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    O Contrabandista de Deus – 10ª Parte

    6 mai 2015   //   por   //   Colunas  //  Sem comentários

    A viagem impossível

    1965. Do avião, eu avistava Hong Kong e, para além dela, o grande território da China perdia-se de vista.

    Meu plano era a prova de falhas: munido de meu passaporte holandês, pegaria um avião em Formosa (Taiwan) e desceria em Hong Kong. Lá, embarcaria para a China. Assim, passei dez dias em formosa e tomei o voo para Hong Kong. Quando contei meu plano ao homem que sentava ao meu lado no avião, ele me olhou de maneira curiosa.

    — Deixe-me ver seu passaporte — pediu o homem, que era banqueiro em Hong Kong. Depois de folhear as páginas e encontrar um visto em especial, ele exclamou — Estados Unidos!

    — Sim — respondi. — Acabo de vir de lá.

    — Rapaz, você nunca entrará na China com este passaporte.

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    Em busca de um passaporte

    Eu geralmente me animava quando alguém me dizia que determinada aventura era impossível, porque isso me dava a oportunidade de ver como Deus lidaria com o impossível. No entanto, aquele alerta do banqueiro não foi o primeiro que ouvi sobre a China.

    Também haviam me dito que Hong Kong era uma reserva de centenas de missionários cujas tentativas de entrar na China haviam falhado. Com mais esse alerta, minha confiança vacilou. Talvez eu devesse arranjar um passaporte novo.

    Tentei retirar um passaporte novo, em branco, no consulado holandês em Hong Kong, mas eles não emitiam passaporte. Então resolvi ir o Departamento de Turismo da China e, com a cara e a coragem, pedi um visto.

    Pediram-me que esperasse por três dias.

    Enquanto esperava, dei um passo de fé: fui a uma livraria evangélica e comprei várias Bíblias em chinês.

    Quatro dias depois, eu embarcava num trem para a China.

    Um milhão

    Dentro da China, procurei por cristãos fiéis em um seminário, na Associação de Moços Cristãos e até na igreja. Mas não encontrei nenhum. E ninguém se interessou pelas Bíblias que levei, ao contrário do que acontecia na Cortina de Ferro.

    Saí da China profundamente decepcionado. O que eu não sabia era que os irmãos que procurava não estavam nas instituições que visitei.

    Aqueles prédios funcionavam porque eram mantidos e rigorosamente controlados pelo governo. A Igreja que eu procurava reunia-se secretamente em casas. Na segunda vez em que visitei a China, consegui entrar em contato com eles, e receberam avidamente as Bíblias que trazia.

    Então lhes perguntei:

    — De quantas Bíblias vocês precisam?

    A resposta veio calculada e surpreendente:

    — Precisamos de, pelo menos, um milhão.

    *Extraído da Revista Portas Abertas

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