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    FATO NOVO

    5 fev 2015   //   por   //   Colunas  //  Sem comentários

    A segunda viagem do apóstolo Paulo e sua equipe
    Atos 15.36-41; 16; 17; 18.23

    A Segunda Viagem Missionária tem início com um convite de Paulo a Barnabé: “Voltemos, agora, para visitar os irmãos por todas as cidades nas quais anunciamos a palavra do Senhor, para ver como passam.” (v.36b).

    Barnabé queria levar também João Marcos (v.37), mas Paulo reagiu dizendo que não achava justo levarem uma pessoa que abandonou a equipe na primeira viagem (v.38). Isto gerou uma discussão que acabou em desavença e separação. Barnabé e João Marcos viajaram para Chipre (v.39) e Paulo com Silas e Lucas, o narrador da viagem, viajou para a Síria e Cilícia (v.41), seguindo para Derbe e Listra, onde encontraram um discípulo chamado Timóteo, que depois de circuncidado, para não ter problemas de aceitação pelos judeus, se juntou à equipe missionária de Paulo. (16.1-5).

    Embora o texto bíblico não mencione especificamente o tempo investido por Paulo e sua equipe em oração, não temos a menor dúvida que não só durante a preparação da viagem missionária como
    em todo o seu desenrolar, muito tempo foi dedicado ao jejum e à oração, inclusive pela Igreja em Antioquia, que lhes dava todo apoio possível.

    Inesperadamente a narrativa de Lucas, no verso 6, diz que o Espírito Santo, de quem esperavam unção, direção, consolo e apoio, impediu, isto mesmo, impediu que pregassem a Palavra na Ásia.

    Não havia ninguém desacertado, em pecado ou em desobediência. Alguma coisa muito importante estava acontecendo! No verso 7, novamente Lucas diz que o Espírito Santo não permitiu que Paulo e sua equipe fossem para Bitínia. Então foram para Trôade onde Paulo à noite teve uma visão de um varão macedônio que estava em pé e lhe rogava: “passa a Macedônia e ajuda-nos”. No verso 10 Lucas diz: “imediatamente procuramos partir para aquele destino.” Aí as coisas começam a se encaixar.

    Mas também, por outro lado, a gente descobre que o início da narrativa, o “era uma vez” da segunda viagem não está no capítulo 15.36, mas sim no 16.13, que nos conta que Paulo e sua equipe procuraram alguns dias em Filipos algo que pudesse ter relação com a visão e que no sábado saíram da cidade para encontrar com um grupo de mulheres judias, lideradas por Lídia, que oravam na beira de um rio.

    Vamos abrir aqui, agora, um parênteses, para entendermos melhor o que está acontecendo. Existe em Direito uma figura jurídica que se chama “fato novo”; é tão forte e importante que, a critério do juiz, pode servir de base para reabrir um processo mesmo que já tenha sido arquivado. As mulheres em oração, em seus pedidos, se constituem num verdadeiro “fato novo” nesta segunda viagem, tão importante que o Deus Espírito Santo mandou parar todo o processo missionário que estava em andamento para primeiro atender o que as mulheres queriam e pediam. Deste encontro nasceu a Igreja em Filipos que se tornou uma importante igreja na Obra do Espírito. Mas e o “varão” da visão?

    Ah! O nosso Deus é muito sábio! O “varão” representa Lídia! Se Deus mostrasse uma mulher ou uma “varoa” na visão, certamente Paulo teria muita dificuldade em atender imediatamente a visão como de fato aconteceu.

    E Lídia, quem era ela? O texto nos informa que era uma “vendedora de púrpura”. Parece muito simples, mas não é! Naquele tempo e naquela cultura, era raríssimo uma mulher trabalhar fora.

    Mais raro ainda na profissão de vendedora, que exige uma pessoa extrovertida, capaz de impor sua presença no meio dos homens e mulheres e vender o seu produto. Que produto é este? Púrpura, uma tinta extraída de moluscos marinhos que depois de preparada serve para tingir tecidos que serão usados por reis, rainhas, sacerdotes e certas autoridades. Um produto caríssimo, que vale mais do que ouro.

    Com estas informações podemos perceber que Lídia não era uma mulher qualquer, mas uma pessoa bem sucedida na vida, de uma certa posição social, mas que abre mão disto tudo para estar na beira de um rio com outras mulheres orando uma oração que tocou os céus, o trono de Deus, que mandou parar tudo para começar em Filipos a segunda viagem missionária, que se tornou extremamente produtiva, a começar por aquele grupo que aceitou Jesus como o Messias e Senhor, foram batizados, passaram a se reunir na casa de Lídia e por ela liderados até que o Senhor levantasse alguém para pastorear a nova igreja. É claro que houve muitas lutas e dificuldades, mas Deus deu a Vitória!

    A pergunta agora é: e a nossa oração? É um “fato novo” capaz de fazer parar tudo e começar de novo? Nossa oração é capaz de mover céus e terra para atingir seus objetivos? Somos capazes de abrir mão de qualquer coisa para estar orando com o nosso grupo, se for preciso, até na beira de um rio? É bem provável que precisamos orar mais: oração individual, oração em família, oração na Igreja, oração em pequenos grupos, campanha de oração, oração e mais oração!

    A Deus toda glória! Amém!
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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

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