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    Confia em mim?

    23 fev 2015   //   por   //   Colunas  //  Sem comentários

    Confiar: verbo tão presente em nossas músicas, poemas e conversas cotidianas.

    Dizemos para amigos, amores e familiares. Vemos o apelo em cartazes e panfletos de propaganda, que afirmam podermos depositar nossa confiança em suas marcas e produtos.

    Olhando assim parece até algo fácil de fazer! O dicionário diz que confiar é sinônimo de acreditar, sinônimo de delegar, “entregar aos cuidados de”. Então, se pensarmos bem, talvez não seja uma tarefa assim tão simples.

    Pode ser que você confie que um desconhecido corte seu cabelo, pode ser que confie em um taxista que parou no meio da rua, pode até emprestar seu carro para um amigo. Mas daí a confiar “cegamente” e entregar a alguém o controle de algo, é um passo bem diferente.

    Eu não sei quanto a vocês, mas essa questão para mim tem sido um ponto a que tenho dedicado bastante atenção: Em quem confiar? O quanto confiar? Em que circunstâncias estou agindo corretamente ou sendo imprudente? Ingenuidade ou fé? São perguntas difíceis de responder.

    Até porque, mesmo sem perceber, vamos criando meios e estratégias de proteção que, às vezes, podem mascarar aquilo que chamamos de confiança: tudo bem experimentar um novo salão, já que o cabelo cresce novamente; tudo bem pegar um taxi desconhecido, porque eu posso observar sua credencial e vinculação da cooperativa; tudo bem emprestar meu carro,

    tenho um seguro de ampla cobertura para eventualidades. Tudo bem confiar em você, desde que seja só até onde posso garantir minha própria segurança!

    É o tal “confiar com reservas”. Parece que confio no outro, mas talvez esteja confiando apenas em minha própria capacidade de julgamento da situação. Não que façamos isso por maldade, mas sim motivados por nossa necessidade de segurança. Tentamos ter o controle da situação porque achamos que assim estaremos mais protegidos. Sabe aquele velho ditado que diz: “se quiser algo bem feito, faça você mesmo”? Então… acho que é mais ou menos por aí.

    Obviamente não estou criticando generalizadamente esse tipo de atitude. Não digo que devemos caminhar inocentemente nos expondo a riscos desnecessários. Não se trata de baixar guarda de nossas autodefesas. Lembramos bem o que diz Jeremias 17:5 “Maldito o homem que confia no homem” e o texto de Mateus 10:16 “prudentes como a serpente, mas simples como as pombas”. Mas essas defesas que criamos para as relações humanas acabam se estendendo para várias esferas da nossa vida. E pensar o quanto essas questões afetam nossa fé em Deus, é um exercício importante!

    Pensando em minhas próprias experiências, percebo o quanto ainda tenho dificuldade de descansar após ter entregue algum problema nas mãos de Deus. Digo que confio Nele, tenho plena certeza que ele tem poder para realizar meu pedido, mas ainda assim fico pensando em todos os “mas”, “será” e “porém” envolvidos.

    Às vezes sinto como se estivesse tentando domar um leão.

    Meu impulso humano de tentar ter o controle das coisas é o tal felino: indócil, selvagem, pronto para atacar a qualquer momento. E eu estou ali, com um banquinho e o chicote na mão, lutando contra mim mesmo, tentando não ser devorada pelos meus medos e inseguranças.

    Minha fé manda confiar. Minha razão manda me proteger, já que teme sempre pelo pior.

    Parece meio dramático falando assim, mas quem nunca tentou “dar uma ajudinha” pra Deus?

    Abraão teve Ismael, Jacó comprou sua primogenitura, e a gente fica tentando dizer para Deus o que Ele deve fazer em nossa vida. Não é mesmo?

    Dizem que o banquinho de quatro pés é um dos segredos dos domadores. Ao agitar o banco na frente do leão, o animal tenta focalizar os quatro pés ao mesmo tempo e acaba ficando confuso, e paralisa. Jesus tem sido meu banquinho! É o único segredo capaz de me ajudar a domar minha racionalidade teimosa e insegura.

    E olha que eu sou bem teimosa mesmo! Qualquer pequeno descuido e pronto! Lá está meu leão atacando seu domador. Lá estou eu discutindo com Deus sobre como determinados planos não saíram como planejei, o quanto determinados sonhos ainda não foram realizados, o quanto isso ou aquilo está demorando muito. Lá estou eu tentando tomar atalhos, tentando resolver as coisas do meu jeito e no meu tempo, lá estou eu confiando em Deus, mas com (muitas) reservas!

    Então vem Jesus, com toda sua paciência de pai, e começa a me lembrar de que eu não tenho o controle de tudo, mas Ele tem. E vêm as coisas loucas na vida, que confundem as sábias; e vem a fraqueza; e as coisas parecem tão longe das minhas mãos, e tão fora do meu controle…

    mas estão nas mãos daquele que me guarda.

    Quanta fragilidade poderia ser superada se simplesmente confiássemos nisso.

    Ficamos com medo de entregar nosso Isaque, pois não confiamos que haverá um cordeiro para nós.

    Tememos desagradar o rei, pois não confiamos que as chamas da fornalha não nos queimarão.

    Procuramos nossos atalhos, por não confiarmos que ele tem um caminho de plenitude.

    Mas Ele tem.

    Ele vê.

    Ele não esquece.

    Então vá lá, pegue seu banquinho, e dome seu leão assustado que ataca por medo.

    Fique tranquilo, Ele quer te ver pleno de felicidade.

    Descanse, a vitória virá, mesmo que isso custe algumas lágrimas pelo caminho.

    Delegue a Ele seus planos, pois Ele vibra tanto quanto você a cada conquista alcançada.

    Ele sonha com seu crescimento, com sua segurança.

    Confie, Ele não vai esquecer de você : “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.” (Jeremias 29:11).

    Como diz a letra de uma música: “Ele te deu as [coisas] mais loucas pra confundir as mais sábias, e te deixou as mais fracas pra te livrar da tua força. E ele escolheu bem as que não são pra te lembrar que você não é. E que não precisa ser o que não precisa.”

    Abra mão da sua força, porque Ele está sendo forte por você.

    Abra mão de sua razão, pois Ele sabe o que fazer.

    Você não precisa ser, porque Ele já é.

    _ _

    Rachel Colacique, professora, paulista e corintiana – é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro, faz parte da diretoria da sociedade de jovens e secretária distrital da Federação de Jovens 1a RE – distrito do Catete.

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