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    Sobre milagres e fé

    17 abr 2015   //   por   //   Colunas  //  Sem comentários

    O que são milagres? “Milagres são coisas admiráveis”, diria o filósofo Voltaire: “A ordem prodigiosa da natureza, a rotação dos planetas, a atividade da luz, a vida dos animais, constituem perpétuos milagres”.

    No dicionário, a definição aparece exatamente oposta: “milagres são fatos sobrenaturais, que contrariam as Leis da Natureza”.

    Na Bíblia, os milagres são apresentados de várias maneiras: na estéril que pôde ter um filho; em um cego que voltou a ver; em uma mulher curada ao tocar as vestes de Cristo; em mortos sendo ressuscitados.

    Desde sempre, aprendemos e classificamos como milagres aqueles eventos grandiosos, que muitos de nós nunca presenciamos, e que fogem às regras da lógica humana. Nesse sentido, milagre é tudo aquilo que está totalmente fora do meu alcance, é tudo aquilo que só pode ser realizado por uma força externa a mim, uma força divina e sobrenatural, que age em meu favor.

    Muitas pessoas tentam contestar a fé cristã apresentando “provas e argumentos” racionais que justificariam determinados acontecimentos, procurando desvalorizar assim o caráter sobrenatural do ocorrido. Teorias para explicar a abertura do Mar Vermelho, o sol parado no centro do céu, o grande peixe que engole um homem vivo.

    Não sei a que conclusão chegarão os cientistas, mas para mim, seja um fenômeno natural ou não, o simples fato de ter acontecido para as pessoas certas, na hora certa, no local certo, só por isso, já seria um milagre!

    E assim, ao observarmos nosso simples cotidiano, poderíamos ver uma infinidade de pequenos milagres acontecendo: o ônibus que passou a centímetros do pedestre e por pouco não causou um grande acidente; a médica que conseguiu socorrer uma paciente a tempo de salvar sua vida; o trânsito que incrivelmente colaborou para que você não chegasse atrasado a um evento de grande importância. Pequenos milagres cotidianos. Todos acontecidos sem que o indivíduo pudesse ter controle. Para além da sua vontade ou possibilidade de ação.

    Pode até ser algo pequeno e insignificante para quem vê de fora, mas para quem vive aquele momento de incerteza, e pode presenciar a solução, certamente um milagre divino foi visto, sentido, vivido.

    Deus é perito em realizar milagres. E quer saber uma coisa curiosa? Ele disse que poderíamos fazer também: “Aquele que crê em mim, obras ainda maiores fará…” (João 14:12) “Eis que vos dou poder…” (Lucas 10:13).

    Não sei se você conseguirá fazer o sol parar, ou secar a Baía de Guanabara. Não sei se você vai presenciar um defunto ressuscitar. Mas sei que é um milagre quando uma alma deprimida encontra consolo num abraço amigo. Sei que é um milagre quando uma família que via seus filhos famintos, recebe uma cesta básica. Sei que é um milagre quando uma mãe desesperada, encontra abrigo na casa de um irmão.

    Pequenos atos de amor, grandes milagres divinos.

    Ao seu alcance. Ao meu alcance. Eu e você, instrumentos para a realização dos milagres que Deus quer operar.

    “E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro” quando pessoas se disponibilizarem a fazer a tradução na Língua de Sinais. “E dentre a escuridão e dentre as trevas os olhos dos cegos as verão” por meio daqueles que se dispõem a narrar e descrever o mundo por meio de palavras.

    Os astros, a Terra, os fenômenos da natureza, nem sempre precisam sair de suas órbitas ou rotina. Tem milagres que podem ser realizados apenas com um sorriso e um olhar atento.

    Porque no final das contas, milagres são feitos de pessoas também: a todo instante, quando a coisa certa, acontece para a pessoa certa, na hora certa.

    Então, meu amigo, faço um desafio e um convite a você: permita-se observar os inúmeros pequenos milagres que acontecem à sua volta, permita-se ser grato por cada um deles, e permita-se ser usado como instrumento de Deus na realização de inúmeros outros pequenos milagres de amor.

    Amém!

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    Rachel Colacique, professora, paulista e corintiana – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro, faz parte da diretoria da sociedade de jovens e secretária distrital da Federação de Jovens 1a RE – distrito do Catete.

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