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    ESTER E A IGREJA QUE DEVEMOS SER

    20 mar 2015   //   por   //   Colunas  //  Sem comentários

    Um resumo da narrativa dos caps. 1 a 7 do livro de Ester

    Uma grande festa foi promovida pelo rei Assuero, cujo nome verdadeiro era Artaxerxes. Em determinado momento o rei pediu para seus auxiliares mais diretos irem aos aposentos da rainha Vasti e dizer-lhe que o rei solicitava a sua presença na festa, devidamente arrumada e paramentada, para apresentá-la aos seus convidados. Inesperadamente, Vasti disse simplesmente que não iria. Os conselheiros do rei ainda insistiram, mas Vasti se mostrou irredutível. O rei foi devidamente informado do ocorrido, e ele que tinha poderes de vida e de morte e podia determinar que Vasti fosse eliminada imediatamente, ficou muito irado e decepcionado, mas não tomou nenhuma medida precipitada. Reuniu os seus conselheiros e pediu ajuda. O conselho mais sábio determinava que Vasti ficasse proibida de ver o rei ou dirigir-se a ele.

    Continuaria com todas as regalias, mas não veria mais o rei.
    Passado algum tempo e baixada a poeira, foi sugerido ao rei que se convocasse as donzelas de todo o reino que quisessem se candidatar a rainha. Elas passariam por um processo de seleção e preparação, incluindo embelezamento etc, e o rei faria a escolha final. O rei gostou da ideia e aprovou a sugestão.

    E aqui começa a história de Ester, cujo nome em hebraico é Hadassa, moça judia, e que por orientação do tio Mordecai (ou Mardoqueu), se inscreve como candidata a substituir Vasti, e por sua beleza e comportamento, cai na graça do eunuco chefe. Passou doze meses sendo preparada, sendo que por seis meses recebeu tratamento à base de mirra – bálsamo feito à base de uma florzinha miúda, aparentemente sem perfume, o qual só é percebido quando as pétalas da flor são vigorosamente trituradas. Ester foi considerada a mais bela e bem preparada das candidatas e foi a escolhida do rei para se casar com ele e tornar-se a nova rainha.

    Após a escolha de Ester como nova rainha, seu tio Mordecai, passou a freqüentar as cercanias do palácio real, onde sempre conseguia informações sobre Ester. Em certa ocasião, ouviu dois soldados tramarem contra a vida do rei e passou a informação para Ester, a qual alertou a guarda palaciana, que através do seu comandante Hamã, confirmou tudo e os dois revoltosos foram enforcados ficando Hamã como o herói perante o rei.

    Como Hamã se engrandeceu diante do rei, recebeu a honra de ser cumprimentado pelos súditos com a mesura, mesma reverência dedicada aos nobres, com todos se inclinando quando ele passava. Todos menos um, Mordecai, que por ser judeu não se prostraria diante de nenhum homem, mas somente diante de Deus. Isto chegou aos ouvidos de Hamã, que se encheu de ódio não somente por Mordecai, mas por todo o povo judeu e passou a tramar uma maneira de exterminar todos os judeus do império.

    Aproveitando-se de gozar da confiança do rei, Hamã fala muito mal dos judeus inventando uma porção de mentiras e dizendo que este povo representava um perigo para o reino, que deveria ser eliminado e seus bens confiscados para o palácio. O rei acredita e lhe dá o seu anel de selar com total liberdade para elaborar um decreto de extermínio dos judeus, como bem desejasse.

    Ester não ficou sabendo de nada, mas Mordecai e toda a população judia foram grandemente impactados e começam a clamar, jejuar e vestir pano de saco e pôr cinza sobre a cabeça para se humilhar diante de Deus. É desta forma que Mordecai tenta falar com Ester para pedir sua interferência junto ao rei e diz que agora entende que foi para este momento que Deus a colocou como rainha. Ester fica muito tocada, mas diz que por questões de segurança, não tem acesso ao rei a não ser que ele a chame a sua presença. Se for sem ser chamada, corre risco de vida dependendo apenas de o rei vê-la e lhe estender o seu cetro real.

    Diante disto, propõe um jejum de 3 dias para todo o povo e então ela enfrentaria o risco de vida. Neste período, Deus a fortalece e lhe dá uma estratégia. No momento certo ela se apresenta no pátio da sala do trono, devidamente adornada com os trajes reais e o rei lhe estende o cetro de ouro e lhe pergunta o que deseja, prometendo lhe dar até metade do seu reino, se ela quiser. Ela então convida o rei e Hamã para um banquete em seus aposentos, o que é imediatamente aceito pelo rei e seu general. Neste banquete, Ester não revela ainda o que quer, mas marca outro banquete novamente com a presença do rei e Hamã, o que é aceito por Assuero.

    Certa noite o rei estava com insônia e mandou que lessem para ele as crônicas do seu reino para ver se o sono voltava. O texto lido falava justamente da rebelião dos dois soldados que queriam matar o rei e foi denunciado por Mordecai. O rei perguntou se constava do relato alguma recompensa a Mordecai por ter livrado o rei. A resposta foi negativa, não fizeram nada. O rei manda chamar a Hamã e lhe pergunta como devia premiar alguém que o rei quisesse agradar por ter-lhe salvo a vida. Hamã, pensando se tratar dele mesmo, propõe um desfile pela cidade em vestes reais, com a coroa real e no cavalo do rei, com alguém proclamando: assim se faz a quem o rei deseja honrar! O rei aprova a sugestão e determina que Hamã faça exatamente como falou, com Mordecai!

    Hamã se sentiu humilhado e afrontado e de tanta raiva mandou preparar uma forca para a execução de Mordecai.

    Chega o dia do segundo banquete. O rei e seu general comparecem. Ester expõe ao rei o que está acontecendo como conseqüência do decreto de morte do povo judeu e revela que ela também é judia e que portanto está condenada a morte juntamente com seu povo, e tudo isto por causa da vaidade de um homem mau. O rei pergunta quem é este homem mau e ela aponta para Hamã, o qual acaba sendo enforcado na forca que havia preparado para Mordecai, que por sua vez passa a ter a consideração do rei.

    Como o decreto do rei não pode se revogado, é elaborado um novo decreto que dá o direito aos judeus de se defenderem legalmente, havendo então um grande livramento para o povo de Deus, que mesmo com lutas recebe a vitória com muito júbilo e comemorações.

    Conclusão:

    Vasti – Mulher é geralmente tipo da Igreja; e a igreja tipificada por Vasti é a igreja que não está disponível, não é igreja serva, mas só faz o que quer, quando quer; não sabe o que é obediência nem dependência de Deus. Como punição, foi proibida de entrar na presença do rei. Mesmo continuando a morar no palácio perdeu totalmente o acesso ao rei. Vive de aparências, parece que é, mas não é! Há muitas vidas que se dizem igreja, mas não o são!

    Ester – A igreja bonita mas humilde, simples, obediente, disposta, serva, que não vive somente para si mesma. Escolhida no lugar de Vasti, aproveitou bem o período de preparação. Seis meses tratada com mirra lhe ensinaram que o bom perfume tem um preço que é passar por momentos difíceis e suportar. Enquanto Vasti, chamada pelo rei, não compareceu, Ester, sem ser chamada, se preparou espiritualmente através do jejum e da oração, meios de graça dados por Deus para sua igreja e foi ao encontro do rei, mesmo sabendo que corria risco de vida. Mas ela foi acolhida com gestos e com palavras de carinho e teve livre acesso ao rei, à Sala do Trono, à Sala do Banquete e a todo o Palácio.

    Mordecai – Tipo do Espírito Santo, foi quem Deus usou para levar Ester a ser rainha e assumir a responsabilidade de ser intercessora. Denunciou o que estava errado. Não se prostrou diante de homem. Sem aparecer, foi quem mais atuou a favor do povo de Deus.

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    Alcides de Moraes Mendes – Mineiro, casado, pastor metodista aposentado na 4ª RE (ES/MG)

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