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    Vazio e Silêncio

    8 abr 2014   //   por   //   Colunas  //  Sem comentários

    Já reparou como a ausência nos incomoda? A falta de respostas, o silêncio, o escuro.

    Podemos até tentar racionalizar e propor justificativas para isso, mas a verdade é que gostamos das coisas claras e previsíveis porque elas nos dão a falsa sensação de controle e segurança.

    O compositor estadunidense John Cage (1912-1992) provocou o público ao apresentar sua obra mais famosa 4’33’’ – popularmente conhecida como “quatro minutos e meio de silêncio” – composta por três movimentos, o músico fica em posição de execução mas não toca nenhuma nota em seu instrumento. A “música” seria então o conjunto de sons do ambiente, captadas pelo público.

    Você pode ver o vídeo dessa apresentação [que está disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=zY7UK-6aaNA] ao que notará as reações da plateia, e talvez o seu próprio desconforto.

    Esse desconforto nos alcança em outros contextos também. Sabe aquele momento em que nos sentimos sozinhos e desamparados? Aquele instante em que tudo ao nosso redor parece fugir, correr para longe, e o frio começa a se aproximar?

    Talvez não seja um vazio físico: há pessoas à sua volta, há ruídos por todos os lados. Estou falando de uma ausência quietinha lá dentro da gente. Como se faltasse um pedacinho.

    É comum que nessa hora achemos, erroneamente, que Deus se esqueceu de nós.

    Como o salmista que anseia pelo fim do silêncio: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? […] Clamo de dia, e não me respondes.” (Salmos 22: 1-2)

    Não sei se você também já se sentiu assim. Talvez sejam perguntas sem respostas. Um sonho ainda não realizado. Uma oração não atendida. Ou talvez nem mesmo você saiba o motivo dessa falta de sentidos.

    Como uma criança pequena, você fica nas pontas dos pés e se estica tentando alcançar uma resposta. Mas parece não haver nada ali, além dos seus próprios pensamentos.

    E porque você não sabe o que fazer, pensa que Ele também não sabe.

    No entanto, nada pode estar mais errado do que isso!

    A aparência da coisa, não pode ser confundida com a própria coisa: você pode parecer estar sozinho, o vazio pode parecer te dominar, mas nada disso é tão real quanto a doce presença do nosso querido Pai celestial.

    Elias pensou que estava sozinho (I Reis 19: 1-18).

    Agar pensou que estava sem água (Gênesis 21: 14-20)

    Ana pensou que seu pedido não estava sendo ouvido (I Samuel 1: 1-28)

    Mas eles nunca estiveram tão enganados!

    O Deus que tudo vê pode parecer calado ou inerte, mas tenha certeza: não estamos desamparados.

    Ele está trabalhando. E sabe o que está fazendo!

    Deus não se esquece de você, nem por um milésimo de segundo.

    O vazio é exatamente o espaço necessário para que se possa encher.

    Tenha certeza que Ele está agindo, mesmo que pareça calado.

    Eu sei que você gostaria de ouvir a voz de Deus nesse momento, mas confie.

    A suave melodia de sua existência está sendo composta pelo Grande Maestro.

    Do silêncio também se faz música. E a pausa é parte de toda bela canção.

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