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    Tagueado com " Alcides de Moraes Mendes"

    Quando uma interpretação errada põe tudo a perder

    13 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Números 13

    No livro de Êxodo encontramos a narrativa de quando Deus tirou o seu povo da terra do Egito.

    Primeiro Ele levantou Moisés e Arão como líderes e então enviou dez pragas, sendo que a décima foi a definitiva: a morte dos primogênitos. Os judeus desde este momento, todos os anos, no mundo inteiro, comemoram esta vitória com a celebração da Páscoa. É dia de muita alegria em todos os lares. Cumpre observar que muitas Igrejas Cristãs Evangélicas estão também participando desta festa adaptando o ritual onde se faz necessário.

    Na sequência do texto bíblico vem a perseguição de Faraó, a abertura do Mar Vermelho, o povo passando para o outro lado a pé enxuto, o mar se fechando e Faraó com seu exército perecendo nas águas revoltas. Três dias de caminhada e chegam ao Monte Sinai onde permanecem por onze meses. Os acontecimentos deste período estão narrados de Êxodo 20 até o final do livro de Levítico. Passado esse período Deus orienta Moisés que levante um homem representante de cada tribo formando um grupo de 12 espias que deveriam ir até a terra prometida para observar tudo o que fosse possível, nos mínimos detalhes, fazendo então um relatório na presença de todo o povo.

    Eles levaram 40 dias para ir e voltar. O relatório dos 12 era muito parecido no seu conteúdo, com observações muito interessantes. A terra era realmente muito boa, manava mesmo leite e mel, e os frutos, nunca tinham visto nada igual. Trouxeram amostra do que puderam, inclusive um cacho de uva carregado por dois homens com ajuda de um tronco de árvore. Mas era terra de gigantes enormes. Disseram que se viam como gafanhotos diante daqueles homens. Dez dos doze espias não estavam preparados para ver o que viram e além de ficarem apavorados, amedrontados, acovardados, tiraram conclusões erradas, dizendo que seriam totalmente destruídos com suas famílias. Desta forma, contaminaram todo o povo, pois em nenhum momento se lembraram do poder de Deus, do seu amor e cuidado, dos grandes livramentos que Ele já havia dado ao seu povo, especialmente na passagem do Mar Vermelho.

    Quando Josué e Calebe conseguiram falar – e eles tinham a palavra certa, coerente, vitoriosa, a palavra que Deus queria que fosse considerada – não foram ouvidos, mas tidos como loucos. Então a situação ficou fora de controle e, o que é pior, o povo começou a murmurar contra Moisés, Arão e contra Deus. Três coisas aborrecem profundamente o nosso Deus: a murmuração, a desobediência e a idolatria! Deus ficou irado e por pouco o povo não foi totalmente consumido. A caminhada que estava próxima do fim, pois em poucas semanas estariam entrando em Canaã, ficou prejudicada. Então Deus disse a Moisés: com exceção de Josué e Calebe, que permaneceram fiéis, ninguém mais, dos que saíram do Egito, entrará na Terra Prometida, mas andarão pelo deserto pelo tempo necessário até que uma nova geração seja levantada. Quando os espias foram enviados, foi feita a contagem que indicou 600 mil homens. Quando chegasse novamente a este número com a nova geração, então estariam prontos para entrar em Canaã. A narrativa bíblica deste período está no livro de Números.

    A pergunta é: o que isto tem a ver com a nossa vida espiritual/religiosa nestes dias?

    Em primeiro lugar, em termos simbólicos, nós também saímos do mundo (Egito). Em segundo lugar, escravidão e opressão ficaram para trás! Terceiro, estamos numa caminhada abençoada para a Terra Prometida, a Canaã Celestial. Muitas experiências que o povo de Deus viveu no passado, estão sendo vividas por nós também. Jesus é o caminho! Muitas coisas poderiam ser aqui lembradas, mas vamos nos ater a missão dos doze espias.

    São doze tribos, todos descendentes de Jacó. Entretanto, cada tribo tem a sua característica específica, mas todos são o Povo de Deus com a principal missão de mostrar ao mundo que o nosso Deus é o Deus Único e Verdadeiro! John Wesley criou uma frase interessante: “No não essencial, liberdade; no essencial, unidade e em tudo, caridade ou amor”. O povo de Deus não é marionete ou um robozinho, mas sim um povo esclarecido, com opiniões próprias, com sabedoria e discernimento e também humildade e obediência a Deus e à liderança.

    Quando participamos de algum grupo, ministério e outros, somos todos de um mesmo time, vestimos a mesma camisa e chutamos para o mesmo gol. Podemos discordar até chegar a um denominador comum, a um consenso, mas jamais podemos murmurar e desobedecer a Deus e a liderança!

    No caso dos 12 espias, a rejeição, murmuração, etc, trouxeram consequências drásticas para todos. Além disso, não temos que nos sentir “como gafanhotos” diante dos problemas ou diante de alguém que aparenta ser muito mais do que nós. Deus deu a Davi uma estratégia para lutar contra Golias: não se envolver numa luta braço a braço (ele seria esmagado!). Mas lutar à distância usando sua experiência com a funda, foi tiro e queda!

    Não há o que temer! Não somos inferiores a ninguém, e além do mais, Deus está conosco!

    Deus seja louvado.

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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

    LEVANTA-TE, TOMA O TEU LEITO E ANDA!

    6 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    O texto bíblico em Marcos 2:1-12 fala da cura de um paralítico. O verso 1 diz que “dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu (a notícia) que ele estava em casa.” O texto passa a nítida impressão de que Jesus gostava desta cidade como também de “estar em casa”. É muito provável que esta casa seja a casa da sogra de Pedro, um lugar muito especial onde Jesus se sentia como se estivesse na sua própria casa.

    Então surge a pergunta: será que Jesus gosta da nossa cidade? Se não temos certeza ou achamos que não, o que fazer para que Ele passe a gostar? Eu aprendi que na vida espiritual tudo começa com oração; não a oração repetitiva, genérica, sem alma, mas a oração específica, no Espírito, que intercede pelo prefeito, pelo vice, pelos secretários, pelos funcionários da Prefeitura, pelas autoridades, juízes, promotores, delegados, contra a prostituição, contra a violência, contra os vícios, contra a corrupção, a favor do progresso da cidade, pelas entradas da cidade e muito mais! A mesma pergunta pode ser feita em relação a nossa casa? Será que Jesus gosta da nossa casa, ao ponto de se sentir à vontade? O que fazer para que seja assim?

    O verso 2 diz que a notícia de que Jesus estava em casa correu rápido e muitos afluíram para lá e a casa ficou lotada de gente por dentro e por fora, e Jesus lhes anunciava a Palavra. Certamente haviam já experiências anteriores do povo daquela cidade com Jesus, e deviam ser experiências muito boas porque um número grande de pessoas se deslocou para ter com Jesus. Não havia nada organizado em termos de som, impressos, cartazes, convites, equipe de apoio, mas o povo foi para o lugar onde Jesus estava. Por quê? Porque Jesus era diferente dos outros pregadores; Ele não se promovia, mas anunciava a Palavra de Deus, com autoridade, com simplicidade, não para mostrar conhecimento, mas para transmitir conhecimento, falar de tal maneira que as pessoas entendam qual o plano de Deus para elas naquele momento. Além disto, havia, ainda, os sinais que acompanhavam a sua Palavra, principalmente cura e libertação.

    A narrativa dos versos 3 e 4 fala de quatro homens daquela cidade que gostariam de estar lá na casa mas foram em outra direção bem diferente da casa de Pedro.

    Certamente já tinham alguma experiência de cura com Jesus porque tinham certeza de que se conseguissem levar o amigo paralítico até Jesus, ele poderia ser totalmente curado. Não havia nada adequado para levar o doente até o lugar da reunião; resolveram leva-lo na própria cama. E assim saíram pelas ruas da cidade levando o amigo enfermo na própria cama, sem se importarem com que os outros pudessem falar. Chegando na casa, outro problema: como entrar com aquela cama na casa lotada de gente? Não tinha como! O normal seria desistirem da empreitada e dizerem para o amigo: “Olha, fizemos o que era possível, mas infelizmente não deu… fica pra próxima (haveria próxima?)”. Não! Não é isto que diz o texto. Os amigos não se entregaram à derrota, mas subiram ao terraço da casa, abriram uma passagem que coubesse a cama sem deixar o doente cair e desceram a cama com o auxilio de cordas, bem aonde Jesus estava. Isto é tremendo! A nossa experiência com Deus precisa gerar frutos, vidas que tem que ser levadas praticamente no colo até Jesus. Não podemos salvar, nem curar, nem libertar pessoas, mas Jesus pode e a nossa missão é levar as vidas até Ele, vencendo todos os desafios que se apresentarem. Se fizermos a nossa parte com fé e determinação, Jesus certamente fará a dele, que somente Ele pode fazer.

    Verso 5 – Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. Nossos atos podem demonstrar fé ou não, e é importante que mesmo sem palavras, as pessoas “vejam” a nossa fé. Pecados perdoados? – Oops! Pera aí! Mas não foi para isto que os quatro amigos tiveram tanto trabalho!

    Calma! Jesus sempre sabe o que está fazendo e nós temos que esperar nele! O verso 6 diz que havia alguns escribas assentados ali na casa prestando atenção a tudo. Eram fariseus e doutores da Lei. Não foram ali aprender nada, mas foram com o intuito de fiscalizar. Jesus sabia disto mas não deu importância porque agora havia chegado o momento deles serem confrontados com o Messias. Jesus declarar o perdão de pecados, para os fariseus e judeus, de modo geral, era uma blasfêmia (v. 7) gravíssima, que podia ser punida exemplarmente.

    No verso 8, Jesus demonstra aos fariseus que sabe o que eles estão pensando e no verso 9 faz a pergunta que eles jamais queriam ter ouvido: “Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: estão perdoados os teus pecados ou dizer: levanta-te, toma a tua cama e anda”? Para os escribas não havia escolha e Jesus nem dá tempo para eles pensarem numa resposta e no verso 10 diz: “Ora, para que vocês saibam que o Filho do Homem (Messias) tem toda autoridade sobre a terra para perdoar pecados, disse ao paralítico”: verso 11 – “Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para casa”. Verso 12 – “então o paralítico se levantou e, no mesmo instante, tomando o seu leito, retirou-se à vista de todos”.

    O Espírito Santo pode nos dar uma revelação ou palavra de conhecimento sobre o que as pessoas estão pensando e nós temos que ter sabedoria para usar isto da maneira certa e no momento certo. “Para que vocês saibam”. Contra fatos não há argumentos: Jesus se identifica como aquele que tem todo o poder e que o principal ou mais importante não é a cura, mas o perdão, e para que tomem conhecimento do poder de Deus que opera Nele, dá a ordem de cura e no mesmo instante aquele que foi perdoado se levanta e não só anda, mas carrega a sua cama de volta para casa e todos dão Glória a Deus!

    Concluindo:

    – Jesus gosta da nossa cidade?

    – Jesus gosta da nossa casa?

    – O povo está afluindo às nossas reuniões?

    – A Palavra de Deus é anunciada de maneira que as pessoas entendam?

    – Os sinais acompanham a Palavra?

    – Há vidas interessadas em apresentar seus amigos a Jesus para salvação, cura, libertação (ação missionária), dispostas a vencer todas as barreiras?

    – Está havendo perdão no nosso meio?

    – O nome de Jesus está sendo glorificado?

    – O povo está dando Glória a Deus?

    Amém!

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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

     

    ESTER E A IGREJA QUE DEVEMOS SER

    20 mar 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Um resumo da narrativa dos caps. 1 a 7 do livro de Ester

    Uma grande festa foi promovida pelo rei Assuero, cujo nome verdadeiro era Artaxerxes. Em determinado momento o rei pediu para seus auxiliares mais diretos irem aos aposentos da rainha Vasti e dizer-lhe que o rei solicitava a sua presença na festa, devidamente arrumada e paramentada, para apresentá-la aos seus convidados. Inesperadamente, Vasti disse simplesmente que não iria. Os conselheiros do rei ainda insistiram, mas Vasti se mostrou irredutível. O rei foi devidamente informado do ocorrido, e ele que tinha poderes de vida e de morte e podia determinar que Vasti fosse eliminada imediatamente, ficou muito irado e decepcionado, mas não tomou nenhuma medida precipitada. Reuniu os seus conselheiros e pediu ajuda. O conselho mais sábio determinava que Vasti ficasse proibida de ver o rei ou dirigir-se a ele.

    Continuaria com todas as regalias, mas não veria mais o rei.
    Passado algum tempo e baixada a poeira, foi sugerido ao rei que se convocasse as donzelas de todo o reino que quisessem se candidatar a rainha. Elas passariam por um processo de seleção e preparação, incluindo embelezamento etc, e o rei faria a escolha final. O rei gostou da ideia e aprovou a sugestão.

    E aqui começa a história de Ester, cujo nome em hebraico é Hadassa, moça judia, e que por orientação do tio Mordecai (ou Mardoqueu), se inscreve como candidata a substituir Vasti, e por sua beleza e comportamento, cai na graça do eunuco chefe. Passou doze meses sendo preparada, sendo que por seis meses recebeu tratamento à base de mirra – bálsamo feito à base de uma florzinha miúda, aparentemente sem perfume, o qual só é percebido quando as pétalas da flor são vigorosamente trituradas. Ester foi considerada a mais bela e bem preparada das candidatas e foi a escolhida do rei para se casar com ele e tornar-se a nova rainha.

    Após a escolha de Ester como nova rainha, seu tio Mordecai, passou a freqüentar as cercanias do palácio real, onde sempre conseguia informações sobre Ester. Em certa ocasião, ouviu dois soldados tramarem contra a vida do rei e passou a informação para Ester, a qual alertou a guarda palaciana, que através do seu comandante Hamã, confirmou tudo e os dois revoltosos foram enforcados ficando Hamã como o herói perante o rei.

    Como Hamã se engrandeceu diante do rei, recebeu a honra de ser cumprimentado pelos súditos com a mesura, mesma reverência dedicada aos nobres, com todos se inclinando quando ele passava. Todos menos um, Mordecai, que por ser judeu não se prostraria diante de nenhum homem, mas somente diante de Deus. Isto chegou aos ouvidos de Hamã, que se encheu de ódio não somente por Mordecai, mas por todo o povo judeu e passou a tramar uma maneira de exterminar todos os judeus do império.

    Aproveitando-se de gozar da confiança do rei, Hamã fala muito mal dos judeus inventando uma porção de mentiras e dizendo que este povo representava um perigo para o reino, que deveria ser eliminado e seus bens confiscados para o palácio. O rei acredita e lhe dá o seu anel de selar com total liberdade para elaborar um decreto de extermínio dos judeus, como bem desejasse.

    Ester não ficou sabendo de nada, mas Mordecai e toda a população judia foram grandemente impactados e começam a clamar, jejuar e vestir pano de saco e pôr cinza sobre a cabeça para se humilhar diante de Deus. É desta forma que Mordecai tenta falar com Ester para pedir sua interferência junto ao rei e diz que agora entende que foi para este momento que Deus a colocou como rainha. Ester fica muito tocada, mas diz que por questões de segurança, não tem acesso ao rei a não ser que ele a chame a sua presença. Se for sem ser chamada, corre risco de vida dependendo apenas de o rei vê-la e lhe estender o seu cetro real.

    Diante disto, propõe um jejum de 3 dias para todo o povo e então ela enfrentaria o risco de vida. Neste período, Deus a fortalece e lhe dá uma estratégia. No momento certo ela se apresenta no pátio da sala do trono, devidamente adornada com os trajes reais e o rei lhe estende o cetro de ouro e lhe pergunta o que deseja, prometendo lhe dar até metade do seu reino, se ela quiser. Ela então convida o rei e Hamã para um banquete em seus aposentos, o que é imediatamente aceito pelo rei e seu general. Neste banquete, Ester não revela ainda o que quer, mas marca outro banquete novamente com a presença do rei e Hamã, o que é aceito por Assuero.

    Certa noite o rei estava com insônia e mandou que lessem para ele as crônicas do seu reino para ver se o sono voltava. O texto lido falava justamente da rebelião dos dois soldados que queriam matar o rei e foi denunciado por Mordecai. O rei perguntou se constava do relato alguma recompensa a Mordecai por ter livrado o rei. A resposta foi negativa, não fizeram nada. O rei manda chamar a Hamã e lhe pergunta como devia premiar alguém que o rei quisesse agradar por ter-lhe salvo a vida. Hamã, pensando se tratar dele mesmo, propõe um desfile pela cidade em vestes reais, com a coroa real e no cavalo do rei, com alguém proclamando: assim se faz a quem o rei deseja honrar! O rei aprova a sugestão e determina que Hamã faça exatamente como falou, com Mordecai!

    Hamã se sentiu humilhado e afrontado e de tanta raiva mandou preparar uma forca para a execução de Mordecai.

    Chega o dia do segundo banquete. O rei e seu general comparecem. Ester expõe ao rei o que está acontecendo como conseqüência do decreto de morte do povo judeu e revela que ela também é judia e que portanto está condenada a morte juntamente com seu povo, e tudo isto por causa da vaidade de um homem mau. O rei pergunta quem é este homem mau e ela aponta para Hamã, o qual acaba sendo enforcado na forca que havia preparado para Mordecai, que por sua vez passa a ter a consideração do rei.

    Como o decreto do rei não pode se revogado, é elaborado um novo decreto que dá o direito aos judeus de se defenderem legalmente, havendo então um grande livramento para o povo de Deus, que mesmo com lutas recebe a vitória com muito júbilo e comemorações.

    Conclusão:

    Vasti – Mulher é geralmente tipo da Igreja; e a igreja tipificada por Vasti é a igreja que não está disponível, não é igreja serva, mas só faz o que quer, quando quer; não sabe o que é obediência nem dependência de Deus. Como punição, foi proibida de entrar na presença do rei. Mesmo continuando a morar no palácio perdeu totalmente o acesso ao rei. Vive de aparências, parece que é, mas não é! Há muitas vidas que se dizem igreja, mas não o são!

    Ester – A igreja bonita mas humilde, simples, obediente, disposta, serva, que não vive somente para si mesma. Escolhida no lugar de Vasti, aproveitou bem o período de preparação. Seis meses tratada com mirra lhe ensinaram que o bom perfume tem um preço que é passar por momentos difíceis e suportar. Enquanto Vasti, chamada pelo rei, não compareceu, Ester, sem ser chamada, se preparou espiritualmente através do jejum e da oração, meios de graça dados por Deus para sua igreja e foi ao encontro do rei, mesmo sabendo que corria risco de vida. Mas ela foi acolhida com gestos e com palavras de carinho e teve livre acesso ao rei, à Sala do Trono, à Sala do Banquete e a todo o Palácio.

    Mordecai – Tipo do Espírito Santo, foi quem Deus usou para levar Ester a ser rainha e assumir a responsabilidade de ser intercessora. Denunciou o que estava errado. Não se prostrou diante de homem. Sem aparecer, foi quem mais atuou a favor do povo de Deus.

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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

    TRIGO OU JOIO

    4 mar 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Texto:
    Mt. 13.24-30; 36-43

    Mateus 13 é o texto das parábolas, começando com a do Semeador, do Joio, do Grão de Mostarda, do Fermento, do Tesouro Escondido, da Pérola, e da Rede (de pescar). Era comum os rabis (mestres) usarem o recurso de contar parábolas – uma narrativa, uma pequena estória, de natureza alegórica, que serve de comparação com o que se quer ensinar. É um método de ensino que leva a pessoa apensar, raciocinar, desbloquear sua inteligência. Precisa ser interpretada. Jesus usou muito, e com maestria, este método de ensino, como que forçando seus seguidores a colocarem a cabeça para pensar.

    Geralmente as pessoas querem tudo mastigadinho, nos mínimos detalhes, para só “engolir”.

    Os discípulos perguntaram a Jesus: “por que lhes falas por parábolas”? Jesus respondeu: “porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido” (v.10-11). Quero destacar a expressão “mistérios do reino dos céus”, onde reino dos céus significa o reino ou mundo espiritual, e mistérios, o linguajar e as expressões espirituais deste reino incluindo aí as profecias, visões, sonhos, revelações, que se destinam à edificação da Igreja.

    A parábola começa dizendo (v.24) que o reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente (de trigo) no seu campo. No reino espiritual há uma dinâmica da colheita que só pode funcionar havendo preparo do solo, semeadura da melhor qualidade, acompanhamento, com todo zelo e cuidado, até a colheita. A relação entre semeadura e colheita precisa ser melhor discernida porque a Palavra de Deus nos diz que se houver pouca semeadura, pouca será também a colheita.

    O v. 25 inicia com a conjunção mas, que indica uma oposição ao que foi dito anteriormente. No reino espiritual temos um adversário que nos faz oposição noite e dia sem parar. O texto diz que enquanto os trabalhadores foram dormir, veio o inimigo e semeou joio no meio do trigo e retirou-se. O joio é uma planta que se confunde com o trigo, por isto é necessário aguardar a época da colheita, quando então o trigo se revela claramente. Isto fala da coexistência entre bons e maus, em todos os segmentos da sociedade, inclusive Igreja.

     

    Quando o trigo cresceu produziu fruto e aí apareceu também o joio. Os trabalhadores questionaram o dono do campo e perguntaram: não era boa a semente? Donde vem, pois, joio? Um inimigo fez isto (v.28). No mundo espiritual não há enrolação, não há melindres, nem falsidade, nem medo da verdade.

    O que é, é! O que não é, não é! Isto nos mostra que não basta trabalhar e dormir. É necessário, muitas vezes, orar e vigiar, resistir ao inimigo, não aceitar suas artimanhas, discernindo, com a ajuda do Espírito Santo, a procedência do que acontece ao nosso redor, em casa, no trabalho, na escola, na rua e até na Igreja, pois não existe comunidade que seja só de “trigos”.

    Ainda no v.28 os trabalhadores perguntam: quer que arranquemos o joio? Não! Porque ao separar o joio pode ser que arranquem também o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita (v.30) quando então direi: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado, mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.

    Aqui a parábola nos revela que não podemos ser precipitados. Alguns queriam logo arrancar o joio, mas iam acabar arrancando também o trigo sem perceber. É preciso ter sabedoria e aguardar o momento certo para fazer o que tem que ser feito.

    É preciso colocar a cabeça para pensar, raciocinar, desbloquear a inteligência. Este era um dos objetivos do Senhor Jesus.

    Deus nos abençoe! Amém!

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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

     

    SEJA FEITO CONFORME A TUA FÉ

    19 fev 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Mt. 8.7-13
    e Lc.7.1-10

     

    A história da cura do servo do centurião romano é narrada em dois evangelhos, Mateus e Lucas, com pequenas diferenças que não atrapalham o entendimento. Mateus diz que o próprio centurião procurou Jesus e intercedeu por seu criado. Lucas informa que o centurião solicitou aos anciãos que intercedessem por ele junto a Jesus, pelo fato de serem testemunhas de que, como prosélito da religião judaica, ele havia doado recursos para a construção da sinagoga da cidade. O nome do centurião e do seu criado não aparece nas narrativas. Centurião é o oficial do exército romano que comanda um grupo de cem soldados (uma centúria). Deve corresponder hoje a patente de capitão do Exército. É muito significativo que este importante cidadão romano creia no Deus de Israel e assuma isto publicamente e também creia que Jesus é o Messias, cuja autoridade não conhece limites no céu, na terra e no mar.

    Aplicação: toda e qualquer cura começa com a nossa fé em Deus e no Senhor Jesus, o Messias. Fé pública, fé assumida diante de quem quer que seja.

    A enfermidade
    O texto diz que o criado estava paralítico e que sofria horrivelmente.

    No meu entendimento este “sofrer horrivelmente” significa muita dor, uma das características do câncer. É tão terrível que afeta profundamente também quem está por perto, tendo em vista não ter o que fazer para amenizar a dor. Hoje em dia existem medicamentos fortíssimos que aliviam a dor, ainda que temporariamente, mesmo assim com efeitos secundários.

    Aplicação: Não existe qualquer enfermidade, por mais grave e difícil que seja, que não possa ser curada pelo Senhor Jesus.

    O pedido intercessório
    O verso 6 é tremendamente objetivo e direto – 12 palavras:  Senhor, o meu criado jaz em casa, de cama. Paralítico, sofrendo horrivelmente.

    Aplicação: não é pelo muito falar, mas pelo pronunciar as palavras certas, com humildade, com sinceridade e inspiradas pelo Espírito Santo.

    A resposta imediata de Jesus
    Verso 7 – são apenas 3 palavras! “Eu irei curá-lo”

    Aplicação: Jesus não enrola ninguém. Ele tem uma resposta certa para cada um de nós e também vai direto ao ponto.

    Uma atitude inusitada
    O centurião romano não se acha digno, em termos espirituais, de receber Jesus em sua casa. Além disto, ele conhece muito bem na teoria e na prática o princípio da obediência e da autoridade outorgada. “Eu”, diz o centurião, “por força da minha patente, exerço plena autoridade sobre os que estão sob o meu comando. Creio que Jesus, que tem toda a autoridade, não precisa ir a minha casa; basta que diga, daqui mesmo, uma palavra de poder e autoridade e meu criado ficará curado”.

    Aplicação: a atitude deste homem agradou muito a Jesus porque além de fé, ele tinha experiência de comando e obediência, para cima e para baixo e soube trazer isto para a vida espiritual. Todos nós temos algum tipo de experiência na vida profissional e pessoal, mas nem sempre sabemos usar esta experiência na nossa vida espiritual. É preciso ter fé sim, mas, se possível, enriquecer a nossa fé com aquilo que temos aprendido de bom no dia a dia da nossa caminhada. Cumpre ainda acrescentar que o militar recebe treinamento para fazer corretamente tudo o que se espera que ele faça. Como seria proveitoso se os pais, professores e igreja nos dessem também o treinamento necessário para fazermos corretamente tudo que é necessário que façamos.

    A confirmação da bênção – Palavra de autoridade e poder
    Verso 13 – “Vai-te, e seja feito conforme a tua fé”.

    Aplicação: Na mesma hora o criado foi curado. Com Jesus, as coisas acontecem exatamente como devem, porque Ele está no controle de tudo.

    Toda glória seja dada ao Senhor! Amém.
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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

     

     

    FATO NOVO

    5 fev 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    A segunda viagem do apóstolo Paulo e sua equipe
    Atos 15.36-41; 16; 17; 18.23

    A Segunda Viagem Missionária tem início com um convite de Paulo a Barnabé: “Voltemos, agora, para visitar os irmãos por todas as cidades nas quais anunciamos a palavra do Senhor, para ver como passam.” (v.36b).

    Barnabé queria levar também João Marcos (v.37), mas Paulo reagiu dizendo que não achava justo levarem uma pessoa que abandonou a equipe na primeira viagem (v.38). Isto gerou uma discussão que acabou em desavença e separação. Barnabé e João Marcos viajaram para Chipre (v.39) e Paulo com Silas e Lucas, o narrador da viagem, viajou para a Síria e Cilícia (v.41), seguindo para Derbe e Listra, onde encontraram um discípulo chamado Timóteo, que depois de circuncidado, para não ter problemas de aceitação pelos judeus, se juntou à equipe missionária de Paulo. (16.1-5).

    Embora o texto bíblico não mencione especificamente o tempo investido por Paulo e sua equipe em oração, não temos a menor dúvida que não só durante a preparação da viagem missionária como
    em todo o seu desenrolar, muito tempo foi dedicado ao jejum e à oração, inclusive pela Igreja em Antioquia, que lhes dava todo apoio possível.

    Inesperadamente a narrativa de Lucas, no verso 6, diz que o Espírito Santo, de quem esperavam unção, direção, consolo e apoio, impediu, isto mesmo, impediu que pregassem a Palavra na Ásia.

    Não havia ninguém desacertado, em pecado ou em desobediência. Alguma coisa muito importante estava acontecendo! No verso 7, novamente Lucas diz que o Espírito Santo não permitiu que Paulo e sua equipe fossem para Bitínia. Então foram para Trôade onde Paulo à noite teve uma visão de um varão macedônio que estava em pé e lhe rogava: “passa a Macedônia e ajuda-nos”. No verso 10 Lucas diz: “imediatamente procuramos partir para aquele destino.” Aí as coisas começam a se encaixar.

    Mas também, por outro lado, a gente descobre que o início da narrativa, o “era uma vez” da segunda viagem não está no capítulo 15.36, mas sim no 16.13, que nos conta que Paulo e sua equipe procuraram alguns dias em Filipos algo que pudesse ter relação com a visão e que no sábado saíram da cidade para encontrar com um grupo de mulheres judias, lideradas por Lídia, que oravam na beira de um rio.

    Vamos abrir aqui, agora, um parênteses, para entendermos melhor o que está acontecendo. Existe em Direito uma figura jurídica que se chama “fato novo”; é tão forte e importante que, a critério do juiz, pode servir de base para reabrir um processo mesmo que já tenha sido arquivado. As mulheres em oração, em seus pedidos, se constituem num verdadeiro “fato novo” nesta segunda viagem, tão importante que o Deus Espírito Santo mandou parar todo o processo missionário que estava em andamento para primeiro atender o que as mulheres queriam e pediam. Deste encontro nasceu a Igreja em Filipos que se tornou uma importante igreja na Obra do Espírito. Mas e o “varão” da visão?

    Ah! O nosso Deus é muito sábio! O “varão” representa Lídia! Se Deus mostrasse uma mulher ou uma “varoa” na visão, certamente Paulo teria muita dificuldade em atender imediatamente a visão como de fato aconteceu.

    E Lídia, quem era ela? O texto nos informa que era uma “vendedora de púrpura”. Parece muito simples, mas não é! Naquele tempo e naquela cultura, era raríssimo uma mulher trabalhar fora.

    Mais raro ainda na profissão de vendedora, que exige uma pessoa extrovertida, capaz de impor sua presença no meio dos homens e mulheres e vender o seu produto. Que produto é este? Púrpura, uma tinta extraída de moluscos marinhos que depois de preparada serve para tingir tecidos que serão usados por reis, rainhas, sacerdotes e certas autoridades. Um produto caríssimo, que vale mais do que ouro.

    Com estas informações podemos perceber que Lídia não era uma mulher qualquer, mas uma pessoa bem sucedida na vida, de uma certa posição social, mas que abre mão disto tudo para estar na beira de um rio com outras mulheres orando uma oração que tocou os céus, o trono de Deus, que mandou parar tudo para começar em Filipos a segunda viagem missionária, que se tornou extremamente produtiva, a começar por aquele grupo que aceitou Jesus como o Messias e Senhor, foram batizados, passaram a se reunir na casa de Lídia e por ela liderados até que o Senhor levantasse alguém para pastorear a nova igreja. É claro que houve muitas lutas e dificuldades, mas Deus deu a Vitória!

    A pergunta agora é: e a nossa oração? É um “fato novo” capaz de fazer parar tudo e começar de novo? Nossa oração é capaz de mover céus e terra para atingir seus objetivos? Somos capazes de abrir mão de qualquer coisa para estar orando com o nosso grupo, se for preciso, até na beira de um rio? É bem provável que precisamos orar mais: oração individual, oração em família, oração na Igreja, oração em pequenos grupos, campanha de oração, oração e mais oração!

    A Deus toda glória! Amém!
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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

    A ABRANGENTE PRESENÇA DE DEUS

    29 jan 2015   //   por admin   //   Colunas  //  2 comentário

    Texto:
    Josué 1, 2, 3 e 4

    Muito se fala da Travessia do Mar Vermelho e pouco da Travessia do Rio Jordão. A primeira aconteceu no início da caminhada, sob o comando de Moisés. A segunda, no final da caminhada, quarenta anos depois, sob o comando de Josué. Moisés havia morrido. Deus falou claramente com Josué como proceder. Embora este povo fosse chamado “povo de Deus” da mesma forma que aqueles que saíram do Egito, somente duas pessoas dos que saíram permaneciam vivos, Josué e Calebe. Isto faz muita diferença porque este povo não tinha a experiência da travessia do Mar Vermelho, só Josué e Calebe. Mas Deus preparou outra oportunidade para o seu povo ter a experiência pessoal com o Deus que nos dá livramento, o Deus presente entre nós.

    Faltava muito pouco para entrar na Terra Prometida. O Rio Jordão era um dos últimos obstáculos a ser ultrapassado, mas era época de cheia; o rio transbordava as suas margens e era grande a força da correnteza.

    Deus dá a Josué palavras de ordem para preparar o povo para transpor o rio do jeito que estava. A primeira palavra é para o próprio Josué. Palavra de ânimo! A segunda palavra é para o povo se preparar materialmente: comida, roupa, pertences. Dentro de três dias iam atravessar o rio. A terceira palavra é espiritual: “Santificai-vos! (jejum, oração, consagração); amanhã o Senhor fará maravilhas no meio de vós. Quando vires a Arca da Aliança do Senhor deverão se levantar e seguir a Arca, mantendo a devida distância”.

    O que é a Arca da Aliança? É a peça mais importante do Tabernáculo e do Templo. Uma caixa de madeira de lei, acácia, de 1,25m x 0,75m x 0,75m, revestida de ouro por dentro e por fora, com duas argolas de ouro de cada lado para passar os varais e uma cobertura chamada de Propiciatório, de ouro puro, com dois querubins de ouro batido.

    Dentro da Arca estavam as Tábuas da Lei, uma porção do Maná e a vara de Arão que floresceu. Ninguém podia, em hipótese alguma, tocar na Arca, olhar dentro dela, nem olhar para ela estando descoberta. Só os sacerdotes podiam pegar pelos varais apoiando-os nos ombros para transporta-la.

    A Arca é um SÍMBOLO. E o que é símbolo? É um substantivo masculino, um objeto físico ao qual se dá uma significação abstrata, figurativa. Na Bíblia encontramos muito a linguagem simbólica. E a Arca simboliza o que? A PRESENÇA DE DEUS! A Arca não é um objeto de louvor ou de adoração, muito menos de idolatria. Por isto somente um homem, o sumo-sacerdote, uma vez por ano, no dia do perdão, podia entrar no lugar chamado Santo dos Santos, para ministrar perdão para todo o povo de Deus, segundo o ritual do livro de Levítico. Portanto, frisamos bem, a Arca não é Deus, mas representa a presença de Deus. Sendo assim precisamos discernir o simbolismo contido em toda a arca:

    1) Madeira – representa humanidade (será como árvore plantada… – Sl. 1.1-3; Je. 17.7-8). Jesus assumiu a forma de homem para cumprir a vontade do Pai e poder salvar o homem (humanidade).

    2) Ouro – o metal mais nobre, mais valioso, mais puro. Representa o poder do Espírito Santo, que cobre o homem (experiência que muda o exterior do homem). Ouro por dentro – experiência que muda o nosso coração, o nosso íntimo.

    3) Propiciatório – a tampa da Arca, de ouro puro, sobre a qual era ministrado o perdão. Dois querubins de ouro puro batido, em posição de adoração, representam os próprios querubins, cujo ministério específico é servir o tempo todo exclusivamente a Deus. Ouro puro batido – pureza obtida com sacrifício, sofrimento.

    4) Varais – A Arca precisava ser conduzida por mãos humanas, vidas que exerciam um ministério na Casa do Senhor, nos ombros, com dedicação total, pagando um preço. É assim que é!

    5) Conteúdo – As Tábuas da Lei com os dez mandamentos – representa a Palavra de Deus que nos orienta, nos consola, nos dirige, nos exorta, nos diz tudo o que precisamos saber para salvação e vida com Deus. Uma porção do Maná – “o pão nosso de cada dia nos dá hoje” (Mt. 6.11), o Deus que nos sustenta. A vara de Arão que floresceu – houve ciúmes entre os representantes das tribos, quanto ao serviço do sumo-sacerdote, questionando porque só Arão é que podia exercer este ministério. Então Deus orientou que o líder de cada tribo entregasse a Moisés o seu bordão com o nome da tribo escrito nele, sendo que no bordão da tribo de Levi seria escrito o nome de Arão. Moisés colocou todas as varas no Santo Lugar de frente para a Arca que estava protegida pelo véu. No dia seguinte voltou para ver o que tinha acontecido. A vara com o nome de Arão, da tribo de Levi havia brotado, tendo inchado os gomos, produziu flores e dava amêndoas (Nm. 17.8). Assim, através deste milagre, Deus confirmou o chamado de Arão para o sumo-sacerdócio. Deus confirma sempre tudo o que Ele fala conosco, especialmente quando nos chama para exercer algum serviço na sua presença.

    A travessia do Jordão – chegou a hora de vencer este grande obstáculo. Deus manda os sacerdotes pegarem a Arca, colocá-la sobre os ombros e se dirigirem ao rio. No exato momento em que colocassem o pé dentro d’água, o rio pararia de correr, se amontoando pelo tempo necessário para que todos passassem a pé enxuto: a presença de Deus se manifesta no início da dificuldade. Em seguida, com as águas do rio paradas, os sacerdotes deviam se posicionar bem no meio do leito do rio até todo o povo passar em frente à Arca e sair do outro lado, em frente a Jericó: a presença de Deus se manifesta no meio da dificuldade. Depois que todos passassem, saindo do leito do rio e fosse levantada uma coluna com doze pedras, os sacerdotes também sairiam e o rio voltaria a correr normalmente: a presença de Deus se manifesta no fim do problema.

    Como vimos, a presença de Deus na nossa vida, no nosso lar, no nosso local de trabalho, na nossa Igreja, no nosso ministério é muito mais abrangente do que se possa imaginar. Por isto Deus nos convida a experimentarmos a sua presença de uma maneira sempre nova, profunda e constante.

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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

    VAI E PROCEDE TU DE IGUAL MODO

    26 dez 2014   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    “VAI E PROCEDE TU DE IGUAL MODO”

    LUCAS 10.25-37
    O contexto – Encontro com os discípulos para relatório e avaliação da Missão dos 70. Estavam presentes também outras pessoas e dentre elas um doutor da lei mal intencionado que tudo ouvia com a finalidade de, no momento certo, fazer uma pergunta que pudesse colocar Jesus em má situação perante seus discípulos e a multidão que o seguia. Surgiu o momento esperado e o doutor da lei não perdeu tempo, fez a pergunta: “Mestre (Rabi), que farei para herdar a vida eterna?”, ou seja, que farei para ser salvo? Este doutor da lei sabia que Jesus, nas suas ministrações dava a entender que Ele era o Messias, ansiosamente esperado, o Salvador. Se a mesma pergunta fosse feita a nós nestes dias, como cristãos, só haveria uma resposta: receba Jesus como seu salvador pessoal e confesse com sua boca que Ele é Filho de Deus Pai. Mas naquele momento Jesus não havia sido ainda crucificado nem ressuscitado dentre os mortos. Jesus, o Rabi, sabia que aquela pergunta era uma armadilha.

    Então vemos uma coisa muito importante para o nosso aprendizado: A REAÇÃO DE JESUS. Jesus não só é muito inteligente, mas tem absoluto domínio próprio, sabedoria e autoridade e não reage com raiva ou qualquer outro sentimento semelhante, mas com plena calma, ele não responde diretamente, mas devolve ao doutor da lei outra pergunta: “Que está escrito na Lei? Como lês tu”? Saiba que este é o nosso padrão! A gente conhece uma pessoa mais pelas suas reações do que pelas suas ações porque estas podem ser estudadas, preparadas, elaboradas, mas as reações nos pegam desprevenidos e é aí que mostramos quem realmente somos. Portanto, cuidado com suas reações! Por outro lado, fica aqui também outro conselho: não caia na armadilha da discussão e dizer tudo o que vem à cabeça. Procure manter-se calmo, sereno e tranquilo! Finalmente, ainda um discernimento importante quanto à reunião a que comparecem discípulos, pessoas da multidão e pessoas de outras religiões bem intencionadas ou não: muito cuidado com o que é falado e feito. Reunião só com discípulos é uma coisa e reunião plural é outra bem diferente. Por isto, como discípulos, não podemos nos limitar a participar somente dos cultos públicos de domingo à noite.

    Voltando agora a pergunta de Jesus: “que está escrito na Lei?” – Salvação pela Lei? Para o doutor da lei a resposta estava na ponta da língua e qualquer criança em Israel saberia responder acertadamente (é o texto que está na “mezuzá”): “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo” (a última parte foi acrescentada pelo doutor da lei). Jesus então declara rapidamente: “Respondeste bem (elogio!); faze isso, e viverás” (conclusão de Jesus demonstrando para todos os presentes que o doutor da lei na realidade sabia a resposta da sua pergunta, que ele não queria aprender nada, mas causar confusão).

    O doutor da lei não se dá por vencido e volta à carga perguntando agora: “quem é o meu próximo?” Mais uma vez Jesus reage com toda calma e conta uma parábola, cujo objetivo é fazer o doutor da lei responder a sua própria indagação, demonstrando, de novo, suas intenções para com Jesus.

    A Parábola – um método de ensino, muito utilizado pelos Rabis, que consiste numa narrativa alegórica com fundamento doutrinário. Uma história simples, do dia a dia, ilustrando uma verdade moral ou espiritual. Jesus diz que certo homem voltava de Jerusalém para Jericó e foi assaltado no caminho. Os assaltantes, além de roubarem tudo que ele tinha, bateram muito no moço deixando-o quase morto. Casualmente, ou ocasionalmente, passou por aquele mesmo caminho um sacerdote, o qual vendo o moço caído, semimorto, passou direto e foi embora. Da mesma forma, casualmente, passou também um levita; passou direto e foi embora.

    Certo samaritano que seguia a cavalo pelo mesmo caminho, mas não casualmente, vendo de perto a situação do moço, teve compaixão por sua vida e então parou, desceu do cavalo, fez curativos usando azeite e vinho, pegou-o no colo, colocou-o sobre seu cavalo, voltou para Jerusalém, levou-o para uma hospedaria, pagou a diária, tratou do moço durante o resto daquele dia, e no dia seguinte prosseguiu viagem, deixando tudo organizado para que nada faltasse ao moço até o seu restabelecimento. Então a pergunta final ao doutor da lei: qual dos três homens lhe parece ser o “próximo” do moço assaltado? “O que usou de misericórdia para com ele” (o bom samaritano!), respondeu o doutor da lei. Então Jesus concluiu: vai e procede de igual modo! O principal objetivo da Parábola foi atingido, pois além de responder a pergunta permitiu que o próprio doutor da lei respondesse sua indagação.

    Mas há outros detalhes importantes na parábola que merecem destaque, do ponto de vista simbólico: Jerusalém, era o lugar onde estava o templo, onde se prestava o culto ao Deus único e verdadeiro. Lugar da bênção! Descer para Jericó, é o regresso, a volta para casa, abençoado sim, mas desavisado, alheio ao perigo. O assalto, o inimigo à espreita (veio para matar, roubar e destruir – João 10.10). O moço caído, semimorto, vidas da Igreja que no ir e vir do dia a dia estão caindo nas garras do inimigo. Andar casualmente, sem objetivos definidos, sem responsabilidade, sem preocupação; quem serve ao Senhor, de verdade, não anda assim! Sacerdote, vida que herdou uma função religiosa que devia ser também espiritual, mas nem sempre é. Levita, também é uma vida que herdou uma função religiosa, diferente da sacerdotal, mas que também devia ser espiritual. Nenhum dos dois sentiu compaixão pelo caído, daí seguiram seu caminho como se nada tivesse acontecido ao redor deles. Não eram “maus”, mas também não eram bons, no sentido espiritual de vidas que se importam, que percebem a oportunidade de ser útil, custe o que custar. Samaritano, vida sem qualquer expressão ministerial oficial, mas que se importa de verdade com os necessitados de socorro, de amparo,

    de cuidados; que investem o que for necessário para solucionar o problema. Que tem consigo o óleo e o vinho, a unção do Espírito Santo e o sangue de Jesus. Por isto Jesus o chama de “bom”. Davi declara no final do Salmo 23 que “bondade e misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida”.

    Vai e procede de igual modo! Este é o padrão da Palavra!

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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

    JESUS, NOSSA LUZ!

    19 dez 2014   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    JESUS, NOSSA LUZ!

    Texto: Is. 9.2-6

    v.2a - “O povo que andava em trevas e que habitava na região da sombra da morte” – trata-se de linguagem profética e espiritual para especificar a ausência de salvação. Antes de Jesus, da manifestação da Graça, o povo de Deus precisava ver profeticamente a salvação através da Lei, nos sacrifícios, nas ofertas, nos rituais. Isto, naturalmente, não era nada fácil e poucos conseguiam este discernimento, sendo portanto uma realidade o sentir-se “habitando na região da sombra da morte”, região de trevas, onde não há a luz da verdade.

    v.2b - “Viu grande luz, sobre eles resplandeceu a luz” – que coisa melhor pode haver para quem está perdido em meio a trevas do que ver grande luz? Em linguagem profética e espiritual, luz é revelação. Jesus, o Messias profetizado em Isaías, é a nossa LUZ, a nossa SALVAÇÃO, revelada por Deus, o Pai. E esta luz tem resplandecido, brilhado, sobre eles (povo judeu) e sobre todos que pela graça e pela fé, crêem e confessam que Jesus é o Filho de Deus! Em João 8.12, Jesus diz: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.” (salvação vista e experimentada!). Fica fácil perceber porque se usa tanta luz no Natal, não é mesmo? Embora talvez as pessoas não tenham plena consciência disto.

    v.6a - “um menino nos nasceu” – fala profeticamente da perfeita humanidade de Jesus, com aproximadamente 600 anos de antecedência.

    v.6b - “um filho se nos deu” – o Deus Pai, DEU o seu unigênito FILHO (perfeito Deus) para nossa salvação!

    v.6c - “e o seu nome será” – nome é identidade, fala de caráter. Características:

    Maravilhoso: aquele que opera maravilhas (milagres portentosos, sobrenaturais), só Deus!

    Conselheiro: aquele que tem o Espírito de Conselho, de Deus, não espírito humano, não é conselho de psicologia.

    Deus Forte: o “Todo Poderoso” o “El Shadai”, aquele que é a nossa Fortaleza!

    Pai da Eternidade: Pai é progenitor, que gera vida e aqui gera vida eterna, é o único que tem esta condição!

    Príncipe da Paz: Príncipe é o mesmo que principal. Jesus, o Messias prometido, é o principal da paz. Portanto fora de Jesus não há verdadeira paz. É por isto que o povo de Deus se cumprimenta com a Paz do Senhor, do Príncipe da Paz!

    É importantíssimo que nós, povo do Senhor, servos e servas do Senhor, nos lembremos e comemoremos o nascimento de Jesus, com muito louvor e adoração, com discernimento, sabendo que um grande número de pessoas comemora, come muito, bebe muito, se diverte muito, troca muitos presentes, mas não serve ao Senhor Jesus com a sua vida, nem tem Jesus como seu Senhor e Salvador!

    Finalizando, cumpre declarar que o Evangelho, Boas Novas, de Jesus, o Messias, salva, cura, liberta, transforma e batiza com o Espírito Santo, progressivamente e isto precisa ser uma realidade em nossas vidas! Amém!

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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

    NÃO TEMAS PORQUE A TUA ORAÇÃO FOI OUVIDA

    12 dez 2014   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    “NÃO TEMAS PORQUE A TUA ORAÇÃO FOI OUVIDA”

    (Lucas 1.13)

    O chamado “Período Interbíblico”, que durou cerca de quatrocentos anos, corresponde ao tempo que separa o Antigo Testamento do Novo. Foram quatrocentos anos de silêncio profético da parte de Deus, que não se manifestou ao seu povo, como era comum, através dos seus profetas, que recebiam da parte Deus revelações, sonhos, visões, palavra profética e orientações. Durante todo este tempo deviam observar, com todo zelo, o que Deus já havia orientado, observando e cumprindo rigorosamente os rituais. Com isto a religião judaica tornou-se extremamente fria, formal e vazia de Deus.

    Este silêncio só foi quebrado com o anúncio da concepção de João Batista, quando o arcanjo Gabriel, pessoalmente, se manifestou no Santuário (Santo Lugar), ao lado do Altar do Incenso, aparecendo ao sacerdote Zacarias, já idoso, e lhe anuncia que “sua oração foi atendida”!

    Aqui cabem algumas observações:

    1. No plano de Deus, primeiro nasceria alguém, seis meses antes de Jesus, forte, determinado, profeta, com a mesma unção e capacitação de Elias, capaz de preparar o caminho do Senhor, com mensagens duras de arrependimento e batismo no rio Jordão como confirmação de um arrependimento verdadeiro.
    2. Quando se pensa numa criança com esta vocação acima citada, logo nos vem à mente um casal de jovens, fortes, bonitos, saudáveis, a serem escolhidos, quem sabe até através de um concurso.
    3. Mas Deus escolhe um casal de idosos, sendo a esposa estéril desde a sua mocidade e o esposo já sem o vigor necessário para a procriação. Seriam, em termos humanos, o anti-casal!
    4. Entretanto Lucas declara que ambos eram justos diante de Deus, que viviam de maneira irrepreensível em relação aos mandamentos do Senhor e oraram muito pedindo um filho a Deus. Já tinham uma forte ligação com Deus. O filho não veio no tempo que eles queriam, mas quando chegou o “tempo de Deus”, um Arcanjo foi enviado para dizer “sua oração”, sim, aquela oração antiga, muitas vezes repetida à exaustão, foi ouvida! Chegou a sua vez! Não importam as circunstâncias mesmo! Deus faz tudo novo em perfeito funcionamento. E o Arcanjo acrescentou: vai haver prazer e alegria!
    5. E o casal jovem, que seria o mais indicado? A verdade é que não foram encontrados jovens dos quais se pudesse declarar que fossem justos diante de Deus, irrepreensíveis e de oração!

    Seis meses depois deste encontro entre o Arcanjo Gabriel e Zacarias, o Arcanjo volta em outra missão profética. Desta vez o encontro era com Maria, uma jovem ainda adolescente, noiva de um jovem carpinteiro e virgem. O Arcanjo a saudou declarando:

    “O Senhor é contigo!” A mensagem profética sobre o nascimento de Jesus é bastante conhecida. Mas a escolha de Deus recai agora sobre um casal de noivos, inexperientes e que ficam perplexos quando descobrem o plano de Deus para suas vidas.

    Depois de quatrocentos anos de silêncio, Deus volta a se manifestar ao seu povo de maneira maravilhosa, através do Arcanjo Gabriel, enviado especialmente para mostrar que Deus escolhe quem lhe apraz, não importando qualquer circunstância; que Deus cumpre os seus propósitos e que o melhor para o povo de Deus é viver na dispensação da Sua graça, ouvindo e discernindo a voz do Senhor!

    Portanto Natal não trata somente do nascimento de Jesus, mas trata também da restauração do relacionamento profético entre Deus e o seu povo! Amém!

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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

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