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    Listagem de "Colunas"

    O Contrabandista de Deus – 11ª Parte

    14 mai 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    O pedido

    Um milhão de Bíblias para as igrejas clandestinas chinesas…

    Essas igrejas dispunham de tão poucas Bíblias que eles as dividiam em várias partes, que eram distribuídas entre os cristãos para que memorizassem. “Precisamos de pelo menos um milhão de exemplares”, disseram eles. Nossos corações, meu e de minha equipe agora denominada Portas Abertas, foram contristados em amor diante dessa necessidade e nos dispusemos a orar.

    O governo chinês tratava a Bíblia com descaso e a subestimava. Mas a Igreja chinesa não. Ela sabia do valor das Escrituras. Eu também sabia, por experiência própria. Eu mesmo não fora convertido simplesmente lendo aquele livro?

    Os próprios cristãos chineses articularam a maneira como concluiríamos a operação. Descobriram uma praia deserta, na qual atracariam uma balsa para receber o carregamento. Uma vez em terra, eles estariam ali com um pequeno exército de homens e mulheres que poderiam esconder a preciosa carga. Tão preciosa que a chamaram de “pérola”, de acordo com as palavras de Jesus: “O Reino dos céus também é como um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que tinha e a comprou” (Mt 13.45-46).

    A praia estava pronta. Agora só faltava arranjar um milhão de Bíblias, encontrar a melhor forma de burlar a guarda costeira chinesa e fazer o descarregamento. Ah, e se possível, voltar para casa.

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    Pérolas negras

    Deus se encarregou desses “detalhes”. O que era um milhão de pérolas ao Senhor de todo o oceano?

    Na noite de 18 de junho de 1981, com maré alta na praia de Swatow, nosso destino final, 232 pacotes em embalagens à prova d’água, contendo as Bíblias e pesando uma tonelada, desembocaram na orla, perante os olhos ansiosos de chineses e tripulantes.

    Ali, na praia, os irmãos abriram aquelas grandes “ostras” azuis e distribuíram seu conteúdo entre si. Suas pérolas negras passavam rapidamente de mão em mão, e sumiam nas garupas de motos, cestos de camponeses. Cada um levava sua parte daquele grande tesouro.

    A certa altura, o exército chinês fora alertado de que tinha um navio estranho naquele lugar. Contudo, quando chegou ao local, não havia quase nada mais para se ver. O povo já havia levado a maior parte das Bíblias. Os guardas recolheram as que restavam e as atiraram de volta ao mar. Dois dias depois, viram-se milhares de livros de capa preta secando sobre o telhado das casas de Swatow.

    Sem ter o recurso ou apoio de alguma organização, somente crendo e obedecendo à voz de Deus, um projeto de 7 milhões de dólares estava concluído. E ainda pudemos voltar para casa.

     

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    O Contrabandista de Deus – 10ª Parte

    6 mai 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    A viagem impossível

    1965. Do avião, eu avistava Hong Kong e, para além dela, o grande território da China perdia-se de vista.

    Meu plano era a prova de falhas: munido de meu passaporte holandês, pegaria um avião em Formosa (Taiwan) e desceria em Hong Kong. Lá, embarcaria para a China. Assim, passei dez dias em formosa e tomei o voo para Hong Kong. Quando contei meu plano ao homem que sentava ao meu lado no avião, ele me olhou de maneira curiosa.

    — Deixe-me ver seu passaporte — pediu o homem, que era banqueiro em Hong Kong. Depois de folhear as páginas e encontrar um visto em especial, ele exclamou — Estados Unidos!

    — Sim — respondi. — Acabo de vir de lá.

    — Rapaz, você nunca entrará na China com este passaporte.

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    Em busca de um passaporte

    Eu geralmente me animava quando alguém me dizia que determinada aventura era impossível, porque isso me dava a oportunidade de ver como Deus lidaria com o impossível. No entanto, aquele alerta do banqueiro não foi o primeiro que ouvi sobre a China.

    Também haviam me dito que Hong Kong era uma reserva de centenas de missionários cujas tentativas de entrar na China haviam falhado. Com mais esse alerta, minha confiança vacilou. Talvez eu devesse arranjar um passaporte novo.

    Tentei retirar um passaporte novo, em branco, no consulado holandês em Hong Kong, mas eles não emitiam passaporte. Então resolvi ir o Departamento de Turismo da China e, com a cara e a coragem, pedi um visto.

    Pediram-me que esperasse por três dias.

    Enquanto esperava, dei um passo de fé: fui a uma livraria evangélica e comprei várias Bíblias em chinês.

    Quatro dias depois, eu embarcava num trem para a China.

    Um milhão

    Dentro da China, procurei por cristãos fiéis em um seminário, na Associação de Moços Cristãos e até na igreja. Mas não encontrei nenhum. E ninguém se interessou pelas Bíblias que levei, ao contrário do que acontecia na Cortina de Ferro.

    Saí da China profundamente decepcionado. O que eu não sabia era que os irmãos que procurava não estavam nas instituições que visitei.

    Aqueles prédios funcionavam porque eram mantidos e rigorosamente controlados pelo governo. A Igreja que eu procurava reunia-se secretamente em casas. Na segunda vez em que visitei a China, consegui entrar em contato com eles, e receberam avidamente as Bíblias que trazia.

    Então lhes perguntei:

    — De quantas Bíblias vocês precisam?

    A resposta veio calculada e surpreendente:

    — Precisamos de, pelo menos, um milhão.

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    NEEMIAS, UM JOVEM QUE SURPREENDE!

    6 mai 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Neemias, cujo nome significa “consolo do Senhor”, era um jovem judeu, cuja família foi deportada para a Babilônia, nasceu no cativeiro, mas seu coração estava ligado a Jerusalém, cidade Santa. Foi escolhido para trabalhar no Palácio Real, no tempo do rei Artaxerxes, no quadro funcional de seus seguranças, desfrutando da confiança do rei e da rainha pelo seu profissionalismo, seriedade e simpatia. Devia ser de boa aparência, forte, treinado para lutar, sábio, discreto e alcançou o importante cargo de COPEIRO DO REI, que não tem nada a ver com copos, mas sim um tipo especial de garçom e ao mesmo tempo segurança, que além de servir o rei e a rainha, provava, na frente deles, TUDO o que eles fossem comer ou beber, de modo que se houvesse algum veneno ou outra substância qualquer nos alimentos e bebidas, Neemias é quem morreria. Diante disto, Neemias tinha livre acesso para fiscalizar e supervisionar tudo que era servido ao rei e sua esposa, desde a compra, armazenamento, preparação dos cardápios, preparação dos alimentos para consumo, higienização dos utensílios, etc. É claro que Neemias, como homem de Deus, homem de jejuns, homem de oração, com autoridade espiritual, não iria colocar sua vida em risco todos os dias contando somente com a sorte. Sua confiança estava sempre no Deus da sua vida! Neste a gente pode confiar! Amém!

    Certamente movido por Deus, Neemias enviou seu irmão Hanani a Jerusalém, com uma pequena comitiva, com a finalidade de lhe trazer notícias confiáveis. Tudo financiado por ele. No verso 3 do capítulo 1, Hanani prestou o seu relatório: “Os restantes que ficaram do cativeiro, lá na província, estão em grande aflição e opróbrio; também está derribado o muro de Jerusalém, e as suas portas queimadas a fogo”. Estas palavras caíram como uma bomba sobre Neemias. No verso 4 diz: “Tendo eu ouvido estas palavras, sentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias; e continuei a jejuar e orar perante o Deus do céu”. Neemias não exercia nenhum cargo político ou administrativo nem tinha qualquer responsabilidade sobre o que acontecia em Jerusalém, a não ser orar, como todo judeu, em qualquer tempo e lugar, pela PAZ em Jerusalém. Mas diz o texto bíblico: “e CONTINUEI a jejuar e orar perante o Deus do céu”. Isto quer dizer que Neemias levava muito a sério sua missão de “estar na brecha” a favor da cidade Santa e não se sentiu envergonhado de sentar-se para chorar e lamentar por alguns dias.

    Portanto jejuar, orar e chorar perante o Deus do céu é um meio de graça poderoso para que Deus possa agir!

    Agora vem a oração intercessória de Neemias, que está nos versos 5 a 11 do capítulo 1.

    Neste tipo de oração a pessoa que está orando se coloca no lugar da que está recebendo a oração. Isto é muito sério! Neemias confessa pecados que ele não cometeu, coloca todos os verbos na segunda pessoa do plural (nós), se incluindo voluntariamente em todas as ações que precisam do perdão e da libertação de Deus. Termina a oração pedindo a mercê de Deus para o encontro com o rei.

    Um Neemias transparente – quando entra na presença do rei para exercer o seu trabalho, ele não consegue esconder a sua preocupação. Seu rosto, seu semblante, denuncia ao rei que algo não vai bem (intimidade com o rei). Pressionado, ele conta tudo ao rei, de tal maneira que este fica sensibilizado e quando Neemias lhe pede para ir a Jerusalém ver pessoalmente o que podia fazer, o rei prontamente o permite (não sem antes dizer que ele vai fazer muita falta) e coloca a disposição tudo o que for necessário para a viagem, além de nomeá-lo governador de Judá.

    Estamos diante de um jovem vitorioso na profissão, nos relacionamentos, nos seus pedidos e, posteriormente, vitorioso em todos os seus propósitos e realizações. E o que é surpreendente nesta história? Algumas opções de Neemias, tais como:

    Não esconder de ninguém que é uma pessoa espiritual, sensível à ação do Espírito Santo, que chora, se quebranta e assume um posicionamento.

    Ser capaz de abrir mão de uma situação material e financeira excelentes (bom emprego, bom salário, reconhecimento, estabilidade) a troco de nada, só por amor a Deus e à satisfação de estar fazendo a vontade de Deus. Quantos jovens, em qualquer das nossas igrejas, seriam capazes de agir como Neemias dentro da nossa realidade?

    Ser capaz de investir, usando recursos próprios para custear todas as despesas; e a gente sabe o quanto isto é difícil!

    Chamar para si toda a responsabilidade pelo pecado de todo o povo, implorando a intervenção de Deus e a liberação do seu perdão.

    Concluindo – Queremos fazer uma comparação: Como Neemias, podemos ser valentes e destemidos, bons profissionais, ter um bom emprego, um bom patrão, uma boa assistência empresarial, e termos inclusive a indispensável proteção de Deus! Mas esta história de Neemias nos mostra que Deus quer mais de nós: que sejamos preocupados também com a nossa sociedade, que possamos investir no bem social, que sejamos capazes de chorar com os que choram, de jejuar e orar a favor de uma intervenção de Deus na nossa cidade, erguendo os muros espirituais contra toda operação do erro, contra a violência, contra o pecado, contra a prostituição, contra o tráfico de drogas, contra a corrupção, e agirmos conforme a capacidade e a disposição de cada um.

    Que Deus nos abençoe abundantemente!

    _ _

    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

    O Contrabandista de Deus – 9ª Parte

    30 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Um tesouro em russo

    Aprender outro idioma, conseguir recursos para viajar, aprender a dirigir um carro, comprar o carro, atravessar a fronteira com as Bíblias, fortalecer os novos-convertidos, firmar as crianças nos caminhos do Senhor — eram muitos desafios na Cortina de Ferro. Entretanto, de uma coisa eu tinha certeza: Deus é maior do que todos os desafios e, ele ia à minha frente abrindo caminhos e realizando milagres. Um pastor russo me perguntou, certa vez: “Por que você veio à Rússia?”. Respondi-lhe prontamente:

    “Procuro ajudar meus irmãos”. Então abri o pacote e entreguei-lhe a insignificante pilha de três Bíblias. Seu semblante dizia tudo: aquele era um verdadeiro tesouro.

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    Aqui e na China

    Era preciso ter 15 mil dólares para imprimir cinco mil exemplares de Bíblias de bolso, em russo. Perguntei à minha esposa: “Quanto você acha que vale nossa casa?”. Oramos juntos e em seguida colocamos a casa à venda. Mas ninguém apareceu para comprá-la, e isso nos surpreendeu. Até que recebemos um telefonema da Sociedade Bíblica Holandesa:

    “Vamos produzir as Bíblias para vocês”. Deus seja louvado! Não precisamos vender nossa casa. No começo do ano de 1964 pudemos oferecer aos pastores russos as Bíblias de que necessitavam desesperadamente. O amor de Deus alcançara Rússia. E, então, um dia em Moscou, eu me sentei ao lado de um chinês em um ônibus. Uma esperança pelo impossível começou a crescer dentro de mim: ministrar aos cristãos da China.

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    A lição número um de Jesus

    29 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    A palavra relacionamento se mostra como um grande desafio na caminhada cristã. Se relacionar é acreditar no potencial do próximo, abrir mão de valores para enaltecer os pensamentos daquele com quem se está interagindo. É perceber que entre as pessoas existe um grande abismo e, diante disso, construir uma ponte que possa ligar os dois lados passando por cima desse enorme buraco.

    Esse processo de engenharia não é dos mais simples, mas sempre é possível ultrapassar os limites quando se acredita naquilo que se está fazendo e acreditar nos relacionamentos é o que Jesus nos ensinou quando sintetizou todos os mandamentos em dois de maneira muito focada:

    “O Principal mandamento é: Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Mc 12:30-31).

    A intensidade dessa resposta simples e clara de Jesus surpreende qualquer nível de pensamento. Ao escolher esses dois mandamentos como os mais importantes do Antigo Testamento, Jesus mostra como é grande o valor que Ele atribui aos relacionamentos. Ele valoriza a unidade com Deus e de uns com os outros como centro da caminhada cristã. A lição número um de Jesus para as pessoas é: Valorizar uma vida feita com relacionamentos.

    No caminho, unidos nesta palavra de amor, compreendemos melhor conceitos como missão e discipulado, pois nada disso se realiza sem que haja a profundidade do relacionamento. Ser discípulo, ou discipulador,é ser essencialmente um doador de tempo, um simplificador de diálogos, um companheiro nas horas árduas e calmas da Mais que falar, ou ensinar, ser acaba sendo o melhor exemplo para que pessoas reconheçam os valores de uma vida e façam dela um modelo a seguir.

    Contudo, diferente disso, vemos hoje modelos de discipulados atualmente cheios de suas regras e opiniões, mas vazios no amor e na caminhada diária. São modelos frios e pautados em leis, distantes do amor a Deus e, principalmente, do amor ao próximo.

    O verdadeiro discipulado, aquele que certamente atinge os pontos centrais de uma vida, consiste nos gestos simples do viver. Quando aprendemos a perdoar, aceitar e, consequentemente, a amar, caminhamos ao lado uns dos outros e, nesse ir e vir, entre abraços, sorrisos, correções e ensinamentos, somos bombardeados pela beleza do amadurecimento na fé, compreendemos melhor o valor da Graça, e somos fortalecidos pelas ações do Espírito de Deus.

    Evidente que não basta só andar ao lado para se extrair o melhor de uma vida, no que diz respeito a Deus e ao próximo. Andar é o pontapé inicial, de uma longa e interessante estrada, mas, após a caminhada, fazer dos exemplos bíblicos a base para todo e qualquer processo de discipulado é fundamental para o enriquecimento e fortalecimento de um processo de discipulado. E, definitivamente, não há como doar tempo, andar ao lado, usar da Palavra e ser bem-sucedido, se o amor a Deus e ao próximo não for o combustível central desta seleta viagem.

    Jesus em sua passagem pela Terra deixou um grande legado para a humanidade, ensinou que o valor dominante da vida de cada um precisa ser o amor. O apóstolo Paulo aprendeu e sintetizou isso muito bem em sua primeira carta aos Coríntios, no capítulo treze, quando destacou que por mais que tenhamos dons, talentos, belezas e riquezas, ou ainda que tenhamos as ciências deste mundo e o dom de profetizarmos, se o amor não estiver encharcando tudo isso, nada disso teria importância ou valor. Assim, por mais que cada pessoa tenha suas particularidades, amar sempre será o melhor combustível para crescer, amadurecer e, principalmente, obedecer esta orientação do Senhor, discipular no ato de se relacionar.


    Com carinho,
    Pr. Juninho Falleiro.

    O Contrabandista de Deus – 8ª Parte

    24 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    O carro-milagre

    Na primeira viagem com o fusca azul a um país da Cortina de Ferro, descobri que tinha mais energia do que poderia imaginar. Durante semanas a fio preguei, ensinei, encorajei e distribuí as Escrituras. Realizei mais de oitenta reuniões durante os cinquenta dias (tempo de validade do meu visto), falando até seis vezes em um só domingo. Preguei em cidades grandes, vilarejos, fazendas isoladas.

    Falei abertamente no norte, e mais discretamente no sul, onde a influência comunista era mais forte.

    As estradas eram muito ruins e, ao passarmos com o carro, deixávamos um rastro de poeira. Todos os dias orávamos: “Senhor, não temos tempo nem dinheiro para consertar o carro; por isso pedimos-te que o conserves em boas condições”.

    O fusca azul ficou conhecido como “carro-milagre”. Certo dia, um irmão caminhoneiro e mecânico se ofereceu para fazer uma vistoria no fusca. “É mecanicamente impossível este motor rodar”, disse ele. O filtro de ar, as velas, o motor estavam cheios de poeira e não havia óleo no motor. O irmão lavou peça por peça, colocou óleo e nos devolveu o carro praticamente novo. Deus havia respondido às nossas orações.

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    Novos convertidos, novos desafios 

    Apesar do lema do governo, as conversões aconteciam às centenas.

    Novos convertidos — homens, mulheres e crianças — realmente viviam no reino de Deus ao mesmo tempo em que viviam sob o tacão de um governo que dizia que Deus não existia.

    A maior questão era: como deixá-los? Viemos, pregamos, ensinamos, mas seria necessário ir embora — o visto expiraria!

    Não havia Bíblias suficientes para todos. Também percebi que as crianças pertenciam a outro grupo que merecia a atenção da Igreja, pois os olhos do governo estavam cravados sobre elas.

    “Deixem os velhos, mas desmamem os jovens da igreja” era a ordem. Os professores das escolas ensinavam às crianças que Deus não existia, e faziam-nas denunciar os pais caso ensinassem o contrário.

    Distribuir mais Bíblias, fortalecer os novos-convertidos, firmar as crianças nos caminhos do Senhor: esses eram os próximos passos de nosso ministério.

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    NÃO SENTE NA JANELA!

    24 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Paulo e sua equipe chegam à cidade chamada Trôade, uma cidade portuária, na Mísia. Eles estão encerrando a terceira viagem missionária. O texto de Atos 20.7-12 nos relata um acontecimento na Igreja. Mas certamente houve algo antes, em casa, que o texto não revela, mas nós podemos imaginar e é o que vamos apresentar na forma de uma pequena dinâmica teatral.

    Êutico é um jovem adolescente de 14 ou 15 anos, que não curte muito ir à Igreja com a mãe. Era domingo, seria servida a Ceia do Senhor e estaria presente o Apóstolo Paulo e sua equipe, que estariam de regresso na segunda-feira, encerrando a terceira viagem Missionária. Aproximando-se a hora do culto, a mãe de Êutico manda ele se preparar para ir com ela ao culto. Temos então o seguinte diálogo:

    Mãe – filho está quase na hora do culto. Vá se preparar, tomar banho e trocar de roupa.

    Êutico – Ahhhhh! Mãe, não tô a fim de ir não!

    Mãe – Como não? Temos um trato, lembra? Você vai comigo ao cultos e eu libero aquelas coisas que você me pediu.

    Êutico – É, mas no trato você não falou que tinha culto quase toda noite!

    Mãe – Isto não importa. Vamos, obedeça!

    Êutico – Você nem imagina o esforço que tenho que fazer. Não tem mesmo outro jeito?

    Mãe – Não! Anda, anda, vamos logo!

    Êutico – Quem vai falar?

    Mãe – Ah! É uma pessoa muito especial e muito importante para nós: o Apóstolo Paulo!

    Êutico – O quê? Paulo? Ah! Mãe! Não faz isto comigo não. Cê não tem noção, ele fala muito, mas muito mesmo! E difícil! Tô fora!

    Mãe – Que fora que nada, anda, vai se arrumar de uma vez!

    Êutico, indo se arrumar e falando consigo mesmo: “Tá, eu vou, mas me aguarde”!

    Narrador – Chegaram no local do culto, que era num terceiro andar e a Igreja já estava lotada. Êutico deu uma olhada geral, e com a desculpa de que havia pouco lugar, foi se assentar bem na janela. E mais uma vez, disse para si mesmo: Eu sou mais eu, meu nome é “Aventura”! E ninguém disse nada, nem fez nada! Como se um adolescente sentado na janela de um terceiro andar durante o culto fosse a coisa mais normal deste mundo!

    Então, seguindo o texto bíblico, ficamos sabendo as consequências da malcriação e da teimosia por parte do jovem adolescente, e da omissão e até descaso por parte dos oficiais da igreja e da própria igreja, permitindo que aquele jovem se assentasse na janela, criando uma evidente situação de risco que não foi combatida e eliminada como deveria ser: o jovem cochila, cai e morre.

    A narrativa do texto é literal, não é uma parábola nem uma historinha inventada, mas mesmo sendo um fato, podemos e devemos tirar conclusões comparativas para nós e para nossa igreja hoje.

    Primeiro o sério problema da indisciplina: filhos sem limites, desobedientes, respondões, insubmissos e malcriados. Faz-se necessário que os pais reassumam o comando, tenham uma voz de autoridade, e restabeleçam a disciplina, custe o que custar. O padrão da Palavra de Deus é: eu digo vá e ele vai; eu digo venha e ele vem, sem discussão ou qualquer outra reação contrária. Filhos que não obedecem aos pais, não obedecem professores, não obedecem oficiais da igreja, nem ao pastor e muito menos a Deus, que eles não veem.

    Segunda conclusão é a questão espiritual. Quantos Êuticos no nosso meio, que estão indo ao culto por obrigação, estão desmotivados, nada os atrai e estão indo se assentar na janela, emitindo sinais de que estão correndo o sério risco de cochilar, cair e morrer. E nós? Fazemos de conta que tudo está muito bem. E os Êuticos vão caindo, ficando pelo caminho e morrendo sem que alguém se importe.

    O texto diz que o culto estava tão bom, a Palavra tão ungida, que Paulo foi se estendendo na mensagem até a meia noite. O culto virou uma vigília e isto é bênção! Mas os fracos não suportam isto, cochilam e caem.

    Êutico cochilou profundamente, perdeu o equilíbrio, caiu da janela do terceiro andar e morreu. A narrativa é de Lucas, o médico. Se ele diz que o jovem morreu é porque morreu mesmo. E agora? O que fazer? O apóstolo Paulo vai nos ensinar:

    Paulo parou a mensagem onde estava. Mais importante agora não era a pregação, mas a vida daquele jovem. Precisamos discernir a hora de parar tudo, para fazermos o que é necessário. Paulo priorizou o necessitado.

    Paulo desceu as escadas até ao nível onde o jovem estava caído. Alí não era o Apóstolo, o doutor, a autoridade, o importante, mas o servo de Deus que vai ao encontro do necessitado.

    Paulo se inclina e abraça o jovem, se envolvendo totalmente com ele.

    Paulo teve coragem de correr o risco diante de todos os presentes.

    Paulo declara que a vida estava no rapaz. Nada de dúvida ou pessimismo. Certeza!

    A ação de Paulo foi pessoal e urgente, não podia deixar para depois.

    Importante! Todos voltaram para o culto, inclusive e principalmente, Êutico; participaram da Santa Ceia e o culto foi até às seis horas da manhã.

    Interessante: Êutico significa “sortudo”, “afortunado”. Cabe a nós agora motivar os desmotivados e recuperar os caídos!

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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

     

    Sobre milagres e fé

    17 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    O que são milagres? “Milagres são coisas admiráveis”, diria o filósofo Voltaire: “A ordem prodigiosa da natureza, a rotação dos planetas, a atividade da luz, a vida dos animais, constituem perpétuos milagres”.

    No dicionário, a definição aparece exatamente oposta: “milagres são fatos sobrenaturais, que contrariam as Leis da Natureza”.

    Na Bíblia, os milagres são apresentados de várias maneiras: na estéril que pôde ter um filho; em um cego que voltou a ver; em uma mulher curada ao tocar as vestes de Cristo; em mortos sendo ressuscitados.

    Desde sempre, aprendemos e classificamos como milagres aqueles eventos grandiosos, que muitos de nós nunca presenciamos, e que fogem às regras da lógica humana. Nesse sentido, milagre é tudo aquilo que está totalmente fora do meu alcance, é tudo aquilo que só pode ser realizado por uma força externa a mim, uma força divina e sobrenatural, que age em meu favor.

    Muitas pessoas tentam contestar a fé cristã apresentando “provas e argumentos” racionais que justificariam determinados acontecimentos, procurando desvalorizar assim o caráter sobrenatural do ocorrido. Teorias para explicar a abertura do Mar Vermelho, o sol parado no centro do céu, o grande peixe que engole um homem vivo.

    Não sei a que conclusão chegarão os cientistas, mas para mim, seja um fenômeno natural ou não, o simples fato de ter acontecido para as pessoas certas, na hora certa, no local certo, só por isso, já seria um milagre!

    E assim, ao observarmos nosso simples cotidiano, poderíamos ver uma infinidade de pequenos milagres acontecendo: o ônibus que passou a centímetros do pedestre e por pouco não causou um grande acidente; a médica que conseguiu socorrer uma paciente a tempo de salvar sua vida; o trânsito que incrivelmente colaborou para que você não chegasse atrasado a um evento de grande importância. Pequenos milagres cotidianos. Todos acontecidos sem que o indivíduo pudesse ter controle. Para além da sua vontade ou possibilidade de ação.

    Pode até ser algo pequeno e insignificante para quem vê de fora, mas para quem vive aquele momento de incerteza, e pode presenciar a solução, certamente um milagre divino foi visto, sentido, vivido.

    Deus é perito em realizar milagres. E quer saber uma coisa curiosa? Ele disse que poderíamos fazer também: “Aquele que crê em mim, obras ainda maiores fará…” (João 14:12) “Eis que vos dou poder…” (Lucas 10:13).

    Não sei se você conseguirá fazer o sol parar, ou secar a Baía de Guanabara. Não sei se você vai presenciar um defunto ressuscitar. Mas sei que é um milagre quando uma alma deprimida encontra consolo num abraço amigo. Sei que é um milagre quando uma família que via seus filhos famintos, recebe uma cesta básica. Sei que é um milagre quando uma mãe desesperada, encontra abrigo na casa de um irmão.

    Pequenos atos de amor, grandes milagres divinos.

    Ao seu alcance. Ao meu alcance. Eu e você, instrumentos para a realização dos milagres que Deus quer operar.

    “E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro” quando pessoas se disponibilizarem a fazer a tradução na Língua de Sinais. “E dentre a escuridão e dentre as trevas os olhos dos cegos as verão” por meio daqueles que se dispõem a narrar e descrever o mundo por meio de palavras.

    Os astros, a Terra, os fenômenos da natureza, nem sempre precisam sair de suas órbitas ou rotina. Tem milagres que podem ser realizados apenas com um sorriso e um olhar atento.

    Porque no final das contas, milagres são feitos de pessoas também: a todo instante, quando a coisa certa, acontece para a pessoa certa, na hora certa.

    Então, meu amigo, faço um desafio e um convite a você: permita-se observar os inúmeros pequenos milagres que acontecem à sua volta, permita-se ser grato por cada um deles, e permita-se ser usado como instrumento de Deus na realização de inúmeros outros pequenos milagres de amor.

    Amém!

    _ _

    Rachel Colacique, professora, paulista e corintiana – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro, faz parte da diretoria da sociedade de jovens e secretária distrital da Federação de Jovens 1a RE – distrito do Catete.

    O Contrabandista de Deus – 7ª Parte

    17 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Controle de bagagem: nada a declarar

    Ali estava eu, com o porta-malas de meu fusca literalmente transbordando de folhetos, Bíblias e porções bíblicas. Como é que eu iria passar pela guarda da fronteira iugoslava com esse material na bagagem? Se me pegassem com o material, eu seria preso imediatamente.

    Só Deus poderia resolver aquela situação.

    Movido por esse próprio Deus, orei. 7_Cronica_AGO_2013_02

    “Senhor, na minha bagagem há Escrituras que desejo levar para os teus filhos, que estão do outro lado dessa fronteira. Quando estiveste na terra, fizeste os olhos dos cegos ver. Agora eu peço: faze com que os olhos dos que veem fiquem cegos. Não deixes os guardas verem as coisas que tu não queres que eles vejam”.

    Assim, armado com essa oração, dei a partida no carro. Partimos corajosos, eu, meu fusca e centenas de textos bíblicos em direção aos guardas comunistas da alfândega.

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    Cegos!

    Eles se aproximaram e olharam com estranheza o meu passaporte. Eu devia ser o primeiro holandês que eles viam na vida.

    Ou talvez aquele fosse o primeiro fusca que eles viam, porque resolveram vasculhar o carro. Remexeram em tudo: abriram a minha mala, na qual poucas camisas escondiam uma pilha enorme de folhetos. Abriram o porta-malas. Espiaram dentro do carro. Um deles me perguntou o que mais eu levava.

    Respondi que só pequenas coisas. Ele, então, fez um sinal para que eu fechasse a mala e me devolveu o passaporte.

    Em poucos minutos, entrei novamente na Cortina de Ferro. E poucos dias depois, entregava minha preciosa carga de Bíblias e material de evangelismo aos cristãos iugoslavos.

    *Extraído da Revista Portas Abertas

    Quando uma interpretação errada põe tudo a perder

    13 abr 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Números 13

    No livro de Êxodo encontramos a narrativa de quando Deus tirou o seu povo da terra do Egito.

    Primeiro Ele levantou Moisés e Arão como líderes e então enviou dez pragas, sendo que a décima foi a definitiva: a morte dos primogênitos. Os judeus desde este momento, todos os anos, no mundo inteiro, comemoram esta vitória com a celebração da Páscoa. É dia de muita alegria em todos os lares. Cumpre observar que muitas Igrejas Cristãs Evangélicas estão também participando desta festa adaptando o ritual onde se faz necessário.

    Na sequência do texto bíblico vem a perseguição de Faraó, a abertura do Mar Vermelho, o povo passando para o outro lado a pé enxuto, o mar se fechando e Faraó com seu exército perecendo nas águas revoltas. Três dias de caminhada e chegam ao Monte Sinai onde permanecem por onze meses. Os acontecimentos deste período estão narrados de Êxodo 20 até o final do livro de Levítico. Passado esse período Deus orienta Moisés que levante um homem representante de cada tribo formando um grupo de 12 espias que deveriam ir até a terra prometida para observar tudo o que fosse possível, nos mínimos detalhes, fazendo então um relatório na presença de todo o povo.

    Eles levaram 40 dias para ir e voltar. O relatório dos 12 era muito parecido no seu conteúdo, com observações muito interessantes. A terra era realmente muito boa, manava mesmo leite e mel, e os frutos, nunca tinham visto nada igual. Trouxeram amostra do que puderam, inclusive um cacho de uva carregado por dois homens com ajuda de um tronco de árvore. Mas era terra de gigantes enormes. Disseram que se viam como gafanhotos diante daqueles homens. Dez dos doze espias não estavam preparados para ver o que viram e além de ficarem apavorados, amedrontados, acovardados, tiraram conclusões erradas, dizendo que seriam totalmente destruídos com suas famílias. Desta forma, contaminaram todo o povo, pois em nenhum momento se lembraram do poder de Deus, do seu amor e cuidado, dos grandes livramentos que Ele já havia dado ao seu povo, especialmente na passagem do Mar Vermelho.

    Quando Josué e Calebe conseguiram falar – e eles tinham a palavra certa, coerente, vitoriosa, a palavra que Deus queria que fosse considerada – não foram ouvidos, mas tidos como loucos. Então a situação ficou fora de controle e, o que é pior, o povo começou a murmurar contra Moisés, Arão e contra Deus. Três coisas aborrecem profundamente o nosso Deus: a murmuração, a desobediência e a idolatria! Deus ficou irado e por pouco o povo não foi totalmente consumido. A caminhada que estava próxima do fim, pois em poucas semanas estariam entrando em Canaã, ficou prejudicada. Então Deus disse a Moisés: com exceção de Josué e Calebe, que permaneceram fiéis, ninguém mais, dos que saíram do Egito, entrará na Terra Prometida, mas andarão pelo deserto pelo tempo necessário até que uma nova geração seja levantada. Quando os espias foram enviados, foi feita a contagem que indicou 600 mil homens. Quando chegasse novamente a este número com a nova geração, então estariam prontos para entrar em Canaã. A narrativa bíblica deste período está no livro de Números.

    A pergunta é: o que isto tem a ver com a nossa vida espiritual/religiosa nestes dias?

    Em primeiro lugar, em termos simbólicos, nós também saímos do mundo (Egito). Em segundo lugar, escravidão e opressão ficaram para trás! Terceiro, estamos numa caminhada abençoada para a Terra Prometida, a Canaã Celestial. Muitas experiências que o povo de Deus viveu no passado, estão sendo vividas por nós também. Jesus é o caminho! Muitas coisas poderiam ser aqui lembradas, mas vamos nos ater a missão dos doze espias.

    São doze tribos, todos descendentes de Jacó. Entretanto, cada tribo tem a sua característica específica, mas todos são o Povo de Deus com a principal missão de mostrar ao mundo que o nosso Deus é o Deus Único e Verdadeiro! John Wesley criou uma frase interessante: “No não essencial, liberdade; no essencial, unidade e em tudo, caridade ou amor”. O povo de Deus não é marionete ou um robozinho, mas sim um povo esclarecido, com opiniões próprias, com sabedoria e discernimento e também humildade e obediência a Deus e à liderança.

    Quando participamos de algum grupo, ministério e outros, somos todos de um mesmo time, vestimos a mesma camisa e chutamos para o mesmo gol. Podemos discordar até chegar a um denominador comum, a um consenso, mas jamais podemos murmurar e desobedecer a Deus e a liderança!

    No caso dos 12 espias, a rejeição, murmuração, etc, trouxeram consequências drásticas para todos. Além disso, não temos que nos sentir “como gafanhotos” diante dos problemas ou diante de alguém que aparenta ser muito mais do que nós. Deus deu a Davi uma estratégia para lutar contra Golias: não se envolver numa luta braço a braço (ele seria esmagado!). Mas lutar à distância usando sua experiência com a funda, foi tiro e queda!

    Não há o que temer! Não somos inferiores a ninguém, e além do mais, Deus está conosco!

    Deus seja louvado.

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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

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