• Inscreva-se no RSS da Catedral

    Mais doce que o mel.

    30 out 2014   //   por   //   Colunas  //  Sem comentários

    “Teu amor por mim é mais doce que o mel. Tua misericórdia é nova a cada dia”.

    Lembro-me sempre desse cântico que fala da bondosa doçura do nosso Deus.

    É tão bom e reconfortante saber que Ele nos ama!

    Mas não sei exatamente o que acontece com a memória humana… pois, por mais que saibamos desse amor e cuidado, estamos sempre precisando que algo nos prove, nos lembre, nos certifique.

    Temos fé. Damos um passo, não temos mais.

    Não sei explicar. Mas não é uma perda consciente, não é uma decisão. Sabemos racionalmente que Deus está no controle, sabemos que Ele não nos abandona, podemos até citar versículos, relembrar inúmeras histórias de milagres e provisão, mas o sentimento ainda é de desamparo, de incerteza, de medo.

    Como se um “será?” estivesse ecoando lá no fundo do nosso coração.

    Não é uma dúvida sobre o poder de Deus de fazer o impossível. Não! Disso nós temos certeza!

    Ele pode! Nossa dúvida diz respeito apenas ao nosso próprio momento: “Será que Ele fará isso por mim? Será que dessa vez Ele também não vai me deixar? E se Ele resolver não atender esse meu chamado?”

    Acho que foi o que Pedro passou naquele momento, ao andar sobre as águas: “Senhor, se és Tu, manda ir-me ter contigo por cima das águas” (Mateus 14: 28). Pedro pediu, e recebeu sua resposta na mesma hora: “Vem!”

    Ah, o prazer de ter um pedido atendido! E Pedro vai. Ele pode ver Jesus. Ele acabou de ouvir sua ordem autorizando que caminhasse. Naquele momento eram apenas Pedro, Jesus e o milagre. Um pedido já atendido. Ele já estava sobre as águas. Não era algo futuro, mas acontecia naquele instante presente, com o Mestre à sua frente, e o mar sob seus pés. Como duvidar? Como explicar o medo que tomou conta de Pedro, independente do que acontecia à sua vista?

    De onde veio sua fraqueza repentina? Uma dúvida surgida após um ato gigantesco de fé, após pedir e receber, após dar os primeiro passos. Talvez pudéssemos entender se Pedro duvidasse antes de sair do barco. Talvez fosse justificável. Mas ali, diante de Cristo e o milagre realizado?

    “Homem de pouca fé, por que duvidaste?!”

    Quantas vezes agimos como Pedro, e nos agitamos sobre o mar, deixando o medo e os ventos ditarem nossa força? E pedimos, suplicamos: “Senhor, salva-me!”

    Mas já estávamos salvos. Já havíamos recebido a ordem de avançar. Já havíamos presenciado o impossível se realizar. Já estávamos lá, com o Mestre, e ainda assim, duvidamos.

    Que bom que, para nossa sorte, Deus não age baseado na nossa capacidade de crer, e permanecer crendo. Ainda bem que o Senhor que não nos abandona, mesmo ciente de nossa pequenez e incredulidade. Bendito aquele que permanece fiel, mesmo quando somos infiéis.

    Bradamos “Salva-nos, Senhor!” e na mesma hora Sua mão já está estendida.

    Quanta bondade. Quanta misericórdia. Que lindo e doce amor. Mais doce que o mel.

    Se hoje o vento sopra forte, se o som da tempestade o assusta, se a escuridão traz pavor, se o sentimento é de desamparo, saiba que Jesus está bem à sua frente, já com a mão estendida para te socorrer.

    Eu sei que você não quer duvidar. Eu sei que seus sentimentos, às vezes, são contrários às suas certezas racionais. Eu sei. Você sabe. E Ele também sabe.

    Ele sabe que você é apenas um ser débil e assustado, que tem uma péssima memória! Mesmo sabendo que você esqueceu a ordem dada há instantes, e de tantos impossíveis já atendidos, mesmo você duvidando diante do milagre presente, mesmo sabendo que você esquecerá de novo, e terá medo de novo, ainda assim, Ele não desiste de você. Ele não vira as costas para seu clamor.

    Então, ser frágil e de pequena fé, pode gritar! Com toda força! Não tenha vergonha. Ele sabe das suas estúpidas limitações. E te ama mesmo assim. E te socorre tantas quantas vezes forem necessárias. O Deus que sustentou Pedro, também te amparará.

    “Tua misericórdia é nova a cada dia”. Ele é misericordioso, nós somos medrosos. Ele é bom, nós somos fracos. Ele é nosso provedor, nós somos inconstantes. Não merecemos, mas Ele jamais deixa de cuidar de nós.

    Brademos então, Àquele que nos ouve: Salva-nos, Senhor! Salva-nos do nosso medo. Da nossa incredulidade. Da nossa parca memória. Dos nossos sentimentos traiçoeiros. Salva-nos da nossa cegueira e tolice. E acalme as tempestades em nossos corações. Amém!

    _ _

    Rachel Colacique, professora, paulista e corintiana – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro, fazendo parte da diretoria da sociedade de jovens.

    Deixe um comentário