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    Sobre milagres e fé

    17 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    O que são milagres? “Milagres são coisas admiráveis”, diria o filósofo Voltaire: “A ordem prodigiosa da natureza, a rotação dos planetas, a atividade da luz, a vida dos animais, constituem perpétuos milagres”.

    No dicionário, a definição aparece exatamente oposta: “milagres são fatos sobrenaturais, que contrariam as Leis da Natureza”.

    Na Bíblia, os milagres são apresentados de várias maneiras: na estéril que pôde ter um filho; em um cego que voltou a ver; em uma mulher curada ao tocar as vestes de Cristo; em mortos sendo ressuscitados.

    Desde sempre, aprendemos e classificamos como milagres aqueles eventos grandiosos, que muitos de nós nunca presenciamos, e que fogem às regras da lógica humana. Nesse sentido, milagre é tudo aquilo que está totalmente fora do meu alcance, é tudo aquilo que só pode ser realizado por uma força externa a mim, uma força divina e sobrenatural, que age em meu favor.

    Muitas pessoas tentam contestar a fé cristã apresentando “provas e argumentos” racionais que justificariam determinados acontecimentos, procurando desvalorizar assim o caráter sobrenatural do ocorrido. Teorias para explicar a abertura do Mar Vermelho, o sol parado no centro do céu, o grande peixe que engole um homem vivo.

    Não sei a que conclusão chegarão os cientistas, mas para mim, seja um fenômeno natural ou não, o simples fato de ter acontecido para as pessoas certas, na hora certa, no local certo, só por isso, já seria um milagre!

    E assim, ao observarmos nosso simples cotidiano, poderíamos ver uma infinidade de pequenos milagres acontecendo: o ônibus que passou a centímetros do pedestre e por pouco não causou um grande acidente; a médica que conseguiu socorrer uma paciente a tempo de salvar sua vida; o trânsito que incrivelmente colaborou para que você não chegasse atrasado a um evento de grande importância. Pequenos milagres cotidianos. Todos acontecidos sem que o indivíduo pudesse ter controle. Para além da sua vontade ou possibilidade de ação.

    Pode até ser algo pequeno e insignificante para quem vê de fora, mas para quem vive aquele momento de incerteza, e pode presenciar a solução, certamente um milagre divino foi visto, sentido, vivido.

    Deus é perito em realizar milagres. E quer saber uma coisa curiosa? Ele disse que poderíamos fazer também: “Aquele que crê em mim, obras ainda maiores fará…” (João 14:12) “Eis que vos dou poder…” (Lucas 10:13).

    Não sei se você conseguirá fazer o sol parar, ou secar a Baía de Guanabara. Não sei se você vai presenciar um defunto ressuscitar. Mas sei que é um milagre quando uma alma deprimida encontra consolo num abraço amigo. Sei que é um milagre quando uma família que via seus filhos famintos, recebe uma cesta básica. Sei que é um milagre quando uma mãe desesperada, encontra abrigo na casa de um irmão.

    Pequenos atos de amor, grandes milagres divinos.

    Ao seu alcance. Ao meu alcance. Eu e você, instrumentos para a realização dos milagres que Deus quer operar.

    “E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro” quando pessoas se disponibilizarem a fazer a tradução na Língua de Sinais. “E dentre a escuridão e dentre as trevas os olhos dos cegos as verão” por meio daqueles que se dispõem a narrar e descrever o mundo por meio de palavras.

    Os astros, a Terra, os fenômenos da natureza, nem sempre precisam sair de suas órbitas ou rotina. Tem milagres que podem ser realizados apenas com um sorriso e um olhar atento.

    Porque no final das contas, milagres são feitos de pessoas também: a todo instante, quando a coisa certa, acontece para a pessoa certa, na hora certa.

    Então, meu amigo, faço um desafio e um convite a você: permita-se observar os inúmeros pequenos milagres que acontecem à sua volta, permita-se ser grato por cada um deles, e permita-se ser usado como instrumento de Deus na realização de inúmeros outros pequenos milagres de amor.

    Amém!

    _ _

    Rachel Colacique, professora, paulista e corintiana – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro, faz parte da diretoria da sociedade de jovens e secretária distrital da Federação de Jovens 1a RE – distrito do Catete.

    O Contrabandista de Deus – 7ª Parte

    17 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Controle de bagagem: nada a declarar

    Ali estava eu, com o porta-malas de meu fusca literalmente transbordando de folhetos, Bíblias e porções bíblicas. Como é que eu iria passar pela guarda da fronteira iugoslava com esse material na bagagem? Se me pegassem com o material, eu seria preso imediatamente.

    Só Deus poderia resolver aquela situação.

    Movido por esse próprio Deus, orei. 7_Cronica_AGO_2013_02

    “Senhor, na minha bagagem há Escrituras que desejo levar para os teus filhos, que estão do outro lado dessa fronteira. Quando estiveste na terra, fizeste os olhos dos cegos ver. Agora eu peço: faze com que os olhos dos que veem fiquem cegos. Não deixes os guardas verem as coisas que tu não queres que eles vejam”.

    Assim, armado com essa oração, dei a partida no carro. Partimos corajosos, eu, meu fusca e centenas de textos bíblicos em direção aos guardas comunistas da alfândega.

    7_Cronica_AGO_2013_06

    Cegos!

    Eles se aproximaram e olharam com estranheza o meu passaporte. Eu devia ser o primeiro holandês que eles viam na vida.

    Ou talvez aquele fosse o primeiro fusca que eles viam, porque resolveram vasculhar o carro. Remexeram em tudo: abriram a minha mala, na qual poucas camisas escondiam uma pilha enorme de folhetos. Abriram o porta-malas. Espiaram dentro do carro. Um deles me perguntou o que mais eu levava.

    Respondi que só pequenas coisas. Ele, então, fez um sinal para que eu fechasse a mala e me devolveu o passaporte.

    Em poucos minutos, entrei novamente na Cortina de Ferro. E poucos dias depois, entregava minha preciosa carga de Bíblias e material de evangelismo aos cristãos iugoslavos.

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    Quando uma interpretação errada põe tudo a perder

    13 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Números 13

    No livro de Êxodo encontramos a narrativa de quando Deus tirou o seu povo da terra do Egito.

    Primeiro Ele levantou Moisés e Arão como líderes e então enviou dez pragas, sendo que a décima foi a definitiva: a morte dos primogênitos. Os judeus desde este momento, todos os anos, no mundo inteiro, comemoram esta vitória com a celebração da Páscoa. É dia de muita alegria em todos os lares. Cumpre observar que muitas Igrejas Cristãs Evangélicas estão também participando desta festa adaptando o ritual onde se faz necessário.

    Na sequência do texto bíblico vem a perseguição de Faraó, a abertura do Mar Vermelho, o povo passando para o outro lado a pé enxuto, o mar se fechando e Faraó com seu exército perecendo nas águas revoltas. Três dias de caminhada e chegam ao Monte Sinai onde permanecem por onze meses. Os acontecimentos deste período estão narrados de Êxodo 20 até o final do livro de Levítico. Passado esse período Deus orienta Moisés que levante um homem representante de cada tribo formando um grupo de 12 espias que deveriam ir até a terra prometida para observar tudo o que fosse possível, nos mínimos detalhes, fazendo então um relatório na presença de todo o povo.

    Eles levaram 40 dias para ir e voltar. O relatório dos 12 era muito parecido no seu conteúdo, com observações muito interessantes. A terra era realmente muito boa, manava mesmo leite e mel, e os frutos, nunca tinham visto nada igual. Trouxeram amostra do que puderam, inclusive um cacho de uva carregado por dois homens com ajuda de um tronco de árvore. Mas era terra de gigantes enormes. Disseram que se viam como gafanhotos diante daqueles homens. Dez dos doze espias não estavam preparados para ver o que viram e além de ficarem apavorados, amedrontados, acovardados, tiraram conclusões erradas, dizendo que seriam totalmente destruídos com suas famílias. Desta forma, contaminaram todo o povo, pois em nenhum momento se lembraram do poder de Deus, do seu amor e cuidado, dos grandes livramentos que Ele já havia dado ao seu povo, especialmente na passagem do Mar Vermelho.

    Quando Josué e Calebe conseguiram falar – e eles tinham a palavra certa, coerente, vitoriosa, a palavra que Deus queria que fosse considerada – não foram ouvidos, mas tidos como loucos. Então a situação ficou fora de controle e, o que é pior, o povo começou a murmurar contra Moisés, Arão e contra Deus. Três coisas aborrecem profundamente o nosso Deus: a murmuração, a desobediência e a idolatria! Deus ficou irado e por pouco o povo não foi totalmente consumido. A caminhada que estava próxima do fim, pois em poucas semanas estariam entrando em Canaã, ficou prejudicada. Então Deus disse a Moisés: com exceção de Josué e Calebe, que permaneceram fiéis, ninguém mais, dos que saíram do Egito, entrará na Terra Prometida, mas andarão pelo deserto pelo tempo necessário até que uma nova geração seja levantada. Quando os espias foram enviados, foi feita a contagem que indicou 600 mil homens. Quando chegasse novamente a este número com a nova geração, então estariam prontos para entrar em Canaã. A narrativa bíblica deste período está no livro de Números.

    A pergunta é: o que isto tem a ver com a nossa vida espiritual/religiosa nestes dias?

    Em primeiro lugar, em termos simbólicos, nós também saímos do mundo (Egito). Em segundo lugar, escravidão e opressão ficaram para trás! Terceiro, estamos numa caminhada abençoada para a Terra Prometida, a Canaã Celestial. Muitas experiências que o povo de Deus viveu no passado, estão sendo vividas por nós também. Jesus é o caminho! Muitas coisas poderiam ser aqui lembradas, mas vamos nos ater a missão dos doze espias.

    São doze tribos, todos descendentes de Jacó. Entretanto, cada tribo tem a sua característica específica, mas todos são o Povo de Deus com a principal missão de mostrar ao mundo que o nosso Deus é o Deus Único e Verdadeiro! John Wesley criou uma frase interessante: “No não essencial, liberdade; no essencial, unidade e em tudo, caridade ou amor”. O povo de Deus não é marionete ou um robozinho, mas sim um povo esclarecido, com opiniões próprias, com sabedoria e discernimento e também humildade e obediência a Deus e à liderança.

    Quando participamos de algum grupo, ministério e outros, somos todos de um mesmo time, vestimos a mesma camisa e chutamos para o mesmo gol. Podemos discordar até chegar a um denominador comum, a um consenso, mas jamais podemos murmurar e desobedecer a Deus e a liderança!

    No caso dos 12 espias, a rejeição, murmuração, etc, trouxeram consequências drásticas para todos. Além disso, não temos que nos sentir “como gafanhotos” diante dos problemas ou diante de alguém que aparenta ser muito mais do que nós. Deus deu a Davi uma estratégia para lutar contra Golias: não se envolver numa luta braço a braço (ele seria esmagado!). Mas lutar à distância usando sua experiência com a funda, foi tiro e queda!

    Não há o que temer! Não somos inferiores a ninguém, e além do mais, Deus está conosco!

    Deus seja louvado.

    _ _

    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

    O Contrabandista de Deus – 6ª Parte

    10 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Você sabe dirigir?

    − André você sabe dirigir? − me perguntou o irmão Karl. − Ontem à noite, em nossa reunião de oração, recebemos uma palavra do Senhor a seu respeito. É importante que você aprenda a dirigir − concluiu ele.

    A ideia de aprender a dirigir pareceu-me tão remota, tão absurda, que nada fiz para colocá-la em prática. Eu ainda não tinha aprendido o quanto é importante obedecer. E essa é a maravilha da obediência: descobrir mais tarde o que Deus tinha em mente.

    Resolvi seguir as orientações que recebera de Deus. E dentro de um prazo que eu jamais poderia imaginar, tinha em mãos duas coisas praticamente impossíveis: uma carteira de habilitação e um visto no passaporte. Finalmente eu poderia entrar na Cortina de Ferro.

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    E o fusca azul entra em cena

    Mais do que depressa, liguei para o sr. Whestra, um irmão que intercedia constantemente por mim. “André, é melhor você vir pegar as chaves”, disse ele ao telefone, cheio de alegria. Eu imaginei que a ligação estivesse ruim e pedi a ele que repetisse o que havia dito. “As chaves do seu fusca!”, ele me respondeu em tom brincalhão.

    “Como poderá resolver os negócios do Senhor sem um carro? Eu e minha esposa estávamos orando e decidimos que se você conseguisse o visto, teria também um automóvel”.

    Naquela mesma tarde, com uma sensação mista de receio e alegria, fui com o sr. Whestra assinar os papéis. Eu me tornara proprietário de um belo fusca azul, quase novo.

    Peguei o fusca e fui visitar o irmão Karl. Ele sorriu, porém não demonstrou nenhuma surpresa.

    “Deus nos disse que você iria precisar também de uma soma especial em dinheiro, aqui está”, e colocou um envelope na minha mão. Era a quantia exata de que precisaria para a viagem.

    Assim, com o coração cheio de gratidão, despedi-me de todos e parti para a Cortina de Ferro.

     

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    O Contrabandista de Deus – 5ª Parte

    6 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    De volta para casa

    Era difícil voltar para casa depois do que eu via, ouvia e vivia em minhas viagens à Cortina de Ferro. Marcava-me o fato de os cristãos não terem acesso à Bíblia. Na minha segunda viagem, ao visitar uma igreja em Praga, observei que os cristãos traziam consigo cadernos. Eles copiavam o texto bíblico, e os hinos, assim compartilhavam com outros que não tinham esse privilégio.

    Constantemente me recordava das palavras do pastor dessa congregação: “Algumas vezes nos sentimos como se estivéssemos sozinhos em nossa luta”. Eu queria estar ali, sendo um com eles!

     

    contrabandista-5Uma carta inesperada 

    Porém, os meses que se seguiram pareciam ser de pura frustração. Voltar à Cortina de Ferro era extremamente difícil e burocrático. Dinheiro era um problema. Sentado, sozinho, com a carteira vazia diante de mim, ouvi novamente a voz de Deus: “Escreva os artigos de suas experiências para a revista Kracht Van Omhoog”.

    Fiquei perplexo com a ordem – eu não era um escritor. A revista havia me convidado para escrever para eles, e se propuseram a me pagar alguma quantia por isso, mas eu não respondera ao convite.

    Aquela ordem divina, porém, voltava com insistência. Então, em obediência, escrevi e enviei os artigos pelo correio juntamente com algumas fotografias. O editor agradeceu, mas não me enviou dinheiro. Resolvi esquecer o assunto.

    Então, certa manhã, chegou uma carta da revista. Ao lerem meus artigos, os leitores começaram a enviar dinheiro, valores pequenos, à editora, e o editor queria saber como me entregaria tal quantia. Assim começou uma extraordinária história de sustento. Na medida que as necessidades aumentavam, as contribuições aumentavam também.

     

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    LEVANTA-TE, TOMA O TEU LEITO E ANDA!

    6 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    O texto bíblico em Marcos 2:1-12 fala da cura de um paralítico. O verso 1 diz que “dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu (a notícia) que ele estava em casa.” O texto passa a nítida impressão de que Jesus gostava desta cidade como também de “estar em casa”. É muito provável que esta casa seja a casa da sogra de Pedro, um lugar muito especial onde Jesus se sentia como se estivesse na sua própria casa.

    Então surge a pergunta: será que Jesus gosta da nossa cidade? Se não temos certeza ou achamos que não, o que fazer para que Ele passe a gostar? Eu aprendi que na vida espiritual tudo começa com oração; não a oração repetitiva, genérica, sem alma, mas a oração específica, no Espírito, que intercede pelo prefeito, pelo vice, pelos secretários, pelos funcionários da Prefeitura, pelas autoridades, juízes, promotores, delegados, contra a prostituição, contra a violência, contra os vícios, contra a corrupção, a favor do progresso da cidade, pelas entradas da cidade e muito mais! A mesma pergunta pode ser feita em relação a nossa casa? Será que Jesus gosta da nossa casa, ao ponto de se sentir à vontade? O que fazer para que seja assim?

    O verso 2 diz que a notícia de que Jesus estava em casa correu rápido e muitos afluíram para lá e a casa ficou lotada de gente por dentro e por fora, e Jesus lhes anunciava a Palavra. Certamente haviam já experiências anteriores do povo daquela cidade com Jesus, e deviam ser experiências muito boas porque um número grande de pessoas se deslocou para ter com Jesus. Não havia nada organizado em termos de som, impressos, cartazes, convites, equipe de apoio, mas o povo foi para o lugar onde Jesus estava. Por quê? Porque Jesus era diferente dos outros pregadores; Ele não se promovia, mas anunciava a Palavra de Deus, com autoridade, com simplicidade, não para mostrar conhecimento, mas para transmitir conhecimento, falar de tal maneira que as pessoas entendam qual o plano de Deus para elas naquele momento. Além disto, havia, ainda, os sinais que acompanhavam a sua Palavra, principalmente cura e libertação.

    A narrativa dos versos 3 e 4 fala de quatro homens daquela cidade que gostariam de estar lá na casa mas foram em outra direção bem diferente da casa de Pedro.

    Certamente já tinham alguma experiência de cura com Jesus porque tinham certeza de que se conseguissem levar o amigo paralítico até Jesus, ele poderia ser totalmente curado. Não havia nada adequado para levar o doente até o lugar da reunião; resolveram leva-lo na própria cama. E assim saíram pelas ruas da cidade levando o amigo enfermo na própria cama, sem se importarem com que os outros pudessem falar. Chegando na casa, outro problema: como entrar com aquela cama na casa lotada de gente? Não tinha como! O normal seria desistirem da empreitada e dizerem para o amigo: “Olha, fizemos o que era possível, mas infelizmente não deu… fica pra próxima (haveria próxima?)”. Não! Não é isto que diz o texto. Os amigos não se entregaram à derrota, mas subiram ao terraço da casa, abriram uma passagem que coubesse a cama sem deixar o doente cair e desceram a cama com o auxilio de cordas, bem aonde Jesus estava. Isto é tremendo! A nossa experiência com Deus precisa gerar frutos, vidas que tem que ser levadas praticamente no colo até Jesus. Não podemos salvar, nem curar, nem libertar pessoas, mas Jesus pode e a nossa missão é levar as vidas até Ele, vencendo todos os desafios que se apresentarem. Se fizermos a nossa parte com fé e determinação, Jesus certamente fará a dele, que somente Ele pode fazer.

    Verso 5 – Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. Nossos atos podem demonstrar fé ou não, e é importante que mesmo sem palavras, as pessoas “vejam” a nossa fé. Pecados perdoados? – Oops! Pera aí! Mas não foi para isto que os quatro amigos tiveram tanto trabalho!

    Calma! Jesus sempre sabe o que está fazendo e nós temos que esperar nele! O verso 6 diz que havia alguns escribas assentados ali na casa prestando atenção a tudo. Eram fariseus e doutores da Lei. Não foram ali aprender nada, mas foram com o intuito de fiscalizar. Jesus sabia disto mas não deu importância porque agora havia chegado o momento deles serem confrontados com o Messias. Jesus declarar o perdão de pecados, para os fariseus e judeus, de modo geral, era uma blasfêmia (v. 7) gravíssima, que podia ser punida exemplarmente.

    No verso 8, Jesus demonstra aos fariseus que sabe o que eles estão pensando e no verso 9 faz a pergunta que eles jamais queriam ter ouvido: “Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: estão perdoados os teus pecados ou dizer: levanta-te, toma a tua cama e anda”? Para os escribas não havia escolha e Jesus nem dá tempo para eles pensarem numa resposta e no verso 10 diz: “Ora, para que vocês saibam que o Filho do Homem (Messias) tem toda autoridade sobre a terra para perdoar pecados, disse ao paralítico”: verso 11 – “Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para casa”. Verso 12 – “então o paralítico se levantou e, no mesmo instante, tomando o seu leito, retirou-se à vista de todos”.

    O Espírito Santo pode nos dar uma revelação ou palavra de conhecimento sobre o que as pessoas estão pensando e nós temos que ter sabedoria para usar isto da maneira certa e no momento certo. “Para que vocês saibam”. Contra fatos não há argumentos: Jesus se identifica como aquele que tem todo o poder e que o principal ou mais importante não é a cura, mas o perdão, e para que tomem conhecimento do poder de Deus que opera Nele, dá a ordem de cura e no mesmo instante aquele que foi perdoado se levanta e não só anda, mas carrega a sua cama de volta para casa e todos dão Glória a Deus!

    Concluindo:

    – Jesus gosta da nossa cidade?

    – Jesus gosta da nossa casa?

    – O povo está afluindo às nossas reuniões?

    – A Palavra de Deus é anunciada de maneira que as pessoas entendam?

    – Os sinais acompanham a Palavra?

    – Há vidas interessadas em apresentar seus amigos a Jesus para salvação, cura, libertação (ação missionária), dispostas a vencer todas as barreiras?

    – Está havendo perdão no nosso meio?

    – O nome de Jesus está sendo glorificado?

    – O povo está dando Glória a Deus?

    Amém!

    _ _

    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

     

    PÁSCOA: O novo e vivo caminho do discipulado

    2 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Há alguns anos, em visita à cidade de Londres, após participar de um pequeno circuito pelos principais marcos do metodismo histórico, percebi, com clareza, que o movimento de renovação espiritual que havia transformado a realidade sociocultural da Inglaterra do século XVIII, hoje, é apenas uma lembrança na memória de alguns religiosos anciãos e em placas alusivas em determinados logradouros londrinos. A pergunta que ecoa em nossas mentes e corações é: o que houve com o cristianismo, que em poucas décadas perdeu seu vigor e relevância? Por que a Europa já é considerada pós-cristã? John Stott, teó-logo e pastor anglicano, em seu livro Cristianismo Contemporâneo cita uma palestra ministrada a um grupo de estudantes ingleses de uma universidade euro-peia, na qual relata que, após um sincero diálogo, indagou-lhes quanto ao porquê de eles negarem a fé cristã. Os jovens responderam afirmando que não havia entre eles sentimentos de negação à fé, mas sim um questionamento profundo sobre a relevância do cristianismo. Para esses estudantes, o cristianismo sendo oriundo de um ambiente rural, datado do primeiro século de nossa era, pouquíssimo teria a acrescentar às gerações, filhas da modernidade, mergulhada na consciência das virtualidades. Dentro deste contexto, a indagação que ecoa, em nossas mentes e corações, é: como comunicar o Evangelho da Páscoa de tal forma que ele seja de vital relevância e significado, para uma sociedade globalizada e antropocêntrica que enxerga o cristianismo como uma fé e cultura arcaicas e instrumentalizadas para a alienação?

    Quando lemos e refle-timos sobre os últimos momentos da morte e ressurreição do Senhor Jesus, sobre como os discípulos reagiram diante de tais circunstâncias, torna-se nítida a pergunta que inquietava suas consciências: como agir e reagir diante de tudo o que estava acontecendo? O sentimento era de angústia, de vazio, de ausência paterna; na verdade, o de estarem perdidos no caminho da existência.

    Estariam eles convencidos de que o sepulcro na rocha havia silenciado e obscurecido as palavras e a vida de Jesus? A cruz os violentou de tal forma que os fez crer que a vida cristã é de fato irrelevante? Lucas relata com exatidão, acerca dos apóstolos que caminhavam em direção aos irmãos, a angústia de dois simples discípulos que ainda estavam aprisionados pelas cenas violentas da sexta-feira da paixão.

    Apesar de ser um belo entardecer de domingo, eles estavam acorrentados pelas lembranças das últimas horas. Angustiados, entristecidos, perdidos, retornando aos lugares do passado aminhavam em retorno a uma pequena vila perto de Jerusalém, chamada Emaús. Jesus se aproximou e passou a caminhar com eles, identificando-se com a dor que os angustiava e ouvindo relatos permeados de porquês. Durante o percurso da desilusão, Jesus passa a inquiri-los sobre os motivos de suas inquietações e, com paciência divina, ouve sobre as expectativas frustradas geradas por um evangelho distorcido em suas consciências. Após ouvi-los atentamente, o Jesus ressuscitado, ainda imperceptível para uma consciência plena de verdades religiosas cauterizadas, passa a expor o reino como caminho de graça e não como projeção política de natureza espiritual. Jesus os ensinou no caminho, no partir do pão que, como Igreja, ao propagarmos um “evangelho” comprometido com nossas ambições e anseios, no mínimo lhe agregamos frustrações. E, no caminho, este acaba tornando-se irrelevante para quem o ouve, e sem significado existencial para quem o acolhe. As Boas Novas, o Evangelho da graça, para ser relevante e de vital significado para o ser humano precisa resgatar o seu verdadeiro significado de vida plena oferecida na gratuidade do amor divino. O caminho do discipulado, a Páscoa do cordeiro, só frutifica à medida em que vivermos para o Evangelho pascal, abandonando o “evangelho” que nada mais é do que a projeção dos nossos sonhos e ambições. O discipulado do caminho de Emaús converge de fato para o amor de Cristo em nós e no próximo. Amor a Cristo não carrega bandeiras e flâmulas em favor ou defesa de algo ou alguém, mas é uma belíssima possibilidade para todo(a) aquele(a) que interioriza em seus corações e mentes o caminho, a verdade e a vida dentro de si. Jesus demonstrou que somente no caminho, partilhando o pão e compartilhando a graça, é que o Evangelho se torna relevante e discernido como vontade divina para a humanidade. “…Não nos ardia o coração quando ele falava, quando expunha as Escrituras?…” O discipulado leva-nos à compreensão de que sem o batismo do Espírito, sem coração aquecido, sem fogo no caminho, seremos apenas um ajuntamento de pessoas em torno de uma liturgia, esforçando-nos para vivermos uma doutrina sem vida. A Páscoa remete-nos para o domingo da ressurreição, para os áureos dias de Cristo na Galileia e em Jerusalém. É caminho de vida abundante que só pode gerar Pentecostes nos corações dos discípulos.

    Do seu pastor

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    Rev. Marcello Fraga

    O Contrabandista de Deus – 4ª Parte

    30 mar 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    “Sê vigilante e consolida o resto

    que estava para morrer…”

     

    Talvez você se pergunte, se uma igreja pode morrer. Infelizmente, ela pode extinguir-se em alguns lugares. A comunhão é um ingrediente essencial para o crescimento da Igreja.

    contrabandista-4_02Constantemente eu me recordava das palavras do pastor: “Queremos agradecer-lhe por estar aqui. Mesmo que você não tivesse falado nem uma só palavra, só o fato de vê-lo já teria significado muito. Algumas vezes nos sentimos como se estivéssemos sozinhos em nossa luta”.

    Eu nem conseguiria pregar um bom sermão, mas eu podia estar lá. E se estar lá era mais importante, eu decidi que a minha vida seria constituída de estar presente. 

    Mas, o que poderia fazer eu, uma pessoa só, sem fundos, sem patrocínio de alguma organização, contra uma força aparentemente invencível que parecia um gigante diante de mim? Como eu faria  para consolidar qualquer coisa? Só Deus poderia fazer isso!

    Voltei para casa, mas antes fui à Amsterdã visitar os Whetstra (um casal de irmãos que intercedia por mim e sempre me dava bons conselhos). Durante toda uma tarde contei-lhes como fora minha viagem e lhes falei, também, a respeito do versículo bíblico que me fora dado de forma tão estranha. Sobre como eu teria forças para fortalecer alguém.

    “E você não sabe que é exatamente quando estamos mais fracos que Deus pode nos usar melhor? Não é você, mas o Espírito Santo quem tem planos para o povo que vive detrás da ‘Cortina de Ferro’” disse-me a Sra. Whetstra com uma convicção contagiante que me encheu de paz.

    Não passara nem uma semana, desde o meu retorno para casa, quando os convites para falar sobre a viagem começaram a chegar e eu aceitei a todos… todos  queriam saber como era a vida atrás da ‘Cortina de Ferro’.

    “Você precisa viajar mais”, disse-me uma jovem líder da delegação holandesa em Varsóvia. “Você ainda não viu o suficiente, precisa conhecer mais da necessidade desses líderes, para falar mais. Estou encarregada de escolher 15 pessoas da Holanda para ir à Tchecoslováquia, você quer ir?”

    Retive a respiração. Seria a mão de Deus? Seria aquela a porta que se abriria a seguir, no seu segundo plano para mim? Decidi colocar a questão mais uma vez diante dEle, pois novamente eu não tinha recursos financeiros para ir.

    ‘Se queres que eu vá, Senhor, tu precisarás suprir os meios’ orei de forma relâmpago. Respondi a ela que sentia muito, mas, eu não tinha possibilidades de fazer uma viagem dessas. Ela ficou me olhando e então me disse: “para você não haverá despesas”

    Assim começou a minha segunda viagem e, quatro semanas depois eu encontrei a resposta que buscava: Os cristãos tchecos precisavam de ajuda! Pois não havia Bíblias e nem hinários e o governo praticamente exercia controle total sobre a Igreja. Ser cristão era antipatriótico. Os cristãos eram demitidos de seus empregos, e sofriam humilhação. Não se podia usar a palavra ‘pregar’. “A gente precisa ser cuidadoso com as palavras, você pode nos trazer ‘saudações’ do Senhor”, disse-me Antonin, um jovem estudante de medicina que se tornou meu intérprete. Então, primeiro eu trouxe saudações da Holanda, depois do Ocidente e finalmente ‘saudações de Jesus Cristo’ à congregação.contrabandista-4_01

    Cada visita que fiz ali foi memorável, mas a última antes de voltar à Holanda foi inesquecível, pois, foi nela que recebi o cálice do sofrimento. “Bem, quero lhe dizer oficialmente, senhor, que não é mais bem-vindo aqui. Se tentar entrar neste país outra vez, vai descobrir isso por si mesmo.” Disse-me um homem sinistro ao sair de um carro do governo que havia me seguido.

    Lembrei-me do distintivo de lapela que recebi de Antonin. “Quando as pessoas perguntarem o que é isso, conte-lhes a nosso respeito, e faça-os lembrar de que somos parte do corpo e que estamos sofrendo dores; este é o símbolo da Igreja da Thecoslováquia, significa o cálice do sofrimento.”

    Se um membro sofre, todos sofrem com ele… pensei citando I Coríntios. O cálice do sofrimento era o símbolo de uma realidade da qual eu precisava participar. E agora, o que eu faria?

     

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    Um lugar pra descansar… ainda há esperança!

    30 mar 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Esta semana estava conversando com uma amiga muito querida e, ao nos despedirmos, como era meu término de horário de trabalho e o dela também, desejei que seu retorno fosse tranquilo e que ela conseguisse, na condução até em casa, um lugar para sentar. Eu sabia que era horário de rush e que meu desejo era, se não difícil, quase impossível. Mas mesmo assim, desejei e falei. Ela na hora me disse que sempre pede a Deus que, na sexta-feira, consiga fazer isso, pois o cansaço da semana toda parece se acumular naquele dia que antecede o fim de semana tão desejado por milhares de trabalhadores em todo o mundo! Mas ainda era quarta-feira…

    Qual não foi minha surpresa quando, no dia seguinte, minha amiga me fez uma visita rápida na hora do almoço e, chorando de alegria numa presença tão bonita de Deus, contou-me que tinha conseguido sentar, pois um lugar estava disponível. Sua emoção encheu meu coração de alegria, pois meu desejo fora atendido, mas também de uma esperança de que ainda existe muita gente que se parece tanto com Jesus. Aquela flor – os que me conhecem, sabem que chamo assim as pessoas que me são queridas – estava ali emocionada não porque conseguira um carro do ano, uma casa nova, um casamento feliz, um emprego em que teria o dobro de salário.

    Aquela flor do jardim, amiga de quem passei a ter mais respeito e mais orgulho de ser amiga, conseguira sentar no trem às cinco e meia da tarde de uma quarta-feira e voltar pra casa com menos dor no joelho e aliviada um pouco do cansaço de um dia de trabalho!

    Eu me pus a pensar que Jesus não tinha onde reclinar a cabeça… que sempre andava a pé entre a Judeia e a Galileia encontrando gente simples, gente com problemas, gente acabrunhada, mas sempre tinha um desejo bom e uma palavra boa para todos. Mesmo andando no sol quente do meio-dia em plena Samaria e cheio de sede, parou ao lado de um poço (mas não tinha um copinho pra pegar água!), conversou com uma mulher com quem ninguém queria conversar e curou a sua alma, elevou sua autoestima e deu vez e voz àquela que não falava com ninguém. E aproveitando que estamos na semana do Domingo de Ramos, acabo de me dar conta que aquele domingo foi o único dia em que Jesus não andou a pé: ele montou num jumento e teve um lugar pra sentar enquanto se locomovia pra entrar em Jerusalém, o lugar da paz (Yerushalaim) – assim como minha amiga teve um lugar pra sentar e pode ir pra sua casa, seu lugar de paz e descansar pra começar tudo de novo no dia seguinte.

    A esperança a que me refiro no título, querido leitor, é o profundo sentimento que foi mais uma vez alimentado depois desta experiência nesta semana. Esperança em um Jesus que está e é tão próximo de nós se aprendermos a ler sua vida nos evangelhos com um sorriso no rosto e uma vontade boa no coração de sermos mais humanos – tão humanos quanto ele foi!

    Esperança em uma gente que agradece e se emociona por aquilo que pode parecer tão pouco, mas que traz um sentimento e uma consciência desse Jesus tão próximo e de um Deus que é pai e cuida. Não que ele não cuidasse dos outros que foram em pé no trem, mas pelo momento especial que proporcionou à minha amiga querida. Quanta gente apertava Jesus no caminho da casa de Jairo, quando ele se direcionava pra lá a fim de ir curar sua filhinha? E aquela mulher dentre a multidão o tocou com tamanha fé… o resto da história você já sabe…

    Que este Jesus que andava a pé e se compadecia do sofrido esteja hoje em nosso coração.

    E que o sintamos tão pertinho que possamos louvá-lo, esteja a condução cheia ou vazia, estejamos nós em pé ou sentados, em um carro de luxo ou no lombo de um jumento.

    No Deus eterno que se fez carne em Jesus só porque me amou e te amou.

    _ _

    Alessandra Viegas, membro da Catedral, é professora, Coordenadora de Ensino e Capacitação e professora da Escola Dominical.

    O Contrabandista de Deus – 3ª Parte

    24 mar 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    O trem para Varsóvia saía de Amsterdã em 15 de julho de 1955. Fiquei admirado com o grande número de estudantes que fora atraído pelo festival. Centenas de moços e moças aglomeravam-se na estação. Pela primeira vez, comecei a crer nos números exagerados que lera na revista. Sentia-me muito sozinho. Eu não conhecia uma só pessoa em toda a Polônia e não sabia uma palavra sequer do idioma. De todos os quadrantes do mundo, milhares e milhares de jovens estavam convergindo para Varsóvia, com propósitos exatamente opostos aos meus.

    Os jornais da Holanda publicaram tantas notícias a respeito da prisão dos líderes eclesiásticos da igreja polonesa e do fechamento de seminários, que eu tinha a impressão de que religião na Polônia era uma atividade clandestina.

    Aparentemente, a livraria evangélica que eu visitara estava funcionando, apesar de não ter Bíblias. Eu passara por igrejas católicas cujas portas estavam bem abertas. Será que havia igrejas protestantes também funcionando? Resolvi verificar por mim mesmo.

    De táxi, dez minutos depois, eu estava assistindo a um culto numa Igreja Reformada, atrás da “Cortina de Ferro”. Fiquei surpreso com o tamanho da congregação; a igreja se encontrava com cerca de 3/4 dos bancos cheios. Fiquei surpreso, também, com o número de jovens. O cântico dos hinos era entusiástico, o sermão aparentemente centralizado nas Escrituras. Depois que a maior parte da congregação havia saído, o pastor e alguns jovens dispuseram-se a conversar comigo. Sim, eles cultuavam abertamente, e com considerável liberdade, enquanto se mantivessem longe dos assuntos políticos. Sim, havia membros da igreja que também eram membros do Partido Comunista. “Bem, o regime faz tanto pelo povo, que a gente apenas fecha os olhos quanto ao resto”, disse o pastor, encolhendo os ombros, “mas o que é que a gente pode fazer?”

    Naquela mesma noite, fui conhecer outra igreja que me indicaram. O culto já começara quando cheguei. O número de pessoas era menor. O povo já não era tão bem vestido quanto o outro, e quase não havia jovens. Mas aconteceu uma coisa interessante. Haviam dado ao pastor a notícia de que havia um estrangeiro na congregação, e imediatamente fui convidado a falar-lhes. Fiquei alarmado. Será que eles tinham tanta liberdade assim? E ali estava eu, um crente do outro lado do mundo, pregando o evangelho em um país comunista.

    Ao fim de minha curta pregação, o pastor falou a coisa mais interessante que eu poderia ter ouvido: “Queremos agradecer-lhe por estar aqui. Mesmo que você não tivesse falado nem uma palavra, só o fato de vê-lo já teria significado muito. Algumas vezes sentimos como se estivéssemos sozinhos em nossa luta.”

    Naquela noite, fiquei pensando em como aquelas duas igrejas eram diferentes. Uma, aparentemente, estava seguindo a rota da cooperação com o governo: atraía grandes multidões, era aceitável para os jovens. A outra, eu sentia, estava seguindo por um caminho solitário. Eu estava aprendendo tantas coisas e tão depressa, que era difícil assimilar tudo. Algo me dizia que nem tudo era como parecia ser.

    Eu tinha um objetivo especial, queria orar por cada pessoa que eu encontrara durante aquela viagem. A manhã seguinte seria a última que passaria em Varsóvia. Enquanto estava ali sentado, orando, ouvi uma música. Ela vinha pela avenida. Marcial, forte, com o som de vozes cantando.

    Ali vinham os jovens socialistas, marchando. Nem por um momento eu podia crer que eles fossem coagidos. Marchavam porque criam. O que é que eu, do Ocidente, poderia fazer a respeito deles, daqueles milhares de jovens que passavam marchando à minha frente?

    Coloquei a mão sobre minha Bíblia, e vi que estava olhando para o livro de Apocalipse. Meus dedos descansavam sobre a página, quase como se estivessem indicando uma passagem: Apocalipse 3.2 “Sê vigilante”, dizia o versículo que estava sob a ponta do meu dedo, “e consolida o resto que estava para morrer…”

    Repentinamente, compreendi que eu estava vendo as palavras através de uma cortina de lágrimas. Será que Deus as estava falando para mim naquela hora, dizendo que a obra da minha vida seria ali, atrás da “Cortina de Ferro”, onde o remanescente da sua Igreja estava lutando para sobreviver? Será que eu teria uma participação no fortalecimento daquele precioso resto?

     

    *Extraído da Revista Portas Abertas
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