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    O Contrabandista de Deus – 11ª Parte

    14 mai 2015   //   por   //   Colunas  //  Sem comentários

    O pedido

    Um milhão de Bíblias para as igrejas clandestinas chinesas…

    Essas igrejas dispunham de tão poucas Bíblias que eles as dividiam em várias partes, que eram distribuídas entre os cristãos para que memorizassem. “Precisamos de pelo menos um milhão de exemplares”, disseram eles. Nossos corações, meu e de minha equipe agora denominada Portas Abertas, foram contristados em amor diante dessa necessidade e nos dispusemos a orar.

    O governo chinês tratava a Bíblia com descaso e a subestimava. Mas a Igreja chinesa não. Ela sabia do valor das Escrituras. Eu também sabia, por experiência própria. Eu mesmo não fora convertido simplesmente lendo aquele livro?

    Os próprios cristãos chineses articularam a maneira como concluiríamos a operação. Descobriram uma praia deserta, na qual atracariam uma balsa para receber o carregamento. Uma vez em terra, eles estariam ali com um pequeno exército de homens e mulheres que poderiam esconder a preciosa carga. Tão preciosa que a chamaram de “pérola”, de acordo com as palavras de Jesus: “O Reino dos céus também é como um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que tinha e a comprou” (Mt 13.45-46).

    A praia estava pronta. Agora só faltava arranjar um milhão de Bíblias, encontrar a melhor forma de burlar a guarda costeira chinesa e fazer o descarregamento. Ah, e se possível, voltar para casa.

    contrabandista11

    Pérolas negras

    Deus se encarregou desses “detalhes”. O que era um milhão de pérolas ao Senhor de todo o oceano?

    Na noite de 18 de junho de 1981, com maré alta na praia de Swatow, nosso destino final, 232 pacotes em embalagens à prova d’água, contendo as Bíblias e pesando uma tonelada, desembocaram na orla, perante os olhos ansiosos de chineses e tripulantes.

    Ali, na praia, os irmãos abriram aquelas grandes “ostras” azuis e distribuíram seu conteúdo entre si. Suas pérolas negras passavam rapidamente de mão em mão, e sumiam nas garupas de motos, cestos de camponeses. Cada um levava sua parte daquele grande tesouro.

    A certa altura, o exército chinês fora alertado de que tinha um navio estranho naquele lugar. Contudo, quando chegou ao local, não havia quase nada mais para se ver. O povo já havia levado a maior parte das Bíblias. Os guardas recolheram as que restavam e as atiraram de volta ao mar. Dois dias depois, viram-se milhares de livros de capa preta secando sobre o telhado das casas de Swatow.

    Sem ter o recurso ou apoio de alguma organização, somente crendo e obedecendo à voz de Deus, um projeto de 7 milhões de dólares estava concluído. E ainda pudemos voltar para casa.

     

    *Extraído da Revista Portas Abertas

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