• Inscreva-se no RSS da Catedral
    Listagem de "Colunas"

    O Contrabandista de Deus – 6ª Parte

    10 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Você sabe dirigir?

    − André você sabe dirigir? − me perguntou o irmão Karl. − Ontem à noite, em nossa reunião de oração, recebemos uma palavra do Senhor a seu respeito. É importante que você aprenda a dirigir − concluiu ele.

    A ideia de aprender a dirigir pareceu-me tão remota, tão absurda, que nada fiz para colocá-la em prática. Eu ainda não tinha aprendido o quanto é importante obedecer. E essa é a maravilha da obediência: descobrir mais tarde o que Deus tinha em mente.

    Resolvi seguir as orientações que recebera de Deus. E dentro de um prazo que eu jamais poderia imaginar, tinha em mãos duas coisas praticamente impossíveis: uma carteira de habilitação e um visto no passaporte. Finalmente eu poderia entrar na Cortina de Ferro.

    contrabandista6

    E o fusca azul entra em cena

    Mais do que depressa, liguei para o sr. Whestra, um irmão que intercedia constantemente por mim. “André, é melhor você vir pegar as chaves”, disse ele ao telefone, cheio de alegria. Eu imaginei que a ligação estivesse ruim e pedi a ele que repetisse o que havia dito. “As chaves do seu fusca!”, ele me respondeu em tom brincalhão.

    “Como poderá resolver os negócios do Senhor sem um carro? Eu e minha esposa estávamos orando e decidimos que se você conseguisse o visto, teria também um automóvel”.

    Naquela mesma tarde, com uma sensação mista de receio e alegria, fui com o sr. Whestra assinar os papéis. Eu me tornara proprietário de um belo fusca azul, quase novo.

    Peguei o fusca e fui visitar o irmão Karl. Ele sorriu, porém não demonstrou nenhuma surpresa.

    “Deus nos disse que você iria precisar também de uma soma especial em dinheiro, aqui está”, e colocou um envelope na minha mão. Era a quantia exata de que precisaria para a viagem.

    Assim, com o coração cheio de gratidão, despedi-me de todos e parti para a Cortina de Ferro.

     

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    O Contrabandista de Deus – 5ª Parte

    6 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    De volta para casa

    Era difícil voltar para casa depois do que eu via, ouvia e vivia em minhas viagens à Cortina de Ferro. Marcava-me o fato de os cristãos não terem acesso à Bíblia. Na minha segunda viagem, ao visitar uma igreja em Praga, observei que os cristãos traziam consigo cadernos. Eles copiavam o texto bíblico, e os hinos, assim compartilhavam com outros que não tinham esse privilégio.

    Constantemente me recordava das palavras do pastor dessa congregação: “Algumas vezes nos sentimos como se estivéssemos sozinhos em nossa luta”. Eu queria estar ali, sendo um com eles!

     

    contrabandista-5Uma carta inesperada 

    Porém, os meses que se seguiram pareciam ser de pura frustração. Voltar à Cortina de Ferro era extremamente difícil e burocrático. Dinheiro era um problema. Sentado, sozinho, com a carteira vazia diante de mim, ouvi novamente a voz de Deus: “Escreva os artigos de suas experiências para a revista Kracht Van Omhoog”.

    Fiquei perplexo com a ordem – eu não era um escritor. A revista havia me convidado para escrever para eles, e se propuseram a me pagar alguma quantia por isso, mas eu não respondera ao convite.

    Aquela ordem divina, porém, voltava com insistência. Então, em obediência, escrevi e enviei os artigos pelo correio juntamente com algumas fotografias. O editor agradeceu, mas não me enviou dinheiro. Resolvi esquecer o assunto.

    Então, certa manhã, chegou uma carta da revista. Ao lerem meus artigos, os leitores começaram a enviar dinheiro, valores pequenos, à editora, e o editor queria saber como me entregaria tal quantia. Assim começou uma extraordinária história de sustento. Na medida que as necessidades aumentavam, as contribuições aumentavam também.

     

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    LEVANTA-TE, TOMA O TEU LEITO E ANDA!

    6 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    O texto bíblico em Marcos 2:1-12 fala da cura de um paralítico. O verso 1 diz que “dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu (a notícia) que ele estava em casa.” O texto passa a nítida impressão de que Jesus gostava desta cidade como também de “estar em casa”. É muito provável que esta casa seja a casa da sogra de Pedro, um lugar muito especial onde Jesus se sentia como se estivesse na sua própria casa.

    Então surge a pergunta: será que Jesus gosta da nossa cidade? Se não temos certeza ou achamos que não, o que fazer para que Ele passe a gostar? Eu aprendi que na vida espiritual tudo começa com oração; não a oração repetitiva, genérica, sem alma, mas a oração específica, no Espírito, que intercede pelo prefeito, pelo vice, pelos secretários, pelos funcionários da Prefeitura, pelas autoridades, juízes, promotores, delegados, contra a prostituição, contra a violência, contra os vícios, contra a corrupção, a favor do progresso da cidade, pelas entradas da cidade e muito mais! A mesma pergunta pode ser feita em relação a nossa casa? Será que Jesus gosta da nossa casa, ao ponto de se sentir à vontade? O que fazer para que seja assim?

    O verso 2 diz que a notícia de que Jesus estava em casa correu rápido e muitos afluíram para lá e a casa ficou lotada de gente por dentro e por fora, e Jesus lhes anunciava a Palavra. Certamente haviam já experiências anteriores do povo daquela cidade com Jesus, e deviam ser experiências muito boas porque um número grande de pessoas se deslocou para ter com Jesus. Não havia nada organizado em termos de som, impressos, cartazes, convites, equipe de apoio, mas o povo foi para o lugar onde Jesus estava. Por quê? Porque Jesus era diferente dos outros pregadores; Ele não se promovia, mas anunciava a Palavra de Deus, com autoridade, com simplicidade, não para mostrar conhecimento, mas para transmitir conhecimento, falar de tal maneira que as pessoas entendam qual o plano de Deus para elas naquele momento. Além disto, havia, ainda, os sinais que acompanhavam a sua Palavra, principalmente cura e libertação.

    A narrativa dos versos 3 e 4 fala de quatro homens daquela cidade que gostariam de estar lá na casa mas foram em outra direção bem diferente da casa de Pedro.

    Certamente já tinham alguma experiência de cura com Jesus porque tinham certeza de que se conseguissem levar o amigo paralítico até Jesus, ele poderia ser totalmente curado. Não havia nada adequado para levar o doente até o lugar da reunião; resolveram leva-lo na própria cama. E assim saíram pelas ruas da cidade levando o amigo enfermo na própria cama, sem se importarem com que os outros pudessem falar. Chegando na casa, outro problema: como entrar com aquela cama na casa lotada de gente? Não tinha como! O normal seria desistirem da empreitada e dizerem para o amigo: “Olha, fizemos o que era possível, mas infelizmente não deu… fica pra próxima (haveria próxima?)”. Não! Não é isto que diz o texto. Os amigos não se entregaram à derrota, mas subiram ao terraço da casa, abriram uma passagem que coubesse a cama sem deixar o doente cair e desceram a cama com o auxilio de cordas, bem aonde Jesus estava. Isto é tremendo! A nossa experiência com Deus precisa gerar frutos, vidas que tem que ser levadas praticamente no colo até Jesus. Não podemos salvar, nem curar, nem libertar pessoas, mas Jesus pode e a nossa missão é levar as vidas até Ele, vencendo todos os desafios que se apresentarem. Se fizermos a nossa parte com fé e determinação, Jesus certamente fará a dele, que somente Ele pode fazer.

    Verso 5 – Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. Nossos atos podem demonstrar fé ou não, e é importante que mesmo sem palavras, as pessoas “vejam” a nossa fé. Pecados perdoados? – Oops! Pera aí! Mas não foi para isto que os quatro amigos tiveram tanto trabalho!

    Calma! Jesus sempre sabe o que está fazendo e nós temos que esperar nele! O verso 6 diz que havia alguns escribas assentados ali na casa prestando atenção a tudo. Eram fariseus e doutores da Lei. Não foram ali aprender nada, mas foram com o intuito de fiscalizar. Jesus sabia disto mas não deu importância porque agora havia chegado o momento deles serem confrontados com o Messias. Jesus declarar o perdão de pecados, para os fariseus e judeus, de modo geral, era uma blasfêmia (v. 7) gravíssima, que podia ser punida exemplarmente.

    No verso 8, Jesus demonstra aos fariseus que sabe o que eles estão pensando e no verso 9 faz a pergunta que eles jamais queriam ter ouvido: “Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: estão perdoados os teus pecados ou dizer: levanta-te, toma a tua cama e anda”? Para os escribas não havia escolha e Jesus nem dá tempo para eles pensarem numa resposta e no verso 10 diz: “Ora, para que vocês saibam que o Filho do Homem (Messias) tem toda autoridade sobre a terra para perdoar pecados, disse ao paralítico”: verso 11 – “Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para casa”. Verso 12 – “então o paralítico se levantou e, no mesmo instante, tomando o seu leito, retirou-se à vista de todos”.

    O Espírito Santo pode nos dar uma revelação ou palavra de conhecimento sobre o que as pessoas estão pensando e nós temos que ter sabedoria para usar isto da maneira certa e no momento certo. “Para que vocês saibam”. Contra fatos não há argumentos: Jesus se identifica como aquele que tem todo o poder e que o principal ou mais importante não é a cura, mas o perdão, e para que tomem conhecimento do poder de Deus que opera Nele, dá a ordem de cura e no mesmo instante aquele que foi perdoado se levanta e não só anda, mas carrega a sua cama de volta para casa e todos dão Glória a Deus!

    Concluindo:

    – Jesus gosta da nossa cidade?

    – Jesus gosta da nossa casa?

    – O povo está afluindo às nossas reuniões?

    – A Palavra de Deus é anunciada de maneira que as pessoas entendam?

    – Os sinais acompanham a Palavra?

    – Há vidas interessadas em apresentar seus amigos a Jesus para salvação, cura, libertação (ação missionária), dispostas a vencer todas as barreiras?

    – Está havendo perdão no nosso meio?

    – O nome de Jesus está sendo glorificado?

    – O povo está dando Glória a Deus?

    Amém!

    _ _

    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

     

    PÁSCOA: O novo e vivo caminho do discipulado

    2 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Há alguns anos, em visita à cidade de Londres, após participar de um pequeno circuito pelos principais marcos do metodismo histórico, percebi, com clareza, que o movimento de renovação espiritual que havia transformado a realidade sociocultural da Inglaterra do século XVIII, hoje, é apenas uma lembrança na memória de alguns religiosos anciãos e em placas alusivas em determinados logradouros londrinos. A pergunta que ecoa em nossas mentes e corações é: o que houve com o cristianismo, que em poucas décadas perdeu seu vigor e relevância? Por que a Europa já é considerada pós-cristã? John Stott, teó-logo e pastor anglicano, em seu livro Cristianismo Contemporâneo cita uma palestra ministrada a um grupo de estudantes ingleses de uma universidade euro-peia, na qual relata que, após um sincero diálogo, indagou-lhes quanto ao porquê de eles negarem a fé cristã. Os jovens responderam afirmando que não havia entre eles sentimentos de negação à fé, mas sim um questionamento profundo sobre a relevância do cristianismo. Para esses estudantes, o cristianismo sendo oriundo de um ambiente rural, datado do primeiro século de nossa era, pouquíssimo teria a acrescentar às gerações, filhas da modernidade, mergulhada na consciência das virtualidades. Dentro deste contexto, a indagação que ecoa, em nossas mentes e corações, é: como comunicar o Evangelho da Páscoa de tal forma que ele seja de vital relevância e significado, para uma sociedade globalizada e antropocêntrica que enxerga o cristianismo como uma fé e cultura arcaicas e instrumentalizadas para a alienação?

    Quando lemos e refle-timos sobre os últimos momentos da morte e ressurreição do Senhor Jesus, sobre como os discípulos reagiram diante de tais circunstâncias, torna-se nítida a pergunta que inquietava suas consciências: como agir e reagir diante de tudo o que estava acontecendo? O sentimento era de angústia, de vazio, de ausência paterna; na verdade, o de estarem perdidos no caminho da existência.

    Estariam eles convencidos de que o sepulcro na rocha havia silenciado e obscurecido as palavras e a vida de Jesus? A cruz os violentou de tal forma que os fez crer que a vida cristã é de fato irrelevante? Lucas relata com exatidão, acerca dos apóstolos que caminhavam em direção aos irmãos, a angústia de dois simples discípulos que ainda estavam aprisionados pelas cenas violentas da sexta-feira da paixão.

    Apesar de ser um belo entardecer de domingo, eles estavam acorrentados pelas lembranças das últimas horas. Angustiados, entristecidos, perdidos, retornando aos lugares do passado aminhavam em retorno a uma pequena vila perto de Jerusalém, chamada Emaús. Jesus se aproximou e passou a caminhar com eles, identificando-se com a dor que os angustiava e ouvindo relatos permeados de porquês. Durante o percurso da desilusão, Jesus passa a inquiri-los sobre os motivos de suas inquietações e, com paciência divina, ouve sobre as expectativas frustradas geradas por um evangelho distorcido em suas consciências. Após ouvi-los atentamente, o Jesus ressuscitado, ainda imperceptível para uma consciência plena de verdades religiosas cauterizadas, passa a expor o reino como caminho de graça e não como projeção política de natureza espiritual. Jesus os ensinou no caminho, no partir do pão que, como Igreja, ao propagarmos um “evangelho” comprometido com nossas ambições e anseios, no mínimo lhe agregamos frustrações. E, no caminho, este acaba tornando-se irrelevante para quem o ouve, e sem significado existencial para quem o acolhe. As Boas Novas, o Evangelho da graça, para ser relevante e de vital significado para o ser humano precisa resgatar o seu verdadeiro significado de vida plena oferecida na gratuidade do amor divino. O caminho do discipulado, a Páscoa do cordeiro, só frutifica à medida em que vivermos para o Evangelho pascal, abandonando o “evangelho” que nada mais é do que a projeção dos nossos sonhos e ambições. O discipulado do caminho de Emaús converge de fato para o amor de Cristo em nós e no próximo. Amor a Cristo não carrega bandeiras e flâmulas em favor ou defesa de algo ou alguém, mas é uma belíssima possibilidade para todo(a) aquele(a) que interioriza em seus corações e mentes o caminho, a verdade e a vida dentro de si. Jesus demonstrou que somente no caminho, partilhando o pão e compartilhando a graça, é que o Evangelho se torna relevante e discernido como vontade divina para a humanidade. “…Não nos ardia o coração quando ele falava, quando expunha as Escrituras?…” O discipulado leva-nos à compreensão de que sem o batismo do Espírito, sem coração aquecido, sem fogo no caminho, seremos apenas um ajuntamento de pessoas em torno de uma liturgia, esforçando-nos para vivermos uma doutrina sem vida. A Páscoa remete-nos para o domingo da ressurreição, para os áureos dias de Cristo na Galileia e em Jerusalém. É caminho de vida abundante que só pode gerar Pentecostes nos corações dos discípulos.

    Do seu pastor

    _ _

    Rev. Marcello Fraga

    O Contrabandista de Deus – 4ª Parte

    30 mar 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    “Sê vigilante e consolida o resto

    que estava para morrer…”

     

    Talvez você se pergunte, se uma igreja pode morrer. Infelizmente, ela pode extinguir-se em alguns lugares. A comunhão é um ingrediente essencial para o crescimento da Igreja.

    contrabandista-4_02Constantemente eu me recordava das palavras do pastor: “Queremos agradecer-lhe por estar aqui. Mesmo que você não tivesse falado nem uma só palavra, só o fato de vê-lo já teria significado muito. Algumas vezes nos sentimos como se estivéssemos sozinhos em nossa luta”.

    Eu nem conseguiria pregar um bom sermão, mas eu podia estar lá. E se estar lá era mais importante, eu decidi que a minha vida seria constituída de estar presente. 

    Mas, o que poderia fazer eu, uma pessoa só, sem fundos, sem patrocínio de alguma organização, contra uma força aparentemente invencível que parecia um gigante diante de mim? Como eu faria  para consolidar qualquer coisa? Só Deus poderia fazer isso!

    Voltei para casa, mas antes fui à Amsterdã visitar os Whetstra (um casal de irmãos que intercedia por mim e sempre me dava bons conselhos). Durante toda uma tarde contei-lhes como fora minha viagem e lhes falei, também, a respeito do versículo bíblico que me fora dado de forma tão estranha. Sobre como eu teria forças para fortalecer alguém.

    “E você não sabe que é exatamente quando estamos mais fracos que Deus pode nos usar melhor? Não é você, mas o Espírito Santo quem tem planos para o povo que vive detrás da ‘Cortina de Ferro’” disse-me a Sra. Whetstra com uma convicção contagiante que me encheu de paz.

    Não passara nem uma semana, desde o meu retorno para casa, quando os convites para falar sobre a viagem começaram a chegar e eu aceitei a todos… todos  queriam saber como era a vida atrás da ‘Cortina de Ferro’.

    “Você precisa viajar mais”, disse-me uma jovem líder da delegação holandesa em Varsóvia. “Você ainda não viu o suficiente, precisa conhecer mais da necessidade desses líderes, para falar mais. Estou encarregada de escolher 15 pessoas da Holanda para ir à Tchecoslováquia, você quer ir?”

    Retive a respiração. Seria a mão de Deus? Seria aquela a porta que se abriria a seguir, no seu segundo plano para mim? Decidi colocar a questão mais uma vez diante dEle, pois novamente eu não tinha recursos financeiros para ir.

    ‘Se queres que eu vá, Senhor, tu precisarás suprir os meios’ orei de forma relâmpago. Respondi a ela que sentia muito, mas, eu não tinha possibilidades de fazer uma viagem dessas. Ela ficou me olhando e então me disse: “para você não haverá despesas”

    Assim começou a minha segunda viagem e, quatro semanas depois eu encontrei a resposta que buscava: Os cristãos tchecos precisavam de ajuda! Pois não havia Bíblias e nem hinários e o governo praticamente exercia controle total sobre a Igreja. Ser cristão era antipatriótico. Os cristãos eram demitidos de seus empregos, e sofriam humilhação. Não se podia usar a palavra ‘pregar’. “A gente precisa ser cuidadoso com as palavras, você pode nos trazer ‘saudações’ do Senhor”, disse-me Antonin, um jovem estudante de medicina que se tornou meu intérprete. Então, primeiro eu trouxe saudações da Holanda, depois do Ocidente e finalmente ‘saudações de Jesus Cristo’ à congregação.contrabandista-4_01

    Cada visita que fiz ali foi memorável, mas a última antes de voltar à Holanda foi inesquecível, pois, foi nela que recebi o cálice do sofrimento. “Bem, quero lhe dizer oficialmente, senhor, que não é mais bem-vindo aqui. Se tentar entrar neste país outra vez, vai descobrir isso por si mesmo.” Disse-me um homem sinistro ao sair de um carro do governo que havia me seguido.

    Lembrei-me do distintivo de lapela que recebi de Antonin. “Quando as pessoas perguntarem o que é isso, conte-lhes a nosso respeito, e faça-os lembrar de que somos parte do corpo e que estamos sofrendo dores; este é o símbolo da Igreja da Thecoslováquia, significa o cálice do sofrimento.”

    Se um membro sofre, todos sofrem com ele… pensei citando I Coríntios. O cálice do sofrimento era o símbolo de uma realidade da qual eu precisava participar. E agora, o que eu faria?

     

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    Um lugar pra descansar… ainda há esperança!

    30 mar 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Esta semana estava conversando com uma amiga muito querida e, ao nos despedirmos, como era meu término de horário de trabalho e o dela também, desejei que seu retorno fosse tranquilo e que ela conseguisse, na condução até em casa, um lugar para sentar. Eu sabia que era horário de rush e que meu desejo era, se não difícil, quase impossível. Mas mesmo assim, desejei e falei. Ela na hora me disse que sempre pede a Deus que, na sexta-feira, consiga fazer isso, pois o cansaço da semana toda parece se acumular naquele dia que antecede o fim de semana tão desejado por milhares de trabalhadores em todo o mundo! Mas ainda era quarta-feira…

    Qual não foi minha surpresa quando, no dia seguinte, minha amiga me fez uma visita rápida na hora do almoço e, chorando de alegria numa presença tão bonita de Deus, contou-me que tinha conseguido sentar, pois um lugar estava disponível. Sua emoção encheu meu coração de alegria, pois meu desejo fora atendido, mas também de uma esperança de que ainda existe muita gente que se parece tanto com Jesus. Aquela flor – os que me conhecem, sabem que chamo assim as pessoas que me são queridas – estava ali emocionada não porque conseguira um carro do ano, uma casa nova, um casamento feliz, um emprego em que teria o dobro de salário.

    Aquela flor do jardim, amiga de quem passei a ter mais respeito e mais orgulho de ser amiga, conseguira sentar no trem às cinco e meia da tarde de uma quarta-feira e voltar pra casa com menos dor no joelho e aliviada um pouco do cansaço de um dia de trabalho!

    Eu me pus a pensar que Jesus não tinha onde reclinar a cabeça… que sempre andava a pé entre a Judeia e a Galileia encontrando gente simples, gente com problemas, gente acabrunhada, mas sempre tinha um desejo bom e uma palavra boa para todos. Mesmo andando no sol quente do meio-dia em plena Samaria e cheio de sede, parou ao lado de um poço (mas não tinha um copinho pra pegar água!), conversou com uma mulher com quem ninguém queria conversar e curou a sua alma, elevou sua autoestima e deu vez e voz àquela que não falava com ninguém. E aproveitando que estamos na semana do Domingo de Ramos, acabo de me dar conta que aquele domingo foi o único dia em que Jesus não andou a pé: ele montou num jumento e teve um lugar pra sentar enquanto se locomovia pra entrar em Jerusalém, o lugar da paz (Yerushalaim) – assim como minha amiga teve um lugar pra sentar e pode ir pra sua casa, seu lugar de paz e descansar pra começar tudo de novo no dia seguinte.

    A esperança a que me refiro no título, querido leitor, é o profundo sentimento que foi mais uma vez alimentado depois desta experiência nesta semana. Esperança em um Jesus que está e é tão próximo de nós se aprendermos a ler sua vida nos evangelhos com um sorriso no rosto e uma vontade boa no coração de sermos mais humanos – tão humanos quanto ele foi!

    Esperança em uma gente que agradece e se emociona por aquilo que pode parecer tão pouco, mas que traz um sentimento e uma consciência desse Jesus tão próximo e de um Deus que é pai e cuida. Não que ele não cuidasse dos outros que foram em pé no trem, mas pelo momento especial que proporcionou à minha amiga querida. Quanta gente apertava Jesus no caminho da casa de Jairo, quando ele se direcionava pra lá a fim de ir curar sua filhinha? E aquela mulher dentre a multidão o tocou com tamanha fé… o resto da história você já sabe…

    Que este Jesus que andava a pé e se compadecia do sofrido esteja hoje em nosso coração.

    E que o sintamos tão pertinho que possamos louvá-lo, esteja a condução cheia ou vazia, estejamos nós em pé ou sentados, em um carro de luxo ou no lombo de um jumento.

    No Deus eterno que se fez carne em Jesus só porque me amou e te amou.

    _ _

    Alessandra Viegas, membro da Catedral, é professora, Coordenadora de Ensino e Capacitação e professora da Escola Dominical.

    O Contrabandista de Deus – 3ª Parte

    24 mar 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    O trem para Varsóvia saía de Amsterdã em 15 de julho de 1955. Fiquei admirado com o grande número de estudantes que fora atraído pelo festival. Centenas de moços e moças aglomeravam-se na estação. Pela primeira vez, comecei a crer nos números exagerados que lera na revista. Sentia-me muito sozinho. Eu não conhecia uma só pessoa em toda a Polônia e não sabia uma palavra sequer do idioma. De todos os quadrantes do mundo, milhares e milhares de jovens estavam convergindo para Varsóvia, com propósitos exatamente opostos aos meus.

    Os jornais da Holanda publicaram tantas notícias a respeito da prisão dos líderes eclesiásticos da igreja polonesa e do fechamento de seminários, que eu tinha a impressão de que religião na Polônia era uma atividade clandestina.

    Aparentemente, a livraria evangélica que eu visitara estava funcionando, apesar de não ter Bíblias. Eu passara por igrejas católicas cujas portas estavam bem abertas. Será que havia igrejas protestantes também funcionando? Resolvi verificar por mim mesmo.

    De táxi, dez minutos depois, eu estava assistindo a um culto numa Igreja Reformada, atrás da “Cortina de Ferro”. Fiquei surpreso com o tamanho da congregação; a igreja se encontrava com cerca de 3/4 dos bancos cheios. Fiquei surpreso, também, com o número de jovens. O cântico dos hinos era entusiástico, o sermão aparentemente centralizado nas Escrituras. Depois que a maior parte da congregação havia saído, o pastor e alguns jovens dispuseram-se a conversar comigo. Sim, eles cultuavam abertamente, e com considerável liberdade, enquanto se mantivessem longe dos assuntos políticos. Sim, havia membros da igreja que também eram membros do Partido Comunista. “Bem, o regime faz tanto pelo povo, que a gente apenas fecha os olhos quanto ao resto”, disse o pastor, encolhendo os ombros, “mas o que é que a gente pode fazer?”

    Naquela mesma noite, fui conhecer outra igreja que me indicaram. O culto já começara quando cheguei. O número de pessoas era menor. O povo já não era tão bem vestido quanto o outro, e quase não havia jovens. Mas aconteceu uma coisa interessante. Haviam dado ao pastor a notícia de que havia um estrangeiro na congregação, e imediatamente fui convidado a falar-lhes. Fiquei alarmado. Será que eles tinham tanta liberdade assim? E ali estava eu, um crente do outro lado do mundo, pregando o evangelho em um país comunista.

    Ao fim de minha curta pregação, o pastor falou a coisa mais interessante que eu poderia ter ouvido: “Queremos agradecer-lhe por estar aqui. Mesmo que você não tivesse falado nem uma palavra, só o fato de vê-lo já teria significado muito. Algumas vezes sentimos como se estivéssemos sozinhos em nossa luta.”

    Naquela noite, fiquei pensando em como aquelas duas igrejas eram diferentes. Uma, aparentemente, estava seguindo a rota da cooperação com o governo: atraía grandes multidões, era aceitável para os jovens. A outra, eu sentia, estava seguindo por um caminho solitário. Eu estava aprendendo tantas coisas e tão depressa, que era difícil assimilar tudo. Algo me dizia que nem tudo era como parecia ser.

    Eu tinha um objetivo especial, queria orar por cada pessoa que eu encontrara durante aquela viagem. A manhã seguinte seria a última que passaria em Varsóvia. Enquanto estava ali sentado, orando, ouvi uma música. Ela vinha pela avenida. Marcial, forte, com o som de vozes cantando.

    Ali vinham os jovens socialistas, marchando. Nem por um momento eu podia crer que eles fossem coagidos. Marchavam porque criam. O que é que eu, do Ocidente, poderia fazer a respeito deles, daqueles milhares de jovens que passavam marchando à minha frente?

    Coloquei a mão sobre minha Bíblia, e vi que estava olhando para o livro de Apocalipse. Meus dedos descansavam sobre a página, quase como se estivessem indicando uma passagem: Apocalipse 3.2 “Sê vigilante”, dizia o versículo que estava sob a ponta do meu dedo, “e consolida o resto que estava para morrer…”

    Repentinamente, compreendi que eu estava vendo as palavras através de uma cortina de lágrimas. Será que Deus as estava falando para mim naquela hora, dizendo que a obra da minha vida seria ali, atrás da “Cortina de Ferro”, onde o remanescente da sua Igreja estava lutando para sobreviver? Será que eu teria uma participação no fortalecimento daquele precioso resto?

     

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    Em memória de mim

    24 mar 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Sempre gostei muito de participar do momento da ceia. Desde o meu batismo, ainda na infância, as referências simbólicas e o processo litúrgico traziam conforto ao meu coração.

    Como um abraço, um carinho, em que os céus me lembravam do amor e sacrifício feito por mim.

    As palavras eram as mesmas “e tendo Jesus dado graças” e, internamente, repetia o que já havia memorizado em meu coração: “o partiu e deu aos discípulos, dizendo: isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isso em memória de mim”.

    “De semelhante modo”… e seguia o texto. Lembro até hoje a ênfase que meu pastor dava na parte do vinho “bebei dele todos – vejam bem, todos os discípulos”, como batista, sua preocupação sobre quem poderia participar, ou não, da ceia ficava evidente quando esse trecho era repetido mensalmente.

    Em algumas ocasiões especiais poderia haver variações na liturgia, mas de modo geral o evento era esse. “Examine-se, pois, o homem a si mesmo”, e nesse momento o símbolo falava ainda mais forte para mim: todas as memórias ruins daquele mês, todas as tristezas, todas as angústias, todas as situações de descontrole vinham à minha mente, e era como se o suco de uva fosse um rio, levando todas as más coisas em sua correnteza.

    E se nesse momento lembrássemos algo que tivéssemos feito a alguém, a troca de cálices simbolizava o perdão restaurador de Cristo. Sim, simbolicamente a ceia do Senhor ainda fala muito comigo!

    Essa semana visitei uma igreja com a liturgia diferente na realização da ceia. Ao invés de cada um pegar seu pão e vinho individualmente, e voltar para seu lugar no banco, um irmão servia ao outro: o pedaço de pão era embebido no suco de uva, e servido na boca do irmão ao seu lado na fila, que faria o mesmo por você.

    O choque inicial foi inevitável! Em uma fração de segundos me vi desconcertada, sem saber bem como agir. Não digo externamente… isso era bastante simples e claro, mas fiquei sem saber o que fazer com meus processos internos: o rio, as memórias, as tristezas, a necessidade de perdão e cura.

    E então eu percebi uma beleza diferente: aquela ceia não era “minha”… mas do irmão à minha frente.

    Tive vontade de parar ali e conversar: será que ele também precisava de um abraço do céu?

    Quais seriam suas lutas? Quais dores o angustiavam? Será que ainda havia alguma dificuldade de receber perdão? Será que tinha clareza do quão precioso era o sacrifício feito na cruz?

    E me lembrei do quanto às vezes eu vivo um Evangelho individual. Do quanto a pressa do cotidiano me rouba oportunidades de contato com as pessoas à minha volta.

    Porque a frase “em memória de mim” traz à mente não apenas o sacrifício feito pela minha vida, mas pela vida do meu irmão também. “Em memória de mim” inclui todos os cegos nas estradas; todos os leprosos à margem da cidade; todas as mulheres desamparadas. “Em memória de mim” inclui os casamentos em que não há mais vinho; inclui as crianças e a pureza de sua fé; inclui todos os Zaqueus, os Pedros e os Jairos; inclui todos os meninos com seus pães e peixes.

    “Em memória de mim” fala não apenas da sua morte e ressureição, mas fala também de sua vida. Vida doada a cada pequeno gesto. Vida doada ao próximo. Vida que já não era sua somente, mas do mundo, por amor.

    Há uma canção cristã, em inglês, que conta a história de um menino que vai até a casa de sua avó. No caminho, seu irmão acaba ficando pra trás, perdido e machucado. Mas ele não se importa muito, afinal, todas as guloseimas de que poderia desfrutar estavam ali, bem à sua frente: “mordido duas vezes por serpentes do chocalho, emaranhadas no carvalho de veneno, ele caiu e quebrou as pernas em uma grande ravina. Quando eu cheguei na casa da avó ela tinha nos feito chá e bolo. Ela me perguntou onde meu irmão estava, eu disse que eu não sei e eu comi.” A música segue, celebrando a grandeza de um céu e paraíso vindouro, nos fazendo questionar a indiferença do menino por seu irmão caído.

    É disso também que fala o “em memória de mim”. De um evangelho que não se preocupa com a minha salvação apenas. De um Deus que amou de tal maneira o mundo, que entregou seu filho unigênito – seu único filho, seu bem mais precioso – para que TODO aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna.

    Que essa lembrança esteja sempre fresca em nossas memórias. Amém!

    _ _

    Rachel Colacique, professora, paulista e corintiana – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro, faz parte da diretoria da sociedade de jovens e secretária distrital da Federação de Jovens 1a RE – distrito do Catete.

    ESTER E A IGREJA QUE DEVEMOS SER

    20 mar 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Um resumo da narrativa dos caps. 1 a 7 do livro de Ester

    Uma grande festa foi promovida pelo rei Assuero, cujo nome verdadeiro era Artaxerxes. Em determinado momento o rei pediu para seus auxiliares mais diretos irem aos aposentos da rainha Vasti e dizer-lhe que o rei solicitava a sua presença na festa, devidamente arrumada e paramentada, para apresentá-la aos seus convidados. Inesperadamente, Vasti disse simplesmente que não iria. Os conselheiros do rei ainda insistiram, mas Vasti se mostrou irredutível. O rei foi devidamente informado do ocorrido, e ele que tinha poderes de vida e de morte e podia determinar que Vasti fosse eliminada imediatamente, ficou muito irado e decepcionado, mas não tomou nenhuma medida precipitada. Reuniu os seus conselheiros e pediu ajuda. O conselho mais sábio determinava que Vasti ficasse proibida de ver o rei ou dirigir-se a ele.

    Continuaria com todas as regalias, mas não veria mais o rei.
    Passado algum tempo e baixada a poeira, foi sugerido ao rei que se convocasse as donzelas de todo o reino que quisessem se candidatar a rainha. Elas passariam por um processo de seleção e preparação, incluindo embelezamento etc, e o rei faria a escolha final. O rei gostou da ideia e aprovou a sugestão.

    E aqui começa a história de Ester, cujo nome em hebraico é Hadassa, moça judia, e que por orientação do tio Mordecai (ou Mardoqueu), se inscreve como candidata a substituir Vasti, e por sua beleza e comportamento, cai na graça do eunuco chefe. Passou doze meses sendo preparada, sendo que por seis meses recebeu tratamento à base de mirra – bálsamo feito à base de uma florzinha miúda, aparentemente sem perfume, o qual só é percebido quando as pétalas da flor são vigorosamente trituradas. Ester foi considerada a mais bela e bem preparada das candidatas e foi a escolhida do rei para se casar com ele e tornar-se a nova rainha.

    Após a escolha de Ester como nova rainha, seu tio Mordecai, passou a freqüentar as cercanias do palácio real, onde sempre conseguia informações sobre Ester. Em certa ocasião, ouviu dois soldados tramarem contra a vida do rei e passou a informação para Ester, a qual alertou a guarda palaciana, que através do seu comandante Hamã, confirmou tudo e os dois revoltosos foram enforcados ficando Hamã como o herói perante o rei.

    Como Hamã se engrandeceu diante do rei, recebeu a honra de ser cumprimentado pelos súditos com a mesura, mesma reverência dedicada aos nobres, com todos se inclinando quando ele passava. Todos menos um, Mordecai, que por ser judeu não se prostraria diante de nenhum homem, mas somente diante de Deus. Isto chegou aos ouvidos de Hamã, que se encheu de ódio não somente por Mordecai, mas por todo o povo judeu e passou a tramar uma maneira de exterminar todos os judeus do império.

    Aproveitando-se de gozar da confiança do rei, Hamã fala muito mal dos judeus inventando uma porção de mentiras e dizendo que este povo representava um perigo para o reino, que deveria ser eliminado e seus bens confiscados para o palácio. O rei acredita e lhe dá o seu anel de selar com total liberdade para elaborar um decreto de extermínio dos judeus, como bem desejasse.

    Ester não ficou sabendo de nada, mas Mordecai e toda a população judia foram grandemente impactados e começam a clamar, jejuar e vestir pano de saco e pôr cinza sobre a cabeça para se humilhar diante de Deus. É desta forma que Mordecai tenta falar com Ester para pedir sua interferência junto ao rei e diz que agora entende que foi para este momento que Deus a colocou como rainha. Ester fica muito tocada, mas diz que por questões de segurança, não tem acesso ao rei a não ser que ele a chame a sua presença. Se for sem ser chamada, corre risco de vida dependendo apenas de o rei vê-la e lhe estender o seu cetro real.

    Diante disto, propõe um jejum de 3 dias para todo o povo e então ela enfrentaria o risco de vida. Neste período, Deus a fortalece e lhe dá uma estratégia. No momento certo ela se apresenta no pátio da sala do trono, devidamente adornada com os trajes reais e o rei lhe estende o cetro de ouro e lhe pergunta o que deseja, prometendo lhe dar até metade do seu reino, se ela quiser. Ela então convida o rei e Hamã para um banquete em seus aposentos, o que é imediatamente aceito pelo rei e seu general. Neste banquete, Ester não revela ainda o que quer, mas marca outro banquete novamente com a presença do rei e Hamã, o que é aceito por Assuero.

    Certa noite o rei estava com insônia e mandou que lessem para ele as crônicas do seu reino para ver se o sono voltava. O texto lido falava justamente da rebelião dos dois soldados que queriam matar o rei e foi denunciado por Mordecai. O rei perguntou se constava do relato alguma recompensa a Mordecai por ter livrado o rei. A resposta foi negativa, não fizeram nada. O rei manda chamar a Hamã e lhe pergunta como devia premiar alguém que o rei quisesse agradar por ter-lhe salvo a vida. Hamã, pensando se tratar dele mesmo, propõe um desfile pela cidade em vestes reais, com a coroa real e no cavalo do rei, com alguém proclamando: assim se faz a quem o rei deseja honrar! O rei aprova a sugestão e determina que Hamã faça exatamente como falou, com Mordecai!

    Hamã se sentiu humilhado e afrontado e de tanta raiva mandou preparar uma forca para a execução de Mordecai.

    Chega o dia do segundo banquete. O rei e seu general comparecem. Ester expõe ao rei o que está acontecendo como conseqüência do decreto de morte do povo judeu e revela que ela também é judia e que portanto está condenada a morte juntamente com seu povo, e tudo isto por causa da vaidade de um homem mau. O rei pergunta quem é este homem mau e ela aponta para Hamã, o qual acaba sendo enforcado na forca que havia preparado para Mordecai, que por sua vez passa a ter a consideração do rei.

    Como o decreto do rei não pode se revogado, é elaborado um novo decreto que dá o direito aos judeus de se defenderem legalmente, havendo então um grande livramento para o povo de Deus, que mesmo com lutas recebe a vitória com muito júbilo e comemorações.

    Conclusão:

    Vasti – Mulher é geralmente tipo da Igreja; e a igreja tipificada por Vasti é a igreja que não está disponível, não é igreja serva, mas só faz o que quer, quando quer; não sabe o que é obediência nem dependência de Deus. Como punição, foi proibida de entrar na presença do rei. Mesmo continuando a morar no palácio perdeu totalmente o acesso ao rei. Vive de aparências, parece que é, mas não é! Há muitas vidas que se dizem igreja, mas não o são!

    Ester – A igreja bonita mas humilde, simples, obediente, disposta, serva, que não vive somente para si mesma. Escolhida no lugar de Vasti, aproveitou bem o período de preparação. Seis meses tratada com mirra lhe ensinaram que o bom perfume tem um preço que é passar por momentos difíceis e suportar. Enquanto Vasti, chamada pelo rei, não compareceu, Ester, sem ser chamada, se preparou espiritualmente através do jejum e da oração, meios de graça dados por Deus para sua igreja e foi ao encontro do rei, mesmo sabendo que corria risco de vida. Mas ela foi acolhida com gestos e com palavras de carinho e teve livre acesso ao rei, à Sala do Trono, à Sala do Banquete e a todo o Palácio.

    Mordecai – Tipo do Espírito Santo, foi quem Deus usou para levar Ester a ser rainha e assumir a responsabilidade de ser intercessora. Denunciou o que estava errado. Não se prostrou diante de homem. Sem aparecer, foi quem mais atuou a favor do povo de Deus.

    _ _

    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

    O Contrabandista de Deus – 2ª Parte

    17 mar 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    “Senhor, se tu me mostrares o caminho, eu te seguirei. Amém.” Foi simples assim. Mas recuei outra vez. Parecia-me que havia muitos pontos contra mim. Eu não tinha estudado muito e, embora eu escondesse o fato, tinha um tornozelo aleijado. Como poderia ser missionário, se nem ao menos conseguia andar um quarteirão sem sentir dor?

    E difícil foi contar à garota com quem pretendia me casar, que eu repentinamente decidi ser missionário. Que espécie de vida seria a que eu ofereceria a ela? Trabalho árduo, salário baixo e talvez desagradáveis condições de vida em algum lugar distante.

    A princípio Thile ficou emocionada com as coisas que estavam acontecendo comigo, mas à medida que as semanas se transformaram em meses, ela começou a ficar alarmada. “Você não precisa ficar tão abrasado, André”, disse ela. “Você não acha que deve diminuir o ritmo um pouco? Leia alguns livros diferentes. Vá ao cinema de vez em quando.”

    Não me incomodei. Nada no mundo me interessava, exceto a incrível viagem de descobrimentos em que eu estava empenhado.

    De tempos em tempos, também, Thile perguntava se eu havia encontrado um emprego.

    Este era um problema mais sério. Naturalmente, enquanto eu não tivesse emprego, não poderia sugerir a ela o sonho que eu tivera havia muito tempo, para nós dois. Bem, eu iria tentar.

    E algum tempo depois, após uma oração fervorosa, abrindo o meu coração com Deus, senti uma torcedura violenta na perna aleijada. Pensei aterrorizado que destroncara o tornozelo. Com  cuidado, firmei o pé no chão. Vi que podia apoiar-me nele perfeitamente. Eu estava andando perfeitamente, estava curado! O que havia acontecido? Devagar, comecei a andar, e enquanto eu andava, um versículo da Escritura começou a vir à minha mente: “Indo eles, foram purificados”.

    E Deus me curou, me supriu. Ele nunca falhou.

    Lembrei-me emocionado de quando retornei à minha casa ao deixar o exército… “O cemitério estava banhado por um luar intenso, de lua cheia, e foi fácil encontrar o túmulo. Assentei-me no chão e disse as últimas palavras à minha mãe.

    ‘Voltei, mamãe’. Parecia natural conversar com ela.

    ‘Eu não li a Bíblia, mamãe. A princípio não, mas li depois’. Houve um longo silêncio. ‘Mamãe, o que é que vou fazer agora? Eu não posso andar cem metros sem que a dor me faça parar. Sinto-me tão inútil, mamãe. E culpado. Culpado pelo tipo de vida que levei durante a guerra. Responda-me, mamãe.’ Porém não houve resposta nenhuma.

    Mas, agora, eu estava milagrosamente curado!

    Recordei-me também de que, um tempo depois disso uma coisa ainda mais esquisita aconteceu.

    Durante um período de descanso, eu estava folheando as revistas que nos eram dadas, quando, de repente, minha mão agarrou a Bíblia que eu conservava no criado-mudo, como recordação da minha mãe. Eu não a lera desde que voltara para a Holanda. Mas naquela tarde, repentinamente, comecei a ler, e para minha admiração, eu a compreendi. Todas as passagens que haviam parecido tão confusas, quando eu lutara com elas anteriormente, surgiam de repente como uma história de ação em ritmo trepidante. Deus estava trabalhando em cada detalhe…

    …Primavera de 1955. Meus dois anos no colégio de Treinamento Missionário estavam quase terminando, e eu estava ansioso para começar o ministério. E então, certa manhã calmamente, sem estardalhaço, como na maioria das vezes é a operação de Deus – peguei uma revista, e a minha vida, desde então, nunca mais foi a mesma.

    Como ela chegou ali, jamais ficarei sabendo. Peguei-a, e comecei a folheá-la. Era uma bela revista, com belas fotos. Muitas delas mostravam multidões de jovens desfilando pelas ruas de Pequim, Varsóvia e Praga. O texto, em inglês, me informava que aquelas pessoas faziam parte de uma organização mundial com noventa e seis milhões de membros. Em parte alguma a palavra “comunista” era usada, e a palavra “socialista” só aparecia ocasionalmente. O tema principal era um mundo melhor, um futuro brilhante. E então, no final, aparecia o anúncio de um festival da juventude que deveria ser realizado em Varsóvia, no mês de julho. Todos eram convidados.

    Todos? Em vez de jogar a revista fora, naquela noite, sem ter ideia de onde aquilo me levaria, escrevi algumas linhas para o endereço de Varsóvia mencionado na revista. Disse-lhes francamente que estava estudando para ser um missionário evangélico, e que estava interessado em ir ao festival da juventude para trocar ideias: eu falaria a respeito de Cristo, e eles poderiam falar sobre o socialismo. Será que eles concordariam que eu fosse naquelas circunstâncias?

    *Extraído da Revista Portas Abertas
    Páginas:«12345678910...17»