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    Quando uma interpretação errada põe tudo a perder

    13 abr 2015   //   por   //   Colunas  //  Sem comentários

    Números 13

    No livro de Êxodo encontramos a narrativa de quando Deus tirou o seu povo da terra do Egito.

    Primeiro Ele levantou Moisés e Arão como líderes e então enviou dez pragas, sendo que a décima foi a definitiva: a morte dos primogênitos. Os judeus desde este momento, todos os anos, no mundo inteiro, comemoram esta vitória com a celebração da Páscoa. É dia de muita alegria em todos os lares. Cumpre observar que muitas Igrejas Cristãs Evangélicas estão também participando desta festa adaptando o ritual onde se faz necessário.

    Na sequência do texto bíblico vem a perseguição de Faraó, a abertura do Mar Vermelho, o povo passando para o outro lado a pé enxuto, o mar se fechando e Faraó com seu exército perecendo nas águas revoltas. Três dias de caminhada e chegam ao Monte Sinai onde permanecem por onze meses. Os acontecimentos deste período estão narrados de Êxodo 20 até o final do livro de Levítico. Passado esse período Deus orienta Moisés que levante um homem representante de cada tribo formando um grupo de 12 espias que deveriam ir até a terra prometida para observar tudo o que fosse possível, nos mínimos detalhes, fazendo então um relatório na presença de todo o povo.

    Eles levaram 40 dias para ir e voltar. O relatório dos 12 era muito parecido no seu conteúdo, com observações muito interessantes. A terra era realmente muito boa, manava mesmo leite e mel, e os frutos, nunca tinham visto nada igual. Trouxeram amostra do que puderam, inclusive um cacho de uva carregado por dois homens com ajuda de um tronco de árvore. Mas era terra de gigantes enormes. Disseram que se viam como gafanhotos diante daqueles homens. Dez dos doze espias não estavam preparados para ver o que viram e além de ficarem apavorados, amedrontados, acovardados, tiraram conclusões erradas, dizendo que seriam totalmente destruídos com suas famílias. Desta forma, contaminaram todo o povo, pois em nenhum momento se lembraram do poder de Deus, do seu amor e cuidado, dos grandes livramentos que Ele já havia dado ao seu povo, especialmente na passagem do Mar Vermelho.

    Quando Josué e Calebe conseguiram falar – e eles tinham a palavra certa, coerente, vitoriosa, a palavra que Deus queria que fosse considerada – não foram ouvidos, mas tidos como loucos. Então a situação ficou fora de controle e, o que é pior, o povo começou a murmurar contra Moisés, Arão e contra Deus. Três coisas aborrecem profundamente o nosso Deus: a murmuração, a desobediência e a idolatria! Deus ficou irado e por pouco o povo não foi totalmente consumido. A caminhada que estava próxima do fim, pois em poucas semanas estariam entrando em Canaã, ficou prejudicada. Então Deus disse a Moisés: com exceção de Josué e Calebe, que permaneceram fiéis, ninguém mais, dos que saíram do Egito, entrará na Terra Prometida, mas andarão pelo deserto pelo tempo necessário até que uma nova geração seja levantada. Quando os espias foram enviados, foi feita a contagem que indicou 600 mil homens. Quando chegasse novamente a este número com a nova geração, então estariam prontos para entrar em Canaã. A narrativa bíblica deste período está no livro de Números.

    A pergunta é: o que isto tem a ver com a nossa vida espiritual/religiosa nestes dias?

    Em primeiro lugar, em termos simbólicos, nós também saímos do mundo (Egito). Em segundo lugar, escravidão e opressão ficaram para trás! Terceiro, estamos numa caminhada abençoada para a Terra Prometida, a Canaã Celestial. Muitas experiências que o povo de Deus viveu no passado, estão sendo vividas por nós também. Jesus é o caminho! Muitas coisas poderiam ser aqui lembradas, mas vamos nos ater a missão dos doze espias.

    São doze tribos, todos descendentes de Jacó. Entretanto, cada tribo tem a sua característica específica, mas todos são o Povo de Deus com a principal missão de mostrar ao mundo que o nosso Deus é o Deus Único e Verdadeiro! John Wesley criou uma frase interessante: “No não essencial, liberdade; no essencial, unidade e em tudo, caridade ou amor”. O povo de Deus não é marionete ou um robozinho, mas sim um povo esclarecido, com opiniões próprias, com sabedoria e discernimento e também humildade e obediência a Deus e à liderança.

    Quando participamos de algum grupo, ministério e outros, somos todos de um mesmo time, vestimos a mesma camisa e chutamos para o mesmo gol. Podemos discordar até chegar a um denominador comum, a um consenso, mas jamais podemos murmurar e desobedecer a Deus e a liderança!

    No caso dos 12 espias, a rejeição, murmuração, etc, trouxeram consequências drásticas para todos. Além disso, não temos que nos sentir “como gafanhotos” diante dos problemas ou diante de alguém que aparenta ser muito mais do que nós. Deus deu a Davi uma estratégia para lutar contra Golias: não se envolver numa luta braço a braço (ele seria esmagado!). Mas lutar à distância usando sua experiência com a funda, foi tiro e queda!

    Não há o que temer! Não somos inferiores a ninguém, e além do mais, Deus está conosco!

    Deus seja louvado.

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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

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