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    Um lugar pra descansar… ainda há esperança!

    30 mar 2015   //   por   //   Colunas  //  Sem comentários

    Esta semana estava conversando com uma amiga muito querida e, ao nos despedirmos, como era meu término de horário de trabalho e o dela também, desejei que seu retorno fosse tranquilo e que ela conseguisse, na condução até em casa, um lugar para sentar. Eu sabia que era horário de rush e que meu desejo era, se não difícil, quase impossível. Mas mesmo assim, desejei e falei. Ela na hora me disse que sempre pede a Deus que, na sexta-feira, consiga fazer isso, pois o cansaço da semana toda parece se acumular naquele dia que antecede o fim de semana tão desejado por milhares de trabalhadores em todo o mundo! Mas ainda era quarta-feira…

    Qual não foi minha surpresa quando, no dia seguinte, minha amiga me fez uma visita rápida na hora do almoço e, chorando de alegria numa presença tão bonita de Deus, contou-me que tinha conseguido sentar, pois um lugar estava disponível. Sua emoção encheu meu coração de alegria, pois meu desejo fora atendido, mas também de uma esperança de que ainda existe muita gente que se parece tanto com Jesus. Aquela flor – os que me conhecem, sabem que chamo assim as pessoas que me são queridas – estava ali emocionada não porque conseguira um carro do ano, uma casa nova, um casamento feliz, um emprego em que teria o dobro de salário.

    Aquela flor do jardim, amiga de quem passei a ter mais respeito e mais orgulho de ser amiga, conseguira sentar no trem às cinco e meia da tarde de uma quarta-feira e voltar pra casa com menos dor no joelho e aliviada um pouco do cansaço de um dia de trabalho!

    Eu me pus a pensar que Jesus não tinha onde reclinar a cabeça… que sempre andava a pé entre a Judeia e a Galileia encontrando gente simples, gente com problemas, gente acabrunhada, mas sempre tinha um desejo bom e uma palavra boa para todos. Mesmo andando no sol quente do meio-dia em plena Samaria e cheio de sede, parou ao lado de um poço (mas não tinha um copinho pra pegar água!), conversou com uma mulher com quem ninguém queria conversar e curou a sua alma, elevou sua autoestima e deu vez e voz àquela que não falava com ninguém. E aproveitando que estamos na semana do Domingo de Ramos, acabo de me dar conta que aquele domingo foi o único dia em que Jesus não andou a pé: ele montou num jumento e teve um lugar pra sentar enquanto se locomovia pra entrar em Jerusalém, o lugar da paz (Yerushalaim) – assim como minha amiga teve um lugar pra sentar e pode ir pra sua casa, seu lugar de paz e descansar pra começar tudo de novo no dia seguinte.

    A esperança a que me refiro no título, querido leitor, é o profundo sentimento que foi mais uma vez alimentado depois desta experiência nesta semana. Esperança em um Jesus que está e é tão próximo de nós se aprendermos a ler sua vida nos evangelhos com um sorriso no rosto e uma vontade boa no coração de sermos mais humanos – tão humanos quanto ele foi!

    Esperança em uma gente que agradece e se emociona por aquilo que pode parecer tão pouco, mas que traz um sentimento e uma consciência desse Jesus tão próximo e de um Deus que é pai e cuida. Não que ele não cuidasse dos outros que foram em pé no trem, mas pelo momento especial que proporcionou à minha amiga querida. Quanta gente apertava Jesus no caminho da casa de Jairo, quando ele se direcionava pra lá a fim de ir curar sua filhinha? E aquela mulher dentre a multidão o tocou com tamanha fé… o resto da história você já sabe…

    Que este Jesus que andava a pé e se compadecia do sofrido esteja hoje em nosso coração.

    E que o sintamos tão pertinho que possamos louvá-lo, esteja a condução cheia ou vazia, estejamos nós em pé ou sentados, em um carro de luxo ou no lombo de um jumento.

    No Deus eterno que se fez carne em Jesus só porque me amou e te amou.

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    Alessandra Viegas, membro da Catedral, é professora, Coordenadora de Ensino e Capacitação e professora da Escola Dominical.

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