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    Listagem de "Colunas"

    Seu copo está meio cheio ou meio vazio?

    4 nov 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    No Dia de Finados, olhando fotos antigas, lembrei de momentos ruins de nossa vida, em que minha mãe sempre encontrava motivos para dar graças a Deus. Mais tarde, fui ficando uma pessoa que ora encontrava motivos para agradecer, ora para se queixar. Tendo morado na França, aprendi a exercer a cidadania e reclamar, sempre que necessário. Assim fui vivendo até conhecer uma colega de trabalho, Norma, que teria todas as razões do mundo para se queixar, pois tinha um filho com paralisia cerebral, um marido horrível e era transplantada de rim. Mas, era batista e tinha muita fé, sempre achando motivos para agradecer a Deus. Uma vez, uma aluna me trouxe da França o meu perfume predileto em embalagem de 200 ml. Ao receber o presente, fiquei grata, mas indignada ao constatar que um perfume Saint Laurent, comprado na França, tinha vazado no avião. Que tipo de lacre era aquele? Ao relatar a  Norma, ela perguntou como eu podia focar na perda, se havia ganho o perfume predileto. Meu frasco estaria pelo menos metade cheio. Isso me levou a pensar que tudo depende do ponto de vista de cada um. Fiquei, imediatamente, muito feliz. Hoje, nem a Norma, nem minha mãe estão mais entre nós, mas deixaram muitas coisas boas como esta: por pior que seja a situação, sempre temos motivo para agradecer.

    copocheiovazio      

    Aproximando-se o Dia Nacional de Ação de Graças, em que a igreja faz sempre uma festa linda para agradecer as graças recebidas até então, devemos refletir sobre nossas vidas. Li na internet um artigo intitulado GRATIDÃO, UM DOS MAIORES SEGREDOS DAS PESSOAS FELIZES, da psicóloga Viviane Battistella, onde ela diz que o brasileiro é considerado otimista e tende a ver sempre o lado cheio do copo. Mas, segundo ela, otimistas são os que conseguem sentir gratidão, sejam brasileiros ou não.  Treinar os olhos e a mente para agradecer, com o objetivo de  encontrar o lado bom das coisas, pode operar milagres.

    “A capacidade de manter o pensamento positivo, de ter sempre o olhar voltado para o lado bom das coisas (e acreditem: tudo, tudo mesmo tem um lado bom) e o hábito de agradecer todos os dias, vai nos levando lentamente a uma mudança de paradigmas, de valores – e essa mudança pode ser uma das responsáveis pela nossa felicidade.” Ela diz que aprendeu, vendo uma entrevista, que dizer muito obrigado(a) é melhor que simplesmente obrigado(a). E devemos dizer isso com entusiasmo.

    Quando acordamos, sempre devemos agradecer a cama em que dormimos, ao fato de podermos ver, andar, respirar, viver mais um dia, enfim. Dentro de nós, há uma guerra entre o lado sombra e o lado luz, o olhar que está enxergando o lado cheio ou o lado vazio do copo. Quem sofre pela água que não tem, deixa de beber a água disponível que tem no copo. Cada dia que amanhece nos dá a possibilidade de viver novas experiências,  de recomeçar,  de sermos felizes. Não importa se o céu está azul ou cinzento. Os dias, então, serão da cor que você quiser, pois quem dá as cores é o seu olhar. Em No Cenáculo de 28 de outubro, lemos que “na maioria das vezes, nós vemos mais o que está faltando em nossas vidas e não o que temos. Queixamo-nos mais do que agradecemos.1º Tessalonicenses 5:18 nos diz:” em tudo, dai graças”, mesmo quando as circunstâncias não nos favorecem. Podemos encontrar um símbolo ou recordar um versículo da Escritura para lembrar-nos de dar graças a Deus em todas as situações Tal prática pode nos ajudar a transformar as queixas em palavras de gratidão.” Assim, seremos mais felizes e prontos para viver o paraíso aqui na terra. Este é o meu desejo para meus amigos e para você, que nos lê neste momento. Que no Dia de Ação de Graças, você tenha muitas graças para agradecer a Deus.

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    Neize Tavares é membro da Catedral. Professora de Português e Francês. Vice-presidente da Sociedade Metodista de Mulheres.

    “Santificação e Santidade”: a plenitude

    3 nov 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    (Trecho da monografia intitulada “Santificação no contexto do Metodismo Primitivo; para obtenção do titulo de bacharel em teologia).

    Achamos perfeitamente cabível neste momento indagar-nos sobre uma inquietação que não vem de hoje sobre o metodismo wesleyano: “o metodismo possui identidade teológica própria?” Então, qual teria sido a contribuição singular de Wesley para a leitura do Evangelho?”
    Se lermos Wesley atentamente, veremos que sempre houve nele curiosidade intelectual e abertura muito ampla, através de leituras extensas em história, teologia e piedade – incluindo seu grande interesse, por exemplo, pelos pais gregos ou pelos místicos espanhóis. É verdade que, em certos momentos, a ação de Wesley dava a impressão de sentir-se bastante impaciente ante discursões de cunho teológico; todavia, se a questão central que estivesse sendo discutida representasse ameaça ao próprio Evangelho, Wesley não vacilava em discutir com enorme energia. Mas, então, quais seriam essas “questões centrais”, para Wesley? Ora, trata-se da centralidade na relação entre “justificação” e “santificação”, ou seja, em como se constitui esse novo “sujeito”, sócio digno e fiel de Deus em seu pacto? E esta pergunta traz em si mesma, duas questões, a primeira teológica: “Deus tem um propósito de renovação que abarque a totalidade da humanidade e do universo, o que ele chama, às vezes de o grandioso desígnio da salvação da humanidade”, a outra pressuposição é mais de ordem pastoral: o anúncio desse plano e o convite para participar ativamente dele – a evangelização e o chamado para a conversão – são a tarefa pela qual se mediria a felicidade do cristão e da Igreja. O teólogo Theodore Runyon nos parece explicar bem a questão da unidade a partir do enfoque na peculiaridade do metodismo wesleyano primitivo da santificação e perfeição, quando escreve, afirmando que

    Quando a perfeição cristã vem a ser a meta do indivíduo, nasce a esperança fundamental de que o futuro possa superar o presente. Concomitantemente, manifesta-se uma insatisfação a respeito de todo estado presente – uma insatisfação que proporciona ponte crítica necessária para manter em movimento o processo de transformação individual.

    A Santidade:
    Ora, para Wesley, a santidade continua sendo (tomando-se como ponto de partida a Algersgate) a meta da redenção e da vida cristã. Daí a necessidade de manter uma estranha unidade de “justificação” e “santificação”. Certamente, esta é também a intenção dos reformadores do século XVI. O próprio Wesley, cremos, entenderia que santificação é primeira como meta e segunda como consequência, de modo que não haveria hierarquia entre “justificação” e “santificação”. Todavia, melhor exame da dialética da piedade em Wesley, nos revela que, para ele, a preocupação ao se voltar mais ao “grandioso plano”, levava Wesley a nutrir uma ordem de intenção, ou seja, “santificação” tem indiscutível primazia, pois Deus se propõe a criar um povo santo, “e esta intenção se torna realidade atual, visível, experimentada quando os homens e as mulheres se voltam a ela na fé”. Não é fácil resumir a “teologia da redenção” em Wesley, chegando rapidamente à “santificação”, que começa imediatamente depois da “justificação”, operando uma transformação pela qual nossa mente carnal é transformada à semelhança do “sentir que houve em Cristo Jesus”, ou seja, que as motivações, pensamentos e ações tornam-se motivadas pelo amor.
    Em viver a graça de Deus, lemos que relação entre “santificação”, e que “no novo nascimento”, tudo é dado ao crente de graça, tudo quanto pertença à comunhão com Deus: amor no Espírito santo, reconstituição da imagem de Deus. Mas, “novo nascimento”, contudo, é apenas o começo da santificação e, assim, para entender-se a “doutrina da santidade”, à luz a orientação do Novo Testamento, devemos, ao contrário elaborar e possibilitar que seja destacada a eminente proximidade à vida da ação santificadora de Deus, que abarque todos os setores da vida.

    Sendo a conversão o início da santificação que o Espírito santo efetua no crente, somente chegaremos à conclusão de não poder haver santidade de vida e vida de santidade, na práxis teológico-pastoral-enquanto compromisso-quando percebemos que necessitamos de espaço para experiências comuns e de apoio mútuo, ao passarmos pela água purificadora e doadora da vida, do perdão e da nutrição pela Ceia do Senhor, como sinais concretos de benção e poder. Assim, através dessa experiência da práxis teológico-pastoral, iremos ao encontro das pessoas a partir de comunidades que possam e consigam experimentar e exercitar a cura e cuidado do poder do amor; que valorizem a importância do mútuo amor, uma vez “que, apenas uma comunidade de amor e presença de Cristo será vivida e recebida a fim de ser transmitida aos nossos vizinhos que vivem na periferia de nossas igrejas”.

    Somente em uma comunidade cujos olhos foram abertos por Cristo, para percebermos sua presença, que poderemos confessar: “porventura não nos ardia o coração, quando ele pelo caminho nos falava, quando nos expunha as Escrituras?” (Lc 24.32).

    A santidade Deus é santidade “social”, arraigada na comunidade trinitária que abrange toda a criação, como diz o salmista: ao Senhor pertence a terra e tudo que nela se contém, o mundo e os que nele habitam (Sl.24.1)
    É nossa conclusão final. E para reforçarmo-la, repetimos que “é na caminhada da santificação, ou seja, na vivência da fé cristã, que o Espírito Santo concede seus dons que são a base dos ministérios de todos e todas nós”!

    Do seu pastor,
    Adilson Nunes Monteiro

    Depois de Jesus – O Triunfo do Cristianismo

    3 nov 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    “[…]Mas Estevão, cheio do Espirito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse : Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus[…]” – (cf. Atos 07 – 56.).

    O artigo de hoje dedica – se a História da Igreja Primitiva, e Imperial, do primeiro martírio, passando pela história do Apóstolo dos Gentios – São Paulo, até a oficialização da fé cristã pelo Imperador Constantino.

    O martírio de Estevão, a conversão de Saulo (Paulo) e a Igreja Primitiva

    Após o período de Pentecostes surgiu a Igreja Cristã primitiva nos primeiros anos que sucederam – se a morte em cruz e ressurreição de Jesus Cristo. Foi um período marcado pela realização de muitos milagres, evangelização. Foi quando o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos – consumando o comunicado deixado por Jesus Cristo de que Ele depois de Sua ascensão enviaria o Consolador (Espírito Santo) .
    A morte de Estevão foi realizada por ordem de Saulo (que pertencia ao grupo dos fariseus dentro do judaísmo ) e serviu para fortalecer a coragem dos que confiam no Senhor e perseveram na fé , mesmo diante das piores adversidades.
    As Sagradas Escrituras no livro de Atos dos Apóstolos conta que logo após a morte do primeiro mártir acima descrito houve a conversão do judeu Saulo que passou a denominar – se Paulo.

    triunfo-cristianismo

    São Paulo: De perseguidor dos cristãos a Apóstolo dos Gentios

    As Sagras Escrituras Neo – Testamentárias no Livro de Atos dos Apóstolos contam – nos sobre este importante evento:

    “[…] Saulo, respirando ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu – se ao sumo sacerdote e lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso achasse alguns que eram do Caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para Jerusalém.
    Seguindo ele estrada fora, ao aproximar – se de Damasco, subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor, e caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues. Ele perguntou: Quem és tu senhor e a resposta foi: Eu sou Jesus a quem persegues; mas levanta – te e entra na cidade onde te dirão o que te convém a fazer. Os seus companheiros de viagem pararam emudecidos, ouvindo a voz, não vendo, contudo ninguém. Então, se levantou Saulo da terra, e, abrindo os olhos nada podia ver. E, guiando pela mão levaram – no até Damasco. Esteve três dias sem ver durante os quais nada comeu e nem bebeu. […]” (cf. 09 – 09.)

    Como podemos observar Saulo chegou a Damasco e logo depois aceitou Jesus Cristo e tornou – se apóstolo de Jesus Cristo e passou a divulgar o Evangelho para os gentios (quem não era judeu).
    A vida de São Paulo foi tremendamente importante e de suma importância para que o cristianismo pudesse expandir – se para além da Palestina. Antes dele o cristianismo limitava – se a Judeia e adjacências. Podemos constatar que o Senhor Jesus Cristo quis usar Paulo para que ele pudesse ampliar a região geográfica da Igreja nascente. Paulo tinha a seu favor muitos fatores que contribuíram para sua obra missionária: o fato de ser cidadão romano foi fundamental para que pudesse viajar tranquilamente pela região do império romano. E também soma – se a isto o fato de que Paulo falava grego e tinha muita cultura, podendo viajar tanto para a Grécia quanto para Roma. Ele foi fundamental para o surgimento da Igreja Cristã primitiva, alguns historiadores dizem que foi ele quem fundou a Igreja Cristã primitiva, posto que antes, o cristianismo era considerado como uma seita judaica, a dos nazarenos. Ele e São Pedro que é considerado pela Igreja Católica o “Príncipe dos Apóstolos” morreram em Roma, Pedro inclusive segundo alguns historiadores morreu crucificado de cabeça para baixo no local em que hoje está a Basílica de São Pedro no Vaticano, isto depois da queda de Jerusalém em aproximadamente em 73 Depois de Cristo quando o Templo de Jerusalém fora destruído dando origem a paganização de Jerusalém. Foi nesta época que surgiu a Igreja Cristã primitiva com templos cristãos construídos nas catacumbas em Roma, Grécia e outros locais do Império romano.
    A Igreja Cristã primitiva pode ser encontrada nas Sagradas Escrituras no próprio livro de Atos dos Apóstolos nas famosas Cartas de Paulo às 07 igrejas da Ásia Menor. E as mesmas foram crescendo numericamente e socialmente. Passaram a ter entre seus adeptos cristãos (a partir de Antioquia o nome cristãos passou a ser usado) pessoas abastadas, ricos senadores de Roma, pessoas que tinham muita influência na sociedade de Roma.

    “Sob este signo vencerás”: Constantino e a oficialização do cristianismo

    O Império Romano estava praticamente dividido em duas facções. O General Constantino lutava contra vários inimigos até que estando no campo militar dormindo teve um sonho no qual Jesus Cristo mostrou – lhe que devia colocar a cruz cristã junto ao seu estandarte, e Constantino assim o fez. Logo depois Constantino feito imperador promulgou o Edito de Milão que oficializava o Cristianismo como religião oficial do Império. E em seguida transferiu a capital do Império para um outro local. Situado entre a Ásia menor e a Europa tendo o Estreio do Bósforo e o Mar de Marmara a Cidade de Constantinopla foi capital do Império Romano do Oriente sucedendo o Império bizantino até a sua queda em 1453 quando os turcos otomanos fundaram Instambul (Império Otomano vai até 1918 com a Proclamação da República Turca pelos Jovens Turcos).

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    Bruno Menezes – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro.

    A IGREJA EM ANTIOQUIA

    26 out 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Atos 11.19-30
    Antioquia – vamos conhecer um pouco da história desta cidade. Em primeiro lugar existiam duas cidades com o mesmo nome, fundadas pela mesma pessoa e pelo mesmo motivo: Antioquia da Pisídia – fundada pelo imperador Seleuco Nicanor, sendo o nome uma homenagem ao seu pai, Antíoco. Era situada na região da Frígia, próximo da Pisídia. Antioquia da Síria – fundada pelo mesmo Seleuco Nicanor, também em homenagem ao seu pai Antíoco. Era situada às margens do rio Oronte, à 50 km da margem. Foi a capital do reino durante cerca de mil anos. Portanto uma cidade importante na sua época. Atualmente está situada na Turquia com o nome de Antakya e é, também, um importante sítio arqueológico. Até aqui apresentamos um breve histórico. Agora nossa narrativa bíblica e comentários, são sobre a segunda Antioquia, a da Síria.

    Foi com a execução de Estêvão, diácono e evangelista da Igreja em Jerusalém, que se cumpriu Atos 1.8, isto é, os discípulos sofreram uma grande perseguição por parte dos Judeus sendo obrigados a se mudar às pressas para outras cidades. É importante esclarecer que até este momento, a Igreja de Jesus Cristo era composta exclusivamente de judeus, que eram proibidos pelos usos e costumes da religião judaica, de terem qualquer contato com não judeus, chamados de gentios, o que incluía cumprimentar, falar, entrar na casa, comer e também evangelizar. Mas entre os dispersos de Jerusalém havia vidas cheias do Espírito Santo, mas tão cheias que, no entusiasmo em que estavam, falaram de Jesus para alguns gregos que estavam em Antioquia, os quais logo o aceitaram como Senhor e Salvador e esta palavra virou uma bola de neve, e rapidamente muitos outros não judeus foram tocados por Deus, nascendo uma Igreja nova em Antioquia, totalmente composta por gentios.

    igsiria

    Os apóstolos, que permaneceram em Jerusalém, ouvindo falar do avivamento que Deus estava promovendo em Antioquia, enviaram Barnabé, homem de Deus, para ver e relatar o que estava realmente ocorrendo. O verso 23 diz que chegando Barnabé ao local de reuniões VIU A GRAÇA DE DEUS ALÍ, alegrou-se e exortou os irmãos a permanecerem firmes no Senhor. Então Barnabé se lembrou que Deus havia falado claramente que Saulo de Tarso seria o apóstolo para os gentios. Foi para Tarso e encontrou-se com Saulo. Devem ter orado bastante e então foram juntos para Antioquia, e ali exerceram o ministério pastoral por um ano discipulando numerosa multidão.

    Em Atos 13.1-3 encontramos mais um breve relato, muito interessante, que dá sequência à primeira narrativa. Diz assim o verso 1: Havia na Igreja em Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão Niger, Lúcio de Cirene, Manaém, gêmeo de Herodes, o tretarca, e Saulo. É maravilhoso como Deus opera poderosamente no meio de um povo que lhe obedece. Tenho servido a Deus, pastoreando igrejas em várias cidades, no Estado do Rio, Minas Gerais, Rondônia e Espírito Santo; mas nunca vi nenhuma Igreja fazer o que a de Antioquia fez: abrir mão de ser pastoreada por Saulo e Barnabé, tidos como os melhores pastores da época, verdadeiras bênçãos na caminhada da igreja, e aceitar pastores novatos, “prata da casa”, sem muita experiência pastoral, embora tenham sido discipulados por Saulo e Barnabé. No verso 2, também esclarecedor, encontramos a revelação do segredo: “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando e impondo sobre eles as mãos, os despediram.”

    RESUMINDO PARA ENCERRAR…

    Na vida espiritual nada acontece por acaso ou por coincidência. É evidente que Deus tinha um plano para Antioquia e as vidas que primeiro se entregaram a Jesus. É evidente também a ação do Espírito Santo para unir Barnabé e Saulo.

    É impossível fazer uma vida cheia do Espírito Santo se calar, deixando de falar do evangelho de Jesus. Vale mais a pena obedecer a Deus do que aos homens! Aliás, só o semblante abençoado do servo e da serva já “falam” a quem está ligado ao Trono de Deus.

    O cuidado dos Apóstolos com as novas congregações, o envio de alguém com sabedoria e autoridade para corrigir qualquer desvio doutrinário, dando, porém, liberdade ao Espírito Santo para agir.

    A humildade de Barnabé que abriu mão de tudo, deixando livre o caminho para Saulo desenvolver o seu ministério… Foi em Antioquia que Saulo pregou seu primeiro sermão, ministrou o primeiro estudo, aconselhou e apascentou o rebanho do Senhor.

    A presteza em fazer tudo o que Deus ordenou, sem perda de tempo e blá-blá-blá inúteis.

    Já no primeiro ano de vida, a Igreja em Antioquia produziu os seus frutos: profetas, mestres (na Palavra), pastores, que não eram anônimos, mas cujos nomes eram bem conhecidos da Congregação!

    Orando e jejuando, jejuando e orando e impondo as mãos. É dessa maneira que a liderança anda, na dependência do Senhor.

    Que possamos dar toda liberdade ao Espírito Santo para Ele orientar a nossa vida, a nossa igreja, a nossa liderança. Amém!

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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor aposentado da 4ª RE (MG / ES)

    CONFIAR E SERVIR

    21 out 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Conta-se que o britânico Hudson Taylor, pioneiro na evangelização da China no século XIX, viu certo dia em viagem marítima um rapaz que conhecia a Bíblia (publicada em chinês clássico no século XVIII) mas não se rendera ao poder de Deus, e por quem Taylor orava, cair ao mar. Os marinheiros arriaram as velas e Taylor pediu a pescadores que estavam perto que tentassem resgatar o náufrago com suas redes de arrasto.

    Esses se negaram pois estavam ocupados, Taylor lhes disse que pagaria cinco dólares por isso. Os pescadores regatearam, exigindo trinta. Taylor não tinha essa soma e lhes propôs dar tudo o que tinha. Os pescadores enfim acudiram, resgatando o rapaz. Tarde demais, porém. Foram inúteis as tentativas de Taylor em ressuscitá-lo.
    Chocante? Cerca de 150 milhões de pessoas morrem a cada dia no mundo inteiro. Quantas dentre essas perecem também por toda a eternidade? Ouvi um pastor dizer do altar: “você não evangeliza mas, quando você estava no mundo, você oferecia cerveja ou drogas a seus amigos. Se dividia o que era mau, por que não divide o que é bom?”

    Hoje, o esforço de evangelização não está mais focado na China, mas de preferência nos países islâmicos onde a perseguição aos cristãos é violenta. O Islam é a religião que mais cresce no mundo. Muammar Khadafi, que governou a Líbia até 2011, investiu os seus petrodólares para conseguir prosélitos construindo estradas, aeroportos, hospitais, moradias em muitos lugares da África. Como resultado, populações antes cristianizadas agora se declaram muçulmanas em países como o Benim, entre muitos outros.

    Hudson Taylor não tinha petrodólares para investir na evangelização da China. A sua consagração a Deus era total e sua vida vivida totalmente sob a direção do Eterno. Por isso, o número de missionários aumentou a cada ano e nunca lhes faltou pão, apesar de viverem exclusivamente das ofertas espontâneas dos membros do corpo de Cristo no Reino Unido.

    Que Deus me ajude a viver inteiramente debaixo da divina providência e a Seu serviço até que eu lhe devolva o fôlego de vida ou que Cristo volte para nos levar para o Céu. O fim do mundo será o dia mais feliz da história: aquele em que Deus restaurará seu plano original para a humanidade.
    E que brilhe Jesus!

    Os caçadores do livro perdido!

    14 out 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Há alguns anos atrás, ouvi a mensagem de um pastor amigo e muito querido que nunca mais esqueci. Estávamos no mês de outubro e comemorávamos a Reforma Protestante, tema das aulas de História na escola, tema de debates desde o momento em que começou a ser implantada na Europa essa reforma da igreja no intuito de combater aquilo em que se tinha tornado a palavra de Deus: “era preciso pagar pelos pecados”, o que tem o bonito (ou feio!) nome de indulgências.

    Algumas igrejas do século XVI tinham uma espécie de “quadro”em que se colocavam os preços de cada pecado e como pagá-los… A igreja apresentada a nós pelo historiador que escreve o livro de Atos dos Apóstolos há muito não existia…: aquela em que todo mundo tinha tudo em comum e se ajudava mutuamente. Isso não passava de um sonho distante. Aliás, no século XVI não se tinha a Bíblia na língua própria do lugar, apenas em latim. E quem não sabia latim, não entendia o que ouvia, muito menos lia. E assim caminhou a humanidade.

    Aquele pastor querido foi até o texto de 2 Reis 22, sobre o que fez Josias, um dos reis-modelo na história de Israel: incomodado com o aspecto da Casa de Deus, o templo, pediu ao escrivão, chamado Safã, para que dissesse ao sumo sacerdote Hilquias que abrisse o cofre (que ficava no templo), contasse o dinheiro e contratasse gente da melhor qualidade na época para reformar o templo e reparar os estragos causados até então. Hilquias contou, deu o dinheiro na mão dos mestres de obra e o texto traz um detalhe interessantíssimo: “Porém não se pediu conta do dinheiro que se lhes entregara nas mãos, porquanto procediam com fidelidade” (2 Reis 22,7).

    Fidelidade.

    Mas a história não terminou aí: quando Hilquias foi abrir o cofre, no meio do dinheiro, o que ele achou: o livro da Lei – o texto sagrado da época, que os estudiosos dizem ser os capítulos 12 a 26 do Deuteronômio, texto importantíssimo sobre justiça social e aplicação de leis para que a economia do povo ficasse equilibrada, sem gente rica demais, e sem gente pobre demais. Foi Safã quem leu o texto (e que, como era escrivão, deveria ler muito bem) e foi correndo contar tudo que acontecera ao rei Josias. Resultado: Safã leu o texto na frente de Josias, e o rei ficou pasmo com todos os erros que estavam acontecendo, pois o texto sagrado tinha sumido, ninguém nunca mais ouviu falar dele, e a “coisa” da justiça social não deveria estar indo muito bem.

    Josias, ao ouvir, “rasgou as vestes”: isso era um modo de representar o arrependimento.

    Mas ele não parou por aí (2 Reis 23). Reuniu todo mundo, gente rica, gente pobre, sacerdotes, profetas, trabalhadores, e leu as palavras do texto do livro da Lei na frente dessa gente toda.

    Colocou-se diante do povo, pediu que eles voltassem atrás nos seus erros, assim como ele, Josias, faria a partir de agora. E o texto bíblico diz: “fizeram aliança com Deus, todo o povo!”.

    Depois disso, vão sendo contadas todas as atitudes justas e igualitárias de Josias e, antes de falar da sua morte, vem o elogio do narrador: “E antes dele não houve rei semelhante, que se convertesse ao Senhor com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todas as suas forças, conforme toda a lei de Moisés; e depois dele nunca se levantou outro tal” (2 Reis 23,25).

    Justiça.

    O que isso tem a ver com a Reforma Protestante?

    A memória não me falha e lembro direitinho o que meu pastor amigo disse naquele dia na mensagem: o livro da Lei – o texto sagrado – estava perdido dentro da casa de Deus. Ele estava sumido, enfiado no cofre no meio do dinheiro do povo, que deveria voltar para o povo como beneficio em cuidado, em zelo, em obras e em justiça social. Esse é o ensinamento que Josias ouviu do texto do Deuteronômio.

    Em 31 de outubro de 1517, um monge chamado Martinho Lutero percebeu que o livro sagrado estava de novo perdido dentro da casa de Deus. Tinha sumido. Tinha sido engolido pelo dinheiro suado do povo que pecava e que pagava por cada um de seus pecados. Dinheiro que iria se multiplicar sempre, pois eu e você e aquele povo nunca deixaremos de ser pecadores. Nem um diazinho sequer. Lutero leu no Novo Testamento, em Romanos 1,16 que a justiça de Deus se manifesta pela fé, e que dessa fé o justo viverá, verdade que também consta lá atrás, no Antigo Testamento, em Habacuque 2,4. E Lutero percebeu que nossos pecados são perdoados quando os confessamos e neste momento exato da confissão nos tornamos justos diante de Deus, por meio da fé que temos nele. Fé que nos move a dizer de verdade quem somos. Fé que nos faz acreditar que Deus nos ama e nos perdoa mesmo sendo quem somos!

    Quase quinhentos anos se passaram desde que Lutero afixou na igreja de Wittenberg, na Alemanha, noventa e cinco teses sobre esse “pagar pelos pecados” e eu estou aqui escrevendo uma coluna sobre a Reforma Protestante. Confesso que escrevo com uma pontinha de tristeza que vai se transformado numa mancha enorme que nenhum mata-borrão possa dar jeito. A igreja que protestou hoje não protesta mais! Pelo menos sua grande maioria. O povo que pagou pelos pecados no passado, inocente e sem saber da justiça pela fé, hoje paga para receber bênçãos que não precisam de pagamento, mas só de justiça, só de trabalho, só de fé.

    Já li vários artigos e colunas sobre uma “Reforma da Reforma”, um movimento que precisa acontecer nas igrejas ditas reformadas, para se voltar bem lá atrás, de novo à igreja de Atos dos Apóstolos, de novo ao princípio em que não havia separação. Os conflitos aconteciam, mas se resolviam com a autoridade de gente que tinha, acima de tudo, amor ao ensino da palavra de Deus, amor à justiça, amor a Deus, amor ao próximo. Amor ao livro. Não-amor ao cofre.

    Busca.

    Precisamos reencontrar o livro, perdido, sumido. Ouvi-lo. Lê-lo. Entendê-lo. Fazê-lo acontecer. Fazê-lo mudar nossas práticas nada reformadas, tampouco reformistas. Quem sabe ele – o livro sagrado – está enfiado no meio do dinheiro do cofre?… Que o rei Josias e o Deus que ele tanto amava nos convoquem para sermos os caçadores do livro perdido. Quem se habilita?

    No Deus a quem eu permito reformar minha vida,

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    Alessandra Viegas, membro da Catedral, é professora, Coordenadora de Ensino e Capacitação e professora da Escola Dominical.

    O VALE DE OSSOS SECOS – A VISÃO DE EZEQUIEL

    8 out 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    EZEQUIEL 37.1-14

    Vamos, primeiro, nos situar no contexto da Palavra:

    Ezequiel: significa “Deus fortalece”. Era contemporâneo e, mais ou menos, da mesma idade de Daniel. Da família sacerdotal, foi para o exílio babilônico na segunda leva, em 597 aC.

    Levantado por Deus com um ministério profético junto ao povo, nas ruas e nas casas, vivia numa casa junto ao rio Quebar, numa colônia judia chamada Tel-Abibe. Ezequiel estava junto ao rio quando os céus se abriram e ele teve visões de Deus. Disse Deus: “Eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás de minha parte.”

    Sua principal missão, dada por Deus, era admoestar o povo no cativeiro, para se lembrarem, o tempo todo, do porquê de estarem ali: pecado de idolatria e desobediência ao Senhor.

    Em segundo lugar, anunciar o Juízo de Deus sobre Jerusalém, o que aconteceu em 586 aC.

    Terceiro, anunciar também o Juízo de Deus sobre as nações poderosas, inimigas de Judá.

    E em quarto lugar, estimular a esperança e a confiança do povo na reunião dos judeus, e na restauração da cidade e do templo.

    O ministério profético de Ezequiel envolve visões, sinais, parábolas e símbolos. O Livro de Ezequiel pode ser dividido em três partes:
    (1) Profecias antes do cerco final a Jerusalém, vai do capítulo 1 ao 24, ano 592 aC ao 586 aC (ano da queda de Jerusalém).
    (2) Profecias durante o cerco a Jerusalém, do capítulos 25 ao 32. Juízo de Deus sobre as nações gentias.
    (3) Profecias após o cerco e tomada de Jerusalém, capítulos 33 ao 48, restauração de Israel.
    A narrativa da visão do vale de ossos secos está neste último grupo, da restauração.

    Deus mostra a situação que o seu povo se encontrava naquele momento. Verso 11b: “eis que dizem: os nossos ossos se secaram e pereceu a nossa esperança; estamos de todo exterminados”. Mas isto não acontece por acaso; é o resultado de um povo que, apesar de viver razoavelmente bem na área da saúde, financeira e social, perdeu contato com a Palavra, com os louvores, com a adoração ao Deus Todo Poderoso e com a oração. E isto porque entenderam, por eles mesmos, que Palavra, oração, louvor e adoração, era somente em Jerusalém e no Templo. Fora de Jerusalém, nem pensar!

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    Mas a falta de contato com Deus gera rapidamente o esfriamento espiritual, e por consequência as bênçãos se tornam escassas, e o sistema mundo vai tomando conta. Desta forma, esta visão não se restringe somente ao povo de Deus daquele tempo, no exílio babilônico, mas chega até nós, povo de Deus neste tempo do fim. Vidas que se afastaram do Senhor, vidas que não leem nem meditam na Palavra, que não louvam, não adoram, não oram e se sentem como diz o v. 11 citado: “nossos ossos se secaram e pereceu a nossa esperança”! Por isto estão caindo, um após outro, vivendo em cativeiro espiritual.

    Talvez entre os que leem este artigo haja pessoas que estão se sentindo assim. Mas Deus diz: “profetiza a estes ossos e dize-lhes: ossos secos, ouvi a palavra do Senhor” (v.4) e continua no v.5: “eis que farei entrar o espírito em vós, e vivereis”.

    Isto nos mostra que há esperança, há uma promessa de vitória e livramento da morte espiritual. É uma intervenção profética, da parte de Deus. O profeta obedece e profetiza conforme Deus ordenou, e o Espírito veio dos quatro ventos e assoprou sobre os mortos, e eles viveram, glória a Deus! Depois o profeta profetizou como Deus ordenou e o Espírito entrou neles e viveram e se puseram em pé, um exército sobremodo numeroso (vs. 9-11).

    Esta é a Palavra Profética do reavivamento espiritual da igreja, porque sem o Espírito Santo, a Igreja é também um vale de ossos secos. Mas nesta oportunidade esta Palavra Profética chega até nós e nos proporciona a chance de experimentar um REAVIVAMENTO NA NOSSA VIDA! Deus continua falando: “profetiza e dize-lhes: assim diz o Senhor Deus: abrirei a vossa sepultura e vos farei sair dela, ó povo meu. Sabereis que eu sou o Senhor. Porei em vós o meu Espírito e vivereis” (vs.12-14). Creio que Deus tenha falado ao seu coração, como também falou comigo.

    Agora vamos falar com Ele: Ó Deus obrigado pela tua Palavra que nos adverte e nos restaura. Eu confesso que muitas vezes tenho deixado de ler e meditar na tua Palavra, tenho deixado de orar como devia, tenho deixado de te louvar e adorar como Tu mereces, mas não quero ser osso seco. Em nome de Jesus, livra-me e faz-me sair desta sepultura e enche-me do teu Espírito Santo, pois quero viver para glorificar Teu nome e ter vida abundante em todos os sentidos. Em nome do Senhor Jesus! Amém! E Amém!
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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor aposentado da 4ª RE MG/ES

    Reformando a Igreja fincada na Rocha

    1 out 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Em certa oportunidade, Jesus disse: “sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Mt. 16:18. Muitos teólogos interpretam esta situação como se o Filho de Deus estivesse falando de Pedro e que a Igreja o teria como base, como líder, como exemplo maior em sua história.

    Contudo, não consigo entender assim. Como Jesus poderia estabelecer sua amada Igreja, comparando a alguém pecador e extremamente falho? Afinal, Pedro era um homem de personalidade forte, agressivo, brigão, rude, iletrado e que negou o próprio Jesus. É claro que, pensando de forma bem humorada, muitas denominações se assemelham a Pedro e suas características hoje, não pelo que a Bíblia diz, mas por terem se perdido em sua caminhada.

    O significado do nome Pedro no grego vem de “Petros”, que significa: homem-pedra, mas o termo que Jesus usou no texto original, foi a palavra “petra” que significa: sobre esta rocha, que era uma forma feminina do idioma e não significava nome próprio. Assim, fazendo uma análise mais profunda, percebo que a pedra a que Jesus se referia não era o apóstolo, mas o próprio Jesus, que, segundo as Santas Escrituras, é chamado de: “a Rocha ou Pedra Angular”. 1 Pe. 2: 7.

    Esta Igreja, a Igreja de Cristo, não é uma simples instituicão, ou mais um órgão operacional dos milhares que existem. A Eclésia (em grego: Εκκλησία; transl.: ekklésia), “assembleia por convocação, assembleia do povo ou dos guerreiros, assembleia de fiéis, lugar de reunião, adoração e fraternidade, a igreja viva de Deus”, tem como estrutura os elementos de Jesus e, justamente por isso, no século XVI, um monge católico inconformado se posicionou
    para resgatar esses valores, que foram se perdendo com o passar dos séculos.

    Martinho Lutero oficializou sua luta pelo resgate da Igreja naquilo que hoje conhecemos como Reforma Protestante, que foi um movimento reformista cristão, culminado no início do século XVI. A publicação de suas 95 teses em 31 de outubro de 1517, na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, foi para protestar contra os diversos pontos da doutrina da Igreja Católica Romana, propondo uma reforma no catolicismo romano e a restauração dos valores e da essência da mesma.

    Portanto, é impossível passar por este mês e não trazer à memória quem nós somos como Igreja, de onde nós viemos, e para onde iremos. A Biblia diz: “Porém, vós sois geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, cujo propósito é proclamar as grandezas daquele que vos convocou das trevas para a sua maravilhosa luz.

    Vós, sim, que antes não éreis sequer povo; mas, agora, sois o Povo de Deus; não tínheis recebido a misericórdia, contudo, agora a recebestes”. 1ª Pedro 2: 9 e 10.

    Assim, a Bíblia fala de Jesus sendo a Rocha Eterna e a Pedra Angular. Em outro texto, diz que Ele é o cabeça da Igreja, Ef. 1:22 e Ef. 5:23, e nós, propriedade d’Ele e reflexo de sua natureza. Dessa forma, ser Igreja é estar fincado na Rocha, que é Jesus, e ser guiado por Ele.

    Ele é o Senhor da Igreja, o que tem o nome mais poderoso e toda a glória. Seja este mês um bom motivo para reformarmos a Igreja de Cristo naquilo que ainda precisa ser feito.

    Com carinho, Pr. Juninho Falleiro

    O PADRÃO DA IGREJA PRIMITIVA

    25 set 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Atos 2.41-47

    PADRÃO: Palavra latina (patronu) que significa “modelo”. Ao longo da minha carreira profissional tive a oportunidade de exercer a gerência administrativa em duas empresas do ramo mobiliário. Uma das coisas mais importantes destas empresas, guardadas “a sete chaves”, eram os padrões de cada móvel que deveria ser utilizado na sua fabricação. Há padrões simples, há os que têm um certo grau de dificuldade e há os que exigem mais atenção e zelo; são os mais difíceis. Nenhum móvel poderia se basear em outro semelhante, mas sempre usar os padrões oficiais, sob pena de se fabricar um móvel que certamente vai apresentar problemas na hora da montagem.

    Hoje em dia com a proliferação de “nomes” de Igreja, uns muito esquisitos, outros inadequados ou impróprios, é bem possível que alguém pense que “Primitiva” seja nome de Igreja. Mas na realidade, primitiva tem a ver com “primeira”, e “apostólica”, porque eram dirigidas pelos apóstolos. Não haviam denominações, mas as igrejas eram identificadas pela área geográfica que ocupavam.

    Agora vamos pensar na Igreja como Corpo de Cristo, sendo Ele o Cabeça. No capítulo 1, verso 4 de Atos, Jesus determina que os discípulos não se ausentassem de Jerusalém até que se cumprisse a promessa do Pai, o batismo com o Espírito Santo (v.5). Jesus deu ainda mais algumas orientações e foi elevado às alturas, à vista dos discípulos (v.9). Estes voltaram para Jerusalém e foram para a casa de João Marcos, onde havia um sobrado no qual comeram a Páscoa. Lá permaneceram, juntamente com as mulheres que seguiam e serviam a Jesus, Maria, sua mãe, e seus irmãos, por dez dias, até o dia de Pentecostes, quando a Promessa se cumpriu e todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em línguas conforme o Espírito lhes concedia que falassem. Abriram então as portas do sobrado e continuaram a glorificar e exaltar a Deus.

    Os judeus que passavam por ali se surpreenderam e alguns acharam que aquelas pessoas estavam sob efeito de vinho. Pedro, então, com muita ousadia, prega a primeira mensagem e diz abertamente que Jesus Cristo, a quem eles crucificaram, havia ressuscitado no domingo seguinte à sua morte na cruz e por inúmeras vezes e em variados lugares, havia estado com os seus discípulos, do que eles agora davam testemunho. Muitos foram tocados por esta palavra e com o coração apertado perguntavam o que fazer. Pedro responde: arrependam-se dos seus pecados, sejam batizados nas águas e receberão também o dom do Espírito Santo. Cerca de três mil pessoas fizeram o que Pedro orientou. Nascia aí a Igreja de Jesus Cristo em Jerusalém.

    E a partir daí as coisas foram acontecendo de tal maneira que a Igreja foi se estabelecendo, criando elevados padrões os quais deveriam ser colocados em prática.

    Tendo isto em mente, quero compartilhar pelo menos nove padrões neste texto para a Igreja da qual fazemos parte.

    1- Padrão na formação da Igreja – começou com oração, seguida de arrependimento, batismo nas águas, batismo com o Espirito Santo e discipulado, onde aprendiam a doutrina dos apóstolos (v.42).

    2- Padrão na maneira de se reunirem – reuniam-se no Templo e nas casas em reuniões de comunhão, de participação da Santa Ceia e de oração

    3- Padrão de comportamento – “em cada alma havia o temor de Deus” (43). Onde há este temor há humildade, compromisso, obediência, reverência, renúncia do que não glorifica a Deus.

    4- Padrão no mover de Deus – sinais e prodígios através da liderança (43). Embora não seja este o objetivo da Igreja, isto faz parte da vida da Igreja e o nome do Senhor é glorificado.

    5- Padrão na unidade – “estavam juntos” e “tinham tudo em comum” (44). Não eram individualistas nem egoístas. Para que isto aconteça é necessário fazer este propósito diante de Deus.

    6- Vender propriedades para atender os necessitados não é um padrão, mas uma solução para uma situação daquele momento. Padrão é a disponibilidade de quem tem esta condição (45).

    7- Padrão de dedicação – reuniões diárias no Templo, Santa Ceia no lares e fazer as refeições juntos – isto, na medida do possível (46).

    8- Padrão no louvor – diariamente, em todas as reuniões, louvavam a Deus (46).

    9- Padrão na aceitação pela vizinhança e toda a cidade – “contavam com a simpatia de todo o povo” (47). É de grande importância que a Igreja não seja antipática, fechada em si mesma, ignorando o que se passa ao seu redor e não solidária.

    Conclusão:

    Já começamos a orar, glória a Deus! Os que não são ainda batizados, precisam entender que isto é de muita importância para a vida espiritual e para a Igreja. Também ser cheio do Espírito Santo é para já! Não tem porque esperar mais! Então venha, conhecer a Deus cada vez mais profundamente: discipulado, ministério, vida com Deus, vida abundante! Fazer novos discípulos, ser usado por Deus! É uma dinâmica, que não pode parar! Você se encaixa nos padrões da Igreja de Jesus Cristo, primitiva e atual?

    Deus abençoe a sua vida com esta Palavra.


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    Alcides de Moraes Mendes, é: mineiro, casado, pai e avô. Pastor Metodista aposentado na 4aRE(MG/ES).

    Setembro traz a primavera e muitas celebrações

    8 set 2015   //   por admin   //   Colunas  //  Sem comentários

    Setembro é um mês de muitas celebrações. Uma delas é a primavera, à qual já demos as boas vindas sábado passado. É, também, o aniversário da igreja, 137 anos, cuja comemoração dura o mês inteiro. É o aniversário da publicação Voz Missionária, que vamos comemorar no próximo domingo, dia 13, com um Culto Especial, à tarde. Será o Jubileu de Hortênsia – 86 anos. Comemoro, também, o meu aniversário, embora não seja tão antiga como as 2 primeiras. Nasci em plena primavera e talvez isso explique meu amor pelas flores. Todos os que me conhecem sabem disso.

    Impossível falar no aniversário da nossa igreja sem falar na sua importância, bem como de certas pessoas que a frequentam na minha vida e na da comunidade. Nesta igreja de pedras, encontrei o caminho das pedras. A definição de igreja é comunidade terapêutica e é o que tem sido para mim e para muita gente. Há 20 anos, cheguei aqui e fui recebida pela Maria Adelina (Adélia), que me ofereceu No Cenáculo, do qual foi representante durante 37 anos, além do boletim semanal. Logo, fiz minha assinatura e até hoje sou assinante. Uma vez, escrevi um artigo para No Cenáculo chamado Flores e Frutos Maduros. Este artigo falava das pessoas mais velhas que atuavam, de alguma forma, na igreja. Todas elas com grande energia. Fiquei surpresa com o alcance desse artigo, que vários sites utilizaram, inclusive o http://webservos. Mais tarde, republicaram o artigo em No Cenáculo. É que a sociedade atual valoriza os jovens, desprezando os mais velhos. A experiência não conta, diferentemente da cultura oriental. Trabalhei durante 25 anos em uma empresa, que me mandou embora por telegrama às vésperas do Natal, 3 anos após ter perdido meu pai e 2 anos após ter perdido minha mãe e tia em um acidente. Com tudo isso, não havia faltado, a não ser durante a semana de luto. Nada disso me desesperou, pois pude contar com a igreja e a família da igreja, que se tornou minha família. Um belo dia, uma senhora me procurou, pedindo que cantasse um hino em francês durante uma palestra que iria fazer sobre os valdenses, dos quais descende.

    Os valdenses são uma denominação cristã que teve sua origem entre os seguidores de Pedro Valdo na Idade Média e subsiste hoje como um grupo. Foram mártires perseguidos pelos católicos. Essa senhora, Idalina Bouzin, que foi minha professora de canto e de muitas pessoas que cantam na igreja, está com 94 anos, idade que minha mãe teria atualmente e tornou-se minha grande amiga até hoje. Peço a Deus que a conserve assim por muitos anos. Todos ficam admirados da energia que tem e da quantidade de coisas que faz. Ela orou comigo e me deu forças para enfrentar os problemas. Logo após, consegui um emprego, ganhando 3 vezes mais, substituindo uma professora que havia sido minha aluna. Isto me permitiu me aposentar, ganhando um pouco mais. Outro exemplo foi o Sr. Antonio Matolla, que chegou a completar 100 anos com uma energia invejável. Vou escrever para No Cenáculo, relatando esses fatos, mas gostaria que saísse na edição americana. Leio sempre a edição em inglês e noto que publicam artigos de vários países, mas nunca do Brasil. Na edição americana, os autores dos artigos colocam fotos das pessoas a quem se referem. Seria interessante que pudessem ver as fotos da Dra. Idalina e Sr. Matolla para verem que não estou mentindo. Hoje, as pessoas da família Matolla são muito importantes na igreja, atuando sempre, mesmo quando se encontram doentes. Por isso, quero registrar aqui meus agradecimentos, pedindo a Deus que me permita ser, como diz o Salmo 92: 14 – “Na velhice, darão ainda frutos, serão cheios de seiva e verdor”.

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    Neize Tavares, é membro ativa da Catedral, professora de Português/Francês, vice presidente da SMMulheres e integrante do Ministério de Comunicação e Memória.

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