre trabalharam com conceito de “3 reis magos”, certamente não eram reis.

    Os magos

    Conforme o escritor Paul Lawrence em “Atlas Histórico e Geográfico da Bíblia” na página 136:

    “De acordo com o Evangelho de Mateus, Maria e o menino Jesus receberam visitantes misteriosos vindos do Oriente, os quais o texto grego chama de magoi, um termo latinizado para magi e traduzido como “magos” ou “sábios”. Esse acontecimento parece ter ocorrido algum tempo depois do nascimento de Jesus, pois sua família estava vivendo numa casa”.

    Esta passagem bíblica implica em várias questões que a Igreja Cristã de modo geral trata como polêmica. De onde vieram, o que faziam, eram astrólogos, magos, o que significa.

    O próprio autor supracitado responde no mesmo livro tais questões:

    “[…] Muitos propõem que eram da Babilônia, o centro da astronomia antiga. Astrólogos babilônios ocupavam – se desde tempos remotos com a observação dos astros que pressagiavam o bem ou o mal para a “terra do Ocidente”, ou seja, a Síria – Palestina. No entanto, é mais provável que os magos fossem provenientes da Pérsia . A palavra magos é derivada do termo persa magush , que denotava uma classe de astrólogos.
    O número 3 é associado tradicionalmente aos magos devido aos três presentes oferecidos. A designação – reis não possui base neotestamentária, originando – se de um desejo de retratar os visitantes do Oriente como o cumprimento de uma profecia do Antigo Testamento nas quais reis prestam homenagem ao Senhor.”

    Seguindo a estrela

    Em conformidade com o Evangelho de Mateus, os magos tomaram conhecimento do nascimento de Jesus através da observação das estrelas. Era o começo do percurso da moderna astronomia que naqueles tempos denominava – se astrologia. Um corpo estelar específico chamou a atenção destes sábios e estes reconheceram que anunciava o nascimento do “rei dos judeus”. Segundo Mateus relata, a estrela que conduziu os magos a Belém havia aparecido no Oriente nua determinada ocasião e se movido adiante deles até parar no local onde o menino se encontrava.
    Pesquisas sobre essa estrela que deve ter aparecido antes da morte de Herodes, o Grande, no final de março de 4 a.C. sugerem as seguintes hipóteses:
    1. A conjunção de Júpiter e Saturno na constelação de Peixes ocorreu três vezes durante o ano 7 a.C (em maio, outubro, e dezembro). Contudo, deve ter sido um fenômeno de curta duração e não seria descrito como sendo apenas uma estrela.
    2. Há quem proponha uma supernova, uma estrela que “explode”. Sugeriu – se que registros chineses de 4 a.C. mencionam uma supernova visível próxima à estrela Alfa Aquiles, mas as supernovas astronômicas extremamente raros e não se deslocam no céu. Além disso, e o termo em questão diz respeito, na verdade a um cometa.
    3. Registros chineses se referem a três cometas. Um visto, em agosto de 12 a.C., é o famoso cometa de Halley, também mencionado em registros romanos, mas que passou muito antes do nascimento de Jesus. Outro cometa, avistado em abril de 4 a.C., também não pdoe ser considerado a estrela. Sua passagem foi tardia demais, pois Herodes faleceu no final de março daquele ano. Resta, ainda, um cometa visível por setenta dias entre março e abril de 5 a. C., chamado em chinês de sui – hsing (estrela – vassoura), ou seja, um cometa com uma cauda. Ao percorrer seu caminho ao redor do sol, o cometa fica temporariamente invisível, como a estrela dos magos que desaparece enquanto eles viajam de Jerusalém a Belém.

    Os presentes

    Mateus registrou que os magos presentearam o menino Jesus com ouro, incenso e mirra. O incenso e a mirra eram originários do sul da Arábia, o reino de Sabá no Antigo Testamento. Isso não significa, porém, que os magos vieram de lá, pois as caravanas percorriam rotas movimentadas levando esses produtos para a Síria e a Palestina ao norte e também para a Babílônia, de modo que os magos podem ter comprado o incenso e a mirra na Babílônia. É igualmente possível que tenham comprado os presentes a caminho da Palestina, no bazar de Damasco, ou mesmo no mercado de Jerusalém.

    O ouro representa o esplendor real. O incenso era um ingrediente do incenso sagrado queimado no tabernáculo em sinal de adoração e para fumigar o ambiente. A mirra, um dos ingredientes do óleo da unção, era usada em cosméticos e no embalsamamento. Foi misturada com aloés e aplicada ao corpo de Jesus depois da crucificação.

    Conclusão

    Antigamente os sábios (quer fossem astrólogos, magos de modo geral) prenunciavam o nascimento de um rei através das estrelas. A importância deles sempre foi muito grande, e não somente limitou – se a Antiguidade Oriental e Clássica. Foi muito presente na Idade Moderna como podemos observar na corte da Rainha Elizabeth I que consultava o Dr. Dee que era um ocultista dedicado a astrologia e outros conhecimentos esotéricos. Foi eclipsada pela Revolução Científica no século XVII, mas teve alguns luminares como Isaac Newton. No tocante aos demais assuntos abordados, observamos que os presentes que Jesus recebeu eram referentes a Sua importância (Rei – Profeta e – Salvador). Por fim, desejo a todos que leram meus estudos durante este ano, um bom Natal, com a presença do Espírito Santo, e com o amor de Jesus Cristo em seus lares.

    Feliz Natal – Bruno M. Menezes

     

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    Bruno Menezes é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro.

    Jesus Cristo – A luz do mundo, que dissipa as trevas

    30 nov 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    “[…] Falou – lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue, não andará em trevas, mas terá a luz da vida.” (Conferir João 08).

     

    A Antiguidade Clássica

    A Historia de Jesus Cristo situa – se no período da Antiguidade Clássica da Roma Imperial com forte influência Greco – romana por todo o mundo conhecido de então. Roma havia preservado todo o legado cultural e geo – político herdado dos gregos. Diz – se que a Hélade (Magna Grécia) conquistou Roma (culturalmente). Por esta razão tantos judeus helenizados como Saulo que viria posteriormente a denominar – se Paulo. E também por esta razão que o Novo Testamento foi redigido em grego antigo. O latim era usado como língua vulgar para transações comerciais, assim como hoje o inglês é utilizado no mundo globalizado e o francês é usado atualmente nos círculos eruditos.

    Naquela época, Roma e todo o seu império eram pagãos. A religião pagã estava ligada diretamente com o Estado. E o culto aos deuses greco – romanos era uma questão de amor à pátria. Por esta razão, os imperadores – césares detinham o título de Sumo – Pontífice, ou seja, o Supremo – Sacerdote de Roma.

    Neste período, havia em Roma vários templos pagãos dedicados aos deuses. Um deles era dedicado a Vesta, a deusa responsável pela cidade e pela vida doméstica. As responsáveis pela manutenção de seu templo eram as virgens vestais. Uma de suas responsabilidades era manter aceso o fogo perpétuo que havia no templo de Vesta. Era o fogo da pátria, e por questão de superstição, se o fogo fosse apagado, a sorte de Roma seria terrível. No entanto, com o triunfo do cristianismo a partir do século IV, com a conversão de Constantino, todos os templos romanos pagãos foram proscritos e tudo que fosse relacionado a isto era proibido.

     

    Jesus Cristo – a chama que nunca se apaga

    A partir do século IV, com a conversão do Imperador Constantino, o cristianismo foi podendo desenvolver – se tanto culturalmente quanto financeira e politicamente. Alguns historiadores e teólogos defendem a tese de que a chamada “constantinização” da Igreja foi algo muito ruim. Na minha opinião, temos de ver os dois lados, porque existem dois lados – um bom e outro ruim. Mas, deixando de lado discussões referentes a isto, focalizemos Jesus Cristo, e sua importância para os cristãos. Com o triunfo do cristianismo, o mundo romano conhecido de então passou a ser mais civilizado, e a tendência brutal dos romanos foi modificada. Contudo, o amor de Cristo vem muitas vezes sendo esquecido pelo homem. Quantos políticos ditos evangélicos envolvidos com corrupção e que, mesmo conhecendo a Palavra de Deus, estão seguindo um caminho errado? E além disso, neste ano, temos visto tantos desastres em Mariana – MG e pudemos constatar o descaso das autoridades públicas e privadas. Que pena termos chegado a isto! Males da república, diria eu. E o terrorismo causado pelos terroristas.

     

    Conclusão

    O ano de 2015 não foi tão cem por cento quanto gostaríamos que fosse. No entanto, precisamos manter viva a nossa fé em Jesus Cristo. Mesmo diante de tantos  desastres, de tanta corrupção. A República no Brasil acabou, de pública a coisa (Estado ) não tem mais nada. Precisamos pedir a Deus que proteja o Brasil e o mundo. Porque tal como o texto bíblico que iniciou esta reflexão: ” Ele é a luz que dissipa as trevas e quem o segue, não andará nas trevas, mas terá vida”. E peçamos a Ele que mantenha a chama da fé em nossos corações. Uma chama que não pode ser apagada como em Roma, mas que deve ser mantida acesa por nossas orações e corações sinceros e honestos. Que Deus – O Grande Arquiteto do Universo – proteja e ilumine a todos nós. E que Seu Filho Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo nos proteja e nos guarde do inimigo e dê – nos um final de ano de 2015 mais tranquilo.

     

    Feliz Natal a todos.

     

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    Bruno Menezes é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro.

    Depois de Jesus – O Triunfo do Cristianismo

    3 nov 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    “[…]Mas Estevão, cheio do Espirito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse : Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus[…]” – (cf. Atos 07 – 56.).

    O artigo de hoje dedica – se a História da Igreja Primitiva, e Imperial, do primeiro martírio, passando pela história do Apóstolo dos Gentios – São Paulo, até a oficialização da fé cristã pelo Imperador Constantino.

    O martírio de Estevão, a conversão de Saulo (Paulo) e a Igreja Primitiva

    Após o período de Pentecostes surgiu a Igreja Cristã primitiva nos primeiros anos que sucederam – se a morte em cruz e ressurreição de Jesus Cristo. Foi um período marcado pela realização de muitos milagres, evangelização. Foi quando o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos – consumando o comunicado deixado por Jesus Cristo de que Ele depois de Sua ascensão enviaria o Consolador (Espírito Santo) .
    A morte de Estevão foi realizada por ordem de Saulo (que pertencia ao grupo dos fariseus dentro do judaísmo ) e serviu para fortalecer a coragem dos que confiam no Senhor e perseveram na fé , mesmo diante das piores adversidades.
    As Sagradas Escrituras no livro de Atos dos Apóstolos conta que logo após a morte do primeiro mártir acima descrito houve a conversão do judeu Saulo que passou a denominar – se Paulo.

    triunfo-cristianismo

    São Paulo: De perseguidor dos cristãos a Apóstolo dos Gentios

    As Sagras Escrituras Neo – Testamentárias no Livro de Atos dos Apóstolos contam – nos sobre este importante evento:

    “[…] Saulo, respirando ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu – se ao sumo sacerdote e lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso achasse alguns que eram do Caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para Jerusalém.
    Seguindo ele estrada fora, ao aproximar – se de Damasco, subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor, e caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues. Ele perguntou: Quem és tu senhor e a resposta foi: Eu sou Jesus a quem persegues; mas levanta – te e entra na cidade onde te dirão o que te convém a fazer. Os seus companheiros de viagem pararam emudecidos, ouvindo a voz, não vendo, contudo ninguém. Então, se levantou Saulo da terra, e, abrindo os olhos nada podia ver. E, guiando pela mão levaram – no até Damasco. Esteve três dias sem ver durante os quais nada comeu e nem bebeu. […]” (cf. 09 – 09.)

    Como podemos observar Saulo chegou a Damasco e logo depois aceitou Jesus Cristo e tornou – se apóstolo de Jesus Cristo e passou a divulgar o Evangelho para os gentios (quem não era judeu).
    A vida de São Paulo foi tremendamente importante e de suma importância para que o cristianismo pudesse expandir – se para além da Palestina. Antes dele o cristianismo limitava – se a Judeia e adjacências. Podemos constatar que o Senhor Jesus Cristo quis usar Paulo para que ele pudesse ampliar a região geográfica da Igreja nascente. Paulo tinha a seu favor muitos fatores que contribuíram para sua obra missionária: o fato de ser cidadão romano foi fundamental para que pudesse viajar tranquilamente pela região do império romano. E também soma – se a isto o fato de que Paulo falava grego e tinha muita cultura, podendo viajar tanto para a Grécia quanto para Roma. Ele foi fundamental para o surgimento da Igreja Cristã primitiva, alguns historiadores dizem que foi ele quem fundou a Igreja Cristã primitiva, posto que antes, o cristianismo era considerado como uma seita judaica, a dos nazarenos. Ele e São Pedro que é considerado pela Igreja Católica o “Príncipe dos Apóstolos” morreram em Roma, Pedro inclusive segundo alguns historiadores morreu crucificado de cabeça para baixo no local em que hoje está a Basílica de São Pedro no Vaticano, isto depois da queda de Jerusalém em aproximadamente em 73 Depois de Cristo quando o Templo de Jerusalém fora destruído dando origem a paganização de Jerusalém. Foi nesta época que surgiu a Igreja Cristã primitiva com templos cristãos construídos nas catacumbas em Roma, Grécia e outros locais do Império romano.
    A Igreja Cristã primitiva pode ser encontrada nas Sagradas Escrituras no próprio livro de Atos dos Apóstolos nas famosas Cartas de Paulo às 07 igrejas da Ásia Menor. E as mesmas foram crescendo numericamente e socialmente. Passaram a ter entre seus adeptos cristãos (a partir de Antioquia o nome cristãos passou a ser usado) pessoas abastadas, ricos senadores de Roma, pessoas que tinham muita influência na sociedade de Roma.

    “Sob este signo vencerás”: Constantino e a oficialização do cristianismo

    O Império Romano estava praticamente dividido em duas facções. O General Constantino lutava contra vários inimigos até que estando no campo militar dormindo teve um sonho no qual Jesus Cristo mostrou – lhe que devia colocar a cruz cristã junto ao seu estandarte, e Constantino assim o fez. Logo depois Constantino feito imperador promulgou o Edito de Milão que oficializava o Cristianismo como religião oficial do Império. E em seguida transferiu a capital do Império para um outro local. Situado entre a Ásia menor e a Europa tendo o Estreio do Bósforo e o Mar de Marmara a Cidade de Constantinopla foi capital do Império Romano do Oriente sucedendo o Império bizantino até a sua queda em 1453 quando os turcos otomanos fundaram Instambul (Império Otomano vai até 1918 com a Proclamação da República Turca pelos Jovens Turcos).

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    Bruno Menezes – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro.

    A Virada: O nascimento do mundo moderno

    22 jul 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    A Virada – autor: Stephen Greenblatt.

    Editora: Companhia das Letras

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    A Virada: O nascimento do mundo moderno

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    Trata-se de um estudo feito pelo autor norte – americano Stephen Greenblatt, cujo tema é o epicurismo presente em um poema de Lucrécio, encontrado pelo humanista italiano Poggio de Bracciolini, quando este visitou um mosteiro na Alemanha. E vai desenvolvendo a questão do epicurismo*, tanto na Antiguidade Clássica, passando pelo cristianismo, até chegar na Renascença e na Idade Contemporânea.

    Começa falando sobre como Poggio chegou até o livro. Poggio era secretário do antipapa Baldassare Cossa e resolveu ir em busca de um livro, no qual, encontrava – se um famoso, porém esquecido poema polêmico chamado “De rerum natura”, ou Das coisas naturais – de Lucrécio. E o capítulo vai além e explica a razão que levou o humanista a procurá – lo. O que ocorre é que, após a realização do Concílio de Constanza (entre a Itália e a Suíça) Poggio perdeu seu emprego, diga – se de passagem, o Concílio ocorreu porque havia dois papas, e precisava – se resolver qual era o que tinha que ser aceito pelo Imperador do Sacro Império Romano e Germânico (abolido por Bonaparte e sucedido pelo Império Austríaco em 1806 aproximadamente).

    Portanto, Poggio estava desocupado e como humanista de seu tempo foi procurar por um livro, encontrando-o num mosteiro alemão. O poema pagão falava de uma visão que havia nos tempos do Império Romano – o epicurismo. De Epicuro, filósofo grego que regava que não havia deuses, vida pos mortem, e que o homem deveria aproveitar todos os “benefícios da carne”, uma vez que depois morreria e tudo acabaria. Tal visão embasava a vida negligente em termos espirituais daqueles tempos em que o paganismo grassava no Império. O importante era ser feliz, como diz aquele filme “Sociedade dos Poetas Mortos” -“Carpe diem” (Aproveitem o dia). Versava sobre uma vida despreocupada: bebida em excesso, luxúria, promiscuidade, enfim, uma vida que permitisse ao homem encontrar a felicidade, um dos objetivos do homem, segundo Epicuro. No entanto, logo que o cristianismo foi oficializado, o poema acabou sendo banido. Ao mesmo tempo, o poema falava dos átomos, dizendo que tudo surgiu a partir dos átomos – atomismo. Outra questão condenada pela Igreja Católica,

    hegemônica naquele momento. Este atomismo deu origem ao pensamento científico moderno, com uma visão na qual Deus não tinha espaço. Baruch Spinozza seguiu esta linha de pensamento. O interessante é que seria aproveitado por humanistas cristãos e devotos como Roterdã e Thomas More. Na Europa renascentista, havia dois grupos:
    humanistas radicais e humanistas cristãos. O primeiro grupo seguia à risca tal visão de que o homem era o centro do universo e não precisava de Deus, até porque – segundo eles, o Senhor não existia. Levavam aos extremos De rerum natura. Do outro lado, havia os humanistas cristãos. Refiro – me a Erasmo de Roterdã (filósofo holandês) e também a Thomas More (Utopia). Estes dois viam que o pensamento epicurista e o poema poderiam ser aproveitados pela Igreja e pelos seus fiéis. Feitas as devidas adaptações, não haveria problema algum.

    O poema foi famoso no processo de independência das 13 colônias, segundo o autor, pois os pais da República Norte – Americana leram o poema e viram nos textos de escritores como John Locke que o povo deveria viver para encontrar a felicidade. É claro que o conceito de felicidade estava adaptado aos novos tempos, e isto por influência dos humanistas cristãos. O interessante é que tal visão que embasou a formação dos Estados Unidos veio a embasar também a ideia de que o norte americano deveria encontrar a felicidade e enriquecer. Isto, também, influenciou os imigrantes que foram para a América do Norte em busca da felicidade.

    Conclusão: Nada contra a felicidade. Encontrar sua realização pessoal. A própria Bíblia fala de Abraão, que a buscou no seu trabalho. Mas, sempre associou – a uma vida com Deus. O mesmo era defendido pelos humanistas cristãos. O protestantismo é, diga – se de passagem, herdeiro desta visão. O homem deve procurar sua felicidade, mas com Jesus Cristo ao seu lado, direcionando sua vida.

     

    Texto adaptado por Neize Tavares

    *Epicurismo - fil doutrina do filósofo grego Epicuro (341-270 a.C.) e seus epígonos, caracterizada por uma concepção atomista e materialista da natureza, pela busca da indiferença diante da morte e uma ética que identifica o bem aos prazeres comedidos e espirituais, que, por passarem pelo crivo da reflexão, seriam impermeáveis ao sofrimento incluído nas paixões humanas.

    p.ext. o modo de viver, de agir, de quem só busca o prazer; sensualidade, luxúria.

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    Bruno Menezes – membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro