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    A ESPERANÇA MESSIÂNICA NA TRADIÇÃO BÍBLICA

    1 mar 2016   //   por   //   Colunas  //  Sem comentários

    “ Eu sei, respondeu a mulher, que há de vir o Messias, chamado Cristo.Quando vier, Ele nos anunciará todas as coisas.” Jo 4:25

    O substantivo hebraico Maxiah tem com significado untar, ungir. O conceito de Maxiah passa na tradição do antigo testamento a retratar alguém com representatividade e legitimidade concedida por Deus. Comumente, a ocorrência do termo Maxiah junto ao nome de Deus reafirma a posse do carisma divino ao eleito no ato da unção. O ungido tem a missão de ser o mediador da bênção divina ao povo.

    Outro aspecto importante na tradição messiânica do antigo testamento é a relação estreita entre o messianismo e esperança bíblica. A esperança bíblica tem o seu nascedouro no contexto onde predomina a injustiça social, a violência de natureza diversa, instabilidade econômica, política e a perda do significado e sentido da vida, principalmente entre os marginalizados e sofridos pelo processo de exclusão social e religiosa.

    O messianismo está pautado no imaginário idealizado, que enfatiza a busca por um novo significado existencial. O pavimento do messianismo bíblico está na criação de uma nova ordem social e religiosa e que tem na esperança em Deus a sua maior expectativa.

    A esperança messiânica perpassa a história do povo bíblico em todo o antigo testamento. Destaca-se o messianismo do reino do sul, onde a campesina Judá e a cosmopolita Jerusalém alimentam sua esperança messiânica. A tradição messiânica de Jerusalém está fundamentada na teologia construída sobre a casa de Davi. A sucessão real ancorava-se na promessa de uma dinastia sem fim. As principais características do  messianismo de Jerusalém é a sua institucionalização fundamentados na elite sacerdotal, nos profetas da corte e nos funcionários e políticos da monarquia.

    O símbolo do cetro real demonstra a consciência que se constrói em torno dessa tradição. A esperança messiânica de Jerusalém é de característica guerreira, onde força, dinastia sem fim e ações bélicas marcam suas ações. O messianismo de Judá tem sua esperança messiânica no modelo do Messias-pastor e o símbolo no cajado. O referencial está na unção do jovem e frágil pastor de ovelhas, filho de Jessé. Belém é o lugar que representa a esperança de pastores, agricultores e profetas, como Miquéias.

    No messianismo de Judá, evidencia-se o carisma ( unção de Javé), a fragilidade existencial, o cuidado pastoral e a coragem nas adversidades e pelejas.

    Na tradição dos evangelhos, percebe-se que há grupos e partidos religiosos que alimentam essas duas tradições messiânicas. Nos evangelhos, a perspectiva está no anúncio do Cristo de justiça, sabedoria e direito (livro do Imanuel) relatado na literatura messiânica do profeta Isaias e na construção teológica de Miquéias sobre o pastoreio do Messias, onde o símbolo é o cajado e a unção é de Javé.  

    No evangelho de João, percebemos uma teologia pastoral, onde o Messias Jesus é descrito como o bom pastor, que dá a vida por suas ovelhas. Na tradição do novo testamento, não há evidências que corroborem  a esperança de um messias guerreiro, que restauraria Israel através de ações bélicas, mas sim do messias comprometido com o ser humano, cujo maior propósito é o cuidado e o direito à vida abundante.

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    Rev. Marcello Fraga

     

     

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