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    O que queres

    24 mar 2014   //   por   //   Colunas  //  2 comentários

    Contam por aí certa piadinha de um jovem rapaz lá de Minas, que encontrou uma lâmpada mágica. Como de costume, quando o Gênio apareceu disse que o mineiro tinha direito a realizar três desejos. O jovem rapaz pensa bastante e então pede dois queijos e uma namorada. Curioso, o gênio quis saber o motivo daquele estranho pedido. O mineiro então responde: “Ah, seu Gênio…é que eu fiquei com vergonha de pedir três queijos!”

    Nem sempre é fácil saber o que queremos. E talvez seja ainda mais difícil saber o que precisamos para nossas vidas.

    Às vezes, achamos que conseguir um novo emprego será a solução de todos os nossos problemas; outras vezes, pensamos que se tivermos um carro melhor ou mais dinheiro seremos mais felizes. Não raro, atribuímos a posses e pequenos momentos de prazer o gatilho que impulsionará nossa alegria e liberdade. Se fossemos um pouco mais altos, ou mais magros, se morássemos em um apartamento maior, se pudéssemos viajar mais, tudo seria diferente!

    “O que queres que eu te faça?” – pergunta Jesus ao cego Bartimeu.

    “Ah, Jesus! Tem misericórdia de mim!” – Gritava o cego, alguns instantes antes da indagação do Cristo.

    “O que queres que eu te faça?” – a voz do Mestre parece ecoar. E ressoa em minha mente também: “O que queres que eu te faça?”.

    Fico imaginando a cara de Bartimeu diante daquela pergunta aparentemente irônica: “Como assim, Jesus?! Não é óbvio o que quero? Eu sou cego, como você não sabe o que pode fazer por mim?!” Imagino que ali, em uma fração de segundos, ele repensou toda sua vida. Talvez tenha lembrado os momentos de choro e dificuldade, talvez tenha lembrado a vergonha que sentia de sua condição, talvez tenha – por um breve instante – duvidado de seu próprio pedido: “O que EU quero que Ele faça?”.

    É difícil saber o que se quer, quando se pode ter tudo.

    Bartimeu não estava diante de um “gênio da lâmpada”. Ele não estava escolhendo um presente de aniversário. Ele estava diante do Cristo, o Filho de Deus, que poderia fazer qualquer coisa que ele pedisse.

    Ele gritava por misericórdia, no entanto recebeu de Deus uma pergunta.

    “O que queres que eu te faça?” e o cego poderia pedir muito dinheiro, poderia pedir uma casa,

    poderia pedir punição para os que não o amparavam, poderia pedir um reinado.

    Consciente de seu desejo e necessidade, Bartimeu responde: “Senhor, que eu veja!”

    Eu e você nos encontramos diante do Cristo hoje. E, se prestarmos bastante atenção, poderemos ouvir as palavras de Jesus para nós: “O que queres que eu te faça?”.

    Podemos ouvir sua voz em Mateus 7:7-11, ou em Mateus 21:22. Ele nos fala em 1 João 3:22, em João 16:24 e em 1 João 5:14-15. Suas doces palavras em Marcos 11:24 nos convidam a crer, nos desafiam a pedir.

    “O que queres que eu te faça?” Jesus pergunta hoje.

    Você sabe o que responder a Ele?

    “O que queres que eu te faça?” Ele insiste em dizer.

    Mas pense bem no que vai responder, por ao menos um instante. Ele é mais que um bilhete premiado de loteria. Muito mais que um cartão de crédito sem limites. Ele é o Filho de Deus, seu salvador.

    “O que queres que eu te faça?” Você pode pedir vida, pode pedir fé, pode pedir a realização de seus sonhos mais secretos e profundos. Peça o máximo. Não se contente com pouco.

    E se não souber o que pedir, diga apenas: “Senhor, que eu veja!”

    Que eu veja as muitas bênçãos que o Senhor já tem derramado em minha vida. Que eu veja sua mão me guardando e guiando em todo caminho. Que eu veja seu amor expresso em cada pequeno milagre cotidiano. Que eu veja os sonhos que o Senhor tem para minha vida. Que eu veja as muitas portas abertas diante de mim.

    Enfim, Senhor, que eu veja a Ti.

    _ _

    Rachel Colacique, professora, paulista e corintiana – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro, fazendo parte da diretoria da sociedade de jovens.

    2 comentários

    • Profundamente tocante o texto. E por isso, utilíssimo.
      Acho que não deveria ficar restrito a essa publicação, mas, sim, dito em púlpito para alcance maior de nossa membresia.
      Eu mesmo já me senti cego muitas vezes; carente dessa misericórdia.
      Senhor…que eu veja!

      • Que lindo, Walter. Obrigada.

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