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    A PRISTINA GERAÇÃO CRISTÃ: POLICARPO DE ESMIRNA

    1 jun 2015   //   por   //   Colunas  //  Sem comentários

    Um dos cristãos dos primeiros tempos de nossa era, Policarpo se destacou por proclamar ter conhecido ao menos um apóstolo, João que, segundo Tertuliano, o teria nomeado bispo de Esmirna, cidade situada no que hoje conhecemos como Turquia, próxima ao mar Egeu. Nascido circa 70 d.C. , viveu provavelmente numa família cristã. Estudiosos têm como provável que Policarpo tenha encontrado mais de um dos discípulos do Mestre, de quem recebeu ensinamentos aprendidos diretamente de Cristo.

    Em meados do século II de nossa era, as especulações gnósticas se difundiram ativamente e várias coisas desconhecidas pelos cristãos foram tidas como derivadas das tradições secretas dos apóstolos. Assim, um alto valor foi atribuído ao testemunho que Policarpo podia dar quanto à genuína tradição da doutrina apostólica. E o seu testemunho condenou como ofensivas as novidades do Gnosticismo, invenções dos professores heréticos.
    Policarpo coroou seus outros serviços para a Igreja por um martírio glorioso.

    POLICARPO-DE-ESMIRNA

    A história conta que o martírio de Policarpo foi o último ato de uma grande perseguição e teve lugar por ocasião de jogos realizados em Esmirna , em que outros onze sofreram antes dele. O procônsul de Éfeso fez o possível para convencer os acusados de salvar-se pelo perjúrio, renegando a fé cristã. Um frígio aceitou fazê-lo, enquanto um germânico açulou as feras para garantir uma morte mais rápida. A plateia gritava : “Fora com os cristãos! Vamos pegar Policarpo!” Policarpo, três dias antes de sua apreensão, teve uma visão de seu travesseiro pegando fogo, e interpretou-a para seus amigos: “Devo ser queimado vivo.” Quando os perseguidores se aproximaram, seus amigos insistiram para ele fugir , mas ele recusou dizendo: “Que a vontade de Deus seja feita.”

    Logo eles encontraram o magistrado romano que ordenara sua prisão e que insistiu com ele seriamente para salvar a sua vida: ” Que mal há em declarar ‘César é o Senhor’ e assim escapar à arena? Jure agora e eu vou deixar você ir”. Então Policarpo deu a resposta memorável : “Oitenta e seis anos eu O servi e Ele nunca me fez mal, como então posso blasfemar contra meu Rei e meu Salvador?” O procônsul , então ordenou que seu arauto anunciasse três vezes no meio da arena: “Policarpo confessou-se cristão.” Levantou-se um clamor furioso de pagãos e judeus contra este ” pai dos cristãos”. O presidente dos jogos foi chamado para soltar um leão contra Policarpo, mas recusou-se, dizendo que as exibições com as feras selvagens já tinham terminado.

    Em seguida, a uma só voz a multidão exigiu que Policarpo fosse queimado vivo. Quando a pilha de lenha ficou pronta, Policarpo ofereceu uma oração final, e a pira foi acesa. Mas a chama, sob o vento, se afastava do corpo, que podia ser visto, arrasado , mas não consumido. A fumaça parecia perfumada para os cristãos , seja por prodígio ou porque madeiras perfumadas foram usadas na pilha. Vendo que a chama estava morrendo, um carrasco foi enviado para usar a espada, que cravou em suas costas. Quando o sangue jorrou, abundante, a chama quase foi extinta. Os cristãos pediram para remover o seu corpo.

    A história do martírio de Policarpo é narrada em uma carta ainda existente, acerca da peregrinação de membros da Igreja de Esmirna à Philomelium (uma cidade da Frígia). Este documento foi conhecido por Eusébio, que transcreveu a maior parte em sua História Eclesiástica. Eusébio parece ter se equivocado no cálculo do ano em que isso aconteceu. Outras inferências, obtidas a partir dos documentos coetâneos subsistentes, permitem apontar a data do martírio de Policarpo como datando do sábado anterior à Páscoa, 23 de fevereiro de 155 d.C.

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    Domitila Madureira, nasceu num lar cristão e é membro da Catedral Metodista do Rio de Janeiro. 

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