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    VAMOS MUDAR?

    24 ago 2015   //   por   //   Colunas  //  Sem comentários

    Toda mudança traz renovação: trocar de casa, de carro, enfim, trocar o velho pelo novo é muito bom. Morava com meus pais, avós e tios em uma casa espaçosa, com quintal, frutas, pomar, animais, jardim. Era uma vila de casas, que hoje chamaríamos de condomínio.

    Lá, eu andava de bicicleta, plantava, colhia frutas no pé e comia. Um belo dia, meus pais se mudaram comigo e minha irmã para uma casa pequena, sem espaço, sem jardim. Tudo era diferente, mas como era novidade, até o cheiro de tinta me agradava. O novo me encantava.

    Eu era criança e não media as consequências de mudar de escola, de amigos, enfim, nada me incomodava. Houve, porém, um episódio que me marcou para sempre: eu estudava em escola pública e justamente no ano da mudança, o exame foi único. Ao responder à pergunta se sabia o que era Leopoldina Railway, respondi que era a mulher de Dom Pedro. Não sabia inglês e não tinha a menor noção de que era uma estrada de ferro. Por 1 décimo, repeti a série na nova escola do novo bairro. Quando estava habituada à escola e aos colegas, a professora faltou e a diretora foi substituí-la. Fez perguntas aos alunos e eu respondi a todas. Achou, então, que eu deveria ir para uma turma mais adiantada. Cheguei em casa aos prantos e pedi a minha mãe para dizer que eu não queria. É que, ao ficar mais velha, veio o medo de mudar. Sofri quando mudei de cidade, para um apartamento. Morava em Niterói e vir para Copacabana era o sonho de muita gente. E eu, que gosto tanto de praia, fiquei triste mesmo assim. Até hoje, quero mudar tantas coisas e não consigo, pois o medo de não dar certo me assusta. Se Deus me disser: – Ide, serei capaz de dizer: – Eis-me aqui? Ele pode ter planos maravilhosos para minha vida e eu rejeitar.

    Certa vez, ouvi um sermão do Pastor Júnior Faleiro a respeito disso. Mudar significa sair da zona de conforto, seja ela boa ou ruim. Quantas vezes, vivemos uma situação desconfortável, mas não ousamos mudar? Assim foi com Moisés, disse o Pastor. E eu, que estou acompanhando Os Dez Mandamentos, senti como se estivesse lá com Moisés, que sofreu preconceito, perseguição e agora, estava mais feliz como pastor de ovelhas que como príncipe no Egito. Ele se preocupava com sua família, seu povo, mas estava acomodado ao lado da mulher e filhos. Até que Deus falou com ele para voltar ao Egito e libertar o seu povo, que vivia na escravidão. Ele teve uma reação e, a princípio, tentou rejeitar a ideia, achando que não seria capaz de tal missão. Mesmo sabendo que o faraó que queria matá-lo não vivia mais, tremeu diante da ideia. Ele, que se sentia incapaz de se expressar para muita gente e não convivia com esse povo. Só quando entendeu que um cajado podia ter mais poder que um cetro e que o poder de Deus era mais forte que o de qualquer rei, aceitou a ideia, principalmente ao saber que seu irmão iria junto com ele falar com o povo. Este, sim, convivia com os hebreus e se entendia bem com eles. Já Moisés, habituado a viver no palácio e mais
    tarde, como pastor de ovelhas, não ousava sequer pensar em voltar ao Egito, principalmente com a missão de libertar o povo. Mas, conduzido por Deus, adquiriu a coragem necessária e lá se foi. O resto da história todos já sabem, não? Para os que não sabem, aconselho ler a Bíblia. E que Deus nos dê a coragem suficiente para mudar o que precisa ser mudado para levarmos a vida mais de acordo com a vontade dEle, para nossa vocação (vocação vem do latim vocare= chamado):

    “Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Filipen-ses; 3.13-14).

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    Neize Tavares é membro da Catedral, vice presidente da SMMulheres, integrante do Ministério de Comunicação e Memória e Profa de Francês e Português.

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