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    Listagem de "Colunas"

    A Virada: O nascimento do mundo moderno

    22 jul 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    A Virada – autor: Stephen Greenblatt.

    Editora: Companhia das Letras

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    A Virada: O nascimento do mundo moderno

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    Trata-se de um estudo feito pelo autor norte – americano Stephen Greenblatt, cujo tema é o epicurismo presente em um poema de Lucrécio, encontrado pelo humanista italiano Poggio de Bracciolini, quando este visitou um mosteiro na Alemanha. E vai desenvolvendo a questão do epicurismo*, tanto na Antiguidade Clássica, passando pelo cristianismo, até chegar na Renascença e na Idade Contemporânea.

    Começa falando sobre como Poggio chegou até o livro. Poggio era secretário do antipapa Baldassare Cossa e resolveu ir em busca de um livro, no qual, encontrava – se um famoso, porém esquecido poema polêmico chamado “De rerum natura”, ou Das coisas naturais – de Lucrécio. E o capítulo vai além e explica a razão que levou o humanista a procurá – lo. O que ocorre é que, após a realização do Concílio de Constanza (entre a Itália e a Suíça) Poggio perdeu seu emprego, diga – se de passagem, o Concílio ocorreu porque havia dois papas, e precisava – se resolver qual era o que tinha que ser aceito pelo Imperador do Sacro Império Romano e Germânico (abolido por Bonaparte e sucedido pelo Império Austríaco em 1806 aproximadamente).

    Portanto, Poggio estava desocupado e como humanista de seu tempo foi procurar por um livro, encontrando-o num mosteiro alemão. O poema pagão falava de uma visão que havia nos tempos do Império Romano – o epicurismo. De Epicuro, filósofo grego que regava que não havia deuses, vida pos mortem, e que o homem deveria aproveitar todos os “benefícios da carne”, uma vez que depois morreria e tudo acabaria. Tal visão embasava a vida negligente em termos espirituais daqueles tempos em que o paganismo grassava no Império. O importante era ser feliz, como diz aquele filme “Sociedade dos Poetas Mortos” -“Carpe diem” (Aproveitem o dia). Versava sobre uma vida despreocupada: bebida em excesso, luxúria, promiscuidade, enfim, uma vida que permitisse ao homem encontrar a felicidade, um dos objetivos do homem, segundo Epicuro. No entanto, logo que o cristianismo foi oficializado, o poema acabou sendo banido. Ao mesmo tempo, o poema falava dos átomos, dizendo que tudo surgiu a partir dos átomos – atomismo. Outra questão condenada pela Igreja Católica,

    hegemônica naquele momento. Este atomismo deu origem ao pensamento científico moderno, com uma visão na qual Deus não tinha espaço. Baruch Spinozza seguiu esta linha de pensamento. O interessante é que seria aproveitado por humanistas cristãos e devotos como Roterdã e Thomas More. Na Europa renascentista, havia dois grupos:
    humanistas radicais e humanistas cristãos. O primeiro grupo seguia à risca tal visão de que o homem era o centro do universo e não precisava de Deus, até porque – segundo eles, o Senhor não existia. Levavam aos extremos De rerum natura. Do outro lado, havia os humanistas cristãos. Refiro – me a Erasmo de Roterdã (filósofo holandês) e também a Thomas More (Utopia). Estes dois viam que o pensamento epicurista e o poema poderiam ser aproveitados pela Igreja e pelos seus fiéis. Feitas as devidas adaptações, não haveria problema algum.

    O poema foi famoso no processo de independência das 13 colônias, segundo o autor, pois os pais da República Norte – Americana leram o poema e viram nos textos de escritores como John Locke que o povo deveria viver para encontrar a felicidade. É claro que o conceito de felicidade estava adaptado aos novos tempos, e isto por influência dos humanistas cristãos. O interessante é que tal visão que embasou a formação dos Estados Unidos veio a embasar também a ideia de que o norte americano deveria encontrar a felicidade e enriquecer. Isto, também, influenciou os imigrantes que foram para a América do Norte em busca da felicidade.

    Conclusão: Nada contra a felicidade. Encontrar sua realização pessoal. A própria Bíblia fala de Abraão, que a buscou no seu trabalho. Mas, sempre associou – a uma vida com Deus. O mesmo era defendido pelos humanistas cristãos. O protestantismo é, diga – se de passagem, herdeiro desta visão. O homem deve procurar sua felicidade, mas com Jesus Cristo ao seu lado, direcionando sua vida.

     

    Texto adaptado por Neize Tavares

    *Epicurismo - fil doutrina do filósofo grego Epicuro (341-270 a.C.) e seus epígonos, caracterizada por uma concepção atomista e materialista da natureza, pela busca da indiferença diante da morte e uma ética que identifica o bem aos prazeres comedidos e espirituais, que, por passarem pelo crivo da reflexão, seriam impermeáveis ao sofrimento incluído nas paixões humanas.

    p.ext. o modo de viver, de agir, de quem só busca o prazer; sensualidade, luxúria.

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    Bruno Menezes – membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro

    Você está conectado? Com quem?

    14 jul 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    No mundo atual, temos a necessidade de estar conectados. Muitos somos multitarefas e ficamos conectados e vemos tv ao mesmo tempo. Está comprovado científicamente que quando fazemos mais de uma coisa, sobrecarregamos o cérebro e ao tirarmos o foco de algo para focar em outra coisa. o cérebro gasta muita energia. Mas, a concepção de felicidade atual é ser performático. E o cérebro, sendo nosso HD, fica cheio de informações até ficar sobrecarregado e levar ao stress. Outro problema é a comunicação. Em toda parte, as pessoas ficam usando o celular, não só para falar, como para se conectar com alguém ou algo.

    Outro dia, fui ao cinema e enquanto esperavam , apesar dele estar situado em um belo jardim, todos olhavam para os celulares. Ninguém apreciava as belezas desse jardim. No dia seguinte, fui a uma sessão para professores e o filme era ótimo. Um casal se sentou ao meu lado e ela ficou no celular. Não dava atenção ao companheiro e nem procurava saber se aquela luz estava me atrapalhando. Assim foi durante os trailers e quando o filme começou, ela continuou. Mais grave ainda porque era uma sessão para professores.  Outra vez, eu estava no balcão nobre para ver O Lago dos Cisnes e apesar de avisarem que não era permitido filmar, muito menos com flash, várias luzes apareciam, atrapalhando nossa visão. Os seguranças vieram ameaçar de confiscar os celulares se não parassem e tudo prosseguia como se nada tivesse acontecido. Pensei em como pessoas vão para o balcão nobre e não vêem nada do ballet e ainda atrapalham quem quer ver.  Será que se conectam com Deus? Se não olham nada nem ninguém ao redor, fica difícil. Agora, vejo na tv que diante de um ferido, um policial só se preocupou em filmá-lo. Conectar-se com Deus não significa ficar de joelhos, orando dia e noite.

    Podemos nos conectar com Ele sempre que apreciamos a natureza, as suas obras e o nosso próximo, tentando compreendê-lo e ajudá-lo.Tudo que Ele coloca diante de nós é para nosso regozijo e gratidão. Essa é a nossa missão. Vamos nos conectar com Ele?

    “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença, há plenitude de alegria, na tua destra,  delícias perpetuamente.” (Salmo 16:11).

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    Neize Tavares, é membro da Catedral, professora de Português e Francês, integrante da Diretoria da SMMulheres.

     

    DANIEL, CAP. 1 A COMIDA REAL E OS JUDEUS FIÉIS

    13 jul 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Algumas informações preliminares

     

    Significado do nome Daniel, em hebraico: Deus é meu Juiz

    Tema do Livro de Daniel: A Soberania do Senhor sobre todas as Nações

    Autor: O próprio Daniel

    Data provável da escrita: 535 a.C. (fim do cativeiro)

    Versículo chave: cap. 4:34-35

    Idioma – Aramaico, a língua falada pelos hebreus na Babilônia

    Tipo de Livro: Profético e Apocalíptico

    Ênfases da vida de Daniel: Vida pura

                             Vida santa

                             Estudioso da Palavra

                             Praticante do Jejum e da Oração

     

    O livro de Daniel tem capítulos históricos e capítulos proféticos. O capítulo 1º é histórico e nos fala da tomada de Jerusalém por Nabucodonosor. Nesta época Joaquim era rei em Judá, e  Jeremias o profeta do Senhor. O livro de Daniel foi escrito pelo próprio Daniel durante o cativeiro de 605 a.C a 535 a.C. Estima-se que Daniel tinha aproximadamente 16 anos quando foi levado para a Babilônia. Daniel mais três amigos, Hananias, Misael e Azarias eram palacianos e pertenciam à classe nobre. O rei Nabucodonosor gostava de ser bem assessorado e exigia que só os melhores trabalhassem para ele. Depois de examinar os candidatos escolheu Daniel e seus amigos, que já tinham um excelente curriculum, mas ainda teriam que fazer uma espécie de aperfeiçoamento por três anos, incluindo aí o domínio da língua falada, a adaptação à cultura, usos e costumes dos babilônios. A seguir a relação dos sete requisitos estabelecidos pelo rei Nabucodonosor que demonstram um elevado padrão de conhecimento e comportamento nas áreas social, física e intelectual:

    1. Perfeitos (sem defeito),
    2. Boa aparência,
    3. Bem instruídos e sábios,
    4. Doutores em ciência,
    5. Portadores de conhecimentos gerais,
    6. Competentes,
    7. Ensináveis (facilidade e disposição para aprenderem rapidamente a cultura e língua dos caldeus).

     

    Os quatro jovens foram então encaminhados ao Palácio Real com direito a tudo do bom e do melhor à disposição. Tiveram seus nomes mudados em homenagem aos deuses da Babilõnia Bel, Nebo e Aku; numa estratégia para forçar a uma melhor e mais rápida adaptação na nova corte. Daniel passou a se chamar Beltessazar, Hananias, Sadraque; Misael, Mesaque e Azarias, Abede-Nego.

     

    Discernindo Daniel que por trás de tudo havia um plano, nitidamente de inspiração do maligno, incluindo o costume dos babilônios de consagrarem seus alimentos aos ídolos, ele e seus amigos assentaram em seus corações não se contaminarem com as iguarias do rei, mas se abster, comendo apenas legumes e bebendo apenas água. E Deus se agradou deste propósito e deu graça e misericórdia a Daniel.

     

    O responsável pelo treinamento destes jovens argumentou contrariamente apelando para a lógica e para o emocional. Da parte de Daniel houve firmeza espiritual e ousadia. Daniel foi colocado à prova por dez dias. No décimo primeiro: vitória e aprovação! Daniel não inventou uma dieta nova, mas se absteve de ser contaminado! E novamente Deus se agradou dos quatro rapazes e lhes deu: conhecimento, inteligência e sabedoria, e a Daniel entendimento espiritual ou discernimento.

     

    Ao fim de três anos foram provados pelo Rei que os achou dez vezes mais doutos. Foram aprovados com distinção e louvor!

     

    Vale a pena investir em nossos jovens e adolescentes no sentido, não só de estudarem como qualquer um, mas de se dedicarem, dando o máximo de si mesmos no seu preparo intelectual. Deus é fiel e certamente honrará os seus servos e servas.

     

    Mesmo que o inimigo queira interferir, não há o que temer, a vitória é nossa em nome de Jesus! Mas há que permanecer humilde e firme no Senhor! O mundo oferece muitas coisas boas e ruins, temos que discernir e rejeitar aquilo que pode atrapalhar nossa fé e nossa caminhada. Cuidado com a rotina; ela nos leva a fazer as coisas no automático e assim perdemos o entusiasmo. Precisamos estar ligados ao Espírito Santo o tempo todo e saber que a todo momento seremos provados, e temos que ser aprovados com distinção e louvor!

     

    Amém!

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    Alcides de Moraes Mendes –Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª.RE(ES/MG)

    O PRÍNCIPE DOS PREGADORES

    6 jul 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    A família de Charles Spurgeon (1834-1892) fugira da Holanda por volta de 1570 para escapar à perseguição do rei católico Filipe II.  Viveram na Inglaterra desde então, mas em 1662 foram novamente perseguidos pelo rei Carlos II, da igreja Anglicana, porque como puritanos não aceitaram o Ato de Uniformidade que impunha o uso de um livro de orações único, entre outras decisões.

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    Ele se batizou aos 15 anos,  aos 16 já pregava, aos 17 tornou-se o pastor de um templo da igreja Batista, em Cambridgeshire.  Rapidamente Spurgeon se tornou uma celebridade mundial.  Era convidado a pregar em várias cidades e até no exterior.  Ele pregava ao ar livre mas também em ambientes fechados, de 8 a 12 vezes por semana.  Em 1857, ele pregou para 23.654 pessoas que lotaram o auditório do The Crystal Pallace, em Londres para ouvi-lo por mais de duas horas.

    Seus 3.653 sermões, impressos como panfletos de evangelização, chegaram até nós.  Até o último ano de seu pastorado, 14.692 pessoas tinham sido batizadas. Quando, no século XX,  Billy Graham refutou a ideia de o lançarem candidato à Presidência dos EUA declarando: “Eu não posso ser rebaixado”, ele citava Spurgeon: “Se Deus o chamou para seu ministério, não se rebaixe a ponto de ser rei em qualquer país”.

    Spurgeon viveu o que pregava.  Dizia:  “Se os pecadores forem para o inferno que, no mínimo, tenham que saltar por cima de nossos cadáveres.  E que ninguém entre ali sem estar avisado e sem que se tenha intercedido por ele.”

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    Domitila Madureira, membro da Igreja Metodista da Asa Sul, Brasília.

    COISAS PEQUENAS, PORÉM SÁBIAS

    30 jun 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Ao longo do meu ministério pastoral, exercido desde setembro de 1977 até esta data, tive o privilégio de falar sobre a Palavra de Deus, buscando sempre a direção de Deus e a unção do Espírito Santo. Meu objetivo sempre foi falar de tal maneira que todos pudessem entender o que Deus estava falando ao coração de cada um. Não sei dizer quantas vezes falei, mas tenho colhido muitos frutos, especialmente, de vidas salvas pela pregação da Palavra, estudos, reflexões, meditações, vidas que entenderam, pela ação do Espírito Santo, que aceitando e confessando Jesus como Senhor e Salvador, não só estão salvas, mas aptas a caminhar em novidade de vida.

    Sou muito grato a Deus por esta porta que se abriu para eu poder compartilhar com você o que Deus quer falar hoje ao nosso coração. Deus abençoe sua vida de maneira superabundante, tocando poderosamente seu espírito como tem feito comigo. Gosto muito quando estou lendo um texto e Deus começa a me mostrar algo que eu ainda não tinha percebido e logo vai se formando na minha mente e no meu coração uma palavra viva a ser entregue de alguma maneira ao povo de Deus.

    Desta forma convido você a ler um texto no livro de Provérbios, capítulo 30, versos 24 a 28: “24- Quatro coisas há na terra que são pequenas, entretanto são extremamente sábias; 25- as formigas são um povo sem força, todavia no verão preparam a sua comida; 26- os coelhos são um povo débil, contudo fazem a sua casa nas rochas; 27- os gafanhotos não têm rei, contudo marcham todos enfileirados; 28- a lagartixa apanha-se com as mãos, contudo anda nos palácios dos reis”.

    Formigas, coelhos, gafanhotos, lagartixas.

    Que Deus formidável é este a quem servimos! Fala de coisas grandiosas e tremendas como também coisas pequenas, que para muitos nem merecem a atenção. Mas Deus diz que são “extremamente sábias”.

    As formigas, Deus diz que são “um povo sem força”, um povo fraco, débil, TODAVIA preparam sua comida no verão, de modo que, quando vier o inverno estão estocadas e não precisam nem sair de casa. Nisto há sim grande sabedoria só percebida por quem presta atenção nas coisas pequenas. As formigas nos ensinam a sermos PRUDENTES E PREVIDENTES, e pensarmos no futuro. Um exemplo prático nos nossos dias: quem não contribuiu de maneira correta para a Previdência Social está recebendo menos do que devia, e alguns recebendo nada!

    Os coelhos, também são um povo fraco, débil; sem condições de oferecer resistência a qualquer predador; mas Deus lhes deu duas pernas traseiras mais compridas, que lhes permite correr com grande agilidade, deixando o perseguidor para trás e se enfiando rapidamente na sua casa que é um buraco na rocha, onde só cabe ele. Ali está a salvo. Portanto o coelho nos fala de SEGURANÇA. A irmã americana Fanny Crosby, cega desde a infância, autora de milhares de hinos, em um deles, escreveu: “Que segurança tenho em Jesus, pois nele gozo paz, vida e luz”!

    Os gafanhotos, diz o texto, não tem rei, não tem um líder declarado, ENTRETANTO voam todos enfileirados, porque Deus lhes deu espírito de corpo, de união, de disciplina. E disto a Igreja precisa e muito. Paulo, escrevendo aos efésios, capítulo 4, ensina sobre a unidade. Versos de 2 a 6: “com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando diligentemente guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;  um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos”.

    A lagartixa – podemos pegá-la com as mãos, embora muitos tenham nojo. Quando menos se espera lá está ela instalada atrás de um quadro ou no teto, não só de qualquer casa, como até nos palácios. Ela consegue isto porque é DISCRETA. Não faz barulho, não chama atenção, simplesmente entra e se instala. Crente que faz muito barulho, chama a atenção para si, fala demais e age de menos, sem sabedoria!

    Pense nisto! Ponha isto que você aprendeu em prática na sua vida. Compartilhe com outras pessoas. É Palavra de Deus, não volta vazia!

    Shalom!
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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

    Canção do Exílio

    30 jun 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

     SALMOS 137

     Exílio existencial de todos nós!

     

    O salmista expressa o sentimento de pessoas exiladas que foram arrancadas de súbito de seu mundo construído com suor e lágrimas. Num piscar de olhos viram sonhos construídos em meio a dores de parto sendo dolorosamente transportados para uma realidade fria, crua e inalterável.

    No caminho da existência, abruptamente, por circunstancias alheias à nossa vontade e querer somos lançados no “exílio” existencial. De repente, nos pegamos interiormente em terras estranhas. Tudo à nossa volta muda, se transforma, se mutila. Nada planejado, projetado, sonhado. Sobreveio-nos de assalto e invadiu o nosso mundo com uma força destrutiva, arrancando violentamente tudo do seu devido lugar, sem que pudéssemos expressar qualquer reação. Totalmente impotentes.

    …Assentávamos e chorávamos… O salmista expressa no exílio, em meio às   suas dores, diante de uma realidade aparentemente imutável, as suas próprias angústias, tristezas e pavores. As margens dos rios, para os antigos povos, bem como para o povo de Deus, era um lugar de comunhão devocional e oração. Espaço liturgicamente escolhido para derramar lamentos e choros de natureza angustiante. Lídia, discípula de Jesus, tinha por hábito reunir-se à beira de um rio junto a outras mulheres de fé para cultuar e amar a Deus. Quando vivemos no “exílio existencial” qualquer lugar que acolha as nossas lágrimas torna-se o nosso  “rio babilônico”. O quarto, o canto de uma praia, o altar de uma igreja, um ombro de um amigo ou amiga. Enfim, qualquer lugar no espaço e tempo é propício para acolher em paz as nossas dores e lamentos.

    …Lembrando-nos de Sião… Quando somos arrancados do nosso lugar de segurança e paz, até as melhores lembranças nos machucam. As perguntas começam a invadir nossa consciência, de tal forma, que cada indagação na alma apenas castiga o nosso ser. O que fizemos para merecer tal realidade? É a pergunta mais inquietante e aterrorizadora que o ser humano pode fazer a si mesmo. No mínimo, tal pergunta apenas corrobora para a instalação da culpa na alma. Qualquer lembrança permeada de culpa deixa de ser uma mera saudade para ser uma profunda ferida.

    …Pediam-nos canções… No exílio, por mais belo que seja o que nos cerca, tudo parece perder o seu brilho e cor. Tudo passa a ter um tom acinzentado. Como alegrar-se? Como celebrar? Se nada mais soa de importante significado e sentido.

    O passado torna-se um cativeiro existencial. Perde-se a força do presente e a esperança e fé no futuro.

    …Se eu me esquecer de ti… O medo de olhar para o futuro, de vislumbrar novas possibilidades, acorrentar-nos ao passado. Não conseguimos olhar para a vida, a não ser pela ótica das feridas que nos marcaram. Nos melhores corações martelam as palavras dos que nos feriram ou as circunstâncias que nos afligiram. Para quem não tem saudade esperançosa do futuro, quase tudo se torna motivo de mágoas e rancores. Muitas vezes contra si mesmo.

     

    Concluindo: O que o Salmo 137 nos traz como reflexão para o nosso caminhar com Deus? 1. O exílio existencial é uma possibilidade de reconhecermos a nossa impotência e fragilidade diante da vida e realidade. 2. O exílio existencial é um doce convite divino para uma anamnese de nossa comunhão com Deus e com o próximo. 3. O exílio existencial é o convite para a nossa reaproximação com o Senhor de todos os caminhos. 4. O exílio existencial é o momento de nutrir-nos de esperança e fé diante de ambientes que trabalham contra os sonhos e anseios de uma vida abundante.

     

     

    UMA MENINA MUITO INFLUENTE

    24 jun 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Mary Jones nasceu há mais de 200 anos no País de Gales, e era filha de tecelões muito pobres. Desde que aprendeu a ler, aos 8 anos, ela desejava ardentemente ter uma Bíblia só dela, que pudesse ler quando quisesse.  Mas, mesmo tendo se tornado mais barata graças à imprensa de tipos móveis, a Bíblia ainda era um bem caro demais para os seus parcos recursos.

    maryjones_bigMary decidiu então prestar pequenos serviços e poupar para comprar sua Bíblia. Ela poupou por um bom tempo, todo o dinheiro ganho assim.  Quando julgou ter o suficiente, sua mãe adoeceu e o dinheiro foi destinado aos remédios de que ele precisou para se curar. Sem desanimar, apesar de tão jovem, ela recomeçou a poupar.

    Ela já era uma adolescente quando conseguiu reunir outra vez uma soma significativa, capaz de tornar seu sonho realidade.  Então, nova decepção…  Mary foi informada que em Alan, onde vivia, não havia nenhuma Bíblia.  Em Bala, porém, uma cidade distante cerca de 40 km, certo reverendo tinha Bíblias à venda. Mary se preparou, levou provisões de boca e iniciou a pé sua jornada para Bala, que lhe consumiu dois dias caminhando!

    Ao chegar lá, procurou o Rev. Thomas Charles, alegre com a possibilidade de ter sua própria Bíblia enfim. Porém o único exemplar disponível tinha sido encomendado por outra pessoa.  A  frustração foi demasiada para Mary e ela, ao ouvir essa resposta, caiu desfalecida.  Quando recobrou os sentidos, contou sua história, e o Rev. Thomas decidiu dar a ela aquele único exemplar da Bíblia.

    Mais do que isso, o exemplo de Mary sensibilizou-o a agir para tornar a Bíblia acessível aos mais pobres.  Foi por causa dela e do seu amor pela Palavra de Deus que se fundou a primeira Sociedade Bíblica para difundir a Palavra de Deus para todos.  Hoje existem 145 sociedades bíblicas em atividade no mundo inteiro com esse propósito.

    Há cerca de dois anos, o Espírito Santo me moveu a fazer o Ano Bíblico novamente. Usei uma edição da Bíblia específica para esse fim, em que temos a leitura para cada dia reunindo um trecho do Antigo e outro do Novo Testamento, mais uma parte de Salmos e de Provérbios.

    Quando ao ler a Bíblia, me deparo com trechos desafiadores para minha compreensão, uso o site www.blueletterbible.org com a obra de James Strong (e equipe), “Concordância Bíblica”, que me esclarece os termos originais em hebraico ou grego. São links numerados, onde H remete ao Antigo Testamento e G, ao Novo.

    Gosto também de manter um caderno pessoal de anotações com minhas reflexões sobre esses estudos bíblicos. Um dos heróis da fé, Charles H. Spurgeon, dizia que uma Bíblia que está caindo aos pedaços geralmente pertence a alguém que não está!

    E que brilhe Jesus!

     

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    Domitila Madureira, membro da Igreja Metodista da Asa Sul, Brasília.

     

    MAIS SOBRE O PERDÃO

    16 jun 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    No artigo anterior, tratamos sobre vários aspectos indispensáveis do perdão vertical, nosso para com Deus, lembrando que Deus é Santo, Santo, Santo e que nós precisamos nos santificar para entrar na Sua presença, começando com a confissão dos nossos pecados, clamor pelo poder que há no sangue de Jesus para nos perdoar, e declarando, pela fé, que estamos perdoados. Tudo isto tem a ver com a nossa necessidade de nos aproximarmos de Deus, seja para louvar, adorar, orar ou ministrar na presença do Senhor.

     

    Agora precisamos pensar um pouco no perdão horizontal; o perdão necessário nos nossos relacionamentos do dia a dia, em casa, no trabalho, na escola, na igreja e mais aonde quer que seja. A Bíblia nos orienta sobre este assunto e pelo que se pode discernir, trata-se de algo seríssimo que pode causar enfermidades no corpo e na alma, que podem levar à morte.

    Para melhor entendimento vamos examinar três parábolas contadas por Jesus que abrangem o perdão:

     

    O Filho Pródigo – Lc. 15.18-19 – O pecado deste jovem começou lá trás, dentro da sua cabeça, na forma de pensamentos que foram sendo acolhidos e acalentados. Quando o rapaz foi conversar com o pai, ele já tinha tudo esquematizado e tinha “certeza” de que tudo ia dar certo, como planejado. No início, enquanto tinha caixa para bancar as despesas, tudo parecia ir bem. Foi quando o dinheiro acabou que o jovem começou a perceber que estava tudo errado. Veio então o sofrimento como nunca tinha experimentado antes. Ele caiu em si ainda a tempo e disse: “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai e lhe direi: Pai pequei contra o céu, e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho, trata-me como um dos teus trabalhadores”. O pecado leva para a morte, mas o arrependimento e o perdão levam para a vida! Destaque para o amor do Pai!

     

    Os Dois Devedores – Lc. 7.41-43 – um devia 500 denários e o outro 50 denários (1 denário = o salário de um dia). Os dois não tinham como pagar. O credor perdoou a ambos. Qual dos dois amará mais o credor? O que foi mais perdoado! Resposta correta.  O texto é auto explicativo. Destaque novamente para o amor de Deus.

     

    O Credor Incompassivo – Aqui é bem mais complicado! Mt. 18-23-35 – O rei resolveu ajustar contas com seus servos. O primeiro devia dez mil talentos (muito dinheiro!). Não tendo com o que pagar, o rei ordenou que fosse vendido como escravo junto com mulher, filhos e tudo mais que possuíam. O servo se prostrou reverentemente e implorou paciência porque ele iria pagar tudo. O rei se compadeceu, mandou que fosse embora e perdoou sua dívida. Saindo do palácio real encontrou um conservo que lhe devia cem denários, o equivalente a 100 dias de salário; uma dívida infinitamente menor do que a dívida que o rei perdoou. Mas o credor mau caráter, agarrando o seu devedor o sufocava e disse: “Paga-me o que me deves”! O conservo caindo aos seus pés implorava: “Sê paciente comigo e te pagarei”. Ele não quis e mandou que fosse preso até pagar a dívida. Vendo os seus companheiros o acontecido, ficaram muito tristes e foram relatar tudo ao rei que logo mandou chamá-lo e lhe disse: “Servo malvado, perdoei aquela dívida toda porque me suplicaste. Não devias fazer o mesmo”? Indignado, o rei o entregou aos verdugos (o mesmo que algoz, carrasco), até que pagasse toda a dívida. No geral, a parábola atinge a grande injustiça de quem quer ser perdoado fingindo humildade, prometendo o que não iria cumprir, mas consegue emocionar o rei e sai totalmente livre daquela situação. Uma aparente vitória. Encontra alguém que lhe devia algum dinheiro e então mostra a sua verdadeira identidade: malvado, injusto, violento, de coração endurecido. Mas alguém contou tudo ao rei que agiu duro, merecidamente. Juízo de Deus.

    Então neste texto encontramos algo bem importante:

    1. Quem não perdoa retém a bênção do não perdoado. Tudo que acontecer de ruim com o não perdoado será cobrado do não perdoador!
    2. O não perdoador será oprimido pelos verdugos com a permissão de Deus.
    3. A oração do Pai Nosso fica prejudicada por faltar veracidade na afirmação “e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado os nossos devedores.”

     

    Por isto há em nossas igrejas muitas pessoas sofrendo de tantas coisas emocionais e espirituais, por falta de perdão, e ainda por cima levando outras pessoas a sofrerem também. Não vejo ninguém pregar sobre isto porque não dá ibope. Entretanto Perdão é um dos temas bíblicos da maior importância e também dos mais difíceis de ser ensinado. O principal motivo é que ninguém é treinado para isto. No “sistema mundo” isto é sinal de fraqueza. Se você quer perdoar ou ser perdoado, ore pedindo ajuda a Deus, sabedoria, domínio próprio.

     

    Há, ainda, outro problema. É que a falta de perdão pode gerar uma raiz de amargura dentro de nós; e aí é preciso primeiro tratar disto. Eu aprendi na minha experiência pastoral que raiz de amargura deve ser tratada com o pastor que ouvirá sobre o problema, aconselhará, ungirá com óleo e imposição de mãos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, tantas vezes quanto for necessário para uma libertação completa. Depois disto será necessário um concerto entre as partes envolvidas, pedindo perdão ou concedendo perdão. Não dá para pular esta parte. Ela é bíblica e essencial à vida cristã. E, mais uma vez, a maior dificuldade é que ninguém é treinado para isto, nem em casa, nem na escola e muitas vezes, nem na igreja em que participamos. Perdão não é o mesmo que desculpa. Perdão é muito mais profundo. É uma atitude tomada diante de Deus, consciente e abrangente, sem qualquer barganha, mas pela GRAÇA! Perdão também pode significar restituição, devolução de algo que foi roubado ou tomado.

     

    O Senhor te abençoe e guarde!
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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

    A PRISTINA GERAÇÃO CRISTÃ: POLICARPO DE ESMIRNA

    1 jun 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Um dos cristãos dos primeiros tempos de nossa era, Policarpo se destacou por proclamar ter conhecido ao menos um apóstolo, João que, segundo Tertuliano, o teria nomeado bispo de Esmirna, cidade situada no que hoje conhecemos como Turquia, próxima ao mar Egeu. Nascido circa 70 d.C. , viveu provavelmente numa família cristã. Estudiosos têm como provável que Policarpo tenha encontrado mais de um dos discípulos do Mestre, de quem recebeu ensinamentos aprendidos diretamente de Cristo.

    Em meados do século II de nossa era, as especulações gnósticas se difundiram ativamente e várias coisas desconhecidas pelos cristãos foram tidas como derivadas das tradições secretas dos apóstolos. Assim, um alto valor foi atribuído ao testemunho que Policarpo podia dar quanto à genuína tradição da doutrina apostólica. E o seu testemunho condenou como ofensivas as novidades do Gnosticismo, invenções dos professores heréticos.
    Policarpo coroou seus outros serviços para a Igreja por um martírio glorioso.

    POLICARPO-DE-ESMIRNA

    A história conta que o martírio de Policarpo foi o último ato de uma grande perseguição e teve lugar por ocasião de jogos realizados em Esmirna , em que outros onze sofreram antes dele. O procônsul de Éfeso fez o possível para convencer os acusados de salvar-se pelo perjúrio, renegando a fé cristã. Um frígio aceitou fazê-lo, enquanto um germânico açulou as feras para garantir uma morte mais rápida. A plateia gritava : “Fora com os cristãos! Vamos pegar Policarpo!” Policarpo, três dias antes de sua apreensão, teve uma visão de seu travesseiro pegando fogo, e interpretou-a para seus amigos: “Devo ser queimado vivo.” Quando os perseguidores se aproximaram, seus amigos insistiram para ele fugir , mas ele recusou dizendo: “Que a vontade de Deus seja feita.”

    Logo eles encontraram o magistrado romano que ordenara sua prisão e que insistiu com ele seriamente para salvar a sua vida: ” Que mal há em declarar ‘César é o Senhor’ e assim escapar à arena? Jure agora e eu vou deixar você ir”. Então Policarpo deu a resposta memorável : “Oitenta e seis anos eu O servi e Ele nunca me fez mal, como então posso blasfemar contra meu Rei e meu Salvador?” O procônsul , então ordenou que seu arauto anunciasse três vezes no meio da arena: “Policarpo confessou-se cristão.” Levantou-se um clamor furioso de pagãos e judeus contra este ” pai dos cristãos”. O presidente dos jogos foi chamado para soltar um leão contra Policarpo, mas recusou-se, dizendo que as exibições com as feras selvagens já tinham terminado.

    Em seguida, a uma só voz a multidão exigiu que Policarpo fosse queimado vivo. Quando a pilha de lenha ficou pronta, Policarpo ofereceu uma oração final, e a pira foi acesa. Mas a chama, sob o vento, se afastava do corpo, que podia ser visto, arrasado , mas não consumido. A fumaça parecia perfumada para os cristãos , seja por prodígio ou porque madeiras perfumadas foram usadas na pilha. Vendo que a chama estava morrendo, um carrasco foi enviado para usar a espada, que cravou em suas costas. Quando o sangue jorrou, abundante, a chama quase foi extinta. Os cristãos pediram para remover o seu corpo.

    A história do martírio de Policarpo é narrada em uma carta ainda existente, acerca da peregrinação de membros da Igreja de Esmirna à Philomelium (uma cidade da Frígia). Este documento foi conhecido por Eusébio, que transcreveu a maior parte em sua História Eclesiástica. Eusébio parece ter se equivocado no cálculo do ano em que isso aconteceu. Outras inferências, obtidas a partir dos documentos coetâneos subsistentes, permitem apontar a data do martírio de Policarpo como datando do sábado anterior à Páscoa, 23 de fevereiro de 155 d.C.

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    Domitila Madureira, nasceu num lar cristão e é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro. 

    O EXERCÍCIO DO PERDÃO

    1 jun 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Hoje em dia a maioria das pessoas que pesquisam e escrevem sobre relacionamento familiar concorda que nos vários níveis, entre marido e mulher, pais e filhos e entre irmãos, precisa ser exercitado o perdoar e o ser perdoado. “Precisa” não quer dizer que seja obrigado, nem da boca para fora, nem com palavras falsas para enganar o outro. Quando falamos de perdão estamos falando de algo bem específico cuja base é a Palavra de Deus e tem duas vertentes: a primeira, bem mais importante, é com relação a Deus e a segunda, como decorrência da primeira, é em relação às pessoas do nosso relacionamento, principalmente familiar.

    Com relação a Deus encontramos na Bíblia toda a orientação do que Deus quer. Não temos que inventar nada, mas pedir a Deus discernimento. Levítico 1.1 diz: QUANDO alguém quiser oferecer holocausto a Deus, “fará assim:” (dois pontos). Então vem uma narrativa detalhada para ser obedecida. Podemos chamar este texto de uma liturgia de parte do culto judaico. A primeira parte começa em casa na escolha do animal que será apresentado ao Senhor para ser sacrificado. Se o ofertante tiver posse, sua oferta será um garrote ou um pequeno touro, o mais caro. Se for uma pessoa tipo classe média sua oferta será de porte médio, carneiro, cabra, etc. Se for uma pessoa pobre sua oferta será de rolinha ou pombinha. É uma provisão de Deus para que ninguém compareça à sua presença de mãos vazias. A partir daí o ritual se aplica igualmente para todos os ofertantes. Primeiro ele imobiliza o animal, impõe as mãos na cabeça do animal e confessa em voz audível todos os seus pecados, transferindo para o animal inocente a sua culpa. A seguir degola o animal, recolhendo o sangue numa bacia a qual será derramada em torno do altar dos holocaustos, porque sangue é vida e a vida pertence a Deus. O animal é cortado e limpo e entregue ao sacerdote que então o colocará no altar para ser todo queimado. Sobe uma fumaça que Deus diz ser agradável às suas narinas. E assim termina a primeira parte do ritual, que é a parte do perdão. O ofertante permanece próximo ao altar dos holocaustos e um dos sacerdotes de plantão, levando várias coisas, avança para o Santuário, passando primeiro pela Bacia de Bronze, onde lava os pés e as mãos, seguindo imediatamente para atravessar a porta do Santuário, porta de serviço. O culto (serviço) prossegue dentro do Santuário. E para que todos saibam que o sacerdote está ministrando a favor de todos que fizeram a primeira parte, há sinetas e maçãzinhas costuradas na barra da túnica da veste, de tal maneira que qualquer movimento faz com que as sinetas batam nas maçãzinhas e façam um grande ruído, indicando que o serviço sacerdotal está sendo feito, Aleluia!

    perdoar-1 Toda esta explicação é para termos uma ideia da importância do perdão para as nossas vidas. Infelizmente, com o passar tempo e a repetição dos mesmos atos (rotina) e o fato de nada acontecer de extraordinário, as pessoas foram esfriando na fé e o culto virou algo repetitivo e sem alma, o que desagradou profundamente a Deus, porque o povo de Deus passou a adotar ou imitar os povos vizinhos, se envolvendo na idolatria e deixando de fazer o que Deus orientou e consequentemente a falta de perdão, louvor inadequado, adoração nenhuma e a comunhão também acabou. Era necessário levantar uma liderança com a visão da Palavra e poder de Deus para uma restauração.

    Quanto a nós? Primeiro sabemos que o sacrifício de animais apontava profeticamente para o sacrifício de Jesus na cruz, feito uma só vez e de uma vez por todas. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! Precisamos sim nos apropriar do poder do sangue de Jesus clamando por perdão, salvação, cura e libertação.

    Segundo, podemos perceber na narrativa dos holocaustos o quanto é importante, sério e eficaz, que aprendamos a colocar em prática, como Paulo ensina na carta aos Romanos 12.1: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apesenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz à igreja!).

    Por outro lado, entendemos que as pessoas que estão em paz com Deus e aprenderam, pela Palavra, a estar sempre pedindo perdão a Deus e clamando pelo poder que há no sangue de Jesus, terão muito mais facilidade em lidar com o perdão a nível pessoal. Quanto a isto temos ainda alguns comentários a fazer:

    No Novo Testamento, em Atos 2.38, no fechamento da mensagem de Pedro sobre o que estava acontecendo naquele dia de Pentecostes, quando os judeus, depois de serem confrontados com o fato de que o Jesus que eles crucificaram, não é outro senão o Messias, ressurreto, vivo e presente entre os que o aceitaram, perguntam: o que faremos, irmão? Então Pedro responde com toda a autoridade e unção do Espírito: arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados.

    Perdão não é algo que surge assim de repente, do nada, mas é uma espécie de processo que se inicia sempre com arrependimento, segue com confissão específica, pedido de perdão e propósito de não repetir o erro. Muitos acham que perdão e desculpa são a mesma coisa. Na realidade não são. Na desculpa nem sempre há culpa. Geralmente é algo mais superficial, embora importante, que fique resolvido. Outra coisa é que perdão não funciona enquanto houver raiz de amargura, raiva, rancor, ódio, etc. Faz-se necessário trabalhar primeiro estes sentimentos. A raiz de amargura deverá ser tratada em encontros individuais com o pastor, envolvendo arrependimento, confissão, imposição de mãos, unção com óleo, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, sendo às vezes necessário várias seções para uma libertação completa.

    Ao falar do perdão bíblico, nos referimos ao nosso relacionamento com Deus que começa quando aceitamos Jesus como nosso único Senhor e Salvador. Então surge a percepção de que “todos pecaram” e para continuar a viver a vida cristã precisamos crucificar a “velha criatura” dominada pelo “pecado original” o qual é tratado no Batismo, quando nasce uma “nova criatura” que vai poder andar em “novidade de vida”. A partir daí precisamos aprender a lidar com o pecado do dia a dia. Se não podemos evitá-lo, podemos tratá-lo, nos arrependendo, confessando e clamando pelo poder que há no sangue de Jesus. Isto é suficiente para nos dar acesso à presença de Deus e assim oferecer nosso culto, louvor, orações, e tudo o mais.

    A parábola do filho pródigo, contada por Jesus em Lucas 15.18-19, diz que em certo momento o jovem caiu em si, percebendo o erro que cometera, arrependeu-se e declarou humildemente: “levantar-me-ei e irei ter com meu pai e lhe direi: Pai pequei contra o céu, e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho, trata-me como um dos teus trabalhadores”. Isto resume tudo!

    E que Deus abra o nosso entendimento!
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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

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