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    Tagueado com " Alessandra Viegas"

    Sou mais careta que Deus…

    15 ago 2014   //   por admin   //   Colunas  //  2 comentário

    Conversando essa semana no finalzinho de uma reunião de célula dos jovens, ainda sobre o tema que estávamos abordando, ouvi esta constatação que não me pareceu nada estranha naquele momento: “acho que somos mais caretas que Deus”, disse meu querido amigo. Na mesma hora eu exclamei: “vou escrever sobre isso, pode ter certeza!”. E eis o título daquilo que vou tentar esboçar nas linhas que virão…

    Interessante perceber algumas ‘teologias cheias de dedos’ que têm surgido em nossos dias e o alto nível de proibições em termos de liturgias de cultos, usos e costumes que só crescem em uma lista interminável. Tudo tentando colocar Deus e sua ação dentro de uma caixinha que nós, homens, fechamos e damos um lacinho. E nisto nos esquecemos de alguns textos que estão contidos na mesma bíblia que é pregada e interpretada pelos amantes das ‘caixinhas da ação de Deus’. Nos termos da carta aos Romanos (14,17), o apóstolo Paulo nos diz que Deus está muito acima de ritos: “porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”. Aos Colossenses (2,21), ele completa afirmando que a santidade e a sabedoria não estão em “não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro…”

    A bíblia é um livro aberto de Deus e de homens juntos construindo uma relação de amor.

    Quando a lemos, deveríamos encontrar esse amor, e consequentemente a nós mesmos.

    Deveríamos perceber que Deus ama homem e mulher em suas diferenças, branco e negro em sua mestiçagem, ricos e pobres em sua alegria própria de ter isto ou não ter aquilo. Por que tem se tornado tão difícil entender que sou santificado a partir do momento em que me percebo pecador? É na minha dificuldade que se mostra o milagre de Deus – não foi assim com Abraão? Com Pedro? Com Raquel? Com a mulher samaritana? Com todos aqueles que se aproximaram de Deus e o conheceram…? Precisamos ler de novo o chamado de Isaías (6,1-8)!

    No fundo, no fundo, precisamos reconhecer hoje, em 2014, que nossos lábios e pensamentos impuros mostram que somos mais caretas que o próprio Deus que é Pai… Ele não julga, nós julgamos; Ele aceita, nós discriminamos; Ele abraça, nós afastamos; Ele chama com laços de amor, nós prendemos com um grande nó de “é desse jeito, senão não é de Deus”. Jesus, a prova de maior amor de um Deus que se ofereceu, diz que tem ovelhas em outro aprisco (João 10,16), nós queremos apenas as ovelhas com lacinhos cor-de-rosa bem amarradinhos.

    A caixinha de Deus – se é que Ele a tem – não é a caixa de Pandora, cheia de coisas más e boas, de pré-conceitos e guerras, de indiferenças e desprazeres. Cheia de caretices. Deus é amor que se renova e se atualiza sempre, em mim e em você que lê. Deus é bom. É pai. É amigo. Pra mim e pra você. E para o outro que é completamente diferente de nós. Ele não nos obriga a fazer nada. Precisamos apenas ser nós mesmos e deixá-lo ser Ele mesmo e sentir alegria por isso. Livres. Simples assim.

    Que hoje possamos confessar a Deus o quanto somos bem mais caretas do que Ele…!

    No Deus que nos ama do jeitinho que somos,

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    Alessandra Viegas, membro da Catedral, é professora, Coordenadora de Ensino e Capacitação e professora da Escola Dominical.

    Faça o que eu digo… e também o que eu faço!

    21 jul 2014   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo…”
    (1 Coríntios 11,1)

    Conversando certa ocasião com um pastor e amigo presbiteriano, apaixonado por psicologia, deparamo-nos com aquela velha história de “Fulano prega, mas não vive o que prega…”. Coisa mais do que comum nesses dias de teologias tão loucas e esquizofrênicas que nos rodeiam e se multiplicam por aí. “Dissonância cognitiva – esse é o nome desse probleminha”, disse-me meu querido amigo, também capelão da marinha. O que eu não pensava naquela época, é que isso está tão próximo de nós em várias situações pelas quais passamos direta ou indiretamente. E por duas especificamente que me ocorreram nestes últimos dias.

    Falando um pouco ainda em clima de copa do mundo, vimos uma seleção de futebol que cumpriu e viveu tudo que anunciou – a Alemanha estrategicamente elaborou um plano de ação, percebeu onde estava falhando, e agora já investe há mais de oito anos em meninos que entram para as categorias de base do futebol, nas quais estes aprendem a ter uma vida disciplinada e íntegra, sem “jeitinhos” de nenhuma espécie. Os meninos cresceram! Desenvolveram-se! Viraram homens sérios e dignos da confiança dos que os rodeavam, principalmente da gente simples de Santa Cruz Cabrália. Resultado: ninguém tem o que falar sobre a equipe que, mais do que qualquer outra, mereceu ser tetracampeã em 2014.

    Trazendo outro exemplo à nossa breve conversa, uma semana depois da copa participei de um congresso da SOTER – Sociedade de Teologia e Ciências da Religião –, no qual Fernando Montes Matte, padre jesuíta, teólogo e reitor da Universidade Alberto Hurtado, do Chile, proferiu a primeira conferência, brindando-nos com a seguinte declaração: “A alma do cristianismo não é uma doutrina, e sim um encontro. E este encontro marcante se reflete em nossas atitudes para com o próximo – não era assim com Jesus?…”. O padre passou em revista todo o seu incômodo com as missas em latim que ninguém entendia e mostrou, pelo menos a mim e a quase quinhentas pessoas que o ouviam, sua semelhança com o bom samaritano e seu modo cristão de viver.

    A partir dessas duas experiências seguidas, percebi o quanto a igreja, por muito tempo, viveu em dissonância cognitiva e, temerária e infelizmente, ainda vive! O apóstolo Paulo, como citamos acima, já alertava os cristãos de Corinto sobre esta séria questão… e de mãos dadas com ele estava Tiago, quando afirmava que de nada adianta ouvirmos a Palavra se nada praticarmos dela (Tiago 1,22-25) ou, ainda, se a nossa fé não apresentar resultados de amor baseado ‘naquele’ amor que nos alcançou um dia, essa fé tem algo estranho… está morta! Sinceramente, o desejo do meu coração é que possamos de uma vez por todas entender que fala e atitude não são dissonantes, mas duas margens pelas quais precisa correr o rio da nossa existência, o movimento incessante do viver. E possamos sem dor na consciência abrir a boca e dizer: “faça o que eu digo – e o que eu faço também!”

    No Deus que diz e faz o que diz,

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    Alessandra Viegas, membro da Catedral, é professora, Coordenadora de Ensino e Capacitação e professora da Escola Dominical.

    Entre “zebras”, perdas e ganhos – clima de copa…

    17 jun 2014   //   por admin   //   Colunas  //  2 comentário

    “…mas a minha misericórdia não se apartará de ti, e a aliança da minha paz não será removida, diz o SENHOR, que se compadece de ti” (Isaías 54,10b)

    Fico impressionada com as frases de pensamento positivo e de neurolinguística contidas nos jingles compostos aqui para as copas do mundo. Os que acompanharam a seleção de 1958 vão se lembrar de “a taça do mundo é nossa, com o brasileiro não há quem possa…” que está até hoje no inconsciente coletivo de todos nós; e como atualmente não conseguimos nos lembrar de nenhuma música específica para cantar nos jogos, ‘damos um jeitinho’ e aproveitamos uma que é cantada em situações diversas, inclusive (e paradoxalmente!) nas manifestações ‘anti-copa’ desde junho do ano passado: “sou, sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!”. Não é preciso ter aguçada consciência crítica para perceber que tais jingles servem para levantar a autoestima dos brasileiros e encaminhar a nossa esperança para a vitória do ‘melhor time do mundo’, a fim de alimentar a antiga política do pão e circo nas arenas romanas que estamos acostumados a ver em nosso país. Entretanto, apesar da paixão brasileira pelo futebol, podemos perceber claramente a falta de animação nas ruas não enfeitadas nem pintadas dos subúrbios cariocas, paulistas, baianos,…

    Sobre duas questões podemos começar a refletir aqui, juntos, nesta coluna. A primeira delas é que o povo está tão espoliado que o ‘clima de copa’, assim como um jingle, não vingou.

    Entre perdas e ganhos, o saldo das primeiras é bem maior do que dos últimos. Econômica e politicamente o povo está cansado. Interessante como isso se reflete na falta de garra dos jogadores brasileiros em campo. O feitiço do ‘pra cima deles’ virou-se contra o feiticeiro e a primeira balançada de rede da copa foi um gol contra de nosso lateral esquerdo, vindo da zaga brasileira. A segunda questão é a quantidade de ‘zebras’ e ‘pequenas vinganças’ dos jogos: a Holanda goleando a Espanha, os Estados Unidos desestabilizando Gana com um gol aos 30 segundos do primeiro tempo, a Alemanha acabando com a ‘pompa’ de Cristiano Ronaldo e de Portugal e por aí vai.

     

    Mesmo gostando demais de futebol, digo com toda certeza que, se lêssemos mais a Bíblia, seria tão melhor a nossa vida e tão mais crítica a nossa consciência!… Posso elencar algumas coisas como lembretes, fazendo um link com o que eu disse até aqui. É ela que nos ensina, através da vida e da visão dos profetas, a examinar com cuidado a sociedade à nossa volta. Leia atentamente e perceba como estão envolvidos politicamente Jeremias, Isaías, Amós, Habacuque e Miqueias. O modo como denunciam a corrupção dos governantes contra o povo e o sofrimento deste. A Bíblia também adverte a não confiarmos em nós mesmos, em nossa força, a não ‘entrar em campo de sapato alto’, mas a depositarmos nossa confiança naquele que é forte, justo e todo poderoso – o Senhor dos Exércitos, o rei da glória do Salmo 24, aquele que humilha os exaltados e exalta os humilhados. Uma terceira coisa é a ‘zebra’ que por várias vezes acontece no Antigo Testamento, mas vamos citar aqui apenas duas bem conhecidas – a vitória do jovem Davi sobre Golias – alguém pelo menos três vezes maior e mais forte do que ele; e o modo como Gideão e trezentos homens ganharam uma batalha contra milhares de inimigos. É, o Senhor, em sua ironia, gosta um bocado de ‘zebras’. Assim como nós.

    Quero fechar esse texto com a palavra de Isaías. Que neste clima de copa, entre perdas, ganhos e “zebras”, possamos ver Deus. Vê-Lo e vivê-Lo em nossa consciência. Refletir sobre nosso país e orar por ele. Confessar o pecado e pedir perdão em nosso nome como faz Daniel no capítulo nove. Profetizar a Sua justiça sobre os erros que temos visto, como fizeram Amós e os demais profetas. E a partir da leitura da Sua palavra, e como resultado prático, entregar a Ele nosso orgulho e pedir que sejamos humildes. Certamente, dessa forma, nos alegramos a despeito dos resultados dos jogos e, acima de tudo, a misericórdia, a paz e a compaixão de Deus não se apartarão de nós.

    No Deus que se alegra conosco e em nós.

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    Alessandra Viegas, membro da Catedral, é professora, Coordenadora de Ensino e Capacitação e professora da Escola Dominical.

    Um aquecido coração – pela Palavra de Deus!

    12 mai 2014   //   por admin   //   Colunas  //  13 comentário

    O dia 24 de maio é, para a Igreja Metodista, uma data valiosa pelo seu conteúdo. John Wesley teve uma experiência com a Palavra de Deus como nunca tivera antes, ao ouvir a leitura do comentário de Martinho Lutero ao livro de Romanos, capítulo primeiro, exatamente quando se lia acerca dos versos 16-17: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé”.

    Este fato ficou conhecido como “a experiência do coração aquecido”, devido às palavras do diário de Wesley em 1738, quando fora àquela reunião de estudo bíblico em Londres, na rua Aldersgate: “Cerca das oito e quinze, enquanto ouvia a preleção sobre a mudança que Deus opera no coração através da fé em Cristo, senti que meu coração ardia de maneira estranha.

    Senti que, em verdade, eu confiava somente em Cristo para a salvação e que uma certeza me foi dada de que Ele havia tirado meus pecados, em verdade meus, e que me havia salvado da lei do pecado e da morte. Comecei a orar com todo meu poder por aqueles que, de uma maneira especial, me haviam perseguido e insultado. Então testifiquei diante de todos os presentes o que, pela primeira vez, sentia em meu coração”.

    O importante de tudo é percebermos que a experiência de Wesley pode ser a de cada um de nós em um dia normal de nossas vidas, como o fora para ele. O que John Wesley fez foi simplesmente esquecer um pouco de todos os afazeres que tinha com o trabalho, com a igreja e com a universidade, e ir a uma reunião para ouvir Deus falar com ele em Sua Palavra. Sem correrias, sem preocupações, sem pressa de ir embora para fazer isso ou aquilo. Ele entrou em contato com a Bíblia e sua reflexão como nunca fizera antes. E isso fez toda a diferença. Quem sabe você também não possa ter seu coração aquecido – e a certeza de que Jesus te ama e tirou os seus pecados – no próximo domingo pela manhã, quando for à escola dominical? Ou quando for aos cultos, sejam pela manhã ou à noite? A oportunidade chegou para Wesley e aqueceu o seu coração, a exemplo dos discípulos no caminho de Emaús quando ouviam o próprio Jesus falando das Escrituras (Lucas 23,13-35). Não terá chegado o seu dia de sentir o mesmo, querido irmão?

    No Deus que se humanizou e aquece o coração,

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    Alessandra Viegas, membro da Catedral, é professora, Coordenadora de Ensino e Capacitação e professora da Escola Dominical.

    Fé…!

    28 abr 2014   //   por admin   //   Colunas  //  2 comentário

    Fé…!
    Neste domingo minha classe de Escola Dominical começou a estudar Hebreus 11… digo “começou” porque a proposta pedagógica da classe é estudar um capítulo da Bíblia a cada domingo, o que se tornou impossível com o capítulo conhecido como “a galeria dos heróis da fé”. Confesso que preparei o estudo de todo o capítulo em casa, mas ao compartilhá-lo na classe não consegui passar, na verdade, do versículo 3. Minhas meninas e meus meninos certamente estranharam a Alessandra deste domingo. E a esta altura, você, querido leitor, pode estar se perguntando: por que a impossibilidade de falar sobre fé? A quem conhece o livro de Hebreus, o capítulo 11 não é um dos mais difíceis do livro, e a quem me conhece pessoalmente, sabe o quanto venho convivendo com a Bíblia em minha vida devocional e acadêmica por quase 20 anos e como gosto de ensinar. Mas fiquei com a voz embargada e a garganta engasgada diante do texto, que me fez refletir sobre tudo que estudei em minha vida até hoje.

    A questão crucial e única e que quero compartilhar aqui é: não se estuda sobre fé, fé é experiência! E só se pode falar de fé se se tem “a certeza das coisas que se esperam, e a convicção de fatos que não se veem” (Hb 11,1). Eis a questão. Como posso acreditar naquilo que não estou vendo? E como esperar por aquilo que não aconteceu ainda? Isso não é naturalmente possível a quem sente a dor e a delícia de ser feito de carne e osso. Aí está a beleza do que Deus fez e faz por nós, em nós e conosco: a fé é parte do fruto do Espírito (Gálatas 5,22-23) e é dom de Deus (Efésios 2,8)! É o próprio Deus que tem misericórdia de mim e de você e nos enche de fé! É somente através Dele que eu posso crer no amanhã – em um amanhã maravilhoso em que toda lágrima se converterá em sorriso, a doença em saúde, a escuridão em luz.

    E depois de chorar, estar doente e me sentir em trevas, passarei a valorizar os momentos especiais em que a transformação em que eu mesma não acreditei acontecerá. Mas uma pontinha de mim – lá onde o Espírito Santo habita – no fundo acreditou, mesmo que não visse nem esperasse naturalmente. Isto porque eu sou natural, mas a fé, esta sim, é sobrenatural, é presente de Deus em mim e pra mim. E o é em você e pra você também! Neste domingo, só estas experiências doloridas e seu desfecho completamente inesperado e inusitado me permitiram ministrar a aula e deixar gente cheia de fé falar e compartilhar sua vida e suas experiências de alegria, cura e luz! Não foi assim com o Abraão que sobe triste o monte Moriá e desce de lá feliz da vida com Isaque? E o que ele dizia enquanto subia ao lado do filhinho? O Senhor pro-verá! E o texto hebraico nos mostra exatamente que Abraão estava falando de fé: O Senhor já viu antes o que vai acontecer! (Gênesis 22). Esta é a experiência de fé de Abraão – crer no Deus que vê, antes de acontecer.

    Que possamos continuar, a cada dia, com a voz embargada ao falar de fé, sabendo que ela não vem de nossa razão, mas de sermos tocados por aquela linda experiência que só nós sabemos como, quando e onde passamos!

    No Deus que pro-vê em nossa vida,

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    Alessandra Viegas, membro da Catedral, é professora, Coordenadora de Ensino e Capacitação e professora da Escola Dominical.

    Um doce cordeiro – e a Páscoa se fez!

    31 mar 2014   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Momento agradável e delicioso aos chocólatras de plantão é passar em frente às lojas nestes dias que antecedem à Páscoa! Sinceramente não estou aqui para criticar o mercado de chocolates em alta, até porque a mesa da Páscoa judaica também possui uma sobremesa e há chocolates ou outros doces para as crianças da família – o que torna mais alegre e festivo o momento comemorativo de Pessach (=passagem), narrado no Antigo Testamento: a passagem do Anjo da morte e o livramento do povo de Deus no Egito através do sangue do cordeiro, aspergido nos umbrais das portas de suas singelas casas de escravos.

    Acontece mais ou menos assim esse ‘doce’ momento: há uma sobremesa chamada afikoman – uma espécie de biscoito sem fermento, que é quebrada em pedaços e escondida pela casa pelo pai da família, e que deve ser encontrada pelas crianças. Ao encontrar os pedacinhos, cada criança recebe em troca um chocolate – ou outro doce à sua escolha. Tudo isso acontece durante a refeição da Páscoa, com aquela cena tradicional dos adultos comendo e conversando, e as crianças correndo pela casa… cenas mais do que doces de se ver – muito mais do que as vitrines cheias de ovos e caixas de bombons de todos os tipos e tamanhos.

    Um fato interessante é que a celebração da Páscoa judaica só acontece e se inicia por causa de uma pergunta feita por uma das crianças ou jovens da casa e que será respondida pelo pai: Por que estamos aqui comemorando? O que significa isto que estamos fazendo? E o relato do Êxodo 12 mais uma vez é contado: “éramos escravos no Egito, mas fomos salvos da nossa morte pela morte do cordeiro, o qual deu o seu sangue para ser passado em nossas casas. Assim, e por causa do sangue, estamos aqui vivos para comemorar!”

    Fico imaginando a carinha das crianças ouvindo essa cena sem entender muito bem, mas se acostumando com o relato que será contado todos os anos na data marcada. E é aí que está nossa reflexão para este momento: mesmo que compremos chocolates para aqueles que amamos e comamos uma deliciosa refeição juntos no domingo da Páscoa de Jesus, é preciso compartilhar porque estamos ali – isso é o centro e a causa de todo esse momento! Em Jesus o cordeiro se fez e salvou não só os que estavam escravos no Egito, mas a todos os que creem neste ato gracioso do Seu amor (João 1,12). Se eu e você acreditamos no sangue que Jesus derramou na cruz por amor a nós, somos salvos de nossa morte!

    Essa é a boa notícia – e é preciso compartilhar, por tão boa que é: o evangelho de Jesus, sua morte e também o fato de não continuar morto: a sua ressurreição! Que nesta Páscoa, possamos perceber que o amor de Deus ao enviar seu Filho querido para se tornar cordeiro em nosso favor é a melhor coisa que aconteceu em nossa vida! E se assim é, nada melhor do que comemorar (=comer e relembrar contando) esse ato lindo de Jesus, nosso doce cordeiro, num delicioso almoço em família e por que não – tendo chocolate de sobremesa?
    Feliz Páscoa!!! No Deus que se fez cordeiro,

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    Alessandra Viegas, membro da Catedral, é professora, Coordenadora de Ensino e Capacitação e professora da Escola Dominical.

    Mulher, mulher…

    10 mar 2014   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    “Dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira absurda. Eu que faço parte da rotina de uma delas, sei que a força está com elas”. Assim começa a letra de uma música do cantor Erasmo Carlos, que parecia conhecer muito bem a descrição da mulher forte – a virtuosa – que encerra o livro de Provérbios. A Bíblia diz que o valor dessa mulher é inigualável. Mulher comum e trabalhadora, dona de si, casada e mãe e com jornada dupla ou até tripla, encontrada nos quatro cantos do Oriente Antigo, bem antes de se pensar em revolução sexual. E por ser assim tão forte, o coração do seu marido confia nela e, junto com seus filhos, este homem tem esta mulher como digna de louvor.

    Não estou aqui para falar de 8 de março de 1857 – do episódio que não sabemos mais se é história ou lenda – em que as mulheres que lutavam por seus direitos foram queimadas a fim de serem caladas. O fato é que a mulher que luta com a dor e a delícia de ser quem é já se encontra na Antiguidade judaica muito bem retratada no Antigo Testamento desde o Gênesis. É pela sua diferença que o homem se encanta – e pela sua força que se apaixona e com ela resolve compartilhar sua caminhada. Se não fora assim, nunca teria comido das suas mãos o fruto que o próprio Deus disse para não comer.

    E nesse caminho vemos mulheres resignadas como Sara e Agar – fortalezas puras que sustentam Abraão em sua caminhada com um Deus que ele não conhece direito. Rebeca, que devolve o sorriso ao coração e à face de Isaque. Raquel, que faz o mesmo com Jacó, apesar deste ter mais três mulheres em sua vida. Passam-se os patriarcas, homens cheios de dificuldades e fraquezas que só são patriarcas porque tiveram ao seu lado matriarcas – também com suas questões e senões – que os ampararam.

    O libertador Moisés tem uma Zípora ao seu lado. A história do povo de Deus segue. E o texto sagrado faz questão de apontar determinados fatos que não deveriam passar em branco. Em vez de dizer que a Bíblia é machista, será que já paramos para pensar em um Baraque que diz a Débora: “Eu só vou ao campo de batalha se você for comigo”? E em uma Jael que determina a vitória desta batalha porque crava uma estaca no comandante inimigo? O que pensar de protagonistas de histórias da vida real como Noemi e Rute, a amarga e a doce, que superaram suas rixas entre sogra e nora e lutaram com todas as forças pela manutenção de suas vidas e do nome da família? E Ester, que mantida pelo jejum das suas moças, entrou corajosamente na presença do rei e manteve não só sua família viva, mas todo o seu povo?

    Sinceramente é difícil entender o alarde que se faz pelas conquistas da mulher nos séculos XX e XXI – era só ler a Bíblia! A mulher sempre foi batalhadora e conquistadora. E não é apenas em Jesus que a valorização da mulher se dá. O Senhor apenas continua o que se fazia comumente – olhar a mulher como força e coragem revestida de doçura. Paradoxal? Sim, nós mulheres somos exatamente isso. Choramos quando se deveria rir. Encaramos de frente quando se deveria recuar.

    Bem antes de Jesus e de Paulo, Davi já vira isso em Abigail, a mulher do louco Nabal. E rapidinho tomou-a como esposa e conselheira assim que ela enviuvou. Passemos à outra banda. O Novo Testamento, na instrumentalidade dos evangelistas mostra Jesus sendo acompanhado, adorado e sustentado até financeiramente por mulheres – lá estão Joana, mulher de Cuza e Susana, e tantas outras (Lc 8,3) que não me deixam mentir. Maria que escolheu a boa parte – ficar quietinha ouvindo o Senhor. Marta que escolheu a seu melhor modo servi-Lo – dando duro. A esta Jesus disse que veria a glória de Deus!

    Jesus até se deixa vencer por uma mulher! A siro-fenícia ganhou dele o elogio acerca de sua fé e foi tratada com dignidade. A samaritana também, maravilhada, conseguiu ter vez e voz, e conversou com Jesus sobre seu problema emocional que a levava a ir buscar água no sol escaldante do meio-dia e, curada, ainda arriscou um dedo de prosa sobre adoração – assunto sério sobre o qual não se vê Jesus conversando com mais ninguém em todos os Evangelhos. A Madalena tinha todos os motivos do mundo para se envergonhar, mas nem quis saber do seu passado e passou a seguir o Senhor – até a Sua morte. Quem mais estava lá no sepulcro? Quem teve coragem a este ponto? É a pergunta que cala e grita…

    O grande escritor de pelo menos 12 cartas do Novo Testamento continua mostrando o valor da mulher, que excede em muito os rubis. Às mulheres Paulo agradece por ter sido cuidado. Às mulheres ele confia a liderança, ao lado dos homens, das novas comunidades de fé formadas. Priscila está ao lado de Áquila. Febe no mesmo patamar de Timóteo. Para Paulo – e para Deus – “não há judeu, nem grego, nem servo, nem livre, nem homem, nem mulher”– diferentes entre si, mas iguais em seus direitos – “porém todos são UM em Cristo Jesus” (Gl 3,28).

    Depois deste ‘passeio rápido’ por mais de seis mil anos de história, um fato pode começar a ficar claro ou ser ponto de nossa reflexão diária a partir de hoje, e não só nos “dias internacionais da mulher” dos próximos anos: em vez de querermos ser iguais, somos diferentes dos homens, e temos o direito de sê-lo. E temos direito de termos nossos direitos garantidos exatamente porque somos diferentes. Esta é a luta da mulher de Provérbios (31,10-31). Em sua diferença, ela se aproxima. E se torna uma com o homem. Força, vigor, coragem e ternura. É a reiteração do relato da criação: “Macho e fêmea os criou” (Gn 1,27). Complementares e no mesmo patamar.

    Fato louvável e profundamente respeitado por Deus e tão demonstrado em Sua Palavra.

    Feliz dia de hoje. Feliz todos os dias de nossas vidas.

    Deus (e amigo!) da minha vida

    21 fev 2014   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Não, não é plágio de letra de música gospel e nem pretendo fazer uma paráfrase com partes da mesma… O que gostaria de compartilhar com você, leitor, desta vez, é resposta a uma constatação que tive esta semana a partir de algo que ouvi de alguém que me é próximo.

    Eis a pérola: “nossa, você tem tantos homens em sua vida!!”. Minha primeira reação foi rir e depois pensar se a pessoa queria me atingir de alguma forma. Passadas as duas primeiras coisas – a reação e o pensamento –, me dei conta de quantos amigos – e amigas!!! – Deus tem posto em minha caminhada para me ajudarem ao longo de tantas lutas e dificuldades por que passei nos últimos anos. Amigos e amigas preciosos que foram usados por Deus pra me mostrar quão humana eu sou e cheia de limitações, amigos e amigas que se tornaram mais que irmãos na faculdade, na igreja, no trabalho, na ‘vida louca vida’ da produção acadêmica,… amigos e amigas que todos os dias fazem o sol brilhar mais forte, a música ser mais harmoniosa, o doce ser mais gostoso, a vida ser mais bela e os problemas serem mais fáceis de lidar. Amigos e amigas que me ensinam a Bíblia e descortinam suas páginas na minha frente de um modo tão bonito com suas próprias vidas – e alguns deles nem a leem…

    No fim de tudo isso, vejo um amigo que não é de carne e osso, mas me faz sentir sempre amparada e grata por tudo que me ensina e também me toma no colo da sua presença todos os dias – o Espírito Santo, Deus gracioso. O mesmo que é o único capaz de me dar paz no meio da situação mais bélica que eu possa enfrentar, de me dar alegria quando a tristeza insiste em bater à porta querendo entrar, de me dar o conselho certo – e de graça e por graça – quando não sei bem o que fazer e me enfio na introspecção de minha própria concha me afastando um pouquinho dos amigos e amigas… que acabam por entender esses meus momentos que todo mundo tem, que o Eclesiastes chama de “tempo de afastar-se de abraçar”.

    O Deus da minha vida é o mesmo que vem se desvelando a mim há algum tempo em Sua humanidade tão humana, em Sua sensibilidade tão divina, em Seu colo tão maternal, em Seu ombro tão amigo… Ele é o mesmo Deus a quem Abraão chamou de amigo e me dá a mim e a você esta oportunidade hoje, não virtual, mas tão real! É o Deus que põe gente boa na nossa vida e a gente nem agradece por isso… sim, hoje é dia, a despeito de quem eu sou, meus defeitos e qualidades, vitórias e vicissitudes, de dizer: Obrigada, Deus e amigo da minha vida, pelos muitos homens e mulheres que puseste para compartilhar a caminhada comigo, pois como disse Samuel ao seu Deus-amigo, após uma grande batalha, mais de mil anos antes de Cristo, diante dos amigos que lhe preservaram a vida: “Até aqui nos ajudou o Senhor”.

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    Alessandra Viegas, é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro. Professora na Escola Dominical local. Graduada em Letras – Teologia – Doutorado e  Mestrado em História Comparada e Teologia Bíblica. 

    Planos para 2014!

    27 jan 2014   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Fazer algo novo ou diferente, iniciar ou retomar uma dieta, melhorar a qualidade de vida, mudar o visual, voltar a estudar… algum desses itens faz parte de seu planejamento para 2014?

    Assim como inicio esta coluna de forma bem objetiva, o profeta Jeremias categoricamente aponta a objetividade de Deus quanto aos acontecimentos marcados – ou não – em Sua agenda para o povo em pleno cativeiro babilônico no século VI a.C. e também hoje – 2014 – para a minha e para a sua vida:

    “Eu é que sei os planos que tenho para vós – planos de paz, e não de mal – para vos dar o fim que desejais” (Jeremias 29,11).

    Talvez os planos de Deus para nossa vida em 2014 não tenham nada a ver com nenhum dos projetos acima citados, entretanto podem ser planos que nos façam tão bem a ponto de renovar-nos o corpo, a alma, o espírito. Afinal de contas, se um dia declaramos perante a comunidade de fé que frequentamos que Jesus Cristo passou a ser Senhor de nossas vidas, “soltamos o cabo da nau” e demos a Ele o poder de segurar o timão da embarcação de cada um de nós, bem como de acalmar as tempestades que possam surgir ao singrarmos o mar que se nos apresente no decorrer deste novo ano que se inicia.

    Os planos de Deus para mim me levaram a uma aventura dúbia – uma viagem à Bahia e outra viagem no mais recôndito lugar de mim mesma. Aprendi a ter olhos para ver e ouvidos para ouvir tão enfaticamente encontrados nas palavras de Jesus! Percebi de modo novo a criação – desde a beleza e o canto diferenciados de cada pássaro, até os anseios e alegrias únicos de cada nova pessoa que conheci. Aprendi quão importantes são as pessoas das quais me despedi e com as quais não convivi em minhas férias. Aprendi o valor de acarinhar cotidianamente e manter vivo dentro de mim o fruto do Espírito de Gálatas 5,22-23 diante dos quais não se devem colocar limites: “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, domínio próprio”. Sim, aprendi que preciso aprender muito mais. As palavras da didática maiêutica de Sócrates presente nos diálogos de Platão calaram e gritaram dentro em mim: “Só sei que nada sei”.

    Ouvi de alguém que me é muito caro: “Desconheço a Alessandra com a qual estou falando…” – é, a que foi não é a mesma que voltou, reconheço. Eu mudei. Permiti-me a isso. Entreguei meu duro fardo de ser a dona de minha própria vida e meu pesado jugo de fazer meus próprios planos e minha própria agenda a Cristo – coisa que aprendi deve ser feita frequentemente – e me deixei levar não pela vida, como diz a música, mas pelas doces mãos de um Deus amoroso que me mostrou onde eu precisava mudar, o que deveria fazer, o que necessitava urgentemente deixar para trás, a exemplo da capa do (ex-)cego Bartimeu. Algumas coisas foram bastante difíceis. Outras doloridas. Mas a satisfação de olhar no espelho e ver que as rugas de pré-ocupação com aquilo que efetivamente não dependia de mim resolver sumiram! – e, vamos combinar, mulheres, não há nada melhor para nós do que uma ou duas rugas desaparecerem de nosso rosto como por um passe de mágica! O segredo? Meu olhar mudou. A paz que excede todo o entendimento invadiu meu 2014 e trouxe uma sustentável – e sustentada – leveza no meu ser.

    Os planos de paz de Deus para mim e para você neste ano que já vai levando janeiro são diários e cabe a nós aceitarmos ou não a proposta divina de sermos servos e de nos ocuparmos SOMENTE com aquilo que podemos e devemos fazer. No mais, além da acolhida dos Seus planos para nós registrada em Jeremias, fica a receita de apenas dois ingredientes do Salmo 37,5: “(1)Entrega o teu caminho ao Senhor, (2)confia nele e o mais ele fará”. Feito isto, aguardemos os comentários resultantes do aceitarmos e colocarmos em prática os planos de paz de Deus para nós: “Puxa, como você está diferente! Está mais jovem, mais bonito(a)!!”.

    Como resposta, vai uma máxima – não minha, mas do sábio autor dos Provérbios (15,13a) – que podemos utilizar: “O coração alegre aformoseia o rosto”. Não nos deixemos à sorte da vida e do ritmo tão agitados do século XXI que desvela mais do que nunca o tão antigo mito grego de Chronos (o Tempo) que engole avidamente seus próprios filhos. Permitamo-nos, sim, a sermos felizes e a termos paz em Deus e com Deus em 2014, 2015, 2016,… É só deixar que Ele nos fale ao coração o que quer de nós, ouvir e cumprir. Simples assim. Feliz 2014!

    No Deus que se fez gente e nos dá paz,

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    Alessandra Viegas, é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro. Professora na Escola Dominical local. Graduada em Letras – Teologia – Doutorado e  Mestrado em História Comparada e Teologia Bíblica. 

    Então é Natal

    16 dez 2013   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    ENTÃO É NATAL!!!

    Estamos em dezembro! Você que vai aos shoppings ou aos mercados populares comprar seus presentes de Natal ou os enfeites para sua montar sua árvore deste ano deve estar estranhando o fato de não ouvir a música da cantora Simone, típica desta época, com seu refrão mais do que conhecido pelo inconsciente coletivo brasileiro: “Então é Natal… e o que você fez?…”. Pois é, a música foi juridicamente proibida de ser tocada em lugares públicos e ficamos sem este fundo musical em nossas compras a nos embalar. No entanto, a pergunta é pertinente ao refletirmos sobre o verdadeiro sentido do Natal, que na história tem o seu lugar, como diz também o cantor João Alexandre em uma de suas composições.

    O que você fez? Talvez isso seja o que menos importa no Natal. Importante e valioso é o que Deus fez por amor a nós enviando seu filho na figura central do bebezinho deitado na manjedoura.

    Certamente eu deveria aqui apresentar um texto dos evangelhos: Maria grávida do Espírito Santo, a procura com José por um lugar para ter a criança, a falta deste lugar e o nascimento no estábulo. Metáfora do Deus que tinha tudo em suas mãos e decidiu disso se despojar só por um motivo – AMOR. A mim e a você. Incondicional. Inexplicável. Incomensurável.

    João 4,24 aponta que “Deus é espírito, e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”. Não obstante, o Deus que é espírito e a tudo alcança encarnou-se – revestiu-se de carne em todas as suas limitações e vicissitudes – tornando-se gente, vivendo, sofrendo e morrendo por um único e especial motivo – repito pela necessidade de fazer o querido leitor entender de uma vez por todas – o AMOR a você e a mim. Nesse ínterim, há dois textos que recomendo para sua leitura nesse Natal junto às referências do bebezinho na manjedoura: Filipenses 2,5-11 e Hebreus 2,5-18. São dois textos cuja estrutura de pensamento é bastante semelhante e descrevem a intensidade desse AMOR tão profundo e pleno de Deus por nós. Ambos nos dizem que Jesus Cristo – o mesmo que foi bebezinho, cresceu – se esvaziou de sua glória e assumiu a humilde forma de servo, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. Sabemos bem que a história – que tem o seu lugar – não acaba aí, pois Ele ressuscitou e agorinha mesmo pode estar intercedendo por nós junto ao Pai, porque sabe o que é estar na limitação de um corpo de carne. Ele fez isso por AMOR…

    O que Jesus fez? Até onde se vai por AMOR? Eis o que Jesus quer nos ensinar neste Natal. Por amor Jesus renuncia! Quantas vezes você já ouviu que amor é renúncia? Hoje em dia esta fala está fora de moda… estar com o outro, seja em qualquer tipo de relacionamento, é satisfazer a mim, e não a ele (ou ela). Nesta hora Jesus poderia virar a mesa em nossa vida e chamar-nos a atenção para entendermos que é exatamente o contrário. Jesus renunciou. A hermenêutica de Hebreus 2,5-9 mostra que Jesus, por amor, se faz, por um pouco, menor do que os anjos – aquele que era muito, mas muito superior aos anjos e tinha sobre si o domínio de todas as coisas se torna menor – quando entra em nossa carne. O bebezinho está em um lugar sujo, deitado em um recipiente sujo de dar comida aos animais – uma manjedoura. Deve ter sido de José a ideia de forrar ali com bastante palha. E Maria juntou todos os panos que podia para envolver e proteger o filhinho de tudo aquilo. Jesus era um bebezinho sim, sujeito a tudo que qualquer outro bebê também estaria – fome, sede, cólicas, doenças. Alguns anos mais tarde, Jesus é um homem faminto depois de 40 dias de jejum. Pouco tempo depois, era alguém desamparado e desfigurado na cruz, para quem nem o Pai, que é santo, poderia olhar – porque o Filho estava cheio do meu e do seu pecado. Jesus renunciou…
    Por amor Jesus se aproxima. E por se aproximar, salva e santifica. É a afirmação que embasa Hebreus 2,10-14. Pelo AMOR de Jesus em sua renúncia, somos conduzidos à glória como filhos! A explicação é simples: se aceitamos e cremos nesse renunciar, nesse sofrimento, nesse rebaixamento, nessa cruz tornamo-nos filhos, salvos e, ainda, santificados! E por tudo isso, o texto de Hebreus nos diz que Jesus não se envergonha de nós – e se faz nosso irmão. Ele se aproxima. Não é assim quando a gente ama? Quer estar perto, quer estar junto, quer ficar o dia inteiro falando no facebook, quer sentir que o(a) nosso(a) amado(a) está ali… assim é Jesus.
    Ele se aproxima porque AMA. O desejo de Deus, tenho plena certeza, é que neste Natal cada um de nós possa se aproximar – beijar, abraçar, acariciar – e fazer o nosso Natal mais gostoso e feliz do que qualquer outro que tivemos. Se Ele se aproximou, por que não seguir o exemplo?

    E ainda está lá o bebezinho! Por amor Jesus nos dá vida. E também liberdade e a certeza de que Ele está conosco e nos socorre, sempre que precisarmos (Hebreus 2,15-18). O grande paradoxo do amor de Deus se revela a nós em Jesus de uma forma linda: porque Ele renunciou e se aproximou – sendo de carne e sangue –, pela sua morte destruiu aquele que tem o poder da morte! Muito mais do que uma belíssima poesia em forma de antítese (ideias contrárias), a beleza está naquilo que Jesus fez. Além disso, Ele nos libertou a nós, que tínhamos medo da morte, e agora temos alegria da vida. Pois nossa existência não é mais de escravidão, senão de liberdade eterna. Quando Jesus prova o que é ser homem, entende perfeitamente nossas dificuldades, limitações, temores, orgulho e sofrimento – não pense você que Ele não vê quando e quanto você sofre. Ele vê. Ele passou por isso. E por isso mesmo nos socorre, naquilo que Ele próprio sofreu… Jesus se torna nosso sumo sacerdote, que intercede por nós ao Pai, e nos torna dignos de estar na Sua presença. Que AMOR é esse…? eis a pergunta que não cala em minh’alma todos os dias, não só no Natal. Que neste Natal, a exemplo de Jesus, possamos renunciar, nos aproximar, dar vida a alguém, perdoar, dar e ter a liberdade de estar leve diante de nossos queridos. Mostremos que não somos de ferro, pois temos mil limitações, entretanto sejamos aquele(a) com quem a família, os amigos, os vizinhos podem contar. Assim como podemos, em todo o tempo, contar com Jesus. Ele te ama, meu irmão e minha irmã. Ele me ama. Ame também. E transforme o seu Natal em um Natal de verdade, lindo, inesquecível!

    Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus (Filipenses 2,5). Então será Natal!

    No Deus que se fez bebezinho,

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    Alessandra Viegas, é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro. Professora na Escola Dominical local. Graduada em Letras – Teologia – Doutorado e  Mestrado em História Comparada e Teologia Bíblica. 

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